sexta-feira, 22 de abril de 2011

Red Riding Hood (2011)

"Believe the legend. Beware the wolf."

Red Riding Hood, realizado por Catherine Hardwicke, é a mais recente versão do conto infantil do Capuchinho Vermelho. Versão alternativa, devo salientar, pois só em poucos elementos se assemelham. Posso dizer que é uma miscelânea da fábula com elementos Twilight, entre outros inúmeros clichés. Geralmente não gosto de ser conclusiva logo de início, mas devo já realçar, em tom de aviso, que é um filme absolutamente terrível em que nada se aproveita, nem o enredo, nem os simples parâmetros técnicos. A palavra certa para o definir poderá ser mediocridade. Acho que a tagline devia ser: "Believe the legend. Beware this ridiculous version!" Passo a explicar.

O filme conta a história de Valerie (Amanda Seyfried), habitante de Daggerhon, uma aldeia atormentada à muitos anos por um lobisomem, que, no entanto, não atacava humanos à mais de uma década. Contudo, numa noite, mata a irmã de Valerie. Ansiando por vingança, os aldeões planeiam matar o lobo por eles próprios, até que chega o famoso caçador de lobisomens Padre Solomon (Gary Oldman), que avisa que o lobisomem é alguém da aldeia que assume a forma humana durante o dia. O mistério paira no ar, e a questão coloca-se: quem será o verdadeiro assassino? Deparamo-nos ainda com uma sub-história, de Valerie e as suas duas paixonetas. A Rapariga do Capuz Vermelho parte de uma premissa interessante, o que é inicialmente um aspecto positivo, mas a concretização da mesma falha miseravelmente. Neste caso não se pode dizer "o que conta é a intenção". Quando há a ideia, há que concretizá-la, e aqui não há ponta que se lhe pegue. Sequencialmente as cenas estão uma miséria, não há devidas transições, e fica a sensação que ao longo do filme não nos são dadas as devidas informações para supostamente resolvermos o enigma de modo coerente. O horror é mesmo esse, é o facto de nos darem falsas esperanças em relação a podermos esperar algo interessante no fim. Falha muito nesse aspecto, ficamos com a constante sensação de que falta alguma coisa. Para não dizer que há cenas completamente desnecessárias que estão só ali a ocupar a fita. É uma desilusão o enredo, está fraquíssimo, pois tenta fazer muita coisa mas acaba por ficar aquém das expectativas.

Tendo Catherine Hardwicke como realizadora, as comparações a Twilight são inevitáveis, não só devido à temática sobrenatural, mas também devido ao facto de se centrar num triângulo amoroso (vamos lá a passar à frente Senhora Hardwicke, decerto que consegues fazer melhor!). Outras similaridades que notei foi em relação à fotografia e edição, isto é, o estilo característico de Catherine Hardwicke é visível, chego a pensar que o objectivo foi mesmo chamar à atenção os fãs de Twilight. Sinceramente, eu não sou grande fã da saga Twilight, mas consigo preferi-lo a milhas de distância relativamente a Red Riding Hood, e não gosto de com parar. Na vertente técnica é um filme que deixa mesmo muito a desejar, achei caricato o fraco visual do lobisomem, de tal maneira, que não consegui controlar as gargalhadas no cinema. E não só, já com os cenários e vestiá rio, parecia que estava a assistir daquelas peças de teatro um bocado mázinhas em vez de uma longa-metragem, parecia tudo muito falso e forçado. É que com um orçamento de 40 milhões, exigia-se muito mais. Cá para mim devem ter gasto o dinheiro todo a contratar Gary Oldman, só se for. Para melhorar ainda mais, o filme é extremamente aborrecido. Para além de substancialmente ser uma nulidade, ainda arrastam durante duas horas esse problema, é extenso demais. Adoraria conseguir dar relevo a aspectos positivos, mas filmes destes complicam-me imenso, e simplesmente não me dão essa possibilidade. Talvez veja alguma "luz" na banda sonora, pelo menos era o que me impedia de adormecer. Mesmo assim, é esquecível.

Relativamente às performances dos actores, vá, não estão assim tão más. No entanto, senti que não faziam grande ideia do que estavam para ali a fazer, isto porque, senti zero ligação com as personagens, o que para além de ser problema do enredo, limitativo até dizer chega, é igualmente problema dos actores, pois falham na transmissão da emoção. Especialmente os dois "sex bombs" do elenco, Max Irons e Shiloh Fernandez. Não que os censure, pois com um argumento daqueles até eu não saberia o que fazer. Mas há que dar o merecido destaque a Julie Christie, que desempenha o papel da Avó de Valerie, na medida em que penso que tenha sido a actriz que pareceu mais enquadrada no meio daquilo tudo. Achei sublime a cena do filme que presta homenagem ao clássico diálogo do conto infantil original ("porque é que tens os olhos tão grandes?" etc.). Amanda Seyfried é lindíssima e penso que foi competente tendo em conta as limitações do papel. Em relação a Gary Oldman, está claramente fora do seu melhor, custou-me vê-lo envolvido nisto sinceramente.

Para não me extender mais (sim porque ainda podia ficar a falar muito mais do filme), irei concluir em seguida. Não é um filme que aconselhe, aliás, reforço a ideia: não gastem 6 euros com este filme. Mas para quem queira dar uma oportunidade, uma coisa vos garanto, sairão bastante desapontados da sala de cinema. Grande fiasco de Hardwicke na minha opinião. Valeu a pena pela companhia, apenas, pois sempre deu para soltar umas gargalhadas.

EXAME

Realização: 4/10
Actores: 6/10
Argumento/Enredo: 4/10
Duração/Conteúdo: 4/10
Banda Sonora: 6/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 4/10

Média global: 4.6/10

Crítica feita por Sara Queiroz


Informação

Título em português: A Rapariga do Capuz Vermelho
Título original: Red Riding Hood
Ano: 2011
Realização: Catherine Hardwicke
Actores: Amanda Seyfried, Gary Oldman, Billy Burke, Shiloh Fernandez, Max Irons, Virginia Madsen

Trailer do filme

16 comentários:

  1. Já calculava de antemão que o filme n prestava ehehe, bastou-me ver o estilo do trailer... e a actriz em questão que até hoje só fez filmes q abomino deduzi logo que fosse algo twilight like... claro que depois tirei logo a dúvida qd vi "dos mesmos gajos que fizeram o twilight" e pensei logo: Ok, já economizei guita, não vou ver isto e pronto
    Boa crítica, deu para comprovar a minha teoria ;)

    Ass: Duke

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  2. Antes de mais, obrigada pela visita em nome de todos os membros dos Bastardos Ingloriosos :)


    Em relação ao filme, a partir do momento que me disseram quem era a realizadora e o tipo de triângulo amoroso que se desenvolvia perdi todo o interesse em ver... A tua crítica veio comprovar isso eheh


    Parabéns pelo blog, cumps :)


    Anne Cotillard
    http://osbastardosingloriosos.blogs.sapo.pt

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  3. Ai Duke essas ideias pré-concebidas :P Por acaso neste caso calculaste bem! Sim, mas investe noutros filmes, que há bastantes melhores no cinema de momento. Obrigada pelo comentário :D

    Anne, obrigada nós pela visita! E parabéns igualmente pelo vosso fantástico trabalho no blog.

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  4. Por acaso fiquei mt desiludido com este filme, esperava mt mais.

    Duke e n concordo com o que dizes sobre a Amanda Seyfried, penso que é um actriz mt competente.

    Aguardo as reviews da saga Harry Potter *.*

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  5. Fui ver este filme com a minha namorada e, como cavalheiro que sou, paguei os dois bilhetes.
    No final do filme, gritei desesperado que ela me pagasse algo no valor de 6 euros (não fui desesperado ao ponto de pedir algo no valor de 12, mas tive quase...)!
    Lancei diversas gargalhadas no filme todo, de tanta parvoíce que saía daquela grande treta. Adoro a crítica, é com lágrimas de alegria que leio cada palavra.

    Cumprimentos

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  6. Li algures que a banda sonora é muito boa... Mas ainda não vi (nem ouvi).

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  7. Anónimo, por acaso concordo contigo, Seyfried é uma actriz competente, só que neste filme viu-se muito limitada.

    João, percebo esse grito desesperado, não te censuro! Epá e gargalhadas durante o filme foram imensas. A primeira vez que apareceu o lobisomem nao me consegui controlar. E quando ele fala com ela a chamar-lhe assassina por ter morto um coelho, tive quase uma crise asmática, eu nem consigo explicar a piada disso, é que não tem, mas achei hilariante a situação...

    Victor, a banda sonora é capaz de ser o melhor do filme. Eu gostei... Mas no meio de tanta confusão acaba por passar despercebido, pois acabamos mesmo por reparar apenas nos pontos negativos do filme.

    Obrigada a todos pelos comentários :)

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  8. Com este filme apenas podemos concluir que, pelo que se viu, o Shiloh deve dar uns excelentes beijos :-P
    De resto, a banda sonora vale muito mais do que o filme, especialmente a música "The Wolf" por Fever Ray.

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  9. Em duas palavras disseste tudo Bruno.

    Muito bem apontado Kelly, é mesmo essa a música que adorei no filme, está mesmo muito boa... Infelizmente, é o único aspecto positivo relevante. Obrigada pela visita e comentário :D

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  10. Bem, parece que neste blog só se deita abaixo este filme, deixem-me cá dar a minha opinião contrária, porque eu detesto quando só se diz mal de tudo sem ver os lados positivos, deve ser uma coisa muito portuguesa cuspir naquilo que se come.
    Primeiro, estou de acordo que é um filme que vai buscar inspiração a outros do género, mas porque raio só se lembram do Twilight (deve ser por terem memoria curta e gostarem muito dessa saga), pois eu vejo parecenças com a Companhia dos Lobos de Neil Jordan, um clássico de 1984 e como não podia deixar de ser do próprio conto infantil. De Twilight apenas tem o lado sub natural e um triângulo amoroso… e quantos filmes não o têm também!? Se é um enredo curto, mediano ou medíocre, penso que não se deviam esquecer que se trata de uma versão do clássico Capuchinho Vermelho e logo por ai não pode fugir muito a algumas premissas. Contudo é bem mais dinâmico, misterioso e adulto que Twilight. Fala-se de clichés, (o que diriam de Burlesque que nem por isso é mau)… enfim, acho que o maior cliché de todos é irem ao cinema com demasiadas expectativas.
    Quem escreveu esta crítica diz: ” …fica a sensação que ao longo do filme não nos são dadas as devidas informações para supostamente resolvermos o enigma de modo coerente.” E isso não é um dado positivo? Se a meio do filme já tivessem desvendado o segredo iriam dizer que era demasiado previsível. Pois o twist final é uma surpresa e é bem explicada em flashback. O espectador fica com noção de que aquilo que viu durante o filme teve uma razão de ser e tem congruência.
    Quanto ao enredo, apenas pretende ser aquilo que é, uma versão de um conto infantil numa perspectiva de terror romântico. Quem for apreciador de Twilight já devia saber deste novo género de terror, que não pretende assustar, que entretêm, que se arrasta nas horas e que de substancia tem pouco. O que não deixa de ser uma distracção para os sentidos. Nem todos os filmes têm que ser exercícios mentais tipo Inception, poupem-me os neurónios.
    A meu ver o filme apenas pretende ser um exercido de fotografia e belos cenários, com o intuito de lançar actores bonitos para Hollywood. E em toda a história de Hollywood existiram filmes para adolescentes, sem grandes histórias, com gente bonita que depois se tornou numa grande promessa. E quantos actores de renome deram o seu contributo em filmes sem pretensões, com actuações que nada ficam na memória.
    Quanto às similaridades com outros filmes de Catherine Hardwicke, então tem uma razão de ser, porque será? É o estilo dela certo! Assim como Woody Allen tem o seu, assim como Wes Craven tem um, assim como qualquer realizador que se preze aplica o seu cunho ou imagem de marca nos filmes que realiza.
    Quanto aos aspectos técnicos. Pois eu achei os cenários, a fotografia e o guarda-roupa, dos mais agradáveis que vi nos últimos tempos. Se querem falar em visuais de lobisomens, o que dizer de “Um lobisomem americano em paris”, “Skinwalkers”, “Cursed”, entre outros absolutamente pindéricos, em comparação acho tecnicamente um lobisomem bastante credível e simpático (lembrem-se que isto não é um filme de terror, é a versão de uma fábula, logo é perfeitamente entendível que a criatura fale, que não repulse e que tudo se assemelhe a uma peça de teatro).
    É obvio que a realizadora não pretende fazer deste filme uma saga, ate porque é um filão que se esgota.
    Para terminar o autor desta critica diz-nos para não gastarmos 6 euros com este filme. O quê ir ao cinema já custa 6 euros? Valha me a santa inflação. A última vez que fui ainda era a 4,50! Dou um conselho óptimo para a carteira, vejam os filmes em casa, a experiência pode não ser a mesma, mas é certamente muito mais barato.

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  11. hum, eu como não vi o filme não vou responder ao teu comentário, espero que a minha irmã o faça (o autor da crítica é a minha irmã Sara Queiroz), mas devo responder ao teu "(o que diriam de Burlesque que nem por isso é mau)". Eu fiz a crítica de Burlesque e realmente referi os clichés (que tens que admitir que tem), mas sei reconhecer que o filme não é mau, mas que peca por estar sediado no poço de clichés.

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  12. Epá grande comentário senhor jP, agradeço desde já a tamanha disponibilidade para escrever tamanho texto... Em primeiro lugar, acredita que não foi de bom grado que critiquei o filme, pois não gosto de ser assim tão negativa, e tal como referi na crítica, adoraria conseguir ter conseguido dar relevo a aspectos positivos, mas este é um filme que simplesmente não me deu essa possibilidade. E vais ter que respeitar a minha opinião, pois como bem sabes, a maneira como cada pessoa percepciona os filmes é inteiramente subjectiva, e a piada reside mesmo nisso, na divergência de opiniões e a oportunidade de discuti-las... Mas há que ter a abordagem correcta.
    Acho que me entendeste mal na parte em que disse ” …fica a sensação que ao longo do filme não nos são dadas as devidas informações para supostamente resolvermos o enigma de modo coerente.”. Claro que não pretendia descobrir logo quem seria, mas não gostei da forma como construíram o enredo, completamente descabida e contraditória na minha opinião, que não creio que tenha sido assim muito bem explicada. Eu na generalidade gosto de filmes que seja substancialmente ricos, pois para simplesmente ter "distracções para os sentidos" vou me divertir para outro lado. Também não exijo que todos sejam ao estilo "Inception", realmente isso é intelectualmente desafiante até demais. Sou exigente, que poderei fazer? E para ver exercícios de fotografia e belos cenários será mesmo necessário gastar rios de dinheiro? Desnecessário!
    Relativamente ao lobisomem, não te esqueças que os filmes que mencionas são mais antigos, e o nível que se esperaria de um filme de 2011 é completamente outro. Fiquei tremendamente desiludida e decerto que não serei a única.
    Epá, desculpa lá ser a portadora das más notícias, mas um bilhete de cinema normal custa 6,10 euros...

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  13. Em primeiro lugar gosto do objectivo do site... em segundo gostava de referir que vejo e possuo muitos e muitos filmes, que por vezes revejo e por vezes não.. este é um dos que não irei rever... mas devo admitir que o filme oscila um pouco entre o razoável e o ridículo, em duas ou três cenas só queria sair do cinema a fugir... por outro lado os cenários são agradáveis, o lobisomem é talvez um dos que mais gostei de ver, (sem duvida o meu preferido é o lobisomem do Van Helsing) a meu entender é bem mais ridícula a forma como é retratado no filme The Wolfman... concordo que se arrasta por demasiado tempo o dilema, a generalidade dos actores parecia sofrer de alguma doença que lhes retirava a energia de tão apáticos que estavam... para concluir, tendo em conta alguns filmes que vi (e outros que não aguentei 20m) este vale os 5,10€ do bilhete...

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  14. Realmente, achei um filme muito fraco. Essa diretora de Thirteen (2003) só piora a cada filme, após Lords of Dogtown. Espero que ela volte aos bons tempos.
    Abraço, Pessoal, e ja sigo o blog de vocês :)

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  15. Obrigada pelas visitas e comentários :D

    Pedro, concordo contigo especialmente quando dizes que a generalidade dos actores parecia sofrer de alguma doença. Achei muito forçadas as performances.

    Jeniss, também não sou grande fã do trabalho de Hardwicke agora, só gostei de Thirteen mesmo.

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