terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Hugo (2011)


Fiquei surpreendida quando descobri, da primeira vez que ouvi falar de Hugo, de que se tratava de um filme por Martin Scorsese. Digamos que o cineasta é conhecido por obras completamente diferentes, no que toca ao género cinematográfico. Estamos a falar do cineasta por detrás de Taxi Driver e Cape Fear, por exemplo. No entanto, apesar de Scorsese se apresentar num registo claramente diferente ao que nos habituou, isso não invalida a qualidade, pois é um filme que possui a mesma força que obras anteriores, sendo repleto de magia, emoção, sentimento e nostalgia. A realização magistral de Scorsese é dos pontos mais elevados do filme, não se esperando outra coisa.


Sinopse (PUBLICO): Hugo Cabret, de 12 anos, foi criado pelo pai viúvo, cujo trabalho era cuidar do grande relógio da estação de comboios de Montparnasse. Quando este morre inesperadamente num incêndio, Hugo vai viver com o seu tio. Mas, pouco tempo depois, o parente desaparece sem deixar rasto. O rapaz vê-se então obrigado a viver em segredo no interior das paredes da gare. Enquanto sobrevive à custa de esmolas e pequenos roubos, tenta arranjar o autómato do seu pai, seguro de que depois de terminado lhe trará uma mensagem. É então que conhece Isabelle, uma menina que, tal como ele, vive em quase reclusão e abandono em casa do seu tio, um misantropo e sorumbático dono de uma loja de brinquedos. Estranhamente, Isabelle tem a chave em forma de coração que encaixa na pequena fechadura do autómato. Assim, com a amizade de Isabelle, Hugo acaba por viver a maior aventura da sua vida e aprender uma lição muito importante sobre os outros e sobre si mesmo.



O filme é incrivelmente fantástico e adorável. Hugo é uma história singular, sobre um rapaz especial. E o certo é que, apesar de centrar-se na história do próprio rapaz, ainda homenageia a sétima arte e é um filme que faz sonhar. Faz-nos acreditar que tudo é possível. É muito inspirador e cativante: durante o filme, e nem que seja apenas por esses minutos, passamos a ver o mundo de maneira diferente. É nostálgico, ou melhor ainda, "tragicamente belo". Mas claro está que tem os seus pontos negativos. Enquanto mergulhamos apaixonadamente pela história de Scorsese, não são poucas as vezes em que nos sentimos à deriva, isto é, o facto de ser ligeiramente extenso pode fazer com o que a película se torne ligeiramente cansativa ou aborrecida. E também não consegue fugir à previsibilidade característica deste tipo de filmes... Sinceramente esperava mais originalidade, mas claro está que não ofusca o brilhantismo da obra. Porque apesar destas falhas, o resultado final consegue atenuar esses erros. Mas erros mínimos quando comparados com os aspectos positivos que surpreenderam!


O principal elemento surpresa foi, definitivamente, o visual. Eu sou sempre suspeita no que toca a falar de lançamentos de filmes em 3D, porque não sou grande fã, devo confessar. Mas há já vários filmes que provaram que a técnica 3D funciona de forma deslumbrante e com profundidade, sendo Hugo um deles. O filme funciona na perfeição no elemento visual em 3D perfeito, coadjuvando-se com uma magnífica fotografia, edição de som e banda sonora. Nessa medida, é imensamente competente tanto a nível visual como sonoro.

Na generalidade, o elenco é bastante bom e credível. Asa Butterfiel proporciona das performances mais memoráveis a que tive oportunidade de assistir, fiquei verdadeiramente tocada com o jovem actor. Demonstrou um potencial imenso, e tenho quase a certeza que terá um futuro brilhante pela frente. Chloë Moretz também nos dá uma interpretação bastante respeitável, só que o sotaque dela consegue irritar solenemente. Ma

s não deixa de ser encantadora e cativante, o que leva a que o espectador sinta um inevitável carinho pela personagem. Ben Kingsley interpreta o melancólico mestre do cinema Georges Méliès. E quem melhor para interpretar tal personagem? Não há. Kingsley aqui está em todo o seu esplendor, completamente. É impossível não se estabelecer uma ligação com estas personagens, tão genuínas e deslumbrantes. E claro está, a vertente cómica do filme assenta em Sacha Baron Cohen, provavelmente mais conhecido em Borat.


Hugo é capaz de ser das maiores surpresas com que podemos ser deparados num cinema, não me surpreendendo de maneira alguma que tenha sido o filme mais nomeado aos Óscares. Sentir tal magia e ligação, confeccionada de uma maneira brilhante, é inegável. Impressionou-me essencialmente pela sua narrativa extraordinária. Os olhos podem ser os espelhos da alma, mas os filmes são as projecções dos nossos sonhos, segundo a visão de Scorsese. Quero evitar ser repetitiva, mas o filme contribui para a nossa vida de uma maneira particular que o torna inesquecível. É que acaba até por tentar explicar o que é a própria vida... Fantástico. Mais que recomendado.

EXAME

Realização: 9/10
Actores: 8.5/10
Argumento/Enredo: 9/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Efeitos/Banda sonora: 9/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 9/10

Média Global: 8.6/10

Crítica feita por Sarah Queiroz


Informação

Título em português: A Invenção de Hugo
Título Original: Hugo
Ano: 2011
Realização: Martin Scorsese
Actores: Asa Butterfield, Ben Kingsley, Chloë Grace Moretz, Sacha Baron Cohen


Trailer:

3 comentários:

  1. É um grande filme, embora o titulo em português seja enganoso; a invenção não é de Hugo e o filme nem é tão centrado na personagem principal, como o resumo erradamente o transmite.
    Quanto ao "Borat", pareceu uma excelente fotocopia do policia inglês infiltrado do "Allo Allo". Resultou muito bem.
    Alias o modo de como as personagens são desenvolvidas no filme, aproximam-se mais de um fabuloso destino de Amelie, do que um típico filme de Scorcese. Conseguiu com sucesso fazer algo diferente na sua carreira.

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  2. Excelente crítica, e concordo totalmente. É uma obra bastante diferente na carreira de Scorcese.

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  3. @Netshark: o título não é enganador, é o do livro.

    Adorei este filme. Inicialmente também estranhei que o Scorsese se tivesse interessado por isto, mas ao longo do filme creio ter percebido, em certa medida é uma homenagem ao cinema, algo que Scorsese só tinha feito anteriormente de forma tão óbvia através de documentários.

    http://onarradorsubjectivo.blogspot.com/

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