terça-feira, 10 de Maio de 2011

Velocidade Furiosa 5 (2011)

Se pensar a nível geral, sei perfeitamente que não sou muito apologista ou fã de trilogias com demasiados capítulos. No entanto, neste caso estamos a falar de uma sequência que jamais foi feita no cinema, uma sequência que faz a mais perfeita mistura entre acção e velocidade. Por este motivo e porque o capítulo 4 (“Velozes e Furiosos”) tinha recuperado a credibilidade desta odisseia depois do grande fracasso que foi o 3º filme (“Ligação Tóquio”), fui ver a nova proposta desta saga de mente aberta, até porque tínhamos portugueses metidos à mistura e já tinha ouvido muito boas impressões sobre o filme.

Neste filme Dominic Toretto (Vin Diesel) e o ex-polícia Brian O’Connor (Paul Walker) estão agora juntos no Rio de Janeiro com Mia (Jordana Brewster), depois de libertarem Dom da prisão. No entanto, ainda a monte, terão de realizar um último grande trabalho para enriquecerem e conquistarem a liberdade definitiva que pretendem. Para isso, têm de roubar o líder do crime no Rio de Janeiro, Reyes (Joaquim de Almeida), orquestrando um grande plano e contratando uma equipa de elite para executar a missão. É seguindo esta linha que o filme se desenrola e devo dizer que até achei a história muito bem conseguida. Ainda assim, é inegável que a velocidade já está muito batida e tinha de se acrescentar algo mais à saga e é por isso que grande parte do filme vive de cenas de acção que não têm obrigatoriamente carros envolvidos o que eu achei que se adequou perfeitamente. Ainda falando dessas muito debatidas cenas de acção presentes no filme, devo dizer que me maravilhei com a forma como estão filmadas. Carregadas de adrenalina e de destruição, com uma variação de planos e de movimentos de câmara espectaculares que nos fazem ficar colados ao ecrã. A cena da perseguição feita nas favelas do Rio está extremamente bem conseguida. Ainda assim, e como já repararam que neste filme não há bela sem senão, há demasiadas “ocorrências impossíveis”. Nestes filmes o espectador já tem de estar predisposto para assistir a algumas cenas de resgate e de salvação que são completamente impossíveis fora do ecrã, no entanto penso que neste filme eles abusaram dessa “tolerância ao impossível” e que conceberam diversas cenas com ficção a mais. Compreendo que tenha sido numa tentativa de dar espectacularidade ao filme mas acabaram por pisar a ténue linha que separa essa espectacularidade do bizarro.
Ao nível do enredo e do argumento propriamente dito, não penso que seja um filme em que se possa avaliar de uma forma exuberante as qualidades do argumento. Não é uma história nova, não uma história complexa, não são personagens carregadas de características únicas. Por isso mesmo mais uma vez saliento o trabalho do realizador deste filme. Ainda assim, penso que houve uma tentativa ridícula de imitar o “Ocean’s Eleven” de Soderbergh em diversos aspectos, especialmente na forma como conseguem executar o plano. Aquela questão de chamarem 8 ou 9 indivíduos, cada um com a sua especialidade, cada um vindo de uma parte diferente do mundo e também o facto de terem ensaiado o assalto ao grande cofre de Reyes adquirindo uma cópia do mesmo, foi mesmo há moda de Soderbergh e acho que para os espectadores mais atentos isso acabou por se transformar num ponto negativo. Mesmo assim, posso também dizer que o grupo dos 9 magníficos funcionou muito bem a todos os níveis.

Passando agora à parte da banda sonora, devo dizer que fiquei muito impressionado pela positiva. Obviamente que neste tipo de filme não se procura uma obra muito rica de grandes compositores, procura-se um conjunto de músicas que acrescente alguma coisa especialmente às personagens e sem dúvida que esse propósito foi cumprido. Com várias músicas brasileiras, este conjunto de músicas assentou perfeitamente na postura implacável, intocável e brava do grupo dos 9 assaltantes. A nível fotográfico, mais uma vez saliento que neste tipo de filmes nunca será um factor muito tido em conta mas fiquei muito feliz ao perceber que a direcção de fotografia aproveitou para corresponder ao ar “luso-latino” que se queria dar ao filme, fazendo ao mesmo tempo um aproveitamento espectacular das favelas do Rio de Janeiro enquanto local para se gravar um filme. Penso mesmo que a perspectiva das favelas oferecida por este filme arruma totalmente a que nos foi oferecida pelo recente “Tropa de Elite”.

Na representação, todos os actores sabem o que se pede numa saga como o “Velocidade Furiosa”: muita postura, muita densidade, poucas palavras e um toque de bom humor q.b. Pois bem, volto a dizer mais uma vez que a nível geral todos estiveram bem e que gostei especialmente das prestações dos actores vindos dos diferentes continentes. Chega a haver mesmo cenas extremamente hilariantes protagonizadas por Chris Ludacris, Don Omar, Tego Calderon, Tyrese Gibson e Sung Kang. As notas menos positivas vão para Vin Diesel e Dwayne Johnson que abusaram claramente do seu estatuto de “machões” do filme, chegando mesmo a parecer fingido. Há demasiadas frases curtas ditas quase em câmara lenta para parecem antecipar a maior das loucuras e a maior das adrenalinas. O nosso Joaquim de Almeida esteve igual a si próprio, no papel de vilão latino que sempre lhe fica tão bem. No entanto, a escolha dos actores para fazerem de seus compinchas foi bastante infeliz. Foram buscar uns actores mexicanos ou porto-riquenhos que para além de serem totalmente monótonos e muito pouco expressivos, falharam completamente na altura de falar brasileiro. Houve mesmo imensos risos na sala quando alguns disseram alguns palavrões tipicamente portugueses, que em vez de soarem a “favelês” soaram a emigrante de leste claramente. Das principais falhas na minha opinião, tirou muita credibilidade aos vilões que participaram neste filme.

Em suma, devo dizer que foram duas horas muito bem passadas. De vez em quando sabe bem ver um filme destes, em que não importa muito o nível de riqueza cinematográfica mas sim o nível de entretenimento que é capaz de nos proporcionar. Um filme bem conseguido, com ritmo e propósito e que tem um final espectacular e que lança o mote para o 6º capítulo que não será de todo descabido. Parabéns mais uma vez a Justin Lin, gostei muito da realização do filme.
Ainda assim, os fãs que gostavam da saga pelas grandes bombas e os grandes carros, esses vão ficar muito desiludidos.
PS: Alguém é capaz de me dizer quanto dinheiro foi declarado pela produção deste filme em estragos e carros para partir?

EXAME:

Realização: 9/10
Actores: 6/10
Argumento: 6/10
Banda sonora: 8.5/10
Fotografia: 8/10
Duração/Conteúdo: 8.5/10
Transmissão da ideia principal para o espectador: 7/10

Média Global: 7.6/10

Crítica feita por Pedro Gonçalves

Informação
Título Original: Fast Five
Título em Português: Velocidade Furiosa 5
Ano: 2011
Realização: Justin Lin
Actores: Vin Diesel, Paul Walker, Joaquim de Almeida

Trailer

8 comentários:

  1. Olha, o filme vem fazendo sucesso aqui no Brasil, porém, está dividindo a crítica pela imagem do Rio de Janeiro que o filme aborda. Ainda não vi, mas quem viu chega a dizer que é constrangedor, ou seja, tem mesmo que ter uma mente aberta na hora de conferir! rs

    Eu verei mais pra frente, estou em um momento que se ver o filme agora sei que irei me estressar.

    Ótima crítica!
    Abs.

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  2. O filme custou cerca de 180 milhões de euros - total. Isto inclui carros que não foram usados.
    Fala-se em lucros de cerca de 600 milhões. Não fiques triste..

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  3. @Alan Raspante: Olá Alan! É sempre assim quando uma cidade é abordada num filme, as opiniões dividem-se sempre! Eu gostei do filme, foram duas horas bem passadas, penso que o objectivo do filme era entreter e isso sem dúvida conseguiu. Deves ver o filme, sem dúvida! Obrigado pelo comentário!

    @David: Pois, já se sabe que para estes blockbusters os números são sempre muito grandes... mas de facto mete pena ver tanta destruição e tantos carros que provavelmente eram novinhos em folha e duraram apenas uns takes!

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  4. Ora aqui está uma critica entusiasmante, muito inspirada e que passa a ideia de o querer ver, conseguindo ainda apontar tudo o que tem de negativo com imensa subtileza (mas está lá escarrapachado no texto).
    Nao vi o filme, mas é mais um irrecusável desta saga que tenho seguido e que acredito o filme ser como o feeling que descreve.
    Well done, Pedro!

    É curioso, que este é o quinto capitulo da saga mas para mim é este o verdadeiro Velocidade Furiosa 3, tal como o 4ºfilme é para mim a verdadeira sequela do filme original. Digamos que o segundo o e terceiro filme já saido desta saga foram... quase spin-offs autónomos e que desta vez ao quinto filme se está a fazer valer dessas duas desviadas sequelas, unindo tudo. É que... na saga Velocidade Furiosa o foco é essencialmente o Vin Diesel. Não o tendo...

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  5. Esse eu faço questão de esperar o DVD.

    http://cinelupinha.blogspot.com/

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  6. Realização 9/10? A sério?...

    Bem, de resto, achei um filmito miserável...
    Vale pelo The Rock, sempre carismático, embora realmente a exceder-se um pouco...

    Discordo apenas em relaçao à apreciação inicial: o terceiro filme é de longe o melhor. Já o 4, o pior ;)

    Cumprimentos

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  7. Eu vi filme em cinema e adorei :)
    Brasil foi uma otima escolha para filmar x)

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