quinta-feira, 9 de agosto de 2012

The Amazing Spider-Man (2012)

Apostar neste reboot foi, sem dúvida, um enorme risco, pois poderia revelar-se um fracasso total. Isto porque, para muitos, a adaptação cinematográfica do Spider-Man de Sam Raimi era o Spider-Man, já bastante familiarizado pela comunidade cinéfila, não obstante a desilusão com o último filme da trilogia. A decisão de se fazer um reboot desta série era, assim, considerada arriscada, precoce e até ridícula, à falta de melhor expressão. Confesso que, pessoalmente, estava bastante de pé atrás. Felizmente, o risco foi tomado, e indiscutivelmente superou as expectativas do público, mesmo por parte dos cépticos que não acreditavam num possível sucesso do filme. Faço parte desse grupo. Vou ser honesta, não esperava mesmo muito desta nova adaptação da história do Homem-Aranha, e as dúvidas suscitadas pelo anúncio do filme pareciam-me absolutamente inultrapassáveis.


Sinopse (PUBLICO): Peter Parker (Andrew Garfield) é um adolescente inteligente mas introvertido que iniciou há pouco uma relação com Gwen Stacy (Emma Stone), uma colega de turma que, ao contrário de si, é alegre e popular. Desde muito cedo a viver em Nova Iorque, com os tios May e Ben (Sally Field e Martin Sheen), Peter cresceu com o estigma do abandono dos seus pais, que sente nunca ter sido suficientemente explicado. Certo dia descobre uma mala misteriosa que pertenceu ao progenitor. Decidido a descobrir tudo o que se possa relacionar com o passado da sua família, o jovem procura o Dr. Curt Connors (Rhys Ifans) que terá sido parceiro do pai no laboratório Oscorp. Porém, essa viagem ao passado terá o seu preço: o perigoso confronto com Lagarto, o terrível alterego de Connors, e a descoberta de segredos que mais valeriam ter ficado na sombra.


É uma visão completamente nova do Homem-Aranha, perspectiva divergente ao máximo. No entanto, esta nova adaptação não está isenta de falhas. Creio que o realizador por vezes foi ligeiramente apressado "a contar a história", há cenas que evidenciam pouco equilíbrio. O exemplo mais flagrante creio que seja a cena da transformação. Talvez ligeiramente apressada. E não só, por vezes deparamos-nos com aquele tipo de coincidências convenientes, mas pronto, tem que se sustentar a trilogia de alguma maneira, é claro. Porém, facilmente essas falhas são ultrapassadas, não só pela globalidade de aspectos positivos, pois como também a nível técnico o filme roça a perfeição (talvez o uso do CGI na personagem de Lizzard poderia estar ligeiramente melhor, mas mesmo assim, não me é possível criticar), e a fotografia é de cortar a respiração.

Contudo, é inevitável não se proceder a comparações. Apesar de considerar o elenco deste filme absolutamente excepcional, não consigo deixar de pensar que a química dos anteriores protagonistas era ligeiramente superior. E isto é mesmo dizer muito, pois a química que existe entre Andrew Garfield e Emma Stone é bastante evidente também. Em relação ao vilão, sem detrimento da fantástica performance pelo actor Rhys Ifans que interpreta o Dr. Curt Connors aka Lizard, parece-me que não chega perto ao que foi o Dr. Octopus, o vilão do segundo filme da triologia Raimi, e o melhor na minha opinião. Só que o Lizard de Rhys Ifans não deixa de ser um vilão muito bem conseguido; Adoro a construção da personagem. Talvez o que me tenha limitado um bocado foi a inevitável associação do actor ao filme "Nothing Hill". Fiquei incrédula com a versatilidade de Rhys Ifans, pois apresenta um registo completamente diferente, uma verdadeira metamorfose.

Uma das razões pelas quais eu adoro o Homem-Aranha está relacionado com o facto de eu idolatrar a personagem Peter Parker. Talvez por isso, no fundo, até estava com algumas expectativas em relação ao filme, para ver como é que Andrew Garfield iria assumir as rédeas de tão popular personagem. Porque apesar das críticas feitas a Tobey Maguire, não considerava que fosse mau, exceptuando no terceiro filme da saga anterior. Peter Parker é das melhores personagens de sempre e assenta em grandes qualidades, pois é destemido, inteligente, ágil, astuto... Enfim, podia continuar. E o melhor de tudo é que essas qualidades se coadjuvam com aquela inocência da adolescência. Porque o Peter Parker não passa de um adolescente. E é exactamente por esse motivo que Andrew Garfield encaixa-se melhor no papel de Peter Parker, na medida em que é o espelho da adolescência idealista, ao enfrentar as confusões e mudanças de uma maneira muito mais realista e autêntica do que o Tobey Maguire. Sinceramente estava a ficar horrorizada com o rumo que a personagem estava a levar em "Homem-Aranha 3" de Sam Raimi. O que faz este filme ser de elevadíssima qualidade, como já tive oportunidade de referir, é a abordagem mais realista das histórias de Peter Parker, o que não seria possível sem a visão apurada de Marc Webb. A preocupação do realizador foi apresentar um lado muito mais humano do aracnídeo, e isso é extremamente positivo. Mas isso acontece em todas as personagens, pois todas são mais realistas, credíveis e mais facéis de identificar. É um elenco muito mais à vontade nos seus papéis.

Em suma, muito contrariamente ao que a maioria pensou, The Amazing Spider-Man, é um filme incrivelmente satisfatório, mesmo tratando-se de um reboot. É uma verdadeira lufada de ar fresco sendo uma nova versão extremamente bem adaptada a partir dos livros de banda desenhada com um enredo arrebatador e inovador. Felizmente vai ser uma trilogia, portanto é caso para dizer, que venham os restantes! 


EXAME 

Realização: 8/10 
Actores: 9/10 
Argumento/Enredo: 8/10 
Duração/Conteúdo: 7.5/10 
Banda sonora: 8/10 
Efeitos especiais/Fotografia: 9/10 
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 9/10 

Média Global: 8.4/10 

Crítica feita por Sarah Queiroz 

Informação 

Título em português: O Fantástico Homem-Aranha 
Título Original: The Amazing Spider-Man 
Ano: 2012Realização: Marc Webb 
Actores: Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Denis Leary 

Trailer:

3 comentários:

  1. Ainda prefiro os filmes do Raimi, mas apesar da estranheza em repetir a mesma história do original, esse aqui possui um frescor diferente, um tom de jovialidade agradável. E Andrew Garfield é melhor que Tobey Maguire.

    http://avozdocinefilo.blogspot.com.br/

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  2. Amazing filme, com um amazing Andrew Garfield. Andrew consegue mesmo ir mais longe que Tobey Maguire (já excelente) nas componentes dramática, adolescente, tímida, heróica e humorística.
    É bom voltarmos a ver um Spidey pleno de humor (a cena com o ladrão de carros é da mais perfeita filiação com as atitudes de Spidey na bd) - algo que Sam Raimi deixou esquecido.
    Emma Stone brilha como um diamante e com uma química com Andrew que solta faíscas.
    Bom efeitos visuais, vilão bem criado emocionalmente e na sua relação com Peter/Spidey, brilhante profundidade humana e emocional na narrativa.
    Efeito 3-D apenas a funcionar (excelentemente) quando acompanhamos os swings (que parecem mesmo retiradas das vinhetas da bd, para total alegria do fãs/nerds) de Spidey (sentimo-nos mesmo ao lado dele).
    Preferia que se tivesse continuado a saga, mesmo que com novos actores. Mas entre Spider-Man regressar com um reboot ou não regressar, bem-vindo seja o "Aranhiço" com este (fantástico) reboot.
    Venha a sequela. Com Norman Osborn, Mary Jane Watson, J.J. Jameson, Betty Brant, Harry Osborn. E com (ainda) mais acção aracnídea.
    "The Amazing Spider-Man" é um dos grandes blocksbusters de 2012, mas também um dos seus melhores filmes.

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  3. Concordo plenamente com a crítica e com o comentário anterior. A atitude de Spider-Man, especialmente na cena do ladrão, está muito fiel ao que é na BD. Perfeito.

    Só não imagino num futuro filme um outro J.J. Jameson...

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