terça-feira, 19 de abril de 2011

127 Hours (2010)

"There is no force more powerful than the will to live."

Foi no dia em que fui ver Black Swan ao cinema, que vi pela primeira vez o trailer de 127 Horas, e fiquei extasiada. De imediato as expectativas em relação ao filme tornaram-se colossais, pois deduzi que fosse ser ousado, por duas razões: em primeiro lugar, não são todos produtores que arriscam fazer filmes deste género, ou seja, apoiados quase inteiramente por um actor apenas. E em segundo lugar, é o sempre competente Danny Boyle que assume a realização, logo, já esperava um filme dinâmico e criativo. E adianto desde já, que 127 Horas não desilude!


O filme conta-nos a história do alpinista Aron Ralston, interpretado por James Franco, e a sua luta ao ficar preso após uma queda num desfiladeiro isolado no Utah. Durante os cinco dias seguintes Ralston examina a sua vida e depara-se com verdadeiros desafios para poder sobreviver. Ao longo desses dias, Ralston recorda amigos, amantes (Clémence Poésy), família e as duas caminhantes (Amber Tamblyn e Kate Mara) que conheceu antes do acidente. Também nesse tempo aprende coisas que mu
itas vezes uma vida inteira não pode ensinar. Serão as duas caminhantes as últimas pessoas que terá a hipótese de conhecer?
A premissa apresenta-se como simples e aparentemente limitada, mas há que discordar parcialmente desta acepção, pois Danny Boyle consegue aprofundar e explorar ao máximo a história, de modo a que se torna imensamente envolvente, pois faz-nos pensar sobre o verdadeiro valor da vida. Boyle presta atenção ao mais pequeno pormenor, estamos perante um visionário que nos demonstra uma energética, fragmentada e acelerada realização. Sem dúvida que o ponto forte de 127 horas, e o que o torna interessante, é a fantástica e irreverente fotografia, pois deparamos-nos com um excelente uso da câmara, caracterizada pela utilização de ângulos menos convencionais que resultam estupendamente, permitindo ao espectador mergulhar no desespero e vivenciar de uma maneira mais intensa os acontecimentos que se vão desenrolando. Acho que a edição do filme está muito boa mesmo, sendo um grande destaque, mas não isenta de falhas é claro (por vezes a utilização da segunda câmara pode tornar-se excessiva, apesar de ser muito prático). Outro ponto negativo é em relação à história, pois tem um desenrolar lento, o que pode tornar o filme ligeiramente cansativo, sem no entanto prejudicar a qualidade do filme em geral. Devo salientar que a banda sonora do filme desempenha um papel absolutamente crucial na exteriorização das emoções que vão sendo retratadas, está verdadeiramente assombrosa. É uma pérola!

James Franco, aqui muito carismático, proporcionou-nos das melhores interpretações do ano, creio que a nomeação ao Óscar foi inteiramente merecida! Construiu a personagem de maneira perfeita, assistimos durante a película a um gradual sofrimento e a um descambar psicológico que poucos actores conseguiriam transmitir da maneira que Franco transmitiu. É o maior destaque do filme que contribui para o seu brilhantismo. Não é tarefa fácil carregar um filme às costas, mas James Franco fá-lo com distinção, de maneira magistral. Tenho a certeza que terá uma grande carreira pela frente. Kate Mara e Amber Tamblyn são boas adições ao filme, apesar de aparecerem numa cena apenas, em que fazem um bom trabalho.

Em tom de conclusão, a edição, a fotografia, e o magnífico James fazem o filme valer completamente a pena, apesar das limitações do script. Achei um ultraje o 127 Horas não ter ganho nenhum Óscar, merecia Melhor Banda Sonora ou Melhor Argumento Adaptado. Um filme de emoções fortes, angustiante mas muito interessante, é simplesmente obrigatório de se ver! Recomendadíssimo.

EXAME

Realização: 9/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 8/10
Duração/Conteúdo: 6.5/10
Banda Sonora: 8.5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 8/10

Média global: 8/10

Crítica feita por Sara Queiroz

Informação

Título em português: 127 Horas
Título original: 127 Hours
Ano: 2010
Realização: Danny Boyle
Actores: Ryan Kwanten, Amber Valletta, Steve Adams, Cody Arens

Trailer do filme:

11 comentários:

  1. Ótima atuação de James Franco, mas o filme poderia ter se aprofundado mais e explorado as possibilidades que podem acontecer qdo se está numa situação destas.

    http://filme-do-dia.blogspot.com/

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  2. Okay, hora de eu discordar um pouco da Sarah (pra variar). :D

    127 Hours não ganhou Oscar de Melhor Roteiro Adaptado (ou Argumento Adaptado) porque em termos de estrutura, ritmo e eloquência o roteiro de Aaron Sorkin para The Social Network foi simplesmente inigualável, nitidamente superior.

    Já Trilha Sonora (ou Banda Sonora, como queira) é um pouco mais subjetivo. Ou eu que não entendo nada de técnica/composição musical mesmo. Mas, convenhamos, ver o Trent Reznor de terno e gravata recebendo o Oscar pela trilha de um filme do David Fincher foi, no mínimo, surreal. :D

    Porém, vale lembrar que Oscar (assim como a maioria das premiações) é mais a respeito de marketing e política do que merecimento artístico. Assim, todos os argumentos que apresentei aqui foram invalidados, hahahaha.

    Mas gostei de 127 Hours, sim. Danny Boyle sabe manipular as emoções do espectador como poucos e pelo menos sempre tenta fazer trabalhos bem diferentes uns dos outros, não?

    Caso possa interessar, minhas opiniões mais detalhadas sobre o filme estão postadas no meu blog (junto com diversos vídeos de entrevistas).

    É sempre interessante ver suas críticas mesmo que invariavelmente tenhamos opiniões divergentes. Continue a postar sempre. :)

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  3. Realmente, excelente filme. Danny Boyle mais uma vez se solidificando como excelente director :D

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  4. E eu achando que os filmes demoravam de sair só no Brasil...acho que vocês em Portugal sofrem desse mal também. Obrigado pela visita Sarah. Passarei por aqui mais vezes tb.

    Cinema Detalhado

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  5. Também fiquei extasiado, e cansado, psicologicamente falando. Uma grande história de superação, com um James Franco muito competente.

    http://cinelupinha.blogspot.com/

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  6. Muito obrigada a todos pelos comentários!

    Kahlil, obrigada pela visita! Coloquei o teu blog na minha lista de blogues.

    Alexandre! É sempre um prazer ler as tuas discordâncias. Concordo que The Social Network tem um grande argumento, mas identifiquei-me muito mais com o de 127 Horas e merecia ter sido reconhecido de alguma maneira. Realmente relativamente à banda sonora é sempre subjectivo, claro, mas preferia ter visto 127 Horas a ganhar, visto que já era expectável que Trent Reznor levasse o Óscar, gosto de me surpreender. Sinceramente achei a trilha sonora de 127 Horas superior. E é como dizes, os óscares agora não são tanto a ver com quem de facto merece ganhar, e a verdade é que 127 Horas desde início foi descredibilizado quando comparado com os outros títulos.
    Já vi a tua crítica, para variar divergimos em alguns pontos :D Obrigada pelo comentário!

    Alan, não poderia concordar mais ;)

    Silvano, obrigada eu pela visita! Continuem o excelente trabalho no Cinema Detalhado. E sim, por vezes os filmes demoram algum tempo a sair em Portugal. O 127 Horas saiu em Portugal em Fevereiro, ligeiramente mais tarde do que nos EUA. Mas eu também demorei a escrever a crítica!

    Rafael, obrigada pela visita, e concordo contigo!

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  7. É apenas um bom filme, eu até esperava mais. Valeu pela aquela cena do braço :P

    Cumps

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  8. Não me desiludiu nada o filme. Estava à espera de um filme pior mas Boyle com a sua realização hiperactiva como em Trainspotting, fez este filme resultar num produto de sucesso.

    Abraço
    Frank and Hall's Stuff

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  9. Eu já conhecia a história do alpinista Aron Ralston,lembro-me de dar em tudo que era notícia, pelo que o final no filme não foi surpresa nenhuma.
    Li também o livro, e acho que está extremamente fiel, pelo que concordo que este filme devia merecer o Óscar de Melhor Argumento Adaptado.

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  10. A cena do braço é verdadeiramente mediática André. Era caricato se ele tivesse cortado o braço errado. Ok, esta piada sádica não teve lá muita graça, sorry :P

    Também li o livro João e concordo contigo.

    Obrigada pelos comentários (:

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  11. Um filme OK. Nada demais. Nota: 6.0
    Legal para uma sessão qualquer, e ponto. Surpreendeu-me a indicação ao Oscar, se bem que, a julgar pelo nível das premiações da Academia, era de se imaginar.

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