Especial Colaborações do Cinema: Johnny Depp e Tim Burton

Confiram o nosso especial colaborações do cinema, em que percorremos a filmografia do realizador Tim Burton que conta com a colaboração de Johnny Depp. Por Sarah Queiroz

Crítica - Contracted (2013)

Análise a um dos melhores filmes de terror de 2013, com uma interessante abordagem ao género "zombie". Por Sarah Queiroz

Crítica - Pompeia (2014)

Análise ao novo filme épico do realizador Paul WS. Anderson que retrata a tragédia de Pompeia. Por Sarah Queiroz

TOP 15 Heroínas "Badass"/Final Girls do Terror

As "Final Girls", isto é, as heroínas que sobrevivem sempre no filme, são um elemento marcante no terror. Confiram o nosso TOP 15. Por Sarah Queiroz

Especial Colaborações do Cinema: David Fincher e Brad Pitt

Confiram o nosso especial colaborações do cinema, em que percorremos a filmografia do realizador David Fincher que conta com a colaboração de Brad Pitt. Por Sarah Queiroz

domingo, 8 de Junho de 2014

Especial Colaborações do Cinema: Johnny Depp e Tim Burton


"Great minds think alike", é o que se costuma dizer. E no mundo cinematográfico não poderia ser melhor aplicado. Vamos continuar o nosso novo especial: Colaborações do Cinema em que agora destacamos a grande dupla realizador/actor Tim Burton e Johnny Depp.

Johnny Depp e Tim Burton

   Johnny Depp e Tim Burton são conhecidos como a dupla mais extravagante do cinema. Desta perfeita associação resultaram filmes inesquecíveis e marcantes, muito pelo facto da química entre os dois ser quase perfeita. A irreverência e versatilidade de ambos têm tornado esta parceria numa autêntica delícia para qualquer cinéfilo. Muitos podem achar que Burton utiliza excessivamente o actor nos seus filmes, mas o certo é que quando estreia um filme de Burton sem Depp, é inevitável questionarmos o porquê do actor não ter sido utilizado. Tim Burton e Johnny Depp trabalharam juntos em 8 filmes até à data, tendo nascido destes, das personagens mais mediáticas do cinema. 

Vejamos, então, os filmes que contam com a colaboração de Johnny Depp e Tim Burton. Qual é o vosso preferido e porquê? Partilhem connosco a vossa opinião!


Edward Scissorhands (1990)

















 

O primeiro filme da dupla Burton-Depp surgiu em 1990, e é indiscutivelmente dos mais bem sucedidos, podendo mesmo ser encarado como um filme de culto. "Edward Scissor Hands" destaca-se a diversos níveis, mas o grande mérito reside no argumento original, com uma forte e dramática mensagem.

Era uma vez um castelo no topo de uma colina, onde vivia um inventor (Vincent Price) cuja maior criação é o Edward (Johnny Depp). Apesar deste possuir um carisma irresistível, não é perfeito. A trágica e súbita morte do inventor deixou-o incompleto e dotado de afiadas tesouras em vez de mãos. Edward vivia sozinho na escuridão até o dia em que uma vendedora de Avon o adoptou, passando a viver com a familia desta. E assim começou a sua fantástica aventura, e pouco a pouco vai-se tornando popular devido aos talentos que tem. Porém, apaixona-se perdidamente por Kim (Winona Ryder), filha da vendedora de cosméticos que, também, aos poucos, começa a gostar dele. No entanto, há pessoas determinadas a afugentá-lo de novo para o seu castelo.


   Esta película é bastante pessoal ao realizador, no sentido em que, num sentido metafórico, a história do filme baseia-se na infância de Tim Burton. Devo dizer que o filme toca-me imenso também. Aliás, creio já tê-lo visto pelo menos umas 15 vezes e em todas elas consigo emocionar-me como se fosse a primeira. Considero que é o  derradeiro clássico de Burton, e Johnny Depp foi absolutamente perfeito no papel de Edward. Não vejo mesmo ninguém capaz de captar a essência da personagem como Depp, o que evidencia ainda mais a versatilidade e credibilidade do actor.

Tim Burton, Vincent Price e Johnny Depp

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Ed Wood (1994)




   Após o sucesso de "Edward Scissor Hands", ficou claro que a parceria tinha vindo para ficar. E em 1994 nasceu a segunda colaboração Burton-Depp, através do filme biográfico "Ed Wood". É muito possível que seja o filme menos conhecido, uma vez que alguns consideram não possuir aquele elemento bizarro tão característico de Tim Burton. O que, honestamente, até discordo, uma vez que esta "bio-pic" é sobre uma das figuras mais estranhas da história do cinema. 

Um filme sobre a vida e o trabalho do lendário «pior realizador de todos os tempos», Edward D. Wood Jr., que se concentra no período mais conhecido da sua vida, a década de 1950, quando ele realizou «Glen or Glenda» (1953), «Bride of the Monster» (1955) e «Plano 9 dos Vampiros Zombie» (1959). Uma abordagem que não esquece o seu travestismo e a sua tocante amizade com a outrora grande mas então desempregada estrela de filmes de terror Bela Lugosi.

   Conhecido como "o pior realizador do cinema", é de louvar a interpretação de Johnny Depp, em que mais uma vez foi brilhante. Adoro a fotografia do filme, a preto e branco, o que de certa maneira remete aos tempos nos quais os factos do filme ocorreram. Em geral o filme só tem méritos, e para quem ainda não viu, recomendo mesmo!

Tim Burton, Johnny Depp e Sarah Jessica Parker

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Sleepy Hollow (1999)












   Em 1999, Tim Burton decidiu adaptar ao cinema o arrepiante clássico literário "A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça". Como era de esperar, essa transposição revelou ser de uma enorme qualidade. Gostei imenso do facto de ser extremamente criativo, pois somos brindados com momentos de humor negro, como também amedontrados com pormenores de verdadeiro terror. E pois claro, ninguém mais apto para interpretar a excêntrica personagem do que Johnny Depp. É dos meus filmes de eleição!

Ichabod Crane (Johnny Depp) é um investigador excêntrico, determinado a parar um assassino misterioso que é, supostamente, um cavaleiro sem cabeça. Katrina Van Tassel (Christina Ricci) é a bonita e misteriosa rapariga com ligações secretas ao terror sobrenatural.


   A sombria direcção de Tim Burton e a atmosfera gótica que gera são dos grandes trunfos do filme. É uma verdadeira obra-prima, deslumbrante tanto a nível visual como narrativo (isto para não falar da banda sonora. Danny Elfman é dos meus compositores preferidos sem dúvida).

Johnny Depp e Tim Burton

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Charlie and the Chocolate Factory (2005)














   Tivemos que esperar 6 anos para sermos brindados novamente com uma colaboração Depp-Burton, mas pelo menos não saímos desiludidos. "Charlie and the Chocolate Factory" foi um sucesso, tanto a nível de críticas como nas bilheteiras, e percebe-se porquê: o peculiar universo de Tim Burton encontra-se neste filme verdadeiramente exacerbado, pois deparamos-nos com uma imensidão de maravilhas. Já é sabido que qualquer filme desta parceria resulta em obras no mínimo curiosas em que os elementos abstractos se encontram ao máximo. A interpretação de Johnny Depp encontra-se novamente sem falhas, claro está.

Willy Wonka é o excêntrico proprietário de uma fábrica de chocolate e Charlie, um rapaz que vive com a sua família numa casa muito pobre. Após um longo período em que não foi visto por ninguém, Wonka subitamente decide promover um concurso mundial para escolher o herdeiro do seu império de doces... 

Johnny Depp e Tim Burton

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Corpse Bride (2005)


   Ainda no mesmo ano, Johnny Depp e Tim Burton colaboraram uma vez mais. E receio que vá ter que me repetir: todos os seus filmes são uma dádiva para o cinema. Ambos são incansáveis e não me param de surpreender com a sua originalidade e genialidade. Voltando às sua técnica de animação stop-motion, popularizada com o filme "Nightmare Before Christmas" 10 anos antes, "A Noiva Cadáver" apresenta-se como um filme surpreendente, cómico, assustador e dramático! 

Victor (Johnny Depp) tem casamento marcado com Victoria (Emily Watson), apesar de nunca se terem conhecido. Depois de ensaiarem cuidadosamente, e muitas vezes, o seu próprio casamento e Victor falhar completamente, este vai para o bosque praticar e simula a cerimónia enfiando a aliança num galho. Para sua surpresa e desespero o galho era mesmo um dedo de Emily (Helen Boham-Carter),a "Noiva Cadáver", que alega agora ser a sua noiva legal, desconhecendo que Victor não tinha qualquer intenção de casar com ela e que tudo é apenas um grande mal entendido. Victor é assim arrastado para a Terra dos Mortos, em que se depara com uma realidade completamente diferente da que se deparava na Terra dos Vivos.

Corpse Bride" surpreendeu-me imenso pela positiva. A vertente visual, o fantástico enredo satirizante e o excelente trabalho pelos actores são os elementos mais positivos do filme. Tim Burton só demonstrou que é efectivamente genial.


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Sweeney Todd (2007)












   Burton e Depp voltaram á carga dois anos depois, e as expectativas eram elevadíssimas. Sweeney Todd é um filme adaptado de um musical da Brodway, no entanto, Tim Burton confere-lhe, sem qualquer sombra de dúvida, o seu próprio estilo que é tão conhecido: aquela obscuridade e os ambientes góticos, o que torna esta obra absolutamente única! Tim Burton conseguiu fazer desta história, um grande filme. A sua realização não deixa nínguem indiferente, apresentando-nos uma visão absolutamente sua, aqueles cenários sombrios, que contrastam com o tipo musical que este filme acaba por ter. Johnny Depp encabeça um elenco que não tinha qualquer experiência em cantar, mas ainda assim fizeram um muito bom trabalho. Em Sweeney Todd, Johnny Depp obteve a sua terceira nomeação ao Óscar.

Sweeney Todd é um homem injustamente condenado à prisão, que jura vingar-se não só do cruel castigo, mas também das consequências demolidoras que o mesmo teve na mulher e na filha. Quando regressa à barbearia para a reabrir, Sweeney Todd assume-se como o Terrível Barbeiro de Fleet Street, que "rapou a cabeça de cavalheiros de quem nunca mais se ouviu falar". Para além de fabricar umas diabólicas empadas de carne, a Sra Lovett torna-se cúmplice amorosa de Sweeney...

   O filme, na minha opinião, revelou ser dos melhores de 2007. É repleto de mistérios, obscuridades, tem a sua dose sangrenta, a sua dose de músicas (muito boas mesmo, tive que comprar a banda sonora), e tem um grande enredo (acaba por ser uma história de vingança, e um defender de principios). 


Tim Burton e Johnny Depp


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Alice in Wonderland (2010)







   "Alice in Wonderland" marcou a comemoração dos 20 anos de parceria da dupla, que parece ficar cada vez mais forte. A componente "dark" de Burton e a excentricidade de Depp são sempre tão surpreendentes que é inevitável que os seus filmes sejam sucessos instantâneos de bilheteiras. E este dois elementos estão gritantes na adaptação das histórias de Lewis Carrol. É um privilégio poder-se viajar até ao magnífico mundo idealizado por Tim Burton, e este filme não é excepção. Não há igualmente palavras para descrever a forma como Johnny Depp interpretou o Mad Hatter. Verdadeiramente incrível, esperava mesmo uma nomeação ao Óscar. Ainda assim, o filme arrecadou algumas nomeações.

Alice in Wonderland de Tim Burton trata-se de uma sequela, e não de um "re-contar" ou adaptação das histórias de Lewis Carrol. Neste filme, Alice é já uma rapariga de 19 anos que, após a morte do pai, vê-se obrigada a casar de imediato. Sentido-se pressionada, Alice foge durante a festa de noivado, seguindo um coelho branco. Decidida a persegui-lo, cai numa toca de coelho, que a leva até a Wonderland, um sítio que Alice vagamente se lembra dos tempos de criança. E é aí que Alice encontra caras familiares como o Mad Hatter (Johnny Depp), Blue Caterpillar (Alan Rickman) e eventualmente a Rainha Vermelha (Helen Bonham Carter), apercebendo-se Alice que Wonderland é agora um sítio bastante diferente do que ela se recorda. Alice descobre que a sua missão é acabar com o mandato da Rainha, derrotando o seu dragão, o temível Jabberwocky, para a Rainha Branca (Anna Hathaway) reinar, como seria suposto.

   Já evidenciei que qualquer filme de Tim Burton é arrebatador de se ver, a nível visual. É mesmo impressionante os ambientes que Burton nos proporciona e que nos seduzem. No entanto, considero que a nível de argumento ficou muito aquém, ou seja, mesmo detendo incríveis cenários e intrigantes personagens, não elevaram o filme ao nível a que Burton nos habituou., atingindo por vezes níveis muito baixos.


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Dark Shadows (2012)






   Após o sucesso/fracasso de "Alice in Wonderland", o regresso de Burton era mais que esperado. O verdadeiro regresso, isto é. Só que a questão era quase que inevitável: será que os tempos áureos de Burton se extinguiram? Com Alice, não atingiu de longe o sucesso (a nível crítico) de muitos outros. "Dark Shadows" evidencia muitas das qualidades de Tim Burton, mas novamente desiludiu-me, tal como o anterior. A história é engraçada, onde impera a fantasia. E é uma comédia assumida, claro que muito mais sombria e sangrenta. Contudo, a concretização do filme deixa muito a desejar, isto é, é um filme pouco rico e além do mais, extenso. 

O filme conta-nos a história de Barnabas Collins (Johnny Depp) que nos finais do séc. XVIII, era um rico, atraente e jovem aristocrata, que estava habituado a ter tudo o que queria. Nessa altura,conhece uma rapariga chamada Angelique (Eva Green), mas Barnabas rejeita o seu amor. Devastada, ela revela ser uma feiticeira negra, e transforma-o num vampiro e enterra Barnabas vivo. Passam-se 200 anos e o vampiro é libertado do túmulo: agora nos anos 70 do séc XX, conhece os seus descendentes Collins e tem de lidar novamente com Angelique que continua a ter um sentimento obsessivo pelo vampiro.

   Continuo a preferir "Dark Shadows" ao sofrível "Alice", mas ainda assim, passou-me pela cabeça se não seria melhor Burton e Depp darem um pequeno descanso às suas colaborações. Rapidamente voltei aos sentidos é claro, mas a minha desilusão com este filme foi, quiçá, demasiado grande.




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Trailer





VEREDICTO: Não há dúvidas de que, com esta dupla, a fonte de inspiração parece interminável, pois têm sempre algo de novo para mostrar. Quero mesmo acreditar que ainda têm muitas cartas para dar, e espero que assim o façam durante muitos mais anos. Só que com "Dark Shadows" fico ligeiramente de pé atrás. O meu filme preferido desta dupla é, indiscutivelmente, "Edward Scissor-Hands". É simplesmente mágico.

E o vosso? Partilhem connosco a vossa opinião!




por Sarah Queiroz




domingo, 25 de Maio de 2014

Contracted (2013)


"Not your average one night stand." 

   Para quem é fã de "body horror", este é, sem sombra de dúvidas, o filme ideal. "Contracted" retrata a história de Samantha, que se encontra numa fase difícil após acabar o relacionamento lésbico com Nikki. Assim, ela decide ir a uma festa para se divertir, mas acaba por ser violada por um desconhecido. Apesar da experiência já por si ser horrível, Samantha começa a aperceber-se de um mal maior que advém da violação. Com o passar dos dias, o seu corpo começa a apresentar sintomas muito estranhos, levando a crer que a sua experiência sexual lhe trouxe outras consequências. Agora, Samantha terá que descobrir o que está a acontecer com o seu corpo apodrecido, antes que seja tarde demais. 
A premissa é bastante interessante e captou logo a minha atenção desde o trailer, pois encarei-o como um verdadeiro "antídoto" para qualquer fã que procure um filme de terror diferente. Ao retratar a dolorosa transformação de Samantha em um zombie, consegue ser muito fresco e original, destacando-se dos filmes do género pela sua explícita abordagem (ou até mesmo "inversão" de abordagem). Quase que me fez lembrar o filme "A Mosca" de David Cronenberg, em que igualmente se assiste a uma transformação bizarra.

   Uma das grandes críticas ao filme tem sido a incoerência da narrativa ou simplesmente a "estupidez" das personagens que não se apercebem do estado moribundo de Samantha, quando no início do filme o fazem (em que os seus sintomas não eram de longe visíveis). Parece que, de repente, ficaram "sem noção". Eu já vi o filme mais do que uma vez... E foi algo que nunca me incomodou porque creio ter uma resposta plausível: considero que foi propositado. Aqui England pretendeu fazer uma crítica social. As personagens do filme correspondem a "personagens-tipo", egocêntricas que só olham para o umbigo delas. Temos a Nikki, a ex-namorada que acha Samantha irritante, o Riley, que desesperadamente a deseja, a mãe, que vê Samantha como uma toxicodependente...E encerram-se tanto nestes padrões e nos muros da sua própria existência, que vêm Samantha exactamente como querem. Ou seja, no exterior ela pode estar extremamente pálida e meio morta, que ninguém verdadeiramente se apercebe. A própria personagem é assim: tão obcecada com a ex-namorada que recusa-se a ajudar a ela própria. São produtos da sociedade simplesmente, uma verdadeira metáfora ao mundo apodrecido que nos rodeia. No entanto,  não invalida terem-me conseguido irritar em algumas das cenas, pois mesmo com esta explicação conseguem roçar o inacreditável. E para os mais exigentes, este tipo de negligências poderão mesmo afectar a credibilidade da trama. Mas a intenção está lá, sendo até possível interpretar o filme de duas maneiras: a história de uma rapariga gradualmente a transformar-se em algo mau, ou o inverso, a história da rapariga que se está a transformar em exactamente aquilo que é verdadeiramente. É um argumento muito mais complexo do que aparenta.


   Eric England pretendia igualmente chocar. Aliás, nem perdeu tempo nenhum. Na introdução deparamos-nos logo com uma cena de necrofilia, o que prende imediatamente o espectador ao ecrã, intrigado com o que se irá passar. O filme é, à falta de melhor expressão, nojento. Retrata fielmente a transformação em um zombie, por isso, podem contar que o filme crie várias situações incómodas. O que é de esperar, uma vez que necrofilia e corpos em decomposição são dos temas centrais. Mas a visão de England, como já referi, é mais profunda que essa. Ao focar-se bastante nas personagens, torna-se um filme com muito mais substância.

   Tenho que dar o devido destaque à actriz Najarra Townsend. Como a actriz principal, fez um trabalho absolutamente formidável no papel da rapariga confusa que tenta perceber por ela própria o que se está a passar. Quantas vezes nós próprios evitamos ir ao médico na esperança que sintomas passem? Townsed capta na perfeição esta essência com uma performance bastante sólida.


  "Contracted" faz qualquer pessoa contorcer-se. E a forma como o filme se desenrola é de génio. Vale a pena ver a película sabendo muito pouco acerca dela, na medida em que é bastante surpreendente e intrigante. A abordagem é mais do que inovadora e original, e o final é de grande impacto, podendo mesmo considerar que é a melhor cena do filme. Mas o grande mérito de "Contracted" reside na capacidade de gerar choque, angustia e ansiedade pelo decair da personagem principal, o que acaba por compensar os erros do filme. É sem dúvida, das grandes surpresas de 2013.


EXAME

Realização: 7.5/10
Actores: 7.5/10
Argumento/Enredo: 7.5/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 7/10

Média global: 7.3/10

Crítica feita por Sarah Queiroz


Informação

Título original: Contracted
Título português: Contracted
Ano: 2013
Realização: Eric England
Actores: Najarra Townsend, Alice Macdonald, Caroline Williams

Trailer do filme:

quinta-feira, 8 de Maio de 2014

Pompeii (2014)


"Pompeia. Sem aviso. Sem fuga possível." De uma explosão de clichés?

A história é mais que conhecida: o filme retrata a grande erupção do Monte Vesúvio, destruindo por completo a cidade de Pompeia. Quando vi o trailer pareceu-me mais um filme que tenta repetir a fórmula de Titanic, ou seja, histórias catastróficas com um casal apaixonado no meio. A premissa é simples: O escravo celta Milo (Kit Harrington) e a nobre Cassia (Emily Brown) vivem o típico amor proibido, só que esta é obrigada a casar-se com um senador de Roma (Kiefer Sutherland). Há ainda uma clássica história de vingança, onde a família do protagonista foi massacrada quando ele ainda era criança, pelo tal senador. Isto tudo no meio da inevitável tragédia do Monte Vesúvio. Logo aí cria-se aquela expectativa que motiva o espectador para o desenrolar da história, sendo crucial, assim, a construção do argumento. Sendo uma obra com tremendo potencial pergunta-se: como torná-lo diferente e "melhor" do que outros filmes de desastre? Parece que a resposta que encontraram foi arranjar um realizador que tivesse experiência em filmes puxados mais para efeitos visuais e com argumentos anémicos. Será que foi desta que Paul W.S. Anderson se superou, isto é, deu enfâse ao aspecto humano e dramático da história?


   O facto assente é que Paul W.S. Anderson não é um realizador de "contar uma história" ou focado em personagens. Nunca foi o seu forte, como é possível perceber através da franquia Resident Evil: o realizador é totalmente apologista de proporcionar (somente) um puro espectáculo visual e repleto de acção, em detrimento da substância narrativa. As sequências de acção são a grande qualidade do realizador, e são filmadas vigorosamente sem tempos mortos. Por vezes exagerado, mas acentua o ritmo intenso e eficaz da película. No entanto, é flagrante a excessiva preocupação de Anderson em mostrar o grande aparato, uma "explosão" de facto. Considero que podia ter sido mais subtil e acentuado com mais pormenor o lado humano, pois até é dos aspectos mais dramáticos da tragédia de Pompeia. Mas não, desde que fosse perceptível em grandes planos que 90% da população estava a ser queimada, para quê mostrar mais? Ou seja, o realizador pretendeu valorizar a nossa experiência desta tragédia ao mostrar em grandes escalas, mas o que conseguiu foi ainda mais descredibilizar, uma vez que o retrato explosivo da erupção do vulcão foi demasiado "pouco natural".  Paul W.S. Anderson tentou focar-se naquilo que faz melhor, mas parece que se esqueceu de como se faz. Adicionalmente, e infelizmente para o mesmo, sendo o aspecto visual o mais positivo, este só se dá a uma hora do filme, sendo que a primeira hora é focada no "desenvolvimento" das personagens. As entre aspas são propositadas, uma vez que é praticamente inexistente. É que é suposto importarmos-nos ou estabelecermos qualquer tipo de ligação com o crescente romance de Milo e Cassia, mas sinceramente, quase que dei por mim a torcer pelo vulcão, por mais sádico que soe. Ao partir de uma história que o público já conhece, exige-se um rigor ainda maior na construção de um ambiente aceitável para que a tragédia aconteça. Sendo a maior falha do filme, deita-o totalmente por terra.


   Eu prefiro nem indagar muito sobre este romance, porque enfim, a construção da história está tão má que nem há ponta que se lhe pegue. Muito rápido, muito superficial. Ainda para mais, são todas as personagens que não são devidamente desenvolvidas, tornando-as unidimensionais e superficiais, estando constantemente envolvidas em clichés. O filme rapidamente se torna cansativo por ser tão pouco inovador. Dei por mim no clímax do filme a achar que estava a ver o Jack Bauer contra o Jon Snow. Há aqui uma tentativa incrível de fusão do filme "Gladiador" com a série "Spartacus", mas acaba por ser infinitamente pior. Aliás, Pompeia é uma verdadeira explosão de clichés. "Titanic" segue basicamente a mesma premissa. Rapaz pobre, rapariga rica, triângulo amoroso, desastre épico e afins. Mas a diferença é que James Cameron preocupou-se efectivamente numa construção sólida deste romance, enquanto que em Pompeia, a interação das duas personagens para além de ser pouca, não é minimamente credível. Deveria ser uma história mais energética e penetrante para poder convencer no plano romântico e dramático, a fim de chegar ao espectador. Infelizmente não convence, acabando mesmo por ser apenas um espectáculo visual que entretém minimamente.

   Em suma, é um filme cujas características flagarantes são a falta de subtileza e pouca inteligência, tentando-se compensar a nível técnico. Não é de longe um filme excelente, pois podia ter seguido a linha de tragédia de modo bastante mais aceitável, ainda assim, pode entreter e impressionar o espectador. No fim do dia, o filme acaba por trazer aquilo a que se prometeu... Para quem não é exigente, recomendo, pois tolera-se os limites que a película oferece. Para os mais exigentes, vão ficar aliviados pela duração ser apenas 104 minutos. Tal como a tagline do filme sugere, "sem fuga possível" de cair no esquecimento.


EXAME

Realização: 5/10
Actores: 6/10
Argumento/Enredo: 4/10
Duração/Conteúdo: 4/10
Efeitos/Fotografia: 7/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 5/10

Média global: 5.1/10

Crítica feita por Sarah Queiroz

Informação

Título original: Pompeia
Título português: Segredos de Sangue
Ano: 2014
Realização: Paul W.S. Anderson
Actores:  Kit Harington, Emily Browning, Kiefer Sutherland

Trailer do filme:



VER AINDA

- Análise à saga Resident Evil 



terça-feira, 6 de Maio de 2014

TOP 15 Heroínas "Badass"/Final Girls do Terror


Depois de um longo "hiatus", estamos de volta à blogosfera! E desta vez fazemos um top que incide sobre as heroínas do horror cinematográfico. Nos filmes de terror costuma haver um elemento marcante, conhecido como a "final girl", isto é, a heroína que sobrevive sempre. Ou se não sobrevive, trata de fazer a vida do assassino bastante mais complicada.

Aqui fica o nosso TOP 10 Final Girls. Nunca é demais relembrar que listas são sempre subjectivas. Partilhem connosco a vossa opinião!


15. Naomi Watts - Rachel em "The Ring" (2002) e "The Ring 2" (2004)


   "The Ring" é um filme de terror de 2002 que considero ser o perfeito exemplo de um bom remake. Quiçá o mais bem sucedido de sempre, a ponto de considerar que supera o original. Todos conhecem a história. Aliás, até penso que nunca ninguém encarou as videocassestes da mesma maneira. Aqui Naomi Watts desempenha o papel de uma mãe que fará de tudo para proteger o filho da terrível maldição, e digamos que tem um temível caminho pela frente.









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14. Jessica Harper - Suzy em "Suspiria" (1977)

   Pode ser a primeira surpresa na lista, uma vez que "Suspiria" é, no mínimo, uma escolha pouco usual. Mas Jessica Harper possui todas as qualidades que a qualificam como uma autêntica final girl; Quando uma estudante de ballet americana viaja até à Alemanha para estudar numa academia de ballet, e depara-se com o facto de que a mesma é gerida por bruxas, terá que se preparar para batalhar contra este mal, especialmente quando o número de amigos que tem começa a decair rapidamente...



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13. Heather Langenkamp - Nancy em "A Nightmare on Elm Street" (1984), "A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors" (1987), "Wes Craven’s New Nightmare" (1994)


   "A Nightmare on Elm Street", de 1984, realizado pelo mestre do terror Wes Craven, marcou o início da franquia cujo enredo gira em volta de um dos psicopatas mais reconhecidos do cinema e um verdadeiro ícone: Freddy Krueger. Eu vou desde já ser sincera, e aliás, para quem leu a minha crítica ao filme, já sabe o que vou dizer. Não gostei particularmente da interpretação de Heather Langenkamp. Mas a personagem Nancy é, sem dúvida, a ultimate final girl da franquia, tendo conseguido ensinar a muitos adolescentes como sobreviver aos tormentos de Freddy...



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12. Sharni Vinson - Erin em "You're Next" (2013)


   "You're Next" é um filme que expõe a resposta de uma família reunida na casa de férias, quando é atacada por um grupo de mascarados, tendo reinventado o género "home invasion". Para a nossa personagem, a reunião de família deveu-se para conhecer os pais do namorado, mas infelizmente teve a batalha da sua vida de uma maneira inesperada. Para sorte dela, estava mais que preparada para enfrentá-los a todos! Badass. Ponto.





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11. Jennifer Love Hewitt - Julie James em "I Know What You Did Last Summer" (1997) e "I Still Know What You Did Last Summer" (1998)

   
Jennifer Love Hewitt permanece como uma icónica Scream Queen, tendo protagonizado das franquias slasher mais mediáticas dos anos 90. Talvez seja por essa razão que Julie James tenha chegado à lista, porque é capaz de ser sensivelmente das Final Girls mais fraquinhas e pouco independentes. Ainda assim, icónica.


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10. Marilyn Burns - Sally Hardesty em "The Texas Chainsaw Massacre" (1974)


   "Texas Chainsaw Massacre" marcou uma época, sendo dos filmes de terror mais consagrados de sempre. A obra trazida por Tobe Hooper é inesquécivel pelos elementos aterrorizantes que tem, envoltos numa mestria nunca antes vista. Foi também dos primeiros slasher que saiu. Sally, é a única sobrevivente do aterrorizante Leatherface. A imagem mostra o momento icónico do filme em que ela escapa. Confesso que no remake Jessica Biel consegue ser ligeiramente mais badass.

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9.
Camile Keaton - Jennifer Hills em "I Spit on Your Grave" (1978)


   Não creio existir personagem mais visceral do que Jennifer Hills em "I Spit on Your Grave". Em primeiro lugar, tem uma evolução incrível, de uma optimista e inocente para uma verdadeira "lady vengeance of death".  Depois de ter sido brutalmente violada, Jennifer Hills transforma-se completamente, e procura vingança contra os responsáveis. A maneira pela qual ela é bem sucedida, não podia ser mais gritante...


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8.
Adrienne King - Alice em "Friday the 13th" (1980)


   "Sexta-Feira 13" é outro clássico slasher que tem no principal plano o misterioso psicopata Jason. Alice Hardy é outra das mais icónicas personagens da história dos filmes slasher, tendo conseguido arrasar completamente com a mãe de Jason, tendo outros momentos épicos no filme. Infelizmente, não sobrevive à saga inteira...

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7.
Milla Jovovich - Alice em "Resident Evil"(2002), "Resident Evil: Apocalypse" (2004), "Resident Evil: Extinction" (2007), "Resident Evil: Afterlife" (2010) e "Resident Evil: Retribution" (2012)



   Sem dúvida das minhas personagens preferidas de SEMPRE. A saga Resident Evil é, comercialmente, das mais bem sucedidas em todo o mundo, e é indiscutivelmente das minhas predilectas. Sei que é controverso, pois não são aqueles filmes de culto que todas as pessoas dizem ver, mas como costumo referir, há que sempre ter em conta que preferências e gostos são subjectivos. O que eu gosto mais da personagem é a sua evolução incrível ao longo dos 5 filmes: sem dúvida que é a "ultimate ass-kicker", dando uma valente "coça" a qualquer um que se meta no seu caminho. 


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6. Jane Levy - Mia em "Evil Dead" (2013)


   "Evil Dead" conseguiu ser das grandes surpresas do terror em 2013. Mia é uma escolha pouco usual para esta lista também, uma vez que não possui as qualidades flagrantes de uma "final girl". Durante o filme passa o tempo praticamente possuída por um demónio, mas acaba por salvar o dia "demon-free", com um estilo muito à Ash da franquia original.



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5. Neve Campbell - Sidney Prescott em "Scream" (1996), "Scream 2"(1997), "Scream 3" (2000) e "Scream 4" (2011)


   Neve Campbell conseguiu o papel de Sidney Prescott em 1996 no slasher film "Scream", que se tornou num dos maiores clássicos de terror de sempre, e colocou Campbell num estatuto de horror queen incontornável. Todos sabemos a história: um serial killer, fanático por filmes de terror, está a assassinar brutalmente todos os jovens da cidade. No entanto, este assassino tem uma particular obsessão pela Sidney Prescott (Neve Campbell) que se safou em momento anterior de ser morta por ele. A mãe de Sidney foi assassinada em iguais circunstâncias, o que leva Sidney a crer que talvez haja ligação entre os dois factos...Indiscutivelmente é das personagens que foi mais massacrada, mas ainda assim parece ser indestrutível, tendo sobrevivido a todos os filmes!



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4. Shauna Macdonald - Sarah em "The Descent" (2005)


   Antes demais, ADOREI este filme. Na minha opinião, é dos melhores filmes de terror britânicos, senão mesmo do género em termos globais, da década de 2000. E devo dizer que Sarah realmente sofre... Um ano após um terrível acidente onde o seu marido e filha morrem, Sarah e mais cinco amigas reencontram-se para a sua aventura anual nas montanhas remotas dos Apalaches. Quando o grupo decide explorar umas grutas, deparam-se com um cenário pouco animador: não só uma rocha bloqueia o único local que as poderia conduzir de volta à superfície, como também verificam que não estão sozinhas. Rapidamente se inicia uma luta pela sobrevivência contra um horror inexplicável.. Escusado será dizer que Sarah irá revelar ser uma excelente final girl, com momentos de proporções épicas!


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3. Jodie Foster - Clarice Starling em "The Silence of the Lambs" (1991)


   Jodie Foster ganhou o Óscar de Melhor Actriz com a sua interpretação de Clarice Starling neste icónico filme, e não é para menos: absolutamente brilhante! Clarice Starling (Jodie Foster) é uma jovem agente do FBI destacada para encontrar uma mulher raptada e salvá-la de um serial killer. Para conseguir elaborar o perfil psicológico e perceber a mente do assassino, Clarice vai procurar outro género de assassino, o brilhante (outrora psiquiatra, que se tornou canibal) Hannibal Lecter. Aí inicia-se um jogo enigmático em que Hannibal fornece pistas para acabar com as mortes mas, pedindo algo em troca... Com características diferentes das usuais "final girls", Clarice tem como vantagens a sua inteligência, revelando ser bastante tenaz.


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2. Jamie Lee Curtis - Laurie Strode em "Halloween" (1978) e "Halloween II" (1981)


   O termo "Final Girl" foi verdadeiramente consolidado ou até mesmo inventado através da personagem Laurie Strode, a verdadeira rainha do terror. É indiscutivelmente a progenitora do conceito de scream queen moderno. Jamie Lee Curtis, filha dos lendários actores Tony Curtis e Janet Leigh, protagonizou das sagas de terror mais bem sucedidas de sempre, Halloween por John Carpenter, que a imortalizaram como a verdadeira rainha do terror. Surpreendentemente não a coloquei em primeiro lugar, o que muitos poderão condenar.. Ainda assim, o segundo lugar não poderia ser de mais ninguém. Digamos que sobreviver aos tormentos de Michael Meyers é obra.


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1. Sigourney Weaver - Ellen Ripley em "Alien" (1979)


   "In space no one can hear you scream". Mas isso não invalida conseguirmos ver Ellen Ripley a dar uma valente coça aos aliens!  Escolha previsível para primeiro lugar? Pode ser ou pode não ser, mas o facto é que não haveria mesmo outra escolha para encabeçar esta lista. Inteligente, racional, impetuosa e absolutamente tenaz! Badass em todos os sentidos. Sigourney Weaver tornou-se icónica após a sua brilhante interpretação na saga Alien. "This is Ripley, last survivor of The Nostromo, signing off."...





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por Sarah Queiroz