sexta-feira, 29 de março de 2013

Planet of the Apes (1968)


"Take Your Stinkin' Paws Off Me You Damn Dirty Ape"

Clássico do cinema; prelúdio das sagas mais conhecidas da ficção científica; esses epítetos todos... Após quase 50 anos será que este filme mantém esse estatuto de culto? Será o filme assim tão bom, será que é sobrevalorizado, será que é o melhor da quintologia? É melhor responder a estas questões todas antes que os macacos tomem conta disto...

O filme começa com George Taylor (Charlton Heston), um astronauta americano, que viaja por séculos em estado de hibernação. Ao acordar, ele e os seus companheiros (Robert Guuner e Jeff Burton) vêem-se  num planeta dominado por macacos, no qual os humanos são tratados como escravos e nem o dom da fala possuem.

Bem, por onde começar... Devo dizer que acho a premissa do filme extremamente interessante. O filme faz um ciclo completo: começa com Taylor na nave a enviar uma mensagem (para quem quer que seja que o ouça...) a perguntar se, em todos os anos que estiveram a viajar, a raça humana já evoluiu ao ponto de se preocupar mais com os seus semelhantes. Qual o seu espanto quando aterra num planeta em que os macacos é que «dominam» os humanos! Há muitas personagens e coisas para gostar neste filme e... Charlton Heston não é uma delas... Meu Deus que o homem é mau actor... Não percebo como é que as pessoas acham que este senhor «é que faz o filme» ou que o actor que aparece na sequela (a fazer outra personagem) não é tão bom como Heston... O homem reaje de menos quando devia fazer uma actuação mais subtâncial e, noutras falas, representa em demasia... De facto faz sentido que num planeta de macacos quase todos os actores que façam de humanos sejam uma nódoa a representar e os macacos é que encham o filme com boas performances. E aqui há que apontar a genialidade da Santíssima Trindade da Representação Símia: Roddy McDowall como o puro e bem intencionado chimpazé Cornelius; Kim Hunter como a sua companheira cientista Zira e; Maurice Evans como o complexo orangotango Dr. Zaius.

O que me leva às personagens: os humanos não têm muito por onde se pegar, pois passam o filme todo calados e os que falam talvez devessem também fechar o bico... Agora os três símios que falei, isso sim! Cornelius e Zira complementam-se perfeitamente enquanto cientistas que fazem experiências em humanos (intitulam-se «veterinários» veja-se a ironia...) mas que também são bastante humanitários e receptivos à ideia (científica lá está...) do evolucionismo. Já o Dr. Zaius representa a mentalidade dos orangotangos, que dominam os orgãos da autoridade da sociedade símia, sendo o símbolo da religião e conhecimento desta- uma Igreja com poder político ao estilo medievo, se assim se quiser. Mas Zaius é bem mais complexo que essa etiqueta. É uma pessoa (quer dizer... personagem) que entende as limitações da doutrina que professa (criacionista, lá está...), mas que também teme as consequências de um conhecimento descontrolado ao dispôr de todos. 

O facto da sociedade símia estar estratificada e tripartida é também bastante interessante: os chimpazés tratam da ciência, os gorilas são o exército e os orangotangos detêm os cargos de inteligência. Parece que afinal também existe opressão dentro da própria raça dominadora... É isto que eu gosto na história: pega numa raça diferente para mais facilmente poder criticar e desconstruir aquilo que são os nossos comportamentos. Nisso o filme mantém-se bastante actual: será que merecemos viver neste mundo com aquilo que andamos a fazer? Merecemos ser dominados? Estaremos a causar a nossa própria destruição? Enfim, o final poderá dar algumas respostas (daí o ciclo completo de que falei), apesar de achar que quase toda a gente o conhece, mesmo quem ainda não viu o filme- a porcaria da capa do filme estraga o final! Quem teve a bela ideia daquela capa que não se identifique, que assim eu não tenho que derramar sangue...

Bem, a nível técnico, devo dizer que algumas cenas ainda impressionam (principalmente as do início e a do final), outras estão ultrapassadas, a maioria é normal. Os sets não são nada de especial e são muito arcaicos (o filme tornou a sociedade símia mais rudimentar para poupar nos custos, porque no livro é suposto os mcacos terem uma sociedade algo avançada...). O meu maior problema é a realização... Franklin J. Schaffner e os seus  ZOOMS! A sério, se beberem um shot de cada vez que a porcaria da câmara faz um zoom, vão entrar em coma alcóolico a meio do filme. Dá-me a sensação que o homem nunca tinha visto uma máquina que fizesse zoom e andava a brincar com ela durante as gravações.

Apesar disto tudo digo que o filme é mais que recomendado: a história é bastante interessante, o final é épico, os macacos (ainda que as máscaras não sejam as melhores- bem, para a altura eram bastante boas...) são óptimos devido aos brilhantes actores. Têm é que aguentar com 2 horas de Charlton Heston e de zooms até ao infinito... A música também é muito minimalista. Talvez o filme também valha pelas sequelas, mas falarei disso mais tarde...

EXAME


Realização: 5/10
Actores: 6.5/10
Argumento/Enredo: 8.5/10
Banda sonora: 6/10
Duração/Conteúdo: 8.5/10

Efeitos/Fotografia: 7/10   
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 9/10

Média global: 7.2/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão

Informação

Título original: Planet of the Apes
Título português: Planeta dos Macacos
Ano: 1968
Realização: Franklin J. Schaffner
Argumento: Pierre Boulle (romance), Michael Wilson e Rod Serling
Actores:  Charlton Heston, Roddy McDowall, Kim Hunter e Maurice Evans

Trailer do filme:
















Ver também: 
Beneath the Planet of the Apes (1970), por Rodrigo Mourão
Rise of the Planet of the Apes (2011) por Sarah Queiroz

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