terça-feira, 7 de agosto de 2012

Master Harold... And The Boys (2010)

" You know what that bench means now. All you have to do is stand up... and walk away from it"
  
Esta fita, baseada na peça de mesmo nome de Athol Fugard, passa-se na África do Sul durante o período do Apartheid e conta a história de um rapaz branco, Hally (Freddie Highmore) e da sua relação amistosa com os seus dois criados negros, principalmente Sam (Ving Rhames) que ensinou muito a Hally e sempre o tratou como igual. Esta amizade pode ser posta em causa quando o pai de Hally, bêbado e racista, se prepara para voltar do hospital para casa, voltando a atormentar a vida do rapaz.

Dos melhores filmes que já vi na minha vida! Um low-budget que, mesmo assim, mostra que a única coisa que é necessária é um bom guião e bons actores. Este filme é uma lição histórica contra o racismo que se verificou e um filme altamente emocional e psicológico com interpretações magistrais de Freddie Highmore (acho que nunca vi este miúdo melhor e é por isso que não me canso de dizer que tem um talento que pode fazer dele dos melhores actores desta nova década se continuar!) e Ving Rhames, que nos levam a ver as consequências que certas ideias têm.

O enredo está mutíssimo bem construído (principalmente para um filme onde a acção decorre quase sempre nos mesmo cenário), começando, apesar da época em causa, com um clima positivo que nos introduz o estado "normal" de Hally e a sua interacção com os outros dois intervenientes, os criados Sam e Willie (Patrick Mofokeng). Ao mesmo tempo ficamos a saber de algumas das convenções sociais da época para as pessoas de "raça negra". Na segunda parte do filme vemos uma transformação brutal do protagonista que, sabendo do regresso do pai e agindo como este, maltrata os seus dois únicos verdadeiros amigos. Através de flashbacks e símbolos, como o papagaio-de-papel, apresentados nos momentos mais certos (apesar de ser o primeiro filme do realizador de TV Lonny Price, percebe-se que este compreende mutíssimo bem a obra, não tivesse interpretado já Hally na Broadway...) percebemos toda a relação de Hally com o seu pai e toda a "vergonha" e carga psicológica que acompanha o adolescente. A vergonha que o rapaz sentia pelo pai tornou-se numa vergonha para consigo mesmo que ameaça tranformá-lo no que ele mais odeia, sentimento que Sam sempre tentou combater de Hally, mostrando-lhe todo o caminho e possibilidades existentes. Assim que sabemos o que certas acções representam, basta-nos afastar delas e fazer o que é correcto e , sobretudo, saudável para nós mesmos. Assim, o filme acaba com uma nota de esperança e com uma lição poderosíssima, ainda que a relação de Hally e Sam possa nunca mais vir a ser a mesma.

Esta película merecia nomeações para Oscars, mas por ter sido tão pouco distribuida até que agora saiu em DVD tal nunca se deu... Enfim, mais uma injustiça da vida...

 
EXAME

Realização:
7/10
Actores: 9/10
Argumento/Enredo: 8/10
Duração/Conteúdo: 8/10
Banda sonora: 6/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10


Média Global: 7.6/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão


Informação
Título em português: Não possui
Título Original: Master Harold... and the Boys
Ano: 2010
Realização: Lonny Price
Actores: Ving Rhames, Freddie Highmore e Patrick Mofokeng

Trailer do filme:

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