sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Die Welle (2008)



Gosto bastante de cinema alemão, particularmente o recente. É comum as análises sociológicas do que a Alemanha provocou no mundo através de filmes políticos como
Goodbye Lenin!, A Vida dos Outros e Die Welle – A Onda. Quero começar por dizer que Die Welle é um filme altamente recomendado, e que se tivesse tido mais expansão faria concorrência a muitos blockbusters de Hollywood.

A história centra-se numa experiência pedagógica iniciada pelo professor Rainer Wenger (Jürgen Vogel), o típico “professor fixe” com t-shirt dos Ramones. Inicialmente, as aulas leccionadas por ele seriam sobre Anarquia, porém o director da escola acaba por decidir que o tema das aulas será Autocracia. A história desenvolve-se a partir de uma simples pergunta: actualmente, será de novo possível emergir um regime político semelhante ao nazi-fascismo? Com base nesta pergunta, Wenger resolve propor um projecto pedagógico à sua turma: durante sete dias, os alunos deverão reproduzir comportamentos baseados nos elementos centrais da ideologia fascista. Inicialmente, há a imposição de ordem; de seguida, é reconhecido ao professor a posição de “Führer”. Um símbolo próprio, uma saudação e um uniforme são características que vieram depois. Por fim, o grupo tem um nome – A Onda. A experiência tinha como objectivo demonstrar como se constitui uma legião de seguidores que não se importam em executar ordens, independente de quais sejam; mas as circunstâncias mudam e tudo começa a complicar.


O que mais me interessou no filme foi a abordagem do realizador Dennis Gensel: a dominação dos fortes sobre a mente dos mais fracos; É apenas necessário uma pessoa com grande carisma e que ofereça identidade e ordem(e neste aspecto penso logo em Adolf Hitler) para mover massas, mover uma sociedade outrora sem ideais e organização. Para mim, o grande erro que levou a Alemanha “afundar-se” no Nazismo foi terem ido longe demais, com a ideologia errada.
A premissa do filme é que tudo se pode repetir, até mesmo o Nazismo. Existe também uma óptima abordagem a grupos sociais e violência nas escolas. No filme são levantadas algumas questões bastante pertinentes: a homogeneização da população e o pensamento “fabricado” e influenciável. São realidades latentes dos nossos dias, e o realizador espelhou isso no filme. Os jovens dos dias de hoje procuram a integração em grupos sociais, esquecendo a sua liberdade e individualidade para pertencer a algo maior. Um outro ponto positivo na realização é que o realizador preocupou-se em dar o devido tempo de antena tanto aos jovens como a personagem do professor, equilibrando a narrativa; o público poderá assim identificar-se e tentar perceber as motivações das personagens. Basicamente, Die Welle funciona muito bem como crítica social. A realização está sólida e competente, Dennis Gensel apresenta-nos um decorrer natural dos eventos, não é um filme totalmente forçado.

Contudo, existem alguns aspectos negativos: cliché e previsibilidade. O cliché impera nomeadamente nas personagens; a apresentação dos jovens está pouco aprofundada, cada um dos alunos encaixa num determinado estereótipo e acabou por ali. A previsibilidade também está presente, como também a inserção de resoluções que são demasiado dramáticas, afastando-se um pouco da realidade. Pessoalmente, algumas mudanças de comportamento dos alunos não são credíveis e há situações que sim, são forçadas demais.
O filme conta com um elenco que funciona muito bem e que nos dá algumas performances boas, outras não muito convincentes. Destaco o desempenho satisfatório e contido de Jürgen Vogel, que interpreta o Professor Rainer.
Faço um especial destaque à última cena do filme. Não contendo spoilers, devo dizer que há um momento de epifania no professor, um momento menor do que um segundo em que há a compreensão dos mecanismos da história. O final do filme resume tudo, Die Welle é precisamente sobre isto: só se entende realmente as nossas acções depois de as termos instalado.

Die Welle lembra-me filmes como Das Experiment e Entre Les Murs, também muito bons. É um filme crítico, uma obra inteligente que deve ser vista.

EXAME

Realização: 7/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 8/10
Banda Sonora: 8/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 8/10

Média global: 7.7/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação

Título em português: A Onda
Título original: Die Welle
Ano: 2008
Realização: Dennis Gansel
Actores: Jürgen Vogel, Frederick Lau and Max Riemelt

Trailer do filme:

12 comentários:

  1. Excelente regresso Jota, looking forward to read more from you.

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  2. Adorei o filme.
    Acho que está uma boa critica à sociadade modera e a como as massas podem ser "lideradas" por ideais externos.

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  3. Gostei bastante deste filme, gostei do tema que se propõe. Achei surpreendente!

    Abs :)

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  4. É um ótimo filme, assim como os dois outros que você citou "Das Experiment" que já gerou uma versão americana com Forest Whitaker e "Entre Les Murs", este último um grande trabalho sobre os problemas da educação atual.

    Existe um filme americano produzido para tv em 1981 chamado "The Wave", com Bruce Davison no papel do professor, que conta a mesma história de "Die Welle", com a diferença do final, que dizem ser igual a história original em que os dois filmes são baseados.

    Até mais

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  5. Obrigada Sarah :P. Sabes bem que tenho andado ocupada, sorry :)

    @ Gonzo's : Concordo plenamente contigo. A sociedade moderna pode ser mesmo caracterizada assim.

    @ alan raspante: É mesmo surpreendente, adorei o clímax final :)

    @ Hugo: É semelhante a Das Experiment no sentido da "experiência" a que um determinado grupo é submetido, e tem o ambiente de professor/turma de Entre Les Murs. Está fantástico. Eu vi o filme de 1981, também achei muito bom. Aliás, está até disponível integralmente no youtube =).

    @ António: É de facto forte, e o final pode ter muito impacto nos mais susceptíveis.

    Obrigada pelos comentários :)

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  6. Gostei muito deste filme!
    Concordo com quase tudo nesta tua crítica Joana, excepto quando criticas negativamente as personagens por serem demasiado cliché e por não terem sido aprofundadas. Eu acho que isto foi feito de propósito neste filme, aliás era mesmo necessário, pois era suposto apresentar uma colectânea de estereótipos dos alunos que se encontram actualmente nas salas de aula da Alemanha e nas do resto "mundo desenvolvido". Aprofundar acabaria por sugar desnecessariamente tempo ao filme na minha opinião e não iria contribuir para o objectivo principal do filme, que é na minha óptica: mostrar que os jovens de actualmente são tão susceptíveis a influências/ideologias fascistas como as pessoas da Alemanha pós-Primeira Geurra Mundial. Este é um dos poucos casos em que acho que o cliché é obrigatório e positivo e não algo negativo e chato.
    Queria também dizer que este filme além de fazer, lembrar sem qualquer sombra de dúvida, a ascensão do Nacional-Socialismo e do Fascismo, fez me lembrar, até certo ponto, também uma dada prática que existe em muitos estabelecimentos do Ensino Superior de Portugal, considerada antigamente como fascista mas que hoje é "tudo uma grande brincadeira que serve de integração para o aluno recém chegado, na grande e unida família académica".

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  7. @ José: Obrigada pelo teu comentário.
    Concordo em certa parte que provavelmente é intencional o estereótipo; aliás, o realizador pretende fazer uma crítica social, portanto o melhor é mesmo usar determinados grupos. Não é um aspecto assim tão negativo, aliás, não disse que era negativo e chato... mas serem demasiado estereotipados acabam por dar uma grande dose de previsibilidade ao filme, e alguns comportamentos demasiado dramáticos. Mas isto não deixa abaixo o filme, de todo.

    O teu último parágrafo está muito curioso, porque realmente há certos aspectos do filme que associamos à prática de praxe.

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  8. Grande filme, gostei mais do que o Entre Les Murs, se bem que o intuito de ambos é um pouco diferente.

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  9. @ O Narrador Subjectivo: Sim, o intuito de ambos é um pouco diferente, há diferentes abordagens; contudo, faz-me lembrar o ambiente de professor/aluno que o Die Welle também transmite.
    Também gostei mais do alemão, talvez porque a temática interessa-me mais.

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  10. Olá!
    E uma crítica aos filmes Blue Valentine e La Casa Muda??
    Cumprimenos

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  11. O filme é ruim, notoriamente pró-Israel. Atuações sofríveis, direção frouxa, personagens estereotipados. A cena do rapaz queimando as camisas da Nike é muito clichê. Na falta de coisa melhor para fazer em um domingo com chuva, assistam.

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