sábado, 13 de agosto de 2011

Das Experiment (2001)


"They never imagined it would go this far."

Das Experiment, em inglês The Experiment, é um thriller alemão realizado por Oliver Hirschbiegel –antes do grande Der Untergang. É-nos apresentado um filme bastante curioso, em que retrata o ser humano como cobaia. É baseado em factos reais, na Experiência da Prisão de Stanford de 1971 (o que o torna mais interessante), porém a ficção têm alguns aspectos que chegam a irritar.

Tarek Fahd (Moritz Bleibtreu) é um taxista que se depara com um anúncio no jornal, que procura voluntários para uma experiência social de 14 dias. Em caso de sucesso, cada voluntário ganhará 4 mil marcos. Tarek pretende fazer uma reportagem sobre esta experiência, trabalhando como infiltrado para o jornal que trabalhava há dois anos. A experiência retrata o seguinte: o que aconteceria se vinte desconhecidos fossem separados em dois grupos diferentes, prisioneiros e guardas, e fossem submetidos a vários tipos de situações? Cada um terá que desempenhar o seu papel, sem o uso de violência. Será que o comportamento humano poderá mudar em tão pouco tempo? O que poderia ser visto primeiramente como uma simples experiência social acaba por ser a realidade aterrorizante de um grupo de indivíduos que decidem deliberadamente abdicar da sua liberdade por duas semanas.

Das Experiment é um filme bom, mas falha um pouco a nível de argumento. Consegue ser simplista ao separar os “bons” e os “maus”; contudo, é bastante exagerado e irreal no sentido em que um grupo de cientistas parece esquecer-se da segurança dos indivíduos e também mesmo a nível do comportamento dos guardas: cedem à pressão de uma maneira muito abrupta e rápida, tornando-se psicóticos "do nada". O que também consegue irritar no filme é o romance ridículo que cai de pára-quedas. Tarek conhece uma mulher abalada pela morte do pai, e acabam por se envolver nessa noite. Durante a experiência, Tarek lembra-se constantemente daquela noite como se de um romance duradouro se tratasse. Esse romance inverosímil constitui uma possível “quebra de tensão” da trama, tentativa de atenuar o ambiente pesado; contudo, parece mesmo que o romance é um corpo estranho e não se coaduna com a história. 
Problemas à parte, Das Experiment é realmente um filme que nos prende à cadeira do princípio ao fim, e é um suspense que nos faz ficar muito nervosos. Aborda questões muito pertinentes: existe uma evol
ução, desde o controlo até ao caos, que é realmente muitíssimo interessante; aborda também como é a eficácia da violência psicológica contra pessoas submetidas a figuras de autoridade e a vontade de potência de alguns indivíduos, característica típica de grupos sociais. 

O argumento pode ter as suas falhas, mas o elenco não. O protagonista Moritz Bleibtreu é um grande actor alemão (fez grandes filmes como Run Lola Run, The Baader Meinhof Complex e Im Juli) e em Das Experiment fez um óptimo trabalho; é uma actor bastante transparente e carismático, com uma grande performance. Moritz Bleibtreu consegue transmitir o desespero da personagem de uma maneira brilhante e visceral. É óptimo ver Christian Berkel como o prisioneiro 38, sempre muito sólido. Os restantes actores estão óptimos. 

O cinema alemão tem grandes filmes e inclui este interessante Das Experiment, que constitui uma boa experiência cinematográfica. É um filme que tem como pontos positivos a realização e o elenco, mas que tem a sua narrativa exposta de uma maneira bastante irreal ; consegue ser simples e exagerado ao mesmo tempo, mas não deixa de ser muito interessante. Um filme a não perder. 


EXAME

Realização: 8/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 6/10
Duração/Conteúdo: 8/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 7/10

Média global: 7.5/10

Crítica feita por Joana Queiroz

Informação

Título em português: A Experiência
Título original: Das Experiment
Ano: 2001
Realização: Oliver Hirschbiegel
Actores: Moritz Bleibtreu, Christian Berkel, Oliver Stokowski, Wotan Wilke Möhring

Trailer do filme:





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1 comentário:

  1. Este filme é fantástico. Tal como dizes na tua crítica, realmente há uma lavagem ao cérebro, e acho que no filme The Wave isso é ainda mais explícito. Vejo que está nas próximas críticas, mal posso esperar!

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