Depois do Cinema

As Escolhas de Jota

By Jota Queiroz - domingo, junho 19, 2011


Agora é a minha vez de partilhar os meus 14 filmes favoritos; uau, é mesmo um desafio, dado que há *milhares* de filmes que adoro, dentro de diversos géneros. Contudo, a Ficção Científica e os filmes épicos estão mesmo no mais alto nível, e é mesmo difícil colocá-los numa determinada ordem. Não hesitem em partilhar connosco a vossa opinião relativamente a este TOP 14 de Filmes.


14. The Great Dictator (1940)

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Crítica: Aqui


A estrela Charlie Chaplin perdura na mente de todos os cinéfilos por alguma razão, e acho que ao verem o filme perceberão porquê. É o primeiro filme falado de Chaplin e tem momentos icónicos que marcam o Cinema para sempre.



13. Wall-E (2008)

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Crítica: Brevemente


Wall-E" tornou-se dos meus filmes de animação favoritos porque reúne uma série de qualidades que prezo bastante: inteligência, coerência, ciência e diferença (e ser da pixar :O!) . É um filme que não agrada a todos, por ser mesmo muito especial. Fantástica jornada pelo universo futurista.



12. Saving Private Ryan (1998)


Crítica: Aqui

Não há experiência cinematográfica tão poderosa como o filme Saving Private Ryan. Este, para além de inolvidável, é absolutamente brilhante e permanece indubitavelmente na História do Cinema. E para não falar que tem a temática da segunda guerra mundial, que adoro como poderão constatar aqui.



11. Der Untergang (2004)

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Crítica: Aqui

Um filme que retrata o maior ditador da História constitui um grande desafio. Contudo, o realizador Oliver Hirshbiegel brinda-nos com um bom filme, que se torna inesquecível com algumas cenas marcantes e é completamente desprovido de alguma forma de comercialismo, sendo uma boa recreação dos últimos dias de Hitler e do Nazismo.





10. Moon (2009)

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Crítica: Aqui

Mal me conseguia lembrar da última vez que um filme de Ficção Científica tinha tido um efeito relevante em mim. Longe do estereótipo hollywoodesco, o estreante realizador Duncan Jones presenteia-nos com um filme que se aproxima bastante das obras máximas de Ficção Científica: Solaris de Tarkovsky e 2001 A Space Odissey de Kubrick.


9. District 9 (2009)

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Crítica: Aqui

Sou um pouco exigente, mas com District 9 nem precisei: reúne todos os elementos que adoro. District 9 constitui um filme inovador e ousado, com magníficas características que o tornam inesquecível.



8. Letters from Iwo Jima (2006)

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Crítica: Aqui

Clint Eastwood é, sem sombra de dúvida,um cineasta brilhante. A Segunda Guerra Mundial é uma temática envolvente e trabalhosa, mas Eastwood brinda-nos com um filme japonês absolutamente estrondoso sobre a épica batalha de Iwo Jima.



7. Gattaca (1997)


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Crítica: Aqui

Para quem me conhece bem, sabe que Gattaca é um dos meus filmes de eleição. Não só tem uma temática muito interessante, como a Genética e o Espaço, como também conta com a interpretação de um dos meus actores favoritos, Ethan Hawke, como também Jude Law, Uma Thurman e Alan Arkin. Recomendo vivamente!



6. Edward Scissorhands (1990)

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Crítica: Aqui


Dos meus realizadores favoritos, Tim Burton, com o meu compositor favorito, Danny Elfman e com o meu actor favorito, Johnny Depp, “Eduardo Mãos de Tesoura” é simplesmente dos meus filmes de eleição. É o culminar da carreira de Tim Burton e Danny Elfman juntos, é o clássico.




5. Inglorious Basterds (2009)

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Crítica: Aqui

Apesar de não estar historicamente correcto, aqui está um excelente filme, brilhante e magníficamente interpretado. Christopher Waltz é magnífico como o Coronel da SS Hans Landa e Quentin Tarentino mais uma vez prova a sua mestria na realização.




4. The Pianist (2002)

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Crítica: Aqui

Filmes com a temática do Holocausto são sempre bem vindos, e The Pianist é um dos meus favoritos. Roman Polanski teve uma visão extraordinária como realizador, e o actor Adrien Brody interpretou magnificamente o pianista Wladyslaw Szpilman.




3. The Dark Knight (2008)

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Crítica: Aqui

O filme tem um excelente argumento, diálogos perfeitos, cenas muito bem trabalhadas e com as doses de acção muito equilibradas, para não falar da excelente interpretação de Heath Ledger como o lendário Joker. Genial!


2. Lord of the Rings: The Return of the King (2003)

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Crítica: Brevemente

Os filmes da trilogia Lord of the Rings ocupariam três lugares na lista, pelo que tive que escolher o que considero melhor: The Return of the King,que conclui a saga. Está maravilhosamente épico, consagrando Peter Jackson.


1. Black Swan (2010)

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Crítica: Aqui

Black Swan tornou-se um filme obrigatório para mim, não só pela magnífica história que nos envolve do início ao fim como também pelo soberbo trabalho da actriz Natalie Portman e do realizador Darren Aronofsky. Absolutamente brilhante!


Outros:

Django Unchained
The Hunger Games
The Hobbit: An Unexpected Journey
Star wars
Before Sunrise/Before sunset
Brave
Inception
Ágora
O Escafandro e a Borboleta

300
Crouching Tiger Hidden Dragon

and many many many many many more... (long live Cinema!)


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The Hangover - Part II (2011)

By Jota Queiroz - domingo, junho 05, 2011
"Holla, City of Squalor!"

Onte
m, dia 3 de Junho, fez-se história. Os 3 temíveis críticos do mundialmente conhecido blogue "Depois do Cinema" estavam juntos numa sala de cinema, prontos para ajuizar o trabalho de Todd Philips e de toda a sua equipa, naquela que muitos diziam ser a "comédia do ano". Bom, em primeiro lugar temos de relembrar que o primeiro capítulo desta saga deixou as expectativas muito altas e por isso o segundo filme teria de ser realmente surpreendente. No entanto, pecou em alguns aspectos. A campanha de divulgação do filme levou-o para uma dimensão que criou uma ideia no espectador que seria para rir até cair e até faltar o fôlego. E mesmo tendo havido alturas em que se atingiu o climax, o que faltou no filme foi mesmo o factor-surpresa. Todd Phillips seguiu à risca a fórmula do 1º filme, arriscando pouco, pois o enredo de ambos estão bastante semelhantes, não obstante a divergência de personagens e localizações. Sem dúvida que o filme propõe-nos das situações mais caricatas, irreais e hilariantes, mas não é nada que não se esteja à espera e não constitui propriamente uma inovação. Mas comparar estas duas produções, apesar de inevitável, é errado. Relativamente à história: Depois de Doug, é agora a vez de Stu se casar. E nada melhor que a exótica Tailândia para fazê-lo. Ainda traumatizado com o que se passou em Las Vegas, Stu decide fazer uma despedida de solteiro mais discreta. Evidentemente que acabam por não seguir á risca esse plano e o que Stu tentava evitar, acaba por acontecer de novo.

O que resultou no primeiro capítulo de The Hangover, tal como já foi referido, foi mesmo o facto de ser algo de novo. Neste segundo, a previsibilidade impera durante todo o filme. Posso até garantir que o realizador pegou no primeiro filme e alterou pequenas coisas; a trama é igual. Todd Phillips não se deu ao trabalho de pensar e criar algo inteiramente original, pensando erradamente que se copiasse a fórmula do primeiro, tudo acabaria em bem. O realizador poderia ter feito bastante melhor, foi uma desilusão. Sim, há planos magníficos no filme e nota-se o calibre do realizador, havendo algumas cenas que realmente se destacam; contudo, existem as sequências em que o filme morre, e só nos resta esperar que ressuscite de alguma maneira. Até a banda sonora foi alvo deste gigante copy paste - apesar de ser extraordinária, é inteiramente baseada no primeiro.

Todavia, não deixem que estas minhas últimas palavras vos desanimem; o filme continua a ser extremamente divertido, devo até dizer que há momentos com Zach Galfianakis que são de chorar a rir. No entanto, aqui devo acrescentar que gostei bem mais de o ver nos recentes "A Tempo e Horas" e "Jantar de Idiotas". Aqui a personagem de Zach acaba por servir muitas vezes de bengala às partes do filme mais entediantes que a Joana já referiu. No que toca aos restastes actores, Bradley Cooper está realmente a crescer. Não que este tenha sido um papel exigente e marcante, mas depois das grandes interpretações em "Soldados da Fortuna" e "Sem Limites", volta a brindar-nos com um grande trabalho. Finalmente temos ainda Ed Helms e Ken Jeong que vão complementando as cenas de comédia e abrilhantando o filme. Uma grande salva de palmas para o trabalho feito com o pequeno macaco, ele próprio deveria ter um perfil no IMDB com direito a currículo! Este filme deu ainda para ver uma excelente interpretação de Paul Giammati, sem dúvida um dos melhores actores destes últimos anos, uma simplicidade e uma credibilidade que não costumamos ver em muitos outros.

Mesmo com alguma riqueza nas interpretações arrancadas pelos actores, o filme continua a pecar pela sua estrutura pouco inovadora
, que se arrasta a todos os níveis. Mesmo assim não deixa de ser um filme bom que entretém bastante, Todd Phillips delicia-nos com a sua visão do humor. Posso mesmo dizer que me diverti imenso, pois há piadas razoavelmente boas e os actores são uma mais-valia. É um filme que cumpre o seu objectivo, é divertido e arrancará muitas risadas dos espectadores.

Não é uma ida a Las Vegas, mas vale a pena a viagem a Bangkok. Todd Phillips quer um terceiro capítulo, só espero que não seja uma outra cópia; se assim for, mais vale fazer copy paste desta crítica.


EXAME

Realização: 6/10 5/10 5/10
Actores: 9/10 10/10 9/10
Argumento/Enredo: 7.5/10 7/10 6/10
Banda Sonora: 8/10 8/10 8/10
Fotografia: 7/10 8/10 8/10
Duração/Conteúdo: 6.5/10 7/10 7.5/10
Transmissão da principal ideia para o espectador: 7/10 7/10 8/10

Média Global: 7.4/10

Crítica feita por Pedro Gonçalves, Sara Queiroz e Joana Queiroz

Informação

Título em português: A Ressaca - Parte II
Título Original: The Hangover - Part II
Realização: Todd Phillips
Ano: 2011
Actores: Bradley Cooper, Zach Galfianakis, Ed Helms, Ken Jeong

Trailer do filme:






VER TAMBÉM:

The Hangover (2009)
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The Tree of Life (2011)

By Jota Queiroz - domingo, maio 29, 2011
"Father. Mother. Always you two wrestling inside me."

Saí do cinema um pouco atordoada, sem saber o que pensar mas ter muito que processar. É de difícil tarefa falar sobre The Tree of Life, pois não há como o fazer. Este filme não é para ser explicado, mas sim para ser visto e ser visceralmente sentido na sua total dimensão. A sua unicidade que intimida faz com que ainda esteja a teorizá-lo e a digeri-lo, definitivamente.
O filme tem como história…bem, não há como definir a “sinopse” do filme, pois basicamente tem como principal tema a vida, em toda a sua dimensão. Desde a origem dos primeiros átomos que desencadearam as primeiras reacções para a origem do Universo, até à sua expansão na criação do tempo e matéria; a origem e crescimento do Planeta Terra, os dinossáurios; o crescimento na América dos anos 50 à vida no mundo pós-moderno onde os edifícios arranham o céu. Tudo isto tem o seu background na história de uma família, em que acompanhamos Jack (Hunter McCracken enquanto criança, Sean Penn em adulto) desde o seu nascimento até à idade adulta, da perda da pureza à tra
nsformação num homem maduro que é parte integrante da civilização pós-moderna. Jack, o mais velho de três irmãos, é educado segundo duas visões contraditórias da realidade: a ternura e conforto da mãe (Jessica Chastain) e autoritarismo do pai (Brad Pitt).

O filme é de facto bastante especial e pouco ortodoxo. Vai de encontro aos filmes da nova Hollywood (e ainda bem). O filme tem uma narrativa pouco linear, temos por um lado a vida de uma família texana nos anos 50 e em paralelamente vemos uma cidade urbana e moderna que dá lugar a um Jack adulto muito desorientado. Na minha opinião, o filme é arrítmico, digamos assim, porque creio que mesmo não tendo uma linha de narrativa poderia ser um filme com menos paragens. É bastante parado às vezes, tendo os seus momentos altos na personagem de Brad Pitt, expressões do Sean Penn e as imagens arrepiantes do Universo ao som de uma belíssima banda sonora. Contudo, não é intenção de Malick dar-nos um filme óbvio com uma determinada linha. É nossa tarefa deambular entre magníficos planos, como manipulados pelo realizador. O enredo avança com muito pouco diálogo, basicamente muito ao estilo de Malick com as vozes off sussurrantes (que confesso que a dada altura já não conseguia com a frase “father, mother”). Só acho que a transmissão da mensagem poderia ser feita de outra maneira. Considero que a premissa é excelente mas não é concretizada na sua totalida
de. O filme seria excelente em versão de documentário. Eu vejo muitos, e este seria o meu favorito de certeza.

Terrence Malick dá-nos uma experiência sensorial perfeita, e é realmente no abstracto que o realizador se dá melhor. Magníficos closer shots e os planos são incrivelmente bem planeados. As cenas do espaço são irremediavelmente as minhas favoritas, devo dizer, são impressionantes e até comoventes- mostram o quão pequenos realmente somos, dentro de tamanha imensidão. Todas as imagens são memoráveis e escolhidas a dedo por Malick, tudo surge exactamente quando tem que surgir. É na cinematografia que o filme tem todo o seu esplendor, é de facto arrebatador e só por isso vale a pena ter esta experiência no cinema. Toda a fotografia e edição estão assombrosas, o nível técnico é o principal destaque de The Tree of Life. A abordagem do realizador é muito interessante. Terrence Ma
lick fez algo tão transcendente que o nosso cérebro não consegue absorver tudo de uma vez. Malick empurra-nos para diversas dicotomias, que vão deste a ternura da Mãe e a rigidez do Pai, o Bem e o Mal e ao início da vida e à conclusão; Malick mostra-nos que tudo tem um início e um fim, mostrando-nos da Criação ao colapso do Universo. Contudo, acho que esta perspectiva evolutiva poderia estar ainda melhor se fossem incorporados outros elementos. Sim, o filme não se centra nisso, mas poderia tornar-se ainda mais interessante. Somos bombardeados com tal esplendor que depois sentimos que queríamos mais. O festival de cores e dinâmica visual é completamente perfeito. Sem dúvida, Malick brinda-nos com uma obra metafísica do Cinema.

A interpretações dos actores é também um grande destaque no filme. Tenho pena que Sean Penn entre tão pouco no filme, mas a sua presença já diz tudo. É um magnífico actor, e o seu não verbal diz tudo. As crianças são uma surpresa, especialmente Hunter McCracken que interpreta Jack, e Jessica Chastain está competente. Brad Pitt está absolutamente brilhante e é nele que foco toda a minha atenção. Foi imponente e adorei todas as cenas com ele, interpretou magnificamente bem a sua personagem.

O filme transcende em todos os aspectos. Acredito indubitavelmente que há muita gente que não goste; seja pelo estilo peculiar, seja pela complexidade, seja pelos temas abordados, seja pela extensa duração, seja pela narrativa não linear; é um filme que não é para toda a gente, sim, e pode desiludir. Contudo, vale a pena entrar mais uma vez na genialidade de Terrence Malick. Nunca saí de uma sala de cinema assim. Mexeu literalmente com todos os meus sentidos, não parava de pensar nele e na experiência que vivi; agora cabe-me a mim partilhar a experiência com os outros.

EXAME

Realização: 9/10
Actores: 9/10
Argumento/Enredo: 8/10
Banda Sonora: 9/10
Fotografia: 10/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 6/10

Média Global: 8.2/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação

Título em português: A Árvore da Vida
Título Original: The Tree of Life
Realização: Terrence Malick
Ano: 2011
Actores: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chainstain

Trailer do filme:

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Sem Identidade (2011)

By Pedro Gonçalves - quinta-feira, maio 26, 2011
Jaume-Collet Serra (conhecido realizador de “A Orfã” e “A Casa de Cera”) tinha várias formas de contar esta história. Podia virar o filme completamente ao contrário bem à moda de Tarantino, podia andar para a frente e voltar para trás constantemente e podia fazer o que fez. Fez o que fez, e fê-lo muito bem feito. “Sem Identidade” conta-nos a história de Martin Harris (Liam Neeson), um cientista que se desloca a Berlim para uma conferência mas que tem um infeliz acidente de carro que o deixa em coma durante 4 dias. Quando acorda, depara-se com um mundo que ignora de uma forma radical a sua existência. Ninguém sabe quem ele é e outra pessoa assumiu a sua identidade. A sua mulher não se lembra dele, bem como os seus colegas. As poucas provas que poderia ter vão-lhe escapando por entre os dedos e os danos causados na sua memória deixam-no arrasado. E mais não posso contar.

Esta é a premissa do filme e é isso que o torna delicioso. Mas atenção, delicioso apenas no fim. Houve alturas durante o filme em que só pensava que iria “estripar” esta longa-metragem no nosso blogue, que iria reclamar o dinheiro do bilhete. Há pouca acção e muito diálogo. Mas a premissa do filme consome-nos, leva-nos a resistir a tudo para saber o que se passou com Martin Harris e aqui devo reconhecer uma certa genialidade nos argumentistas. Anteciparam todas as reacções, sabiam que tudo iria ser lento demais, tinham de dar algo a
os espectadores que os fizesse ter paciência, e deram. Afinal, uma obra tem de ser avaliada no seu todo, é para esse propósito que o filme é produzido e no final odiei-me por ter pensado que o filme estava perdido. É que cheguei mesmo a pensar que no final eles não iriam conseguir sair de tamanha odisseia e que o esperado grande final seria um enorme fail. No entanto, os dois twists finais são brutais, adorei o entretenimento, a revolta, a curiosidade, a (im)paciência. Dei por mim a torcer por Martin Harris como se ainda se pudesse mudar o fim da história. Enfim, o filme causou em mim imensas sensações e reacções e isso só pode ser bom. Outro ponto genial deste argumento é que no início a história parece fechar todas as possíveis saídas e explicações para aquilo estar a acontecer, o que torna o final ainda mais épico. Grande história, com um final bem conseguido e que é muito bem aceite. Acima de tudo, uma história extremamente bem contada. Para a realização, um prémio para os pequenos detalhes que este filme contém e que são muito relevantes para a história. Não me vou alongar senão sou levado ao Tribunal dos Spoilers, mas há certos movimentos e certas deixas de certos personagens que nos deixam a pensar que o actor não tinha dormido naquela noite ou não tinha decorado o texto, quando depois tudo faz sentido. Esta explicação assenta-se perfeitamente em January Jones, odiei-a durante todo o filme, parecia tão fora do contexto. Mas no final, sim, esteve sempre dentro do contexto.

Liam Neeson está em grande. A personagem Martin Harris assentou-lhe como uma luva.
Sempre adorei este actor, é um daqueles casos em que não percebo como é que os prémios lhe escapam, grande actor. O mesmo para Diane Kruger, aliás, sei que sou suspeitíssimo para falar, mas todos os actores que participaram em “Sacanas Sem Lei” têm arrancado por aí grandes interpretações. Diane Kruger representou na perfeição uma personagem que era um oásis no meio do deserto de Martin Harris e que de certa forma queria também enviar umas mensagens cá para fora sobre a imigração ilegal na Alemanha. Uma boa nota ainda para Frank Langella, um autêntico mestre, que depois de “Frost/Nixon” se tem dedicado a estes pequenos papeis que lhe ficam muito bem. Gostei também do detective nazi alemão que ajuda Martin Harris a “encontrar-se”, desempenhado pelo actor Bruno Granz, que já tinha impressionado em “O Leitor” e “O Complexo de Baader Meinhof”.

Passando agora à parte técnica, uma banda sonora muito fraquinha. Penso que aqui também se deve àquela confusão que acabamos por fazer com o género deste filme. Um filme de acção sem grande acção e por isso uma banda sonora que acaba por passar despercebida. Em relação à fotografia, penso que se poderia ter
tirado muito mais partido da cidade de Berlim, especialmente da noite de Berlim, ambiente em que são filmadas várias cenas. Quando à realização, volto a elogiar os timings que foram utilizados para o revelar de certos pormenores muito importantes e o trabalho com os actores que foi determinante no “encobrir” de uma história que no fundo era perfeita. Fazendo a inevitável comparação com uma das grandes surpresas do ano de 2007, o “Taken” de Pierre Morel, com Liam Neeson no principal papel, são duas personagens muito parecidas mas que Liam Neeson consegue dissociar perfeitamente. Taken tem mais acção, mais realismo, mais sensibilidade e mais emoção. “Unknow” tem mais racionalidade, mais conspiração, mais calculismo. Dois filmes totalmente diferentes mas que chegam a ser muito próximos. Espero uma co-realização de Serra e de Morel, para nos darem uma mistura de ambos os filmes e daí sair uma obra-prima.

Em resumo, um grande filme, uma grande história. Algumas pontas soltas, algumas falhas daquelas que nos fazem rir, mas que nem vale a pena mencionar. No final, só fica a ideia de uma história que nos faz pensar e falar nela durante muitas horas e que nos entreteu e consumiu de uma forma que adorámos.

EXAME


Actores:
9.5/10

Realização:
9/10
Banda Sonora: 5.5/10
Fotografia: 6.5/10
Duração/Conteúdo: 9/10
Argumento/Enredo:
10/10

Transmissão da mensagem para o espectador:
9/10


Média Global: 8.4/10


Crítica feita por Pedro Gonçalves


Informação

Título em português:
Sem Identidade
Título
Original: Unknown
Realização:
Jaume Collet-Serra
Ano:
2011
Actores: Liam Neeson, Dianne Krueger, January Jones

Trailer do filme:


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Estreias da Semana

By Sarah - quarta-feira, maio 25, 2011


Estreia amanhã nos cinemas portugueses, A Árvore da Vida, realizado por Terrence Mallick, que conta com as interpretações de Brad Pitt, Sean Penn e Jessica Chastain.

Sinopse (PÚBLICO): Um filme que acompanha a existência de Jack (Hunter McCracken enquanto jovem; Sean Penn em adulto) desde o seu nascimento, nos anos 50, até à idade adulta, da perda da inocência ao cinismo de um homem maduro que é parte da civilização pós-moderna. Jack, o mais velho de três irmãos, cresce dividido entre duas visões divergentes da realidade: o autoritarismo de um pai, ambicioso e descrente (Brad Pitt), com quem vive em perpétuo conflito, e a generosidade e candura de uma mãe (Jessica Chastain), que lhe dá conforto e segurança. Até que um trágico acontecimento vem perturbar o já de si frágil equilíbrio familiar... Quinta longa-metragem do aclamado cineasta Terrence Malick ("A Barreira Invisível"), "A Árvore da Vida" reflecte sobre a origem do universo e de como a tragédia da vida de um ser humano pode ser tão diminuta quando vista a uma escala global.

Trailer



Outras Estreias




Destino Infernal

Título original: Drive Angry 3D
De: Patrick Lussier
Com: Nicolas Cage, Amber Heard, William Fichtner







América

Título original: América
De: João Nuno Pinto
Com: Chulpan Khamatova, Fernando Luís, María Barranco, Raul Solnado










Nada a Declarar

Título original: Rien à Declarer
De: Dany Boon
Com: Dany Boon, Julie Bernard, Benoît Poelvoorde









Banksy - Pinta a Parede!

Título original: Exit Through the Gift Shop
De: Banksy
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Water for Elephants (2011)

By Jota Queiroz - quarta-feira, maio 25, 2011
"It is the most spectacular show on Earth."

Water for Elephants tinha tudo para atingir um verdadeiro jackpot: baseado no best seller com o mesmo nome de Sara Gruen, um filme cujos cenários são mind-blowing, o ídolo Robert Pattinson, a bela Reese Whiterspoon e o soberbo Christoph Waltz. O que poderia dar errado?
O filme apresenta-nos Jacob Jankowski (Hal Holbrook), que já passou dos 90 anos e não consegue esquecer seus momentos da juventude nos anos 30. Vivia-se um período difícil da economia americana, que o levou a trabalhar num circo. Somos levados até a essa altura, enquanto era jovem (Robert Pattinson) e estudante de Medicina Veterinária. Ele conheceu a brutalidade dos homens para com os outros e também com os animais, mas encontrou a mulher por quem se apaixonou, Marlena (Reese Whiterspoon). Esta era Encantadora de Cavalos, a principal atracção e esposa do dono do circo: August (Christoph Waltz). August é um homem carismático, mas extremamente perigoso quando as suas duas paixões entram em jogo…

Sendo um filme baseado num best seller, é se
mpre difícil reproduzi-lo, constituíndo um grande desafio. Contudo, não vou abordar essa vertente pois não li o livro.
A história, sendo contada em flashback, tem os seus pontos fortes na introdução de Jacob, apesar de ser um pouco slow paced. A partir do momento em que Jacob conhece Marlene, o filme perde toda a sua força, pois considero que Pattison e Whiterspoon não têm qualquer química. O filme perde-se no melodrama e não sentimos nada, e há alguns diálogos muito cheesy. Conseguimos é sentir tudo na figura maléfica de August, sendo uma das principais qualidades da longa. O filme é provido de algumas personagens interessantes, mas devo dizer que o dono do circo August é mesmo a mais interessante. A trama é extensa, e dá-se pelo tempo passar, mas devo dizer que a partir do momento em que Rosie (a elefanta) entra em acção, o filme torna-se mais interessante. Ela é
a verdadeira estrela do filme, as cenas mais fortes são com ela e conseguimos criar uma ligação com este dócil animal. O humor também está presente em algumas cenas do filme, o que nos faz descontrair de alguma tensão provocada pela personagem diabólica interpretada por Christoph Waltz.

O realizador Francis Lawrence, a mente por d
etrás de I am Legend e Constantine, trouxe-nos um romance tradicional passado num circo. Contudo, a sua realização foi competente, já não se vê muitos filmes assim. Water for Elephants pinta um verdadeiro quadro do que realmente era a vida de circo nos anos 30, e o seu pequeno universo. Lawrence consegue os mais pequenos detalhes, o que é de facto incrível. Um grande ponto positivo no filme é a direcção de arte. Os anos 30 são recriados de uma maneira lindíssima, o guarda roupa e os cenários não deixam nada a desejar; os elementos cénicos estão de facto geniais. A cinematografia está muito poderosa em Water for Elephants.

Em relação aos actores,
não há nada de negativo a apontar. Robert Pattison, rotulado para sempre como o vampiro de Twilight, foi uma grande surpresa. Sim, não foi a interpretação do ano mas foi foi uma agradável surpresa. Reese Whiterspoon foi competente, apesar de sentir que lhe faltava alguma coisa. A química entre os dois primeiros deixa muito a desejar. Temos muito por onde olhar, mas nada para sentir. O grande destaque foi Christoph Waltz, sem grande surpresa; adoro o actor, já em Inglorious Basterds tinha sido divinal, mas em Water for Elephants consegue provar-nos mais uma vez o excelente actor que é. Waltz entrega-nos uma performance intensa e é um vilão sensacional.

De qualquer forma, Water for Elephants é um filme charmoso, com um ar clássico e apelativo, que brinda-nos com uma boa história, podendo ser melhor em alguns níveis. Como perguntei ao início "O que é que poderia dar errado?"; bom, com ingredientes tão promissores que o filme dispunha, considero apenas que o filme poderia ser ainda melhor.

EXAME

Realização: 8/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Efeitos/Fotografia: 9/10
Duração/Conteúdo: 5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 7.1/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação

Título em português: Água para Elefantes
Título Original: Water for Elephants
Realização: Francis Lawrence
Ano: 2011
Actores: Robert Pattison, Reese Whitherspoon, Christoph Waltz

Trailer do filme:


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Barney's Version (2010)

By Sarah - domingo, maio 22, 2011
Barney's Version estreou na passada quinta-feira nos cinemas portugueses. Não era propriamente minha intenção ver tão rapidamente este filme, grande parte devido ao facto de na sexta já ter ido ver os Piratas das Caraíbas, mas como ir ao cinema para mim é um must, não poderia ter recusado o convite do meu pai, claro está. E o certo, é que a obra baseada no livro de Mordecai Richler, é absolutamente magnífica, deixando-me estupefacta e surpreendida. À muito tempo não saía assim de uma sala de cinema! Irei em seguida explicitar o porquê. "A Minha Versão do Amor" parte de uma premissa simples, contando-nos a história de Barney Panofsky (Paul Giamatti), um empresário judeu de 65 anos que se sente só e infeliz. Num tom confessional, Barney faz uma retrospectiva das suas últimas três décadas, transportando-nos as neuras, complicações e problemas que giram em torno da sua vida e dos seus três relacionamentos, que o moldaram na pessoa que ele é hoje. Tendo o seu pai (Dustin Hoffman), sempre a seu lado, Barney leva-nos a conhecer os altos e baixos da longa e colorida vida.

É um filme que tem um começo curioso e enganador. Cheguei mesmo a pensar "pronto, vai ser daqueles filmes que não se percebe metade da história". Realmente tem um início um pouco desinteressante, mas que gradualmente vai cativando o nosso interesse. É nessa medida que considero que o filme está divido em duas partes. Mas depois chega certa altura em que
inevitavelmente nos encontramos 100% envolvidos na história. É muito envolvente e cativante mesmo, pois experienciamos todas as peripécias, experiências e desilusões da personagem, sendo impossível não nos identificarmos com a mesma. Isso diz muito do trabalho dos actores. Mais uma vez sou obrigada a sublinhar aquilo que digo na maior parte das minhas críticas: sem um elenco consistente, os filmes nunca serão grande coisa, mesmo que com excelentes argumentos. "Barney's Version" conta com um elenco arrebatador, em que todos estão espectaculares e contribuem para o sucesso do filme. A razão primordial pela qual nos encontramos tão cativados pela história de Barney, é porque Paul Giamatti interpreta-o magistralmente. Adorei a sua performance, mereceu mesmo ter ganho o Golden Globe! O que me surpreendeu mais é que assumiu a liderança do filme de maneira brilhante, quando tipicamente o vemos em papéis menores. Acho que este seu papel contradiz muitas pessoas que o consideram pouco versátil. Dustin Hoffman está delicioso neste filme, interpreta uma personagem muito bem caçada mesmo. Não me surpreendi com a excelente interpretação de Hoffman, pois já estava à espera que fosse muito competente. A dupla Giamatti & Hoffman proporcionam dos momentos mais hilariantes do filme. Rosamund Pike interpreta Miriam, o verdadeiro amor da vida de Barney, e não poderia ter sido melhor. Sublime é a palavra certa para descrever Pike.

No entanto, é um filme que peca bastante na sua duração, pois é excessivamente extenso (130 minutos mais coisa menos coisa), o que quebra bastante o ritmo. Alterna equilibradamente momentos hilariantes com momentos de reflexão, mas acaba por se tornar quase como um filme fragmentado, em que algumas sub-tram
as são desnecessárias. Penso que, se algumas cenas tivessem sido cortadas, o filme tornar-se-ia ainda melhor. Mas sinceramente este acaba por ser um problema mínimo, quando visto no panorama geral, pois os pontos positivos minimizam este ponto negativo. É um filme que nos dá a oportunidade de fazer a nossa própria introspecção sobre aquilo que fizemos e as escolhas que tomámos, sendo verdadeiramente tocante e cativante esse aspecto, é quase como um despertar para a realidade.

Em tom de conclusão, à muito tempo que não saía assim de uma sala de cinema. À muito tempo que não me deparava com um filme tão verdadeiro, tão engraçado e ao mesmo tempo incrivelmente triste, que me fez sair do cinema inundada de diversas emoções. Recomendadíssimo para quem procura filmes de excelente realização, argumento e elenco.


EXAME


Realização: 8.5/10
Actores: 9/10
Argumento/Enredo: 8.5/10
Duração/Conteúdo: 6.5/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 8.1/10

Crítica feita por Sara Queiroz


Informação

Título em português: A Minha Versão do Amor
Título Original: Barney's Version
Ano: 2010
Realização: Richard J. Lewis
Actores: Paul Giamatti, Rosamund Pike, Minnie Driver, Dustin Hoffman

Trailer do filme:

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Pirates of the Caribbean - On Stranger Tides (2011)

By Sarah - sábado, maio 21, 2011
Acabadinha de chegar do cinema. É nessa condição que prefiro escrever as minhas críticas, quando ainda tenho as minhas ideias bem frescas na cabeça. Antes demais, não é segredo que detinha algumas expectativas em relação a Pirates of the Caribbean - On Stranger Tides. Não só se trata de Johnny Depp, mas também estava curiosa relativamente ao quão melhor ou pior este filme poderia ser em relação ao seu antecessor. Adianto já a boa notícia: É sem dúvida melhor que "At World's End", apesar de não ter o mesmo nível em termos visuais. Não é um filme que se destaque dos outros visualmente, mesmo que competente nesse aspecto. Com a realização de Rob Marshall, realizador que veio substituir Gore Verbinski, responsável pelos três primeiros filmes, o mesmo acontece: é competesubtituir Gore Verbinski, responsável pelos três filmes, o mesmo acontece: é competente mas não se destaca, até atrevo a dizer ligeiramente aborrecido. E também não percebi a sua necessidade de estender tanto o filme, acaba por ser doloroso termos de esperar tanto tempo por cenas óptimas e apelativas.

Em primeiro lugar senti que me deparava com um "reboot" da saga. O quarto filme desta série introduz um novo capítulo, completamente diferente do que nos tinha sido demonstrado anteriormente. Ora quando por vezes isso poderá parecer positivo, neste caso não o foi, pois esta mudança não trouxe qualquer evolução, mas antes assiste-se a um retrocesso. Dou exemplos: Jack Sparrow aparece sem navio como se nada tivesse acontecido, e embora posteriormente isso seja explicado, não foi uma explicação que me tenha satisfeito. E depois há a tal expedição em busca da fonte da juventude, que estranhamente nunca foi mencionada na trilogia. Achei apenas esse pormenor interessante, visto que era aparentemente um objectivo de vida de Jack Sparrow... Achei forçado simplesmente. Não obstante estes buracos no argumento, é um filme que não deixa de ter os seus grandes momentos de entre
tenimento. E a história não deixa de ser consistente, apesar de considerar pouco inovadora... A sensação de "mais do mesmo" é absolutamente constante. Apenas divergem algumas personagens e a localização dos sítios, mas substancialmente a história é bastante limitada. No entanto, uma interessante adição foi sem dúvida a introdução das sereias, quem diria que poderiam ser tão mortíferas? O certo é que são as protagonistas da melhor cena de acção do filme. Mas sinceramente já não se fazem vilões como o Davy Jones! Esse sim é que devia ser categorizado como o pirata mais temido.

Digo isto sem querer descredibilizar o excelente trabalho de Ian McShane, pois interpreta Barba Negra vigorosamente. Porém, na minha opinião não é uma personagem que marque tanto impacto como Davy Jones (interpretado por Bill Nighy). Ainda quanto aos actores, é inegável que é Johnny Depp que faz valer o filme totalmente. É igualmente perceptível que Depp ainda tem um enorme prazer a interpretar esta clássica e carismática personagem, e mais uma vez proporciona-nos uma interpretação magistral digna de nomeação ao Óscar (o que acontecera no primeiro filme da saga, indiscutivelmente o meu p
referido). Mas para quem não é grande fã poderá vir a considerá-la ligeiramente cansativa, pois já não é tão irreverente quanto era. Ver novamente Geoffrey Rush trouxe-me a sensação de nostalgia... Gostaria que tivesse sido melhor utilizado no filme, mas nas cenas em que aparece faz um bom trabalho, como esperado. Penélope Cruz, uma beleza, é claro, mas infelizmente senti que a personagem dela era um bocado deslocada, e sinceramente não consegui perceber a sua raison d'être. Incrivelmente forçada. Mas tinham que arranjar alguma história, não é? Mas é com esta falta de profunidade em relação às novas personagens que não consigo evitar as saudades de Orlando Bloom e Keira Knightley a interpretarem Will Turner e Elizabeth Swan respectivamente, na medida em que eram uma grande valia dos filmes anteriores, e fez muita diferença a sua ausência.

Em relação ao 3D, não é essencial, mas não estraga o filme. On Stranger Ties não é um filme perfeito, mas sem dúvida que merece uma oportunidade de visionamento, especialmente para quem é fã das aventuras de Sparrow. Decerto que se surpreenderão ao se aperceberem que este não é o pior da saga... Entretém!


EXAME

Realização:
6/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 5/10
Efeitos/Fotografia: 9/10
Duração/Conteúdo: 5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 6/10

Média Global: 6.4/10

Crítica feita por Sara Queiroz


Informação

Título em português: Piratas das Caraíbas - Por Estranhas Marés
Título Original: Pirates of the Caribbean - On Stranger Tides
Realização: Rob Marshall
Ano: 2011
Actores: Johnny Depp, Penélope Cruz, Geoffrey Rush

Trailer

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Monsters - Zona Interdita (2010)

By Jota Queiroz - sexta-feira, maio 20, 2011


"Now it's our turn to adapt."

Sou fã de Ficção Científica pós-apocalíptica, ponto final. Desse modo, Monsters-Zona Interdita poderia ser um novo filme para adicionar à minha lista dourada; se me espetaram com uma sinopse minimamente interessante e uma promessa de "District 9 do ano", é normal que as minhas expectativas fossem de proporções consideráveis. Para quem pensa que vai ter um novo District 9, está irremediavelmente enganado. Fiquemo-nos pelo filme de quase Sci Fi que ficou aquém do desejado.
A NASA descobriu formas de vida alienígena dentro de nosso Sistema Solar. É enviada uma sonda para trazer amostras, mas ao voltar à Terra sofre um acidente e cai na América Central; seis anos depois, surge uma nova forma de vida no México, sendo declarada uma zona interdita. Neste cenário caótico, Andrew Kaulder (Scott McNairy),um jornalista americano, deve guiar em segurança Samantha (Whitney Able), a filha do seu chefe, para chegar até a fronteira dos Estados Unidos.

O filme teve baixo orçamento, mas isso não é desculpa para a fraca produção do filme. Convenhamos, com District 9 foi semelhante e esse foi um dos melhores filmes do ano de 2009. O argumento per se não é mau, é uma mistura de invasão alienígena, romantismo e temas políticos. Contudo, a execução da premissa é extremamente fraca, todo o enredo desenrola-se da maneira mais aborrecida possível; é que nem vou começar com os diálogos monótonos e redundantes. O filme tem apenas 90 minutos, mas devo dizer que vai parecer três horas. Considero que Monsters tem uma sequência inicial fantástica e que nos mantém intrigados, mas tirando esses primeiros quinze minutos ficamos o filme todo na ânsia que aconteça alguma coisa. Sim, o resultado é negativo para acção: não há sequências de luta ou as perseguições gritantes que o filme prometia. O título do filme é um pouco enganador, pois não é propriamente monstros por todos os lados, mas sim um testemunho de como duas pessoas tentam passar a fronteira entre o México e os EUA; deste modo, eu até compreendo em parte que o filme torna-se um pouco monótono. Toda a trama não é bem fundamentada, na minha opinião. Há quem diga que o filme tem demasiadas semelhanças com Distritct 9 e Cloverfield, devido ao subtexto político e fundo romântico respectivamente, mas eu considero que este filme não é digno de comparações.

O filme foi realizado por Gareth Edwards, que também trabalhou como o director de efeitos especiais. Edwards fez um magnífico trabalho com os efeitos especiais, fê-los de uma maneira extremamente competente! Com pena minha, vemos muito pouco dos ditos monstros, vemos mais o efeito da sua passagem; porém, do pouco que se vê concluí que estão muito bem feitos. O facto de vermos pouco os monstros resulta de certa maneira, pois constitui um elemento de suspense que Edwards conseguiu trazer, ideal para o filme funcionar minimamente. Se o trabalho de Edwards na realização fosse tão brilhante como os efeitos especiais, este filme seria realmente outra coisa, mas nem tudo é mau. Como já mencionei, o registo mais intimista do filme resulta, como também temos um bom desenvolvimento das duas personagens principais.Os amantes de Ficção Científica não verão Monsters como digno do género, e de facto nem eu o considero. Concentra as suas forças em mostrar um país moribundo e as respectivas atitudes sociais, 
e temos um romance dramático muito sólido. Como excelente ponto positivo temos a cinematografia. A cada minuto que passava, suspirava com a fotografia maravilhosa do filme, é de facto estonteante.
As performances dos actores são poderosas, gostei bastante de Scott McNairy e Whitney Able. Encarnaram bem as personagens e gostei da interacção entre eles, apesar dos diálogos não serem de facto os melhores.

Sabem aquela sensação de que querem gostar do filme, mas de facto esse não reúne os ingredientes suficientes para tal? Tentamos dizer para nós próprios "vá, é bonzito", mas no fundo não é? É mesmo isso que sinto. O filme não é o que se está à espera, contudo eu acho que devem dar uma oportunidade a este filme. Vale pela magnífica cinematografia , e digamos que o filme nem é assim tão mau. Fica o aviso para não esperarem que aconteça alguma coisa; ficam à espera que aconteça, e esperam, esperam, esperam, esperam...


EXAME

Realização: 6/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 4/10
Efeitos/Fotografia: 9/10
Duração/Conteúdo: 3/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 6.1/10

Crítica feita por Joana Queiroz

Informação

Título em português: Monsters-Zona Interdita
Título Original: Monsters
Realização: Gareth Edwards
Ano: 2010
Actores: Scott McNairy, Whitney Able

Trailer do filme:



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After.Life (2009)

By Sarah - segunda-feira, maio 16, 2011
After.Life é um thriller estreado em 2010, protagonizado por Christina Ricci e realizado pela estreante Agnieszka Wojtowicz-Vosloo. Achei a temática do filme interessantíssima, e o trailer também me tinha suscitado o interesse. E, claro está, com um elenco riquíssimo destes (Christina Ricci, Liam Neeson e Justin Long), a vontade de ver o filme era ainda maior. Após o seu visionamento, é-me difícil explicar qual foi a sensação com que fiquei. É que não me aqueceu, nem me arrefeceu. Não desgostei, mas não adorei. Passo a explicar.

Após um horrífico acidente de carro, Anna (Christina Ricci) acorda no interior de uma morgue, onde se depara com o dono da funerária Elliot Deacon (Liam Neeson) a preparar o seu corpo para o funeral. Confusa e assustada, Anna não consegue acreditar que está morta, não obstante Elliot constantemente assegurar que ela encontra-se meramente na transição entre a vida e a morte. Elliot diz-lhe que tem a capacidade para comunicar com os mortos, sendo o único que a pode ajudar. Anna verá-se forçada a enfrentar os seus medos e a aceitar a própria morte. Mas será que Elliot diz a verdade ou será um macabro serial killer? Sem dúvida que é a grande questão do filme, e a sensação de dúvida é constante.

After.Life parte de uma premissa sólida e a sua história é imensamente interessante. Aborda uma temática complexa e misteriosa, o facto de existir ou não vida após a morte, daí considerar que tinha a priori grandes potencialidades para ter sucesso. No entanto, é daqueles que se fica pela promessa mas acaba por não cumprir, pois não só falha em proporcionar um mínimo momento de verdadeira intensidade como a própria execução não está bem assegurada, devido à sua narrativa confusa e inconstante. Se por um lado pode parecer bom rondarmos a incerteza, por outro, chega a ser demais, na medida em que chega a uma altura em que a narrativa já foi mastigada e invertida tantas vezes, que não há ponta que se lhe pegue. É, sem sombra de dúvidas, um filme susceptível a diversas interpretações. Não fiquem à espera de obter grandes respostas no final, pois o facto é que não nos é facultada qualquer resposta clara e concisa. Penso que a intenção da realizadora foi mesmo deixar o espectador interpretar e concluir por si. Pois bem, isso poderá parecer positivo, só que em After.Life revela ser um ponto negativo pois como a premissa não foi bem executada, existem inevitavelmente buracos no argumento, o que não permite ao espectador concluir com grandes fundamentos. Na minha opinião, a realizadora esforçou-se demais a proporcionar um desafio intelectual ao espectador, acabando por se perder nesse processo.

Relativamente às personagens, considero que há pouco desenvolvimento das mesmas. Porém, isso não tira o mérito da excelente interpretação de Liam Neeson, que para mim faz valer o filme totalmente. A sua personagem, fria e calculista, é de causar verdadeiros arrepios. A crítica social que a realizadora tenta transmitir, a do verdadeiro desapreço que algumas pessoas têm pela vida, é feita através desta personagem, excelentemente bem interpretada pelo grande Liam Neeson. Christina Ricci apresenta-nos uma performance bastante competente, apesar da personagem que interpreta ser muito enfadonha mesmo. Em relação a Justin Long, é mais do mesmo. Esteve bem, mas não consigo dissociar da personagem que interpretou em Drag Me To Hell, é o mesmo registo.

After.Life é um filme que se vê bem, apesar de se tornar cansativo. Não é daqueles que causa impacto, mas ver uma primeira vez certamente não custa. Porém, rapidamente cairá no esquecimento.

EXAME

Realização: 5/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 6/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 6/10

Média Global: 6.3/10

Crítica feita por Sara Queiroz


Informação

Título em português: Depois da Vida
Título Original: After.Life
Ano: 2009
Realização: Agnieszka Wojtowicz-Vosloo
Actores: Christina Ricci, Liam Neeson, Justin Long

Trailer do filme:

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