sexta-feira, 4 de março de 2011

Splice (2009)

"She's not human...not entirely."

Splice, para além do óbvio género de ficção científica, é considerado um filme de terror. Na minha opinião, é um erro; Splice de terror não tem nada, de assustador tem apenas duas cenas de sexo perturbadoras e um pouco de sangue. Este é o novo filme de Vincenzo Natali, o visionário por de trás do grande filme The Cube. No entanto, há coisas que não se repetem, e Natali não conseguiu transpor a sua visão para este novo filme. É um filme extremamente decepcionante.

A história é simples. Elsa (Sarah Polley) e Clive (Adrien Brody) são dois cientis
tas do laboratório N.E.R.D, que combinam códigos genéticos de diferentes espécies, visando curar doenças. Elsa quer arriscar e quer combinar DNA humano para criar clones híbridos. Devido a questões éticas e morais, o casal não recebe autorização para o fazer. Contudo, decidem avançar na investigação secretamente, criando Dren (Delphine Chanéac), uma criatura extraordinária, diferente de todas as formas de vida conhecidas. Mas o ritmo acelerado com que cresce e a acumulação de conhecimentos rapidamente a torna em algo tenebroso.

A história do filme, apesar de ter algumas coisas bizarras, é inegavelmente interessante e mantém-nos colados ao ecrã até ao fim do filme. É um filme com uma temática estimulante, pelo menos para mim, que sou uma rapariguinha da Ciência e gosto sempre de ver estes assuntos abordados. A prática de clonagem e o “brincar de Deus” são questões morais levantadas. Splice também propõe uma reflexão moral da metáfora da criação: Adão e Eva, respectivamente as personagens interpretadas por Adrien Brody e Sarah Poley, que geram uma nova espécie, Dren. Esta premissa está muito boa e é inteligente, já a execução é muitíssimo pobre. Vincenzo Natali não conseguiu nada de brilhante aqui, tudo poderia ser bastante melhor.

O filme tem um ritmo médio, ao início tudo flui rapidamente e mal vemos o tempo passar. No entanto, depois parece que estagna e que nunca mais acaba. Se esperam muita acção poderão ficar desiludidos. Admito que estava à espera que a premissa se desenrolasse de outra maneira. Seria muito mais interessante, apesar de cliché, se Dren escapasse da quinta onde estava e espalhasse um pouco de terror na comunidade. Não tem q
uase nenhuma reviravolta, apenas um último twist final e bastante previsível; desta maneira, poderá haver cenas em que ficarão entediados, pelo menos os mais exigentes por sangue e acção. Um ponto positivo que podemos retirar daqui é que há alguma concentração no diálogo, que de certa maneira não está mau e é inteligente, é há desenvolvimento das personagens. A personagem de Elsa tem uma evolução excepcional, e apesar de Dren ser o objecto de atenção é Elsa que é a alma do filme. Adrien Brody não está no seu melhor, já Delphine Chaneac faz um trabalho aceitável.

A fotografia está muito b
oa, não conseguimos tirar os olhos do ecrã. Os efeitos estão muito bem conseguidos e intrigantes, principalmente na criatura Dren, adorei a evolução. Existe uma certa dualidade nesta estranha mas adorável criatura: por um lado, o seu olhar meigo quase faz-nos sentir compaixão por ela, e por outro as suas estranhas asas, acções macabras e sons produzidos causam um certo desdém. A aparência de Dren está muito bem conseguida, aliada ao seu figurino que a tornam ainda mais humana, mas não inteiramente.

Talvez se Guillerme Del Toro tivesse realizado ao invés de
ter produzido, o resultado seria outro. Splice recebeu críticas maioritariamente negativas, mas creio que devem criar uma opinião própria e irem ver.
Consegue entreter de diversas maneiras paradoxais: faz rir e chorar, faz vomitar e perturba, mantém o interesse e promove o aborrecimento, apanham um susto ou não… enfim, muitos pratos no menu, que depois têm duas saídas: ou gostam ou não gostam.


EXAME

Realização:
5/10

Actores:
6/10

Argumento/Enredo:
6/10

Duração/Conteúdo: 5/10
Efeitos/Fotografia:
8/10

Transmissão da principal ideia do filme para o espectador:
7/10


Média global: 6.1/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação

Título em português:
Mutante

Título original:
Splice

Ano:
2009

Realização:
Vincenzo Natali

Actores:
Adrien Brody, Sarah Polley, Delphine Cheneac

Trailer do filme:


9 comentários:

  1. Saí desiludido. Gosto do realizador e este é claramente o seu filme mais fraco. Acho que é melhor não lhe darem dinheiro, quanto menos orçamento ele tem melhor é o filme lol.

    Eu também gosto desta temática, mas a verdade é que já foi abordada e melhor em outros filmes.

    E sim tenta apresentar-se como de terror e não é.

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  2. Já vi isto à tanto tempo, e se não tenho grande memória da coisa é porque não deve ser nada de jeito.

    só uma coisa. bridges está mal escrito na foto da semana

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  3. Vou ver hoje no Fantas mas já vou com poucas expectativas.
    Grande banner! Também gostava de fazer esses brilhinhos no photoshop.

    Abraço
    Frank and Hall's Stuff

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  4. Não achei o filme mesmo nada de especial... Aliás, até desgostei, penso que não traz nada de novo e tem um desenvolvimento fraco.

    Obrigada por alertares David, já foi corrigido. Obrigada Bruno, a minha irmã realmente tem jeito para estas coisas :D

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  5. @ Loot : Concordo, esta temática já foi melhor abordada, mas sendo de Natali estava mesmo à espera que ele conseguisse algo bom daqui. O filme "vê-se", mas também saí desiludida.

    @ David Pires: Sim, geralmente quando não há memória isso significa que o filme não marcou grande impacto em ti =P. Obrigada por teres apontado o erro =)

    @ Bruno Cunha: Depois diz-me a tua opinião; às vezes ir com poucas expectativas até é bom, pode ser até que nem aches assim tão mau.
    E obrigada :D

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  6. Vi este filme há uns dias atrás e primeiramente achei o filme interessante, apesar de não ser nada de novo. Mas como gosto de ficção científica inicialmente até estava a achar engraçado o projecto daquele grupo de cientistas... No entanto, com o desenvolver do filme este torna-se previsível e muita estúpido! Aliás, de tal forma irracional que a certa altura tenho quase a certeza que as personagens principais já não eram cientistas, mas umas autênticas crianças imaturas e com um grande desconhecimento das coisas, como é suposto terem... A burrice da história e, consequentemente, das personagens fez-me querer distribuir chapadas à gente envolvida neste filme... Ninguém reparou na treta que era?!

    O meu veredicto é que este filme é um autêntico desperdício!

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  7. Splice, não é um filme que se considere memorável, mas não o considero um desperdício.
    A história apesar de se focar bastante na experiência em si, na sua evolução, também mostra as semelhanças entre o ser humano e o animal, a forma como os seres humanos se podem perder do seu lado racional, e ainda com alguns pormenores que se baseiam em factos biológicos.
    Sem dúvida ao inicio aparenta ser muito intrigante, como se irá desenvolver, e ainda com pormenores da criatura, não deixa de o ser, mas realmente perde-se um bocadinho a meio, quando a história passa a focar-se em Elsa. Percebe-se a ambição que esta tem com Dren, em contrapartida perde-se um bocadinho o fio a meada, a história em si acaba por não ser nada daquilo que começa por ser, um verdadeiro caso para dizer, "as aparências iludem".
    Há um certo gradiente de parvoice neste filme, em que se nota que as personagens agem de forma bastante infantil, mas talvez daí se retire mais conclusões sobre a ambição, sobre o factor animal, e o que isto provoca, ao destacar-se, nos seres humanos.
    Na verdade este filme, na minha opinião, não é surpreendente, mas nem por isso desgostei.
    A nível de imagem, está muitíssimo bem feito, todas as criaturas estão muito bem criadas, e a ideia por detrás destas está muito boa. É aqui que realmente o filme se pode destacar.
    Boa crítica =)

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  8. Já o vi e em breve a crítica vai sair no meu blog. Não vai fugir muito ao que dizes, provavelmente.

    Abraço
    Frank and Hall's Stuff

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  9. O filme na minha opinião,estava com uma historia até o meio
    bem interessante,mas depois disso a historia sai de foco e o
    diretor não sabe como terminar bem.
    E então o resultado disso é um lixo sem pé nem cabeça,mas
    tudo isso serve para se mostrar como não deve ser feito um
    filme de horror misturado com ficção ciêntifica.

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