sábado, 22 de outubro de 2011

Incendies (2010)

Finalmente tive oportunidade de ver o tão aclamado filme de 2010 realizado por Denis Villeneuve, que foi um dos nomeados ao Óscar de melhor filme estrangeiro na edição de 2011, e que somente agora estreou nos cinemas portugueses. Adiantando-me já na minha apreciação, posso mesmo dizer que Incendies é absolutamente extraordinário. Isto é cinema! Não posso deixar de referir que é mesmo uma pena que este filme passe em salas tão limitadas, merecia uma maior distribuição, sem dúvida. É daqueles filmes que merecia maior divulgação e exibição em mais salas.

Sinopse (PUBLICO): Após a morte prematura da mãe, Jeanne e Simon (Mélissa Désormeaux-Poulin e Maxim Gaudette) recebem, em testamento, dois envelopes distintos dirigidos ao pai, supostamente falecido, e a um irmão que não imaginavam sequer existir. Conscientes dos segredos que precisam ser revelados, deixam
as suas vidas para trás e partem em direcção à sua terra de origem, no Médio Oriente, em busca do pai e do irmão que não conhecem, tentando cumprir o último desejo da progenitora. E é desta maneira improvável, cruzando fronteiras e épocas, que eles conhecem o passado e a cultura da sua família e encontram as respostas que sempre procuraram: quem foi a sua mãe e quais os mistérios que circundam a sua vida.

A trama propõe-nos um verdadeiro "jogo de detective", em que o mistério em torno da verdade é o que faz o filme caminhar.
A história é densa e cativante, prendendo o espectador de início ao fim, e é nessa medida que o filme é um verdadeiro primor na direcção e roteiro. Villeneuve optou por um filme inteligente, maduro e surpreendente a nível de narrativa, especialmente devido à grande força dos diálogos. De realçar igualmente a fotografia, que é outro grande aspecto positivo do filme, pois são extremamente poderosas e inesquecíveis as imagens e cenas em Incendies, que captam inevitavelmente a atenção do espectador.

O filme está sequencialmente bem construído, é recheado, e não tem momentos baixos. É uma verdad
eira montanha-russa, que culmina nos melhores finais que tive oportunidade de ver. Qual M. Night Shyamalan qual quê... Apesar do final chocante, o filme não vale só por isso. São todos os elementos que tornam Incendies verdadeiramente fenomenal! Isto porque o elenco é algo absolutamente extraordinário, somos brindados com actuações fantásticas, especialmente por parte de Lubna Azabal, que revela o seu magnífico talento através da complexa transformação da sua personagem ao longo das décadas.

O certo é que à muito não assistia a um filme tão arrebatador na sua essência: argumento belíssimo, com uma precisão na realização e elenco, para além de um final incrível. Decerto que não serei a única que fiquei ligeiramente atordoada após a visualização do filme, tal o impacto que teve. Isto tudo faz com que Incendies e a sua história impactante seja das melhores de 2010. Recomendo vivamente, é um filme imperdível!


EXAME

Realização: 9/10
Actores:
9/10
Argumento/Enredo:
8/10
Duração/Conteúdo:
7/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 8.4/10


Crítica feita por Sarah Queiroz


Informação


Título em português: Incendies - A Mulher que Canta
Título Original:
Incendies
Ano: 2010
Realização:
Denis Villeneuve
Actores:
Lubna Azabal, Mélissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette

Trailer:


6 comentários:

  1. Suas resenhas estimulam o espectador a querer assistir o filme, parabéns!

    Cumprimentos cinéfilos

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  2. Ansiosa por ver! Parabéns pelo blog!

    Sara Toscano
    http://imageticulture.blogspot.com/

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  3. Respeitando a opinião da maioria dos comentadores, tenho de dizer que este filme está muito longe de ser um bom filme.

    *** SPOILER ***

    Em primeiro lugar, o argumento tem demasiados aspetos implausíveis. Uma dois coisas que eu considero mais implausíveis é como é que uma jovem adulta que, pelo que ficamos a saber com o diálogo com a avó (logo no início do filme, após o assassínio de Wahab pelos seus irmãos), nunca foi à escola e é analfabeta acaba por se tornar professora assistente (na universidade!!!) de matemática pura! Eu não digo que não possa acontecer nem que nunca tenha ocorrido, apenas acho que é inverosímil.

    Outra coisa que no argumento para mim não faz sentido é que espécie de mãe é que reservaria para os seus filhos a terrível descoberta que o casal de gémeos, e na verdade também o outro filho, acabaram por fazer. Eu consigo compreender que uma mãe (ou um pai) não consiga abandonar este mundo em paz sem contar uma verdade terrível, mas acho extremamente improvável que utilizasse a forma que esta utilizou para revelar a verdade, pois é demasiado cruel e provavelmente trará consequências brutais para o resto das vidas dos três filhos.

    Também me parece absurda toda a personagem do notário, apesar das boas memórias que o ator Remy Girard me traz (de «Declínio do Império Americano», de Denys Arcand). A sua rede de contactos é difícil de acreditar, mas se um notário é assim, da próxima vez que necessitar de um detetive, considere antes contratar um notário.

    Depois há toda a questão das idades e aparência física dos personagens, ao longo da trama. Acima de tudo, como é possível que um homem que violou repetidamente e durante vários anos uma mulher não a reconheça quando a vê numa piscina?

    É pena pois há no filme algumas boas ideias de cinema. Vê-se que não é feito por alguém sem talento. Particularmente a montagem e a fotografia/cinematografia são de nível elevado e ajudam a não tornar o filme um fracasso total.

    O argumento até começa com uma premissa bem interessante. Um casal de irmãos gémeos que, de repente, descobre que afinal pouco souberam sobre a sua mãe e que há coisas importantes que devem descobrir para compreenderem melhor quem são e de onde vieram. Também considero interessante e plausível que um dos irmãos parta de imediato nessa cruzada em busca do seu pai desconhecido, ao passo que o outro se deixa ficar, preferindo talvez fazer o luto típico da sua mãe para depois seguir com a sua vida, até ao momento em que tal se torna insustentável.

    Mas pior do que as falhas de argumento que, no fim de contas deverão ser imputadas à peça de teatro que o filme adapta, é a forma como ele é explorado pelo realizador. Há por todo o filme um desejo de manipular as emoções dos espetadores de forma sem sentido e gratuita. É óbvio que a guerra, ainda mais quando se trata de uma guerra civil, é terrível e implacável, mas há aqui demasiada violência gratuita que me parece ter o único objetivo de chocar o espetador.

    De facto, há todo um acumular de situações que roça a tortura cinematográfica: assassínios à queima roupa (mesmo de crianças) parece ser um dos pratos preferidos do realizador, mas também há crianças-soldado, violações repetidas (embora, neste caso, a violação não seja explorada graficamente).

    Como atrás referi, a guerra, todas as guerras, é um horror, mas prefiro ver a guerra como ela é ou foi num bom documentário do que numa obra de ficção.

    A cereja em cima do bolo é a forma como o realizador intercala as imagens de violência com um estilo videoclip, com música dos Radiohead, em duas cenas do filme. Eu adoro os Radiohead, mas acho que estão completamente fora de contexto neste filme e a sua música não corresponde ao tom geral do filme.

    Na verdade, este filme não é um fracasso total e a prova disso é que é de facto um filme difícil de esquecer e me compeliu a escrever este longo texto, após o ter visto pela primeira vez, ontem, na cinemateca de Bruxelas.
    Contudo, para mim, se fosse crítico de cinema e tivesse de lhe atribuir uma classificação, optaria por: 3/10.

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  4. A mulher que leciona matemática na universidade é a filha, não é a mãe! A filha, impulsionada pelo mestre da qual é assistente, viaja a partir daí, em busca da história da mãe!

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