Depois do Cinema

Mother's Day (2010)

By Sarah - segunda-feira, maio 16, 2011
Darren Lynn Bousman, mais conhecido pelo seu trabalho na realização em Saw II, III e IV, assumiu as rédeas do remake de Mother's Day, originalmente estreado em 1980. É um filme em que Bousman claramente não desvia o seu registo pelicular, pois o nível de sangue, gore e massacre, quando comparado com seus outros filmes, é praticamente o mesmo. Não era nada que não tivesse à espera, pois "incrivelmente violento" é inevitavelmente o rótulo atribuído aos filmes de Bousman. Mas devo salientar desde já que Mother's Day surpreendeu-me pela positiva, pois esperava muito menos do filme. Digamos que o trailer não está propriamente apelativo, e o título do filme também não é chamativo. Pois bem, não está extraordinário, mas é uma surpresa que todos os fãs do género devem ver.

Bem, é o génio por detrás de Saw! Logo isso diz-nos qualquer coisa... Aqui proporciona-nos um filme caótico e infernal: Beth Sohapi (Jaime King) e Daniel (Frank Grillo) estão a reconstruir as suas vidas após a morte trágica do seu filho. Têm uma nova casa, e convidam os seus amigos para uma festa. Mas quando Izaak (Patrick John Flueger) e Addley Koffin (Warren Koke) entram na casa para resolverem como salvar o seu irmão mais novo (que tinha sido baleado após uma tentativa falhada de assaltar um bando), pensando que a casa pertencia à sua mãe, fazem de todos os convidados na casa seus reféns, e telefonam à "Mother" (Rebecca de Mornay) para resolver a situação. Claro está, a família Koffin causará imensos estragos, à procura de dinheiro para conseguirem escapar, ao mesmo tempo que conseguem virar todos os reféns uns contra os outros, destruindo todas as possibilidades de sobrevivência.

Mother's Day tem um começo lento, mas gradualmente vai-se desenrolando, e deparamos-nos
com cenas verdadeiramente tensas e de cortar a respiração. É nessa medida em que considero que o filme está bem arquitectado, não obstante, por vezes, algumas cenas serem demasiado extensas ou até mesmo desnecessárias. É neste aspecto que considero a realização de Bousman um pouco cansativa, pois não só não é inovadora, como é repetitiva e enfadonha... Achei algumas sequências demasiado previsíveis. No entanto, houve outras que me conseguiram surpreender totalmente. É uma dicotomia constante, sendo um ponto negativo mas também positivo. O filme também nos demonstra até que ponto a natureza humana é animalesca. O instinto de sobrevivência é bastante activo e por vezes, as pessoas fazem mesmo de tudo para sobreviver, mesmo sendo destrutivas e egoístas. A linha entre a loucura e sanidade é, de facto, bastante ténue. Considero, no entanto, que há alguns erros a nível de argumento, há decisões que as personagens tomam que são de loucos, e não sei até que ponto é propositado, mas acaba por ser irrealista.

Em geral, as performances dos actores estão bastante sólidas e realistas. Aliás, era algo a que estava expectante, pois a situação com que nos deparamos no filme é mesmo aterradora, logo esperava que os actore
s transmitissem a 100% o desespero e o medo que é estar naquela situação. E fizeram-no muito bem. Jaime King, como sempre bastante credível, assume a liderança do elenco de uma maneira muito segura. Rebecca de Mornay está verdadeiramente espectacular no filme. A sua performance é aterradora e intimidante, atrevo-me mesmo a comparar com Anthony Hopkins a interpretar Hannibal Lecter; Aquela calma e aparente serenidade, posteriormente contraposta com terror e insanidade num momento seguinte. Os restantes actores também fazem um trabalho satisfatório, tanto os que interpretam os vilões como as vítimas. Destaco Shawn Ashmore, que conhecia pelo seu trabalho em Frozen, igualmente aqui bastante bem. Um filme de terror com um excelente elenco é algo bastante raro hoje em dia, sendo uma das suas mais valias.

Em tom de conclusão, temo que terei que me repetir... Mother's Day é uma boa surpresa, sendo surpreendentemente sólido e intenso, não obstante ter as suas falhas. Vale a pena dar uma olhadela.


EXAME


Realização:
6/10
Actores:
8.5/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador:
7/10


Média Global: 6.9/10

Crítica feita por Sara Queiroz


Informação


Título em português:
Título Original:
Mother's Day
Ano:
2010
Realização:
Darren Lynn Bousman
Actores:
Deborah Ann Woll, Shawn Ashmore, Lisa Marcos, Jaime King, Rebecca De Mornay

Trailer do filme:


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Estreias da Semana!

By Sarah - quarta-feira, maio 11, 2011
Estreia, quinta-feira, nos cinemas portugueses, Your Highness, uma comédia realizada por David Gordon Green que conta com as interpretações de Danny McBride, Zooey Deschanel, James Franco e Natalie Portman.

Sinopse (PÚBLICO): Num reino muito, muito distante, existem dois príncipes irmãos: Fabious, o mais velho, é belo, amável e corajoso; Thadeous, o mais novo, nem por isso. Quando Belladonna (Zooey Deschanel), a futura noiva do príncipe herdeiro, é raptada pelo cruel feiticeiro Leezar (Justin Theroux), o rei faz um ultimato ao filho mais novo: ou ajuda o irmão na grande missão de resgate da princesa ou é deserdado. E é assim que os dois irmãos, com a ajuda da corajosa guerreira Isabel (Natalie Portman), formam uma equipa improvável que salvará não apenas a vida da princesa em perigo, mas todo o reino da fúria dos seus inimigos.

Trailer



Outras Estreias


Zona Interdita

Título original: Monsters
De: Gareth Edwards
Com: Whitney Able, Scoot McNairy








ArthurNegrito

Título original: Arthur
De: Jason Winer
Com: Russell Brand, Helen Mirren, Jennifer Garner







Cliente de Risco

Título original: The Lincoln Lawyer
De: Brad Furman
Com: Matthew McConaughey , Marisa Tomei, Ryan Phillippe








E mais: Pina, Sonhos de Dança, Lourdes, Águas Mil.
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Velocidade Furiosa 5 (2011)

By Pedro Gonçalves - terça-feira, maio 10, 2011
Se pensar a nível geral, sei perfeitamente que não sou muito apologista ou fã de trilogias com demasiados capítulos. No entanto, neste caso estamos a falar de uma sequência que jamais foi feita no cinema, uma sequência que faz a mais perfeita mistura entre acção e velocidade. Por este motivo e porque o capítulo 4 (“Velozes e Furiosos”) tinha recuperado a credibilidade desta odisseia depois do grande fracasso que foi o 3º filme (“Ligação Tóquio”), fui ver a nova proposta desta saga de mente aberta, até porque tínhamos portugueses metidos à mistura e já tinha ouvido muito boas impressões sobre o filme.

Neste filme Dominic Toretto (Vin Diesel) e o ex-polícia Brian O’Connor (Paul Walker) estão agora juntos no Rio de Janeiro com Mia (Jordana Brewster), depois de libertarem Dom da prisão. No entanto, ainda a monte, terão de realizar um último grande trabalho para enriquecerem e conquistarem a liberdade definitiva que pretendem. Para isso, têm de roubar o líder do crime no Rio de Janeiro, Reyes (Joaquim de Almeida), orquestrando um grande plano e contratando uma equipa de elite para executar a missão. É seguindo esta linha que o filme se desenrola e devo dizer que até achei a história muito bem conseguida. Ainda assim, é inegável que a velocidade já está muito batida e tinha de se acrescentar algo mais à saga e é por isso que grande parte do filme vive de cenas de acção que não têm obrigatoriamente carros envolvidos o que eu achei que se adequou perfeitamente. Ainda falando dessas muito debatidas cenas de acção presentes no filme, devo dizer que me maravilhei com a forma como estão filmadas. Carregadas de adrenalina e de destruição, com uma variação de planos e de movimentos de câmara espectaculares que nos fazem ficar colados ao ecrã. A cena da perseguição feita nas favelas do Rio está extremamente bem conseguida. Ainda assim, e como já repararam que neste filme não há bela sem senão, há demasiadas “ocorrências impossíveis”. Nestes filmes o espectador já tem de estar predisposto para assistir a algumas cenas de resgate e de salvação que são completamente impossíveis fora do ecrã, no entanto penso que neste filme eles abusaram dessa “tolerância ao impossível” e que conceberam diversas cenas com ficção a mais. Compreendo que tenha sido numa tentativa de dar espectacularidade ao filme mas acabaram por pisar a ténue linha que separa essa espectacularidade do bizarro.
Ao nível do enredo e do argumento propriamente dito, não penso que seja um filme em que se possa avaliar de uma forma exuberante as qualidades do argumento. Não é uma história nova, não uma história complexa, não são personagens carregadas de características únicas. Por isso mesmo mais uma vez saliento o trabalho do realizador deste filme. Ainda assim, penso que houve uma tentativa ridícula de imitar o “Ocean’s Eleven” de Soderbergh em diversos aspectos, especialmente na forma como conseguem executar o plano. Aquela questão de chamarem 8 ou 9 indivíduos, cada um com a sua especialidade, cada um vindo de uma parte diferente do mundo e também o facto de terem ensaiado o assalto ao grande cofre de Reyes adquirindo uma cópia do mesmo, foi mesmo há moda de Soderbergh e acho que para os espectadores mais atentos isso acabou por se transformar num ponto negativo. Mesmo assim, posso também dizer que o grupo dos 9 magníficos funcionou muito bem a todos os níveis.

Passando agora à parte da banda sonora, devo dizer que fiquei muito impressionado pela positiva. Obviamente que neste tipo de filme não se procura uma obra muito rica de grandes compositores, procura-se um conjunto de músicas que acrescente alguma coisa especialmente às personagens e sem dúvida que esse propósito foi cumprido. Com várias músicas brasileiras, este conjunto de músicas assentou perfeitamente na postura implacável, intocável e brava do grupo dos 9 assaltantes. A nível fotográfico, mais uma vez saliento que neste tipo de filmes nunca será um factor muito tido em conta mas fiquei muito feliz ao perceber que a direcção de fotografia aproveitou para corresponder ao ar “luso-latino” que se queria dar ao filme, fazendo ao mesmo tempo um aproveitamento espectacular das favelas do Rio de Janeiro enquanto local para se gravar um filme. Penso mesmo que a perspectiva das favelas oferecida por este filme arruma totalmente a que nos foi oferecida pelo recente “Tropa de Elite”.

Na representação, todos os actores sabem o que se pede numa saga como o “Velocidade Furiosa”: muita postura, muita densidade, poucas palavras e um toque de bom humor q.b. Pois bem, volto a dizer mais uma vez que a nível geral todos estiveram bem e que gostei especialmente das prestações dos actores vindos dos diferentes continentes. Chega a haver mesmo cenas extremamente hilariantes protagonizadas por Chris Ludacris, Don Omar, Tego Calderon, Tyrese Gibson e Sung Kang. As notas menos positivas vão para Vin Diesel e Dwayne Johnson que abusaram claramente do seu estatuto de “machões” do filme, chegando mesmo a parecer fingido. Há demasiadas frases curtas ditas quase em câmara lenta para parecem antecipar a maior das loucuras e a maior das adrenalinas. O nosso Joaquim de Almeida esteve igual a si próprio, no papel de vilão latino que sempre lhe fica tão bem. No entanto, a escolha dos actores para fazerem de seus compinchas foi bastante infeliz. Foram buscar uns actores mexicanos ou porto-riquenhos que para além de serem totalmente monótonos e muito pouco expressivos, falharam completamente na altura de falar brasileiro. Houve mesmo imensos risos na sala quando alguns disseram alguns palavrões tipicamente portugueses, que em vez de soarem a “favelês” soaram a emigrante de leste claramente. Das principais falhas na minha opinião, tirou muita credibilidade aos vilões que participaram neste filme.

Em suma, devo dizer que foram duas horas muito bem passadas. De vez em quando sabe bem ver um filme destes, em que não importa muito o nível de riqueza cinematográfica mas sim o nível de entretenimento que é capaz de nos proporcionar. Um filme bem conseguido, com ritmo e propósito e que tem um final espectacular e que lança o mote para o 6º capítulo que não será de todo descabido. Parabéns mais uma vez a Justin Lin, gostei muito da realização do filme.
Ainda assim, os fãs que gostavam da saga pelas grandes bombas e os grandes carros, esses vão ficar muito desiludidos.
PS: Alguém é capaz de me dizer quanto dinheiro foi declarado pela produção deste filme em estragos e carros para partir?

EXAME:

Realização: 9/10
Actores: 6/10
Argumento: 6/10
Banda sonora: 8.5/10
Fotografia: 8/10
Duração/Conteúdo: 8.5/10
Transmissão da ideia principal para o espectador: 7/10

Média Global: 7.6/10

Crítica feita por Pedro Gonçalves

Informação
Título Original: Fast Five
Título em Português: Velocidade Furiosa 5
Ano: 2011
Realização: Justin Lin
Actores: Vin Diesel, Paul Walker, Joaquim de Almeida

Trailer

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The Reader (2008)

By Pedro Gonçalves - segunda-feira, maio 09, 2011
Uma película que me foi escapando por entre os dedos cada vez que a quis ver. Em plena época de Óscares, este filme estreou no cinema onde eu trabalhava na altura e constantemente esgotava, havendo mesmo pessoas que imploravam para ficarem nas escadas, mesmo sendo esse um lugar tipicamente solitário de uma paixão que também nos foi escapando por entre os dedos, que ignorámos e pela qual não lutámos apenas porque nos achávamos preciosos demais para alcançar a força que pode ter um simples perdão. Tudo se agrava quando essa paixão foi (numa dimensão cronológica) apenas uma pequena referência no longo sumário de trambolhões que representa uma vida. Tudo se agrava quando essa paixão foi (numa dimensão clara de intensidade) algo que pode perdurar para além daquilo que se reconhece como o fim, algo suficientemente forte para construir uma lembrança que se afunda na imensa ignorância que é o esquecimento.

É durante esse período dimensionalmente perdurante numa escala de intensidade que a nossa cruzada se altera em breves segundos se silêncio e plenitude. É aí que descobrimos o maravilhoso mundo do desconhecido, quando conhecemos alguém que quer desvendar connosco tudo aquilo que expectámos desde que nos lembramos. E é nas pequenas apropriações que moldamos para tudo aquilo que julgamos ser os últimos a conhecer que reside todo o segredo de uma história que pensamos ser apenas nossa e que apesar de perdurar numa dimensão de intensidade sabemos que não vai resistir à força cronológica e a todas as paredes e barreiras que vêm contra nós aleatoriamente enquanto pensamos que se trata
de uma terrível conspiração contra o absurdo mas único e paradisíaco mundo que criámos enquanto voávamos daqui para a eternidade. Esse segredo será o teste de uma vida que nos reserva uma imensidão de tentações que poderão encobrir aquilo que se viveu. O curioso é que é na dimensão cronológica da nossa existência que vamos buscar a prova de vida que precisamos para evocar as tais apropriações que criámos e que eternizaram aquela pequena referência que passa despercebida a quem não a conheceu. Então aí percebemos que a cronologia de uma história não tolera um regresso que faça perpetuar aquilo que se quis mas não se fez e tudo o que resta são as memórias e exteriorizações de algo que mudou a nossa essência para todo o sempre. “O Leitor” é isto. Se quiserem esquecer a formalidade que é a enumeração daquilo que falhou e resultou a nível cinematográfico, “O Leitor” é isto. Um filme emotivo, sobre um amor que muito antes de ser proibido foi vivido de forma única e inesquecível.

Tal como eu gosto, a história é muito simples: Michael Berger é um jovem que se apaixona loucamente por Hannah Schmitz, uma mulher com o dobro da sua idade que o encontra doente na rua e o ajuda. Enquanto entram num jogo de sedução e se deixam levar pela brutal atracção física que sentem, Hannah desafia Michael a ler frequentemente para ela quando descobre que Michael tem um talento especial para a declamação. Certo dia Hannah desaparece sem deixar rasto, deixando para trás um jovem com o coração despedaçado e com uma vida que de repente ficou sem rumo. Oito anos mais tarde, Michael vai assistir a uma audiência em tribunal no âmbito do curso de direito que está a tirar, audiência essa que reconhece Hannah como funcionária das SS nazis no campo de concentração de Auschwitz. Logo no início do filme deparamo-nos com um desenvolvimento de uma paixão proibida, rara e estranha que na minha opinião foi demasiadamente apressado. Se o que interessava era a existência daquela paixão por si só e não como começou, então saltava-se esse capítulo e começava-se o filme já com um relacionamento perfeitamente consumado. Por outro lado, as cenas de romance entre Kate Winslet e David Kross são de uma profundeza marav
ilhosa. Stephen Daldry entra num jogo com estes dois actores que permite transparecer para o ecrã a ingenuidade, a loucura, a rebeldia e a inconsciente liberdade que introduzem à relação que vivem e isso é encantador. Depois temos a vertente simplista da contracena entre os dois personagens, sendo esta uma característica que viaja das interacções mais básicas até aos diálogos. E por fim uma excessiva nudez aparentemente injustificada mas que combina muito bem com a inocência e inexperiência de um jovem entregue às mãos de uma experiente e vivida mulher. Individualmente, uma interpretação genial de David Kross, um trabalho de Kate Winslet muito exigente a nível emocional e um Ralph Fiennes que soube adaptar perfeitamente as características emanadas pelo jovem Michal Berg para a versão mais adulta da personagem. Ainda assim, foi muito difícil para mim dissociar esta personagem de Ralph Fiennes do temível Amon Goeth (A Lista de Schindler), por em ambos os filmes estar a representar em histórias directamente relacionadas com a fúria do nazismo de Hitler, só que em dois lados da moeda totalmente inversos. Em relação ao Óscar de representação atribuído a este filme, se não soubesse para quem tinha ido, apostaria claramente em David Kross. Houve trabalhos muito mais convincentes por parte de Kate Winslet.
Em suma, “O Leitor” traz-nos uma história apaixonante vivida na sempre apelativa época pós 2ª Guerra Mundial. Devo dizer que escrevi um texto carregado de emoção porque foi para esse lado que o filme me levou, pois o associei claramente a um episódio pessoal e quando assim é, como em tudo na vida, não conseguimos fazer uma análise isenta e competente daquilo que vimos. No entanto, posso deixar o registo de uma história muito bem contada por Stephen Daldry, de uma forma simples e cativante, inserida em cenários e num ambiente que foi muito bem recriado e que nos lembrou mais uma vez a pesada herança que o Holocausto deixou para a História.

EXAME:
Realização: 8/10
Actores:
8/10
Argumento/Enredo:
7/10
Duração/Conteúdo:
8/10
Fotografia/Cenários:
9/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador:
9/10
Média Global: 8.2/10
Crítica feita por Pedro Gonçalves
Informação
Título Original: "The Reader"
Título em Português:
"O Leitor"
Ano:
2008
Realização:
Stephen Daldry
Actores:
Kate Winslet, Ralph Fiennes, David Kross
Trailer


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Saving Private Ryan (1998)

By Jota Queiroz - domingo, maio 08, 2011

"The mission is a man."

Não há experiência cinematográfica tão poderosa como o filme Saving Private Ryan. Este, para além de inolvidável, é absolutamente brilhante e permanece indubitavelmente na História do Cinema. O filme arrecadou 5 Óscares, um de Melhor Realizador e os restantes 4 na categorias técnicas, vertente essa que se encontra perfeita na película. O filme tem início no dia 6 de Junho de 1944, o famoso dia D durante a Segunda Guerra Mundial, que consistiu numa operação para invadir a Normandia. O Capitão Miller (Tom Hanks) e o seu batalhão desembarcam na praia de Omaha, frente à artilharia alemã; após uma intensa batalha, o Capitão é destacado para uma outra missão: resgatar com vida o soldado James Ryan (Matt Damon), o mais novo de quatro irmãos, dentre os quais três morreram em combate. Para isso, é necessário o seu paradeiro, percorrendo diversas regiões do território em guerra, enfrentando inimigos e obstáculos.Agora, até que ponto valerá a pena arriscar a vida de oito soldados para salvar um?


As sequências iniciais devem ser muito poderosas de modo a dar projecção ao resto do filme, e nisso Saving Private Ryan acerta em cheio. Filmes como The Big Red One e Longest Day têm boas cenas do desembarque da Normandia, mas em Saving Private Ryan é uma experiência completamente diferente, transcendendo o perfeito. A cena inicial abrange toda uma dimensão que Steven Spielberg geriu com muita inteligência. Durante toda a cena somos levados até ao limite, todo o impacto sonoro condiz com as sequências e estratégias de guerra. Saving Private Ryan consegue explorar imensamente bem os horrores da guerra e transmiti-los ao espectador, distanciando-se dos demais. O filme é credível e verdadeiro: soldados moribundos na costa, esvaiados em sangue; pelotões que poderão ser exterminados por machine guns em menos de 10 segundos, é tudo muito assustador. Não gosto de ver filmes de guerra quando as sequências não me atingem e às quais fico indiferente. Nem tudo é perfeito neste filme, e infelizmente tem falhas. Após uma poderosa sequência inicial, o filme abranda no ritmo; não se torna necessariamente pior, mas perde alguma genialidade, escolhendo o caminho de drama de guerra com ligeiros mas não pertubadores clichés, como os soldados que eram cidadãos comuns e foram obrigados a estarem presentes na atrocidade da guerra. Outro aspecto negativo, na minha opinião, foi o facto de terem ignorado as contribuições de outros países no dia D (por exemplo, os ingleses), numa tentativa de americanizarem mais o filme. O filme tem rigor Histórico (principalmente na sequência inicial) e, apesar da história do Soldado Ryan ser ficção, é tudo inspirado em factos Históricos, não perdendo pontos por isso. A história do filme permite-nos ter uma diferente visão de um outro mundo infernal desenhado com cenários de guerra, desconhecido para nós (felizmente).

Se para muitos, é Jaws-Tubarão que define Steven Spielberg, para mim é a temática da Se
gunda Guerra Mundial; Schindler’s List é outro perfeito exemplo do brilhantismo do realizador. Já tive a oportunidade de ver muitos filmes sobre o Holocausto, e Schindler's List é um dos que marcam mais. Steven Spielberg é genial em Saving Private Ryan, todos os ângulos da câmara são perfeitos e muito bem estudados, como também as transições entre cenas. Há toda uma dinâmica perfeita entre o argumento, a banda sonora, a realização e a fotografia: todos se conjugam imensamente bem e dão ao filme o seu toque especial. A componente técnica, como já referi anteriormente, é imbatível neste filme.
Spielberg fez também uma inteligente escolha de actores. Para liderar o elenco, temos um enorme Tom Hanks e um surpreendente Matt Damon. Edward Burns, Vin Diesel e o restante pelotão são competentes e fazem um belíssimo trabalho.

Em tom de conclusão, aqui fica das mais elevadas recomendações que posso fazer. Dos melhores filmes do género, Saving Private Ryan dispõe de todos os ingredientes necessários a uma boa experiência cinematográfica, pecando em alguns detalhes a nível de guião e na excessiva duração. Tenho saudades de filmes épicos como este...


EXAME

Realização: 10/10
Actores: 10/10
Argumento/Enredo: 8/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Efeitos/Fotografia: 9/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 8.7/10

Crítica feita por Joana Queiroz

Informação

Título em português: O Resgate do Soldado Ryan
Título Original: Saving Private Ryan
Ano: 1998
Realização: Steven Spielberg
Actores:Tom Hanks, Matt Damon, Edward Burns, Vin Diesel



Trailer do filme:





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Modern Times (1936)

By Sarah - sábado, maio 07, 2011
Era na altura da comemoração dos 122 anos do nascimento de Charles Chaplin que tencionava publicar a minha crítica do Modern Times, mas infelizmente não consegui publicá-la no tempo devido, e cá estou eu praticamente um mês mais tarde a fazê-lo. Mas no que toca a prestar homenagens a Chaplin, indiscutivelmente dos maiores cineastas do século XX, mais vale tarde do que nunca! Modern Times é um filme de 1936, realizado e escrito por Charlie Chaplin, sendo o seu último filme mudo, que embora não contendo diálogos, está repleto de efeitos sonoros e música. Num tempo onde o cinema falado já existia, Chaplin preferiu manter a estrutura do cinema mudo, sem em nada prejudicar a brilhante cinematografia de Modern Times, pois Chaplin consegue à mesma transmitir na perfeição o que pretende, sem ter que recorrer a palavras para o fazer. Verdadeiramente de génio.

A acção do filme decorre durante os anos da Grande Depressão em 1929, caracterizada pela e
scassez de recursos, pobreza e fraca economia. O filme irá criticar, de forma inteligente e bem-humorada, os modos de produção capitalistas, a ambição dos burgueses, as condições de trabalho em que se encontravam esses trabalhadores, e principalmente, o próprio conceito de modernidade industrial que surgia. O interessante é que o mesmo se passa hoje em dia, em tom de analogia, o que torna o título do filme bastante oportuno e irónico ao mesmo tempo. E não só, Charles Chaplin satiriza diversas questões sociais da época, como o consumismo, por exemplo. O realizador sintetiza como ninguém este período histórico. Apesar do seu estatuto enquanto melhor comédia de sempre (ri-me histericamente de início ao fim), é impossível ignorar a sua componente política, pois é uma comédia carregada de fortes críticas sociais. Cada sequência é inovadora, bem estruturada e executada, num talento que apenas Chaplin possuía. É mesmo com muita criatividade e inteligência que Chaplin assume a liderança do filme, tanto na realização (pois conduz a narrativa com segurança) como enquanto protagonista. "The Little Tramp" é uma personagem imortalizada, sem sombra de dúvidas, e extremamente bem interpretada por Chaplin.

A trilha sonora foi composta pelo próprio Charles Chaplin, que contém o famoso tema "Smile" que mais tarde foi interpretada por vários artistas tais como Nat King Cole, Diana Ross, Michael Jackson, Rod Stewart, Michael Bublé, entre outros. Simplesmente sublime, tornou-se num clássico mundial. E é claro que a música é um elemento fundamental neste filme, pois forma uma riqueza dialéctica juntamente com a imagem, que tem por objectivo expressar ao máximo a mensagem e a proposta de cada cena.

Modern Times permanecerá incontestavelmente dos filmes mais populares de Chaplin e dos mais icónicos de sempre da história do cinema. A palavra "clássico" não chega para definir esta película, mas está lá bastante perto. É um filme que forma opiniões, e esse é o principal poder de Charles Chaplin, a sua capacidade de transmitir com sucesso as suas opiniões e sátiras. É absolutamente essencial, devendo ser revisto inúmeras vezes.

EXAME

Realização: 10/10
Actores: 9/10
Argumento/Enredo: 8.5/10
Duração/Conteúdo
: 7.5/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 8.6/10

Crítica feita por Sara Queiroz

Informação
Título em português: Tempos Modernos
Título Original: Modern Times
Ano: 1936
Realização: Charles Chaplin
Actores: Charles Chaplin, Paulette Goddard, Henry Bergman, Stanley Sandford, Chester Conklin

Trailer do filme:




E já agora, permitam-me a sugestão para verem uma outra fantástica e recente interpretação da música "Smile"
pela banda da escola CAD composta pelo Pedro Monteiro, Inês Chambel Borges, Miguel Santos, André Pinho, Luís Moreira e Sara Moreira, direccionada pelo Prof. Paulo Trindade Carvalho. Absolutamente imperdível.

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Frozen (2010)

By Sarah - sábado, maio 07, 2011
"No one knows you're up there"

Frozen é um filme de terror que não estreou em Portugal. No entanto, tive a oportunidade de vê-lo juntamente com a minha irmã. Não o considero terror- tem de facto elementos que personificam o género, mas não é daqueles filmes em que até as pipocas saltam. O elemento mais assustador do filme é o facto de poder acontecer a qualquer um, é muito realista." Frozen fez ao snowboarding o que Jaws fez ao mergulho", definitivamente.

Dan Walker (Kevin Zegers) leva a sua namorada Parker O'Neil (Emma Bell) e o seu melhor amigo Joe Lynch (Shawn Ashmore) a fazer snowboard em Mount Holliston, um hábito regular todos os anos. O trio decide ir andar no teleférico para ver a mon
tanha; No entanto, Dan não tem dinheiro suficiente para pagá-lo para todos; assim, suborna o dono da estação de ski, pagando 100 dólares para os deixarem andar à vontade. O que parecia ser um grande sonho torna-se rapidamente um grande pesadelo: a estação de ski desliga as luzes da pista e o trio percebe, em pânico, que foram esquecidos, a uma grande altitude. Sofrendo de hipotermia e queimaduras do frio, o trio é forçado a tomar medidas extremas para sair da montanha, antes que morram congelados. É um filme básico, mas que é eficaz e não falha na transmissão da sua mensagem pois inevitavelmente nos causa a sensação de tensão e apreensão, através do clima de desespero cortante que nos proporciona. É certo que não tem uma premissa propriamente inovadora, esta história da solidão no meio da natureza não é novidade, mas isso não tira mérito ao filme. Especialmente por ser tão envolvente, faz-nos mesmo pensar que de facto o mundo está cheio de imprevisibilidades, e uma coisa que inicialmente pode ser tão divertida, poderá vir a ser fatal. E claramente que o realizador joga com essa possibilidade, a possibilidade da envolvência total do espectador à película. Chega a ser magistral a forma como o realizador arquitecta os ângulos da câmara, para transmitir o maior realismo possível à aflição da situação. Mas claro que nem sempre é perfeito...

Temos um desenrolar gradual da acção, em que cada sequência se torna mais apavorante. Sem dúvida que sequencialmente e
stá bem construído o filme, demonstrando certa inteligência e lucidez cinematográfica, não obstante o argumento não ser por aí além.O filme peca também bastante na sua previsibilidade, pois chega a um ponto que chega a ser óbvio como vai concluir, o que pode tornar a experiência da visualização ligeiramente enfadonha. Isto porque o realizador acelerou um bocado a história, atingindo o climax prematuramente. A nível de diálogos não é um filme propriamente rico, pois há cenas mesmo um bocado desnecessárias. Lá está, como não temos um argumento propriamente sólido, acaba inevitavelmente por se arrastar em algumas cenas.

Frozen é
definitivamente merecedor da vossa atenção, especialmente para quem gosta deste género de filmes, de alta tensão e desesperante. Não há dúvidas que se vê muitíssimo bem, apesar das falhas estruturais que mencionei acima.

EXAME

Realização: 7/10
Actores: 6.5/10
Argumento/Enredo: 5/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 6.6/10

Crítica feita por Sara Queiroz

Informação


Título em português: Pânico na Neve (pt-br)
Título Original: Frozen
Ano: 2010
Realização: Adam Green
Actores: Emma Bell, Kevin Zegers e Shawn Ashmore

Trailer do filme:


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Tekken (2010)

By Sarah - quinta-feira, maio 05, 2011
Quando foi anunciado que o lendário jogo Tekken seria adaptado ao grande ecrã, fiquei expectante. Isto pela seguinte ordem de razões: em primeiro lugar, pensei que tivessem aprendido com os erros das outras adaptações falhadas, como os filmes Dragon Ball e Street Fighter. E em segundo lugar, é claro, como sou grande fã do jogo, era obrigatório ver Tekken, apesar das más críticas que já tinha ouvido. Pois bem, com muita pena minha, as más críticas estavam certas. Não só está uma adaptação sofrível, (está horrivelmente forçado), como também mesmo se não fosse uma adaptação, o filme seria inevitavelmente mau à mesma, pois falha em diversos aspectos.

A história passa-se em 2039 e o mundo já não existe como o conhecemos. Os territórios já não são administrados pelos governos, mas sim pelas empresas, sendo a mais poderosa a Tekken. A fim de manter o povo submisso, a Tekken patrocina o torneio King of Iron Fist no qual os combatentes competem até à morte pela glória. Neste ambiente, Jin Kazama, um lutador de rua entra no torneio com o objectivo de vingar a morte da sua mãe, que irá descobrir que envolve o seu pai desconhecido Kazuya Mishima.
Tekken deixa a desejar em diversos parâmetros, sendo os principais a falta de algumas personagens e o facto de fugir totalmente à história. Para dar um exemplo, nem acredito que a ligação entre Nina Williams e Steve Fox não foi mencionada no filme. Mas também com os actores que utilizaram era impossível serem mãe e filho... É certo que os filmes adaptados tendem a fugir das histórias originais, mas Tekken é um autêntico desastre. A autonomização do enredo até podia estar razoável, mas sinceramente está ridícula.

No entanto, como aspecto positivo, devo dar algum mérito e realçar que o filme apresenta as melhores cenas de luta e artes marciais que já vi num filme do género. Estão muito bem coreografadas e são o foco principal do filme, a fim de compensar a miséria do enredo. É muito bem capaz de facilmente seduzir o espectador durante metade do filme, para além de ser o elemento mais parecido ao jogo, sem dúvida. Porém, o filme resume-se basicamente a isso, não achei que tivesse uma grande profundidade e se eu já não conhecesse apriori as personagens, não teria qualquer conex
ão com elas. Para além das sequências de luta, tudo o resto é desenvolvido o mínimo possível. E isso é grave, pois o jogo Tekken tem personagens complexas e bem construídas, cada uma com as suas motivações para entrar no torneio, enquanto que no filme não há semelhança alguma (para além de física, mas parecia mais cosplay do que outra coisa) com essa personalidade!

Penso que no meio daquela confusão toda, não há nada que se salve. É que nem mesmo a interpretação dos actores. Eu nem me vou debruçar sobre a personagem Nina Williams... Mas fica o aviso. Quando virem o filme decerto que perceberão do que estou a falar. Jon Foo enquanto Jin Kazama oferece-nos uma performance pouco carismática, em que o único destaque é apenas o seu trabalho nas sequências de luta. Apesar de tudo, devo agradecer ao realizador Dwight Little por não ter estendido muito a duração do filme. Há um limite de dor que o coração aguenta... Mas também pergunto-me como é possível ele ter obtido dinheiro para realizar um filme destes, não sei aonde é que os produtores tinham a cabeça.

Pessoalmente, o filme não me agradou, mas reconheço que é bastante melhor do que outras adaptações, e percebo a perspectiva dualista que o filme poderá trazer. Isto porque sem dúvida que haverá pessoas que gostarão da película, apesar das suas irremediáveis falhas. No entanto, para mim isso não o impede de cair na mediocridade. Poderá entreter momentaneamente, mas a falta de substância é gritante, o que não compensa mesmo o dinheiro que se gasta com o bilhete. Mas não deixem de ver se for mesmo essa a vossa vontade.

EXAME

Realização: 5/10
Actores: 5/10
Argumento/Enredo: 3/10
Duração/Conteúdo: 5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 4/10

Média global: 4.5/10

Crítica feita por Sara Queiroz


Informação

Título em português: Tekken
Título o
riginal: Tekken
Ano: 2010
Realização: Dwight Little
Actores: Luke Goss, Cary-Hiroyuki Tagawa, Cung Le, Chiaki Kuriyama, Gary Daniels, Ian Anthony Dale, Tamlyn Tomita, Kelly Overton, Jon Foo, Mircea Monroe.

Trailer do filme:

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Source Code - Código Base (2011)

By Jota Queiroz - terça-feira, maio 03, 2011
Durante o passado ano e até à mais recente época de Óscares, fui fortemente criticado por não ter venerado “A Origem” do grande Christopher Nolan. Pois bem, “Código Base”, sendo um filme muito inferior, consegue corresponder (para alguns) à obra-prima de Nolan nos motivos que me fizeram não gostar do filme. Para aqueles que dizem ter visto o filme do mês, deixo já bem clara a minha posição. Para este filme, apenas uma palavra: escusado, totalmente escusado.

Neste filme, Duncan Jones mostra-nos um avançado programa concebido pelo governo norte-americano para descobrir pormenores sobre um atentado ocorrido num comboio que se dirigia para Chicago. Esse programa consiste em colocar a mente de um soldado no corpo de uma das pessoas que viajava nesse comboio e vivenciar os últimos 8 minutos antes da explosão, de modo a descobrir pormenores sobre a bomba e quem a
activou.
Parece-vos interessante? Só por si a ideia já é pouco interessante e torna-se ainda mais desprezível quando a sua concretização é terrível. Começando pela principal substância do filme, enquanto espectadores acompanha-mos constantemente a odisseia da personagem de Jake Ghylenhaal (Capitão Stevens), que regressa ao comboio inúmeras vezes, exactamente do mesmo ponto de partida, para tentar descobrir a tal bomba. Por aqui o filme torna-se monótono, pois sabemos perfeitamente que ele só vai realmente descobrir a bomba e o terrorista bem perto do final da história. Ainda assim, a uma certa altura a nossa curiosidade consegue ser despertada pois vamo-nos familiarizando cada vez mais com todas as pessoas presentes no comboio e até começamos mentalmente a apostar quem é o responsável pelo atentado, à medida que nos habituamos ao ritmo rotineiro da história. No entanto, o argumentista não entendeu que ao fazer isto tinha de dar à história um vilão imprevisível e inesperado, o que não aconteceu. O desmascarar do vilão desta história foi a coisa mais sem graça e mole que testemunhei nos últimos tempos sentado numa sala de cinema.

Ao nível da representação, Jake Ghylenhaal tem uma prestação desastrosa. Enfim, nestes típicos filmes em que alguém acorda num cenário desconhecido e assustador, já estamos habituados a um “período da adaptação” que a personagem tem de ter, mas isso é um passo que tem de ser dado rapidamente. Nesta história, o Capitão Stevens está constantemente estupefacto com aquilo que está a vivenciar, de uma forma exagerada e desprop
orcionada. Chega a parecer estar sob o efeito de qualquer coisa enquanto está a representar. Vera Farmiga é igualmente desastrosa, não traz nada de novo ao filme e depois de ser referenciada pela Academia não se pode limitar a ter uma prestação destas, monótona e desinteressante. Michelle Monaghan consegue salvar a prestação do elenco, gosto imenso desta actriz e mais uma vez não desiludiu.
A banda sonora não tem espaço nem relevância. Serve apenas como adorno a esta película e quando assim é, estamos na presença de mais uma falha. Os poucos efeitos especiais são primários e repetidos, não é por aqui que o filme vence ou convence.

Quanto à realização, além de falhar em todos os aspectos que já apontei e vou ainda apontar, peca imensas vezes ao focar certos pormenores de algumas personagens que leva o espectador a pensar que vão ser relevantes no avançar da história e depois acabam por não passar de planos ou referências aleatórias. Quando há demasiada aleatoriedade na atitude do realizador, isso só nos reforça a ideia de que estamos na presença de um filme que foi feito a pedido, a obrigação, à procura de lucro e nada mais do que isso.
Fazendo uma nova ronda pelas diversas falhas do filme, nem os sempre supostamente despercebidos créditos iniciais escapam às minhas críticas. Para mim os créditos iniciais devem servir de ar
ma de atracção, devem colocar “água na boca” dos espectadores enquanto são vistos, através das imagens e da música. Bom, não creio que isto se consigo quando ouvimos uma música extremamente monótona e uma sequência de imagens que evocam vistas aéreas da cidade de Chicago e que mais pareciam ter sido tiradas do Google Maps.
Depois (e é aqui que na minha opinião o filme falha na mesma coisa em que falhou “A Origem”), Duncan Jones faz algo que tenho visto muito ultimamente e que não é nada bom, liga o “compl
icómetro”. Perante uma história tão desinteressante, o final teria de ser simples e evitar grandes extravagâncias pois correria o risco de passar do desinteressante para o ridículo. Depois de se descobrir quem era o vilão e onde estava a bomba, embarcamos numa série de estupidezes que apenas serviram para fazer render o peixe. O Capitão Stevens, que aprece o filme todo numa espécie de cápsula enquanto é teletransportado para o passado, afinal já está em morte cerebral sendo que é a sua mente que está a ser transportada para o passado. Ok, uma reviravolta, escusado mas tolerável, vamos embora? Não vamos embora não, não antes de voltarmos ao comboio mais uma vez e descobrirmos que afinal a bomba não explodiu, o Capitão Stevens está vivinho da silva e todos os cenários virtualmente criados afinal nunca existiram. E agora eu pergunto: conclusões? O argumentista desta história sabe ao menos onde é que isto tudo parou e terminou? Impossível, não pode saber. Atenção, volto a referir que é apenas neste ponto que comparo este filme ao “A Origem” e que o filme de Nolan consegue estar a milhas de distância deste último.

Resumindo, um filme escusado, dos primeiros grandes fails de 2011. Ainda não acredito que vi Jake Gylenhaal fazer isto.

EXAME

Realização: 3/10
Actores: 5/10
Argumento/Enredo: 2/10
Efeitos Especiais: 3/10
Banda Sonora: 3/10
Duração/Conteúdo: 2/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 5/10

Média Global: 3.3/10

Crítica feita por Pedro Gonçalves


Informação

Título em português:
O Código Base

Título original:
Source Code
Ano:
2011

Realização: Duncan Jones
Actores: Jake Gylenhaal, Michelle Monaghan, Vera Farmiga

Trailer do filme:


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Thor (2011)

By Sarah - terça-feira, maio 03, 2011
Two worlds. One hero.

Quem é que não gosta dos filmes da Marvel? Sempre que sei que haverá mais uma adaptação cinematográfica do Universo da Marvel fico logo em pulgas: ou poderá ser um fiasco (ex.: Elektra) ou poderá ser brilhante (ex.: Iron Man). Desta vez, o destaque foi para o poderoso Thor e Deus do Trovão, e devo adiantar que a Marvel fez um trabalho  agradável com Thor e não me desiludiu.

Thor (Chris Hemsworth) é um poderoso e arrogante guerreiro que é expulso do Reino de Asgard pelo seu pai Odin (Anthony Hopkins). Isso ocorreu devido ao facto de Thor ter reancendido um conflito ancestral entre o Reino de Asgard e Jotunheim, habitado por Gigantes de Gelo. Odin, para além de o expulsar de Asgard e condená-lo a uma vida na Terra, retira-lhe também os seus poderes. Na Terra, Thor não fica sozinho por muito tempo; a astrofísica Jane Foster (Natalie Portman) encontra-o e contribui para o erguer de um novo defensor da Terra, que tem como objectivo travar os planos do maquiavélico Loki (Tom Hidd), seu irmão.

Em relação ao argumento per se, não está nada mau, mas não é assombroso; digo isto apenas como espectadora do filme, pois Thor é um dos heróis que infelizmente não segui na banda desenhada, pelo que não conheço totalmente. Contudo, conheço o suficiente para saber que algumas coisas foram omitidas no filme. Apesar de algumas divergências com a BD, Thor faz um trabalho competente com a história e constitui uma razoável adaptação. Para mim, não é um Spiderman ou um Iron Man, mas é um bom Thor.

O filme é desenvolvido a seu tempo, e não se torna monótono. O início da trama é excelente pois dá-nos as informações necessárias para o decorrer do filme: a história entre os Gigantes de Gelo e Guerreiros de Argard e como é que a Terra se encontra envolvida. Posteriormente, temos a divergência entre os dois irmãos, Thor e Loki, que se tornam arqui-inimigos, cada um no seu eixo. O filme é pautado também por cenas muito cómicas e com a sua dose de romantismo, como não poderia deixar de ser. Contudo, o desenvolvimento da narrativa não está como deveria ser, pois temos um segundo acto em que tudo muda de dia para a noite, tanto a descoberta da "humanidade" de Thor como o relacionamento que este tem com Jane Foster.
Um ponto bastante positivo no filme é o seu final, que, sem ser demasiado feliz e cliché, deixa-nos com algumas questões que nos fazem ansiar por mais. Toda a narrativa torna-se aliciante do início ao fim, queremos sempre saber o que vai acontecer a seguir e conseguimos criar uma verdadeira ligação com as personagens. Contudo, e apesar de termos boas introduções às origens das personagens Thor e Loki, creio que faltou um pouco mais de profundidade à personagem Thor, pois no segundo acto tudo se passa à velocidade da luz.

O filme é realizado pelo também actor Kenneth Branagh, e a sua estreia no universo da Marvel correu bem. A sua ânsia de nos querer brindar com os mais ricos e atraentes cenários alguma vez vistos num filme da Marvel é uma constante, e nós agradecemos. Realço os reinos de Jotunheim e Asgard, que são épicos e um verdadeiro miminho para o 3D. Sim, o 3D foi bom apenas nessas cenas, deixaram-me de boca aberta, principalmente os céus de Asgard: astronomy geeks como eu, vão adorar! Contudo, o filme poderia ser visualizado em 2D; mas lá está, o 3D é mesmo o novo money maker...Destaque para a cinematografia de Haris Zamabarloukos. Realço novamente a ideia de que a vertente visual do filme é o ponto mais positivo; bravo! 

Relativamente aos actores, só posso dizer bem. Começo por Natalie Portman que, mesmo sendo um papel secundário, consegue ser competente, e só por fazer de astrofísica já adoro. O não tão conhecido Chris Hemsworth é um excelente Thor, fantástico mesmo; sim, constitui eye-candy para as meninas, mas interpreta muito bem a personagem. O experiente Anthony Hopkins é incrível como Odin, encarnando-o exactamente como deveria ser. Stellan Skarsgard e Kat Dennings, os terrestres acolhedores, também são competentes nos seus papéis. O actor Jeremy Renner faz uma aparição bastante curta como Hawkeye que nos prepara para a sua aparição no próximo e já aguardado filme da Marvel, The Avengers. Tom Hidd é espectacular como Loki, adoro-o.

Concluindo, Thor constitui uma boa surpresa que poderia ser melhor. Ganha pela sua cinematografia e boa introdução do universo cósmico da Marvel e das personagens Thor e Loki, preparando o palco maior que será The Avengers. Vale a pena a visualização do filme, excepto em 3D.



EXAME
Realização: 7/10 
Actores: 8/10 
Argumento/Enredo: 7/10 
Duração/Conteúdo: 7/10 
Efeitos/Fotografia: 9/10 
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 7/10 

Média global: 7.4/10

Crítica feita por Joana Queiroz

Informação 

Título em português: Thor
Título original: Thor
Ano: 2011
Realização: Kenneth Branagh
Actores: Chris Hemsworth, Anthony Hopkins, Natalie Portman, Tom Hidd, Idris Elba

Trailer do filme:

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Funny Games US (2007)

By Sarah - segunda-feira, maio 02, 2011
Neste provocador e intenso thriller realizado por Michael Haneke, uma família em férias recebe a visita inesperada de dois jovens perturbados. As suas perfeitas férias transformam-se num pesadelo, à medida que são submetidos a terrores inimagináveis e têm de lutar para permanecer vivos. Este filme é um remake do seu próprio aclamado filme de 1997, e conta com as interpretações de Naomi Watts e Tim Roth. À primeira vista, o filme tem todos os elementos para ser verdadeiramente fantástico. O certo é que foi questionada a necessidade de Haneke ter feito um remake, visto que é exactamente igual, shot by shot. Mas como o realizador bem disse, Funny Games é suposto ser uma história americana, pois o uso da violência como forma de entretenimento é especificamente um fenómeno americano. E o realizador acaba por nos proporcionar um filme narcótico e perturbador, mas inevitavelmente realista.

Talvez perceba a crítica de que o filme é alvo, o ser uma repetição exacta do filme de 1997. Isso sem dúvida que limita vários aspectos, tal como as próprias performances dos actores. Não obstante a competente e eficaz realização de Haneke, não trás propriamente nada de inovador. E talvez seja essa falta de originalidade o principal defeito do filme. Mas não haja dúvidas, e vou realçar novamente, que o realizador sabe muito bem o que faz, pois transmite a sua mensagem de uma maneira segura, fazendo uma crítica social à banalização da violência que se tem vindo a assistir, e à necessidade de consumo trivial de violência gratuita pelas massas. O filme está tão bem arquitectado que quase nos sentimos responsáveis pelo que está a acontecer às personagens. O curioso é que muita da violência no filme é implícita, sem que isso o invalide enquanto filme inconveniente e incomodativo. Funny Games é um filme muito mais psicológico, e mais uma vez se assiste à inteligente e talentosa realização de Haneke. No entanto, acho que o filme poderá tornar-se cansativo pela excessiva duração de algumas cenas. Sei que isso contribui ainda mais para o realismo do filme, mas na minha opinião, quebra o seu ritmo.

Mas o que seria realmente deste filme, sem o seu fantástico elenco? Naomi Watts e Tim Roth são ambos actores consagrados que já não têm que provar mais nada a ninguém. É mais que sabido que são grandes actores, e mais uma vez o demonstram Em Funny Games estão sublimes, é impressionante como espelham o desespero e angustia de não terem o controlo da situação e nada poderem mudar. Deparamos-nos com uma enorme versatilidade de Watts e uma elevada carga dramática por Roth. Tim Roth, devo acrescentar, é dos melhores actores da sua geração, inquestionavelmente. Devon Gearhart também foi uma agradável surpresa, pois o jovem actor interpreta a sua personagem com uma tremenda credibilidade. Michael Pitt e Brady Corbet, que interpretam o duo de psicopatas, são completamente aterradores. Achei muito perturbador o facto das personagens serem demasiado educadas. Muito estranho de facto... Isto para dizer que são actores brilhantes!

Para aqueles que gostam de filmes diferentes, não há dúvidas que vão gostar deste. Sim, porque a principal característica do filme é a sua "estranheza". É um filme cruel que por vezes torna-se difícil de continuar a ver, e que é sádico psicologicamente, mas é um despertar para a realidade. Reconheço que não é um filme fácil para se gostar, mas é impossível não respeitar o impacto que tem nas pessoas.

EXAME

Realização: 7/10
Actores:
9/10

Argumento/Enredo
: 7/10

Duração/Conteúdo:
5/10

Transmissão da principal ideia do filme para o espectador:
7/10


Média global: 7/10


Crítica feita por Sara Queiroz


Informação

Título em português:
Brincadeiras Perigosas

Título original:
Funny Games US

Ano:
2007

Realização:
Michael Haneke

Actores
: Naomi Watts, Tim Roth, Michael Pitt

Trailer do filme:

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