quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Martyrs (2008)

"Elles n'ont pas fini d'être vivantes"

O horror europeu e o cinema francês em particular, têm mostrado nos últimos tempos uma qualidade exorbitante. Em 2008 foi a vez de Pascal Laugier nos proporcionar um filme do mesmo nível. Martyrs representa, sem dúvida, um grande filme de terror, mas é indiscutivelmente o filme mais perturbador, provocador e chocante que tive a oportunidade de ver. Consigo definir o filme com uma simples palavra: "brutalidade".

Intrigante e surpreendente, Martyrs conta a história de Lucie, uma rapariga que havia desaparecido à um ano e quando é encontrada, mostra sinais de ter sido torturada. Descobre-se que Lucie tinha sido mantido presa e sofria abusos. É levada para um orfanato onde conhece Anna e as duas ficam muito amigas. Passados 15 anos, Lucie, ainda visivelmente atormentada pelos traumas, decide vingar-se dos seus raptores, mas acaba por arrastar Anna consigo. Entram num ciclo de violência inevitável em que as repercursões serão gigantes, e ambas poderão pagar um preço bem alto...

Comparar este filme a Hostel não é pouco provável de acontecer. Só que, na minha opinião, a comparação é absurda. Estes filmes diferem largamente na medida em que Martyrs tem substância, há uma mensagem clara transmitida com o filme. O realizador procurou proporcionar uma experiência cinematográfica muito mais profunda. Realmente, quando acabei de vê-lo fiquei imenso tempo atordoada a pensar nele, tirando as minhas próprias conclusões. Se o filme teve esse efeito, significa que marcou impacto, ou seja, depressa não caírá no esquecimento. Mas também não será muito em breve que o reverei.
Eu estou habituada a ver filmes de terror, e aguento muita coisa. Mas Martyrs foi o primeiro filme que conseguiu abalar-me verdadeiramente, houve algumas cenas que estava literalmente aterrada de medo. O ambiente criado e a atmosfera tensa proporcionam momentos verdadeiramente assustadores e são nestes que vemos a competência de Pascal Laugier na realização. Não é propriamente inovador, mas é bastante eficiente, e sabe manter a audiência tensa e assustada. Aliás, Laugier procurou mesmo perturbar o espectador e assumiu riscos. A maneira como ele sequencializa as cenas deixa-nos sempre a ansiar por mais. O argumento é rico, pois é profundo e misterioso sem nunca ser confuso (e acaba por conter referências filosóficas que nos fazem pensar). É tão perturbador e realista que inevitavelmente faz com que passemos pela experiência da protagonista. Somos igualmente "torturados" durante o filme, e o final para mim, devo dizer, está ligeiramente abrupto mas susceptível a diversas interpretações. Porém, estou certa que é um filme que dividirá o público; mas quer se goste ou quer se odeie, marca um inegável impacto.

As influências do terror japonês são visíveis, especialmente na primeira parte do filme, em que se assiste a uma abordagem de terror mais psicológica (estilo asiático, semelhante a Ju-On). Sempre sádico claro, mas não tanto violenta. Digo isto pois chega-se a uma parte no filme em que se torna mesmo inconfortável, arrisco dizer quase impossível, de se continuar a ver. A violência no filme é exacerbada e brutal, chegando a ser incomodativo, daí não aconselhar Martyrs a qualquer um. O certo é que, apesar de ser perturbador, é original e tem qualidade, e não deve deixar de ser visto. É um dilema, de facto...


Este é um filme fantástico, que assusta como poucos assustam. Eu cada vez mais aprecio o terror europeu em detrimento do americano, que se caracteriza pela falta de originalidade e constante necessidade de terem filmes com rios de sangue mas sem substância nenhuma. Friso novamente que Martyrs tem um elevado nível de intensidade que nem todos apreciam, e a generalidade das pessoas pode até mesmo considerá-lo revoltante.

Mas quem tem estômago para este tipo de filmes, Martyrs pode tornar-se dos melhores filmes que viram nos últimos tempos.


EXAME

Realização: 9/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 8/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 7.8/10

Crítica feita por Sara Queiroz

Informação

Título Original: Martyrs
Título em Português: Martyrs
Ano: 2008
Realização: Pascal Laugier
Actores: Morjana Alaoui, Mylène Jampanoï, Xavier Dolan.

Trailer do Filme


10 comentários:

  1. Excelente mesmo! Temo que o remake americano não chegará aos pés do original. Nem percebo porque é que vêm a necessidade de fazerem um remake.

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  2. Bem sarah, sabes que terror não é bem o meu género, mas de vez em quando gosto de ver umas "facadinhas" e acho que esta tua crítica foi aquela que me despertou mais interesse. Quando a acabei de ler, fiquei com a sensação de que queria que tivesses escrito mais 2 ou 3 parágrafos sobre o filme. Gostei mesmo de ler. Muito bem conseguida. Fico à espera que me emprestes o filme.
    Ainda assim, peço-te que leias toda a critica que escreveste mais uma vez e olhes para a classificação que deste! Se és fanática por terror e este foi dos melhores que viste, venha de lá esse 9. qualquer coisa! ehehehe

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  3. Obrigada Pedro! O filme está de facto bastante bom, mas as razões que me levaram a não atribuir uma classificação mais alta é o facto de a divisão do filme que referi (a primeira parte ser mais terror psicológico e a segunda ser dotada de uma violência exacerbada) ser demasiado promeniente e incomodativa. No entanto, como disse, o filme não deve deixar de ser visto pelos fãs do género! E claro está que te vou emprestar o filme, tenho a certeza que vais gostar imenso.

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  4. Um filme duro de se ver - acho que nunca vi um filme de terror levado a tamanho extremo, que rompesse com tudo o que é barreiras deste género. Creio que o mais importante neste filme é o facto de ter, como tu muito bem referiste, substância. Se tivesse sido feito com um ânimo mais leve creio que estariamos na presença de um filme completamente banal.

    É um daqueles filmes que nos prende desde o primeiro minuto até ao final. Depois daquele início simplesmente bombástico pensei "bem, mais chocante que isto deve ser impossível", e enganei-me. Depois fez uma curva a 90º, pensei "bem, estava enganado. Mas agora é que é, mais perturbador que isto é impossível" e eis que o filme volta a fazer outra curva a 90º e BAM! Chegam os 30 minutos mais difíceis de se ver que alguma vez presenciei. Nestes 30 minutos, sobressái-se a tremenda interpretação da Morjana Alaoui [a parte em que ela diz "I miss you", mas em francês obviamente ahaha, breaks my heart every single time!].

    Gostei bastante da crítica!

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  5. Vi-o no cinema e foi até hoje a experiência mais devastadora que tive numa sala.

    Não é para qualquer estômago sem dúvida, é um filme muito duro de ver, eu saí da sala a "cambalear".

    A partir daqui tem spoilers

    O melhor do filme é a sua variedade, como dizes uma primeira metade mais ligado ao terror psicológico, bem executada, cheia de suspense e com aquela entrada espectacular na casa dos torturadores.

    A 2º parte muda radicalmente, o filme é outro, a personagem aparentemente principal foi à vida.
    Aqui vem o terror fisico em todo o seu esplendor e glória. e Por momentos questionamos-nos se estamos a ver um filme ou se é uma experiência sensorial.

    O final poderá ser uma saída fácil, mas é melhor do que porem os pés pelas mãos a tentar explicar o que aconteceu.

    Gostei muito, mas é um filme a rever muito esporádicamente :P

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  6. realmente é um grande filme com cenas bem pesadas de brutalidade, covardia, falta de humanismo, mas ke nos leva a parar e questionar o final do filme isso é verdade!

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  7. Vou vê - lo neste preciso momento, fiquei curioso com a tua review. Adorei um filme chamado "A Serbian Film", e aconselharam- me a ver este. Será que é tão ou mais pesado que o filme que referi?

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  8. A Serbian film é igualmente um filme gráfico de muita violência, mas na minha opinião é bastante inferior a Martyrs, em termos de qualidade. Relativamente a ser tão ou mais pesado, claro que é uma questão subjectiva, mas impressionei-me mais com Martyrs.

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  9. Apenas um filme idiota para pessoas imbecis. Violência gratuita e sem sentido, sem diálogos nem nada que possa parecer inteligente, enfim, um lixo do cinema. Típico filme para gente que não sabe o que é a 7ª arte e nunca vai saber, não sabe explicar porque achou o filme bom, não tem argumento.

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