Depois do Cinema

The Walking Dead: 1ª temporada

By Sarah - domingo, novembro 18, 2012

WalkingDeadSeason1pic1
   The Walking Dead, adaptação televisa da banda desenhada criada por Robert Kirkman, é, indiscutivelmente, das melhores séries de televisão do momento. Se não é a melhor, é com certeza das mais mediáticas, especialmente a 3ª temporada, pois a antecipação que gera é indubitável, e semana a semana torna-se cada vez mais intrigante. Mas vamos retroceder dois aninhos, pois tudo tem um início e nada melhor do que, em tom de retrospectiva, salientar a qualidade da série nas suas raízes, perguntando: Será que é, de facto, uma série que merece todo o hype que tem?

ALERTA DE SPOILERS: Poderei dar alguns spoilers, mas tentarei restringi-los ao mínimo, uma vez que este artigo também tem como intenção dar a conhecer a série aos leitores que ainda não viram. 


   Na altura em que foi adaptado para a TV, é muito improvável que o canal AMC tivesse noção da dimensão que "The Walking Dead" teria, mesmo sendo Frank Darabont (realizador de Shawshank Redeption, e várias adaptações de obras do Stephen King) destacado como principal força criativa da série. No entanto, ganhou instantaneamente o estatuto de série de culto, e foi um fenómeno cultural inesperado. Geralmente não gosto de ser conclusiva, mas receio que, com base neste facto, terei que responder abruptamente à questão que coloquei acima: sim, merece inquestionavelmente todo o hype que tem, especialmente devido ao facto da 1ª temporada ser quase como uma espécie de concentração de elementos que todos os fãs de terror e de zombies gostam. O que não deixa de conferir um carácter de "novidade", pois são escassas as séries de terror, sendo assim uma verdadeira lufada de ar fresco. Para além disso, são somente 6 episódios, o que para mim tem o seu lado negativo (esperar pela segunda temporada foi deveras penoso na medida em que só 6 episódios sabe muito a pouco), mas também positivo, pois em cada episódio podem esperar muita acção, coadjuvados com momentos tensos e emotivos, abstraindo-se de cenas "para encher chouriços", diga-se.

   Em "The Walking Dead" é retratada a história de um grupo de sobreviventes de uma praga que tem vindo a transformar toda a população da Terra em zombies, estes que se alimentam dos vivos. Esta história é contada da perspectiva do agente de polícia Rick Grimes (Andrew Lincoln), que após ter sido baleado, acorda do coma num hospital, num momento em que tudo já tinha sido consumido pela infecção, e o mundo que ele conhecia já não era mais o mesmo.


   E é assim que começa o 1º episódio, intitulado "Days Gone Bye", em que acompanhamos Rick Grimes na sua consciencialização do verdadeiro fim do mundo e que o apocalypse está instaurado. É de destacar a cena em que ele encontra o primeiro zombie, é visceralmente chocante, e com certeza que é das cenas de mais impacto da 1ª temporada. Sendo certo que o piloto é sempre aquele que geralmente determina se uma série é boa ou não, às vezes acontece que nem sempre no 1º episódio ficamos inteiramente rendidos. Felizmente, Darabont não realizou um bom episódio, mas sim um óptimo começo de série, o que evidencia a mais valia desta 1ª temporada: a capacidade com que consegue a absorção total do espectador. E isto vale tanto para o 1º episódio, como para os outros cinco restantes, é uma qualidade que se conseguiu manter.

Sim, porque a série facilmente poderia cair no enfadonho a seguir unicamente Rick Grimes, sem qualquer profundidade ou possíveis elementos de conexão. Mas rapidamente somos deparados com a sua principal motivação, que é encontrar a sua família. Não haja dúvidas que Frank Darabont demonstra que, não só tem aptidão de tornar qualquer história absolutamente bizarra e sinistra, como consegue ainda introduzir elementos que fazem com que se torne possível ao espectador se interessar realmente pelas personagens e com o desenvolver da história, e é nesse ponto precisamente que a série ganha: é uma história sobre sobreviventes e sobre como o "fim do mundo" afecta essas pessoas. Os zombies são apenas o bónus, os impulsionadores da trama.


   E por falar em zombies, não é muito depois que somos apresentados a legiões de ávidos "walkers", aterrorizantes que arranjam sempre maneira de aparecer do nada. Tenho que dar o devido mérito à excelente equipa responsável pela caracterização dos zombies. Sendo suspeita para falar, pela evidente "paixão" que nutro pelo Gregory Nicotero (um verdadeiro génio), é simplesmente de louvar os pormenores da caracterização, pois cada zombie individualmente considerado tem detalhes assombrosos e incrivelmente realistas. A nível visual, The Walking Dead igualmente se esmera, pois quase que tem um toque cinematográfico.

   Nos episódios seguintes também nos são introduzidas novas personagens, um grupo de refugiados, em que de forma louvável ocorre a esperada reunião de Rick e da sua família. Na minha opinião a construção dos episódios está, de facto, bastante sólida e inteligente, pois mantém o nível gradualmente e a fim de cada um deixa o espectador satisfeito e entusiasmado pelo próximo. Porém, como não poderia deixar de ser, não é uma série isenta de falhas...




Apesar das imensas e diversas qualidades que a série apresenta, não é perfeita. É claro que cada episódio tem os seus pontos fortes, como já evidenciei, mas há sempre pormenores ou segmentos que privam a série de atingir a excelência. Sem querer enveredar por spoilers, mas certamente que quem viu vai perceber o que vou dizer, penso que os argumentistas em alguns episódios (e certamente em relação a algumas personagens), fizeram más escolhas. Mas é claro que não é esse ponto que vai deteriorar a qualidade da série.




   6 episódios realmente sabem a pouco. Especialmente quando a série teve um final apocalíptico verdadeiramente magistral, o que gerou uma frustração geral de ter que esperar tanto tempo até ao início da 2ª temporada. Mas será que a 2ª temporada conseguiu manter o nível de qualidade da 1ª? Isso será discutido numa análise futura à subsequente temporada...

Uma nota final: para aqueles que nunca viram a série, creio que é bastante perceptível a minha recomendação; é uma série que vale mesmo a pena, pelas razões já acima apontadas. Gostei mesmo imenso da série, não obstante pequenas falhas ali e acolá. Recomendo vivamente, ainda por cima é bem fácil fazer uma maratona. Se são apreciadores do género, não podem mesmo perder.

Para os que viram, deixo a questão: é a melhor temporada de Walking Dead?



Trailer da 1ª temporada

 


por Sarah Queiroz
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Prometheus (2012)

By Rodrigo Mourão - domingo, novembro 18, 2012

É tipo o 1º Alien, mas a tecnologia é mais avançada e os bichos são menos evoluídos... Wait, what?!

Considero o primeiro Alien um dos melhores sci-fi's de sempre: boa história, óptimos efeitos para a altura (quem é que não se lembra do bicho a sair da barriga do John Hurt?) e a atmosfera de terror/thriller muitíssimo bem criada. Se Ridley Scott não foi o criador do género «sci-fi meets thriller», para mim continua a ser o seu maior mestre. Como tal, quando soube que ia voltar ao género com Prometheus  (uma prequela não directa de Alien, mas que se passa no mesmo universo), até me despertou algum interesse...

O filme centra-se na expedição espacial «Prometheus», que parte da Terra para um planeta distante em busca do maior de todos os segredos (a nossa origem). A missão torna-se num desafio à perseverança e sobrevivência da tripulação quando confrontada com um pesadelo como a humanidade nunca viu.

Já que estamos a falar de sci-fi, começemos pelos efeitos: muitíssimo bons! Vê-se que houve aqui muito trabalho de produção não só por parte da equipa de efeitos digitais, mas principalmente por parte do departamento de Arte. Os objectos (adoro aquelas sondas de mapear do Fifield!) e a tecnologia são fascinantes, os sets têm muita atmosfera, a cultura alienígena está muito «próxima», mas ao mesmo tempo distante da nossa.

Apesar da música ser composta por Marc Streitenfeld (é a quinta colaboração entre este e Scott), não deixa de ser interessante que as três músicas suplementares compostas por Harry Gregson-Williams (principalmente a «Life») sejam as mais memoráveis e associáveis ao filme, assim como ao tema da descoberta (pelo menos para mim...). Considero a banda sonora bonita e até apropriada, mas peca por ser repetitiva (a sério, há pelo menos 3 ou 4 momentos do filme em que se houve a música «Life» ou suas derivadas... torna-se cansativo).

Quanto aos actores, acho que, em geral, foram todos competentes. No entanto, tenho de salientar o papel de Noome Rapace como a Dra. Shaw, que nos dá uma performance muito autêntica, conseguindo passar para o nosso lado o entusiasmo (e depois sofrimento) que está a atravessar. No entanto, acho que o melhor mesmo é Michael Fassbender como o android David, pois consegue ser tão humano, mas ao mesmo tempo tão artificial, o que o torna frio e imprevisível, pondo-nos sempre expectantes. Nem no fim sabemos bem quais os seus últimos propósitos... O único papel que não gostei muito foi o de Charlize Theron como Meredith Vickers. É suposto ela ser uma comandante fria e cheia de resistência, mas depois parece que anda ali a pavonear-se pelas cenas do filme quase sem propósito... Até no filme há uma reviravolta (duas até...) que envolve em parte a sua personagem e que está tão mal feita (as duas reviravoltas, aliás...) que terem ou não acontecido era igual ao litro.

Apesar dos actores estarem bem, há no entanto muitos clichés no que toca a personagens: temos o cientista nerd, o durão, o preto, o asiático, o gajo genérico, a bitch fria, o casal que diz que vai ficar junto para sempre (imaginem lá o que acontece a um deles ou a ambos), a tipa com o sotaque esquisito e até um android que tenta imitar os humanos (o que também já é uma constante em sci-fi. e nos filmes do Alien- o moço não se chama David por nada...). Isto impede as personagens de serem mais memoráveis do que podiam.
Quanto à história, cria-vos muita antecipação e perguntas no início que vocês querem ver respondidas (já para não contar com as que já vinham da série Alien), o que vos desperta interesse. No final do filme nem terão respostas à maioria delas e , provavelmente, terão ainda mais questões do que quando começaram. É óbvio que Ridley Scott se estava a guardar para uma sequela, mas ao mesmo tempo tentou fazer do filme uma obra que pudesse funcionar sozinha (se bem que tal cenário não seria satisfatório e já está acordada uma continuação). O final é muito cliché (muito ao estilo Alien) e até acho que podia ter sido feito de outra maneira que o ligaria melhor ao universo de Alien (mas hey, quem sou eu para decidir?). A última cena mesmo constitui a melhor ligação possível desta película à série Alien e leva-me a concluir (se tal já não se tinha percebido) que este filme é sobre evolução e com possíveis sequelas poderemos chegar ao ponto do «8º Passageiro».

Concluíndo, Prometheus é um filme visualmente bem conseguido, com bons actores e uma história (em geral, com o tal pensamento de se guardarem para sequelas) satisfatória, ainda que povoado com algumas personagens genéricas por quem não nos importamos muito. Para os fãs de sci-fi e de terror, é uma obra a ver. Para os seguidores fiéis dos dois primeiros Aliens (nem quero saber dos seguintes...) é um filme obrigatório! Para toda a gente que goste de histórias com mistério, é um visionamento a considerar.
 
EXAME

Realização: 8/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Banda Sonora: 6.5/10
Efeitos/Fotografia: 8.5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 6.5/10

Média Global: 7.4/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão

Informação

Título em português: Prometheus
Título original: Prometheus
Ano: 2012
Realização: Ridley Scott
Actores: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Guy Pearce, Charlize Theron, Logan Marshall.Green, Idris Elba, Rafe Spall, Sean Harris

Trailer do filme:

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The Twilight Saga: Breaking Dawn Part 2 (2012)

By Jota Queiroz - sábado, novembro 17, 2012

O final épico que viverá para sempre.
Passaram quatro filmes e Bella Swan era uma personagem que não fazia (praticamente) nada. Amava/era amada e mordia constantemente os lábios. Agora Bella é uma mulher completa: esposa, mãe e finalmente vampira. Passou de donzela em perigo a extreme badass, com uma missão: proteger a filha Renesmee dos impediosos Volturi. Aleluia! Tendo sido espectadora assídua da saga e sabendo exactamente o nível que é expectável desta, fiquei satisfeita com o capítulo final- e agradará imenso os fãs da saga. Os restantes cinéfilos realmente irão reconhecer que é o melhorzinho da franquia mas que mesmo assim não constitui um bom filme.

O filme começa exactamente no momento em que o anterior findou. Esta parte 2 comprova que poderíamos ter tido um único, sólido e bom último filme. Não havia necessidade da divisão, pois nesta segunda parte pouca coisa acontece - acaba por ser como os outros: depois de quase duas horas de voz off da Bella e uma banda sonora familiar por Carter Burwell, há pouca progressão na história. Os filmes sempre sofreram imenso com a falta de acontecimentos que pudessem "engatar" o público mais exigente. Contudo, também compreendo a perspectiva dos fãs mais ávidos em concordarem com a divisão, para ser mesmo fiel às obras literárias. Pensei sobre isto e conclui que realmente poderíamos ter tido um único filme que reflectisse a saga - por exemplo, tanta coisa pelo ridículo triângulo amoroso para depois neste último filme finalmente ser como deveria ser. Mais valia terem condensado e resumido imenso a hesitação da Bella. É que neste último capítulo temos cenas que empolgarão o espectador e provocarão arritmias cardíacas aos fãs - o que me fez pensar que toda a saga tinha inerente o potencial de ter sido melhor. Este último capítulo realmente mostrou melhorias relativamente aos seus antecessores. Mas foi tarde.

O que é que esta parte dois trouxe de novo? Personagens novas são introduzidos, trazendo um novo conceito de vampiros x-men criado por Stephanie Meyer. Há de tudo: vampiros egípcios, índios, irlandeses e até os clássicos da transilvânia - infelizmente estes perdem com os sotaques forçados e a fraca caracterização. Acabam por não dar consistência nenhuma à trama, zero. Estão lá para encher chouriços e mostrar que os vampiros afinal também têm outros poderes engraçados.
Após uma primeira parte mais lenta, eis que começa uma segunda parte que começa finalmente a empolgar o público mais exigente: o preparo para a batalha final, que prometia ser épica. E foi de facto épico. A argumentista Melissa Rosenberg foi genial pois, sem modificar o desfecho, consegui amplificá-lo de modo a agradar as duas faces da moeda: os fãs e os demais. Acabamos por ser presenteados com um último acto competente, empolgante e muito corajoso. Bravo. No entanto, seria do meu agrado se os Volturi tivessem sido melhor explorados. Quando finalmente começam a ganhar tridimensionalidade, desaparecem.


Fiquei é estupefata com os efeitos especiais, que geralmente levavam sempre a melhor. O realizador Bill Condon teve a ideia de manter os traços da actriz de 12 anos Mackenzie Foy desde bebé. O crescimento rápido da pequena Renesmee acaba por ser bizarro e ridiculo, senão mesmo cómico. Ultrapassou o brilho e a maquilhagem ridículos do primeiro filme.
Relativamente a actores, mantenho o que tenho vindo a dizer ao longo das minhas críticas. Destaco Michael Sheen como o impedioso Aro - que mesmo assim não conseguiu elevar o filme a um outro nível - e Billy Burke. Relativamente a Kristen Stewart é impossível não dizer que finalmente deixou de ser akward e esteve bastante mais competente neste último capítulo. Tal como Aro disse a Bella, "immortality suits you"; e é caso para dizer que o ser vampira calhou bem a Kristen.

Em suma, é um expectável último capítulo que eleva ligeiramente a saga. De facto não é a melhor saga de todos os tempos e pode até ser considerado um retrocesso no cinema. É pena, pois poderia ser bem melhor, e talvez haja esperança nas séries que se avizinham.
As reacções são diversas, sim. Mas o que importa no fim do dia é o quanto a saga significou para os que a acompanharam.


EXAME

Realização: 6/10
Actores: 6/10
Argumento/Enredo: 5/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Efeitos/Fotografia: 6/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 6.2/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação

Título em português : A Saga Twilight : Amanhecer Parte 2
Título Original: The Twilight saga: Breaking Dawn Part 2
Ano: 2012
Realização: Bill Condon
Argumento (baseado no livro de): Stephanie Meyer
Actores: Kristen Stewart, Taylor Lautner, Robert Pattinson , Dakota Fanning, Michael Sheen, Nikki Reed, Ashley Greene, Billy Burke

Trailer:




VER TAMBÉM:

Twilight (2008) , por Sarah Queiroz
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The Twilight Saga - New Moon (2009) , por Joana Queiroz
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The Twilight Saga - Eclipse (2010) , por Joana Queiroz

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The Twilight Saga - Breaking Dawn Part I , por Joana Queiroz
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Before Sunrise - Antes do Amanhecer (1995)

By Jota Queiroz - sexta-feira, novembro 16, 2012

A mais bela e menos lamechas história de amor.
O amor é um tema universal que geralmente agrada a muita gente. O género nunca me agradou muito - vomito com comédias românticas por exemplo - mas dou sempre uma oportunidade a todos os filmes. Before Sunrise revelou ser muito mais do que parecia. Este belíssimo filme transcede a mera ideia que é apenas um filme romântico, sendo na sua essência uma rica e filosófica conversa entre duas personagens que acabam por se apaixonar. Creio que é mesmo o melhor filme do género.
A história é simples. Jesse (Ethan Hawke), um jovem americano, e Celine (Julie Delpy), uma estudante francesa, conhecem-se num comboio com rumo a Viena e começam a conversar. Interessado em Celine, Jesse convence-a a desembarcar com ele em Viena, e gradualmente vão-se apaixonando. Contudo, existe uma realidade incontornável -  no dia seguinte ela irá para Paris e ele para os Estados Unidos. Assim, resta aproveitar ao máximo o pouco tempo que lhes resta.

Realmente é minimalista, não é? Duas pessoas estranhas deixam um comboio, conhecem uma cidade, falam durante  uma noite inteira sobre tudo e apercebem-se que descobriram a sua alma gémea. E é isso que me agrada neste filme – a simplicidade, mostrando que não é necessário efeitos especiais, demonstrações de afecto exageradas ou outros artifícios para realmente ser brilhante. O filme sustenta-se na história, actores e diálogo, sendo que este é muito inteligente, e todo o guião consegue abordar diversos sentimentos sem nunca parecer lamechas, antes pelo contrário. Aliás, num filme em que existem apenas duas personagens o guião torna-se num dos elementos fundamentais para o sucesso de um filme. Aí, o realizador Richard Linklater não pecou. A dinâmica e química evidente entre as duas personagens também foi imperativa. Toda a longa é muito peculiar, sendo que a fluidez é um importante aspecto a abordar. A narrativa desenvolve-se gradualmente e numa perspectiva incrivelmente realista. É como testemunhar duas pessoas a apaixonarem-se uma pela outra em tempo real: é simplesmente mágico. Os dois actores sentem-se incrivelmente à vontade um com o outro, tudo é muito credível e flui muito naturalmente.

Achei deveras interessante a maneira como o filme aborda a questão de coração versus razão, estando isso patente nas diferenças entre as duas personagens principais: Jesse é mais céptico e Celine é mais ingénua. Todos os seus sentimentos e filosofias colidem numa interessante conversa, testando assim o romantismo e cinismo de nós espectadores.  E para a cereja no topo do bolo, o realizador potencia ainda mais a beleza do filme,  presentando-nos com um incrível cenário: magníficos planos da cidade de Viena que envolvem Jesse e Celine.

A minha cena favorita, e por incrível que pareça, é uma em que não há palavras. Os dois estão a ouvir um disco de vinil e nesse exacto momento o espectador percebe que estão a apaixonar-se um pelo outro.

Poderá não agradar a toda a gente, claro. Há quem ache muito arrastado e entediante, mas para quem estabelece uma conexão imediata com as personagens torna-se impossível não gostar do filme. O pior  é quando ele acaba - o suspense fica no ar. Será que o casal se reencontrará de novo, dentro de seis meses, como prometido? Fica para o espectador reflectir – se é céptico, pensará que não, se é romântico pensará que sim. Para o público mais graúdo que viu o filme em 1995, teve de esperar nove anos e um pôr-do-sol pela resposta.

EXAME

Realização: 9/10

Actores: 10/10
Argumento/Enredo: 8/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 8.4/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação


Título em português : Antes do Amanhecer

Título Original: Before Sunrise
Ano: 1995
Realização: Richard Linklater
Actores:  Ethan Hawke, Julie Delpy

Trailer:




VER TAMBÉM:

Before Sunset (2004), por Joana Queiroz
beforesunset

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The Twilight Saga: Breaking Dawn Part 1 (2011)

By Jota Queiroz - quinta-feira, novembro 15, 2012

E o amanhecer lá conseguiu superar o eclipse anterior.
As críticas especializadas quase que assassinaram The Twilight Saga: Breaking Dawn Part 1. Para quem leu a minha crítica de Eclipse, sabe que eu estava a aguardar por um amanhecer para que as coisas melhorassem, pois saí desiludida após uma eclipsada narrativa daquelas. Facto é que acabei por gostar do quarto filme - li os livros e achei que este está bastante fidedigno. Atenção que não estou a dizer que o filme é algo de grandioso, porque obviamente não é devido a falhas estruturais que já têm a ver com a própria autora dos livros. Toda a saga twilight, incluindo este capítulo, é todo um trabalho feito para um público alvo que sabe exactamente o que vai ver e que certamente irá sair satisfeito da sessão - posto isto, não é ciência nenhuma perceber que agradará os fãs da saga mas não provocará qualquer impacto para os restantes.
Bella Swan (Kristen Stewart) e Edward Cullen (Robert Pattinson) enfim se casam, num casamento todo bonito. O casal resolve passar a lua de mel no Rio de Janeiro e, logo em seguida, Bella engravida. O que eles não esperavam era que a gravidez seria tão complicada, colocando em risco a vida do bebé e da própria mãe.

Se houve uma evolução a nível narrativo e estrutural das problemáticas? Não, porque apesar de a história ser outra ficamos com a sensação que é sempre no triângulo amoroso que tudo gira; mesmo quando é óbvio que a rapariga é obcecada por Edward esta não hesita nos olhares ridículos a Jacob. O que acontece é que tudo isso já está mais que explorado e ficamos mais do que fatigados. O trio principal encontra-se de certa maneira sempre na mesma linha e sem grande espaço para crescer - e é nesse sentido que me sinto especialmente curiosa para a parte 2 deste amanhecer porque veremos uma nova Bella (e talvez uma nova Kristen Stewart). Contudo, a inserção de uma nova problemática - a gravidez - acabou por assumir uma dualidade intrigante. Por um lado, é algo de novo e conduziu a um último acto bastante poderoso, sendo o ponto mais alto da película e que vale pelo filme inteiro: é muito intenso e deixa o espectador curioso para ver o que vai acontecer a seguir. Por outro lado, acaba por ser algo descabido, desesperado e muito improvável. A ver se me explico melhor: na minha opinião, os vampiros sendo mortos não têm libido e mesmo de tivessem o seu acto não resultaria em fecundação.  Nesse sentido, a inserção da gravidez acaba por ser um pouco absurda, mas isso é já uma falha de Stephanie Meyer. A mitologia de vampiros acaba por ser completamente alterada (o que já era em capítulos anteriores, com os vampiros a brilharem e tudo mais), mas não a censuro por completo. Stephanie Meyer criou o seu próprio universo de vampiros, portanto é ela que dita as regras. Absurdo ou não, cabe ao espectador decidir. Neste filme não há tanta acção, havendo alguma que chega a causar emoções no espectador, mas que considero um pouco desenchabida.

Apesar das falhas a nível de argumento e toda a estrutura narrativa, o realizador Bill Condon consegue trazer elementos muito positivos. Por exemplo, a película triunfa com os artíficios visuais: a transformação da protagonista conta com bons e intensos efeitos, mas estes ainda estão mais voltados para o wolf pack. Kristen Stewart e Robert Pattinson encontram-se melhorzinhos neste capítulo, mas devo dizer que Taylor Lautner é mesmo o mais forte. Como já referi em críticas anteriores, é no elenco secundário que vemos as mais credíveis actuações, destacando Billy Burke como o pai de Bella, que faz sempre despertar um sorriso nos lábios. A fotografia está igualmente bem trabalhada e destaco os cenários, que neste filme são lindíssimos.

Este filme não é de todo indicado para toda a gente, bem longe disso. Para quem não gostou dos capítulos anteriores está mais do que solidificada e cozinhada a ideia de que não gosta da premissa de vampiros e lobos rodeados de romance estranho. Para quem gostou dos capítulos anteriores claro que vai gostar deste - tem todos os elementos - e vão desesperar para ver a parte 2.  Agora, é um filme que ultrapassou a barreira do medíocre em que o anterior se encontrava? Sim. Se a nível de produção, progressão da narrativa e performances é mais fraco do que aquilo que o cinéfilo deseja? Sim, mas lá está: toda a saga twilight é um trabalho que só agradará um determinado público alvo -a todas as pessoas que leram e gostaram da saga literária.

EXAME

Realização: 5/10
Actores: 6/10
Argumento/Enredo: 4/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Efeitos/Fotografia: 8/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 6/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação

Título em português : A Saga Twilight : Amanhecer Parte 1
Título Original: The Twilight saga: Breaking Dawn Part I
Ano: 2011
Realização: Bill Condon
Argumento (baseado no livro de): Stephanie Meyer
Actores: Kristen Stewart, Taylor Lautner, Robert Pattinson , Billy Burke

Trailer:





VER TAMBÉM:

Twilight (2008) , por Sarah Queiroz
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The Twilight Saga - New Moon (2009) , por Joana Queiroz
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The Twilight Saga - Eclipse (2010) , por Joana Queiroz
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Estreias da Semana!

By Sarah - quinta-feira, novembro 15, 2012

The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2 Movie Poster

Estreia hoje nos cinemas portugueses o quinto capítulo da saga Twilight, Breaking Dawn Part 2, protagonizado por Kristen Stewart e Robert Pattinson.

Sinopse (PUBLICO): Depois de todas as adversidades, Bella Swan e Edward Cullen (Kristen Stewart e Robert Pattinson) casam-se e consumam o seu amor. Algumas semanas depois, Bella descobre que está grávida da pequena Renesmee (Mackenzie Foy), uma criatura híbrida. Depois de alguns percalços, que todos acabam por superar, os três vivem serenamente em família, felizes como nunca antes imaginaram possível. Bella encontra finalmente o seu lugar no mundo na sua pele de vampira e o seu extraordinário autocontrolo deslumbra todos os seus companheiros. Porém, algo inesperado ameaça ruir o que eles conquistaram: o grupo dos Volturi, convencido de que Renesmee é uma perigosa imortal, decide que ela tem de ser destruída. Mesmo que, para isso, tenham de eliminar o clã Cullen. Agora, para sobreviver, eles vão ter de unir forças aos lobisomens, outrora seus inimigos ancestrais, numa nova batalha pela sobrevivência...

Trailer



Outras Estreias


Cartaz do Filme

À Lei da Bala

Título original: The Big Bang
De: Tony Krantz
Com: Antonio Banderas, Thomas Kretschmann, William Fichtner



Cartaz do Filme


Deste Lado da Ressurreição

Título original: Deste Lado da Ressurreição
De: Joaquim Sapinho
Com: Pedro Sousa, Joana Barata, Pedro Carmo, Sofia Grillo, João Cardoso, Guilherme Garcia, Luís Castro



Cartaz do Filme


O Substituto

Título original: Detachment
De: Tony Kaye
Com: Adrien Brody, Christina Hendricks, Marcia Gay, Lucy Liu



Cartaz do Filme


Está no Ar!

Título original: Parlez-moi de Vous
De: Pierre Pinaud
Com: Karin Viard, Nicolas Duvauchelle, Nadia Barentin












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Espaço Séries - The Walking Dead

By Sarah - quarta-feira, novembro 14, 2012
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Decidimos dar início a um novo espaço, expandindo assim o conteúdo do nosso blogue. E nada melhor do que uma rubrica dedicada a séries, especialmente quando é "The Walking Dead" a predilecta para estrear este nosso novo espaço. 

Como sabem, "The Walking Dead" é uma série baseada numa banda-desenhada com o mesmo nome, que estreou em 2010 e teve um sucesso tremendo logo desde a primeira temporada, marcada essencialmente pelo excelente ritmo e por se focar, além das acções zombies, também nas emoções humanas e na perspectiva humana de um mundo pós-apocalíptico, onde o instinto de sobrevivência impera. No papel principal está Andrew Lincoln como Rick Grimes, que ao longo das temporadas revelou-se fulcral. Nesta terceira temporada então, não há melhor reviravolta. Esta série é, sem dúvida, uma excelente proposta para quem gosta de terror e de zombies. Mas não é tudo nesta série; há uma especial preocupação, como referido, às ligações humanas e ao desenvolver das relações entre elas. 




1ª Temporada

Confere a nossa análise à 1ª temporada aqui!

 3ª Temporada

Photobucket

Vamos colocando a nossa análise aos novos episódios à medida que forem transmitidos na FOX, em Portugal. Começaremos as análises para a semana, logo, no 6º episódio da temporada. Não percam e não hesitem em partilhar connosco a vossa opinião sobre a série mais mediática do momento. 


Episódio 6 - Hounded (21 de Novembro)
Episódio 7 - When the Dead Come Knocking (28 de Novembro)
Episódio 8 - Made to Suffer (5 de Dezembro) 


 Trailer:


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Sinister (2012)

By Sarah - quarta-feira, novembro 14, 2012
Bastou-me ver o trailer para saber que tinha ver que este filme mal saísse nos cinemas. Dos produtores de Paranormal Activity e Insidious? Só podia sair um bom resultado. Mas depois a realidade atingiu-me; Pensei, decerto, que seria um filme assente na típica fórmula de sustos derivados de impacto sonoro e pouco desenvolvimento das personagens, baseado simplesmente no ambiente de tensão que cria, em detrimento de um argumento consistente e sólido. Apercebi-me nesse momento que é uma fórmula cansativa que se está a tornar cada vez mais repetitiva e reciclada. Seria este filme mais outro exemplo? Felizmente, e sublinho que adoro surpresas destas, Sinister arranjou maneira de se soltar das correntes que ultimamente têm vindo a prender o género terror, destacando-se imenso pela positiva.

Porque verdade seja dita, hoje em dia temos vindo a saber o que esperar de filmes deste género, e dificilmente há titulos com aquele elemento surpresa. Mas os argumentistas conseguiram superar, e por muito, a tal "linha que separa" o péssimo do aceitável, pois Sinister traz-nos uma história deveras intrigante que consegue mesmo colocar o espectador na pele da personagem principal. Ellison (Ethan Hawke), um escritor de policiais que decide escrever a história da sua vida e resolve mudar-se com a família para o cenário mais indicado, este sendo uma casa onde uma família foi brutalmente assassinada. Nessa casa, descobre uma caixa com filmes caseiros, em que em cada filme depara-se com as cenas mais macabras em que famílias inteiras são mortas. Decidido a escrever sobre isso e a investigar o que descobriu, irá muito em breve aperceber-se que aquelas filmagens têm algo em comum, e o provável é que a sua família se torne a mais recente vítima daquele lugar de maldição... Não é nada de propriamente original, é certo, mas penso que por vezes é necessário ignorar este facto, para se poder apreciar ao máximo o filme. Porque essencialmente resulta. Apesar de pecar na falta de originalidade, é um filme que ao mesmo tempo consegue ser fresco e revitalizante, numa época verdadeiramente difícil para o género... Mas lá está, há elementos no filme que o enfraquecem na globalidade, pois não permite alcançar o seu verdadeiro potencial. Há determinadas alturas em que o desenvolvimento sequencial das cenas é demasiado lento, sendo mais evidentes as incoerências e falhas substanciais do filme. Mas Derrickson sobrepõe estas falhas ao introduzir uma abordagem bastante interessante ao filme, na sua frenética realização.

E é este ponto que pretendo destacar. A realização de Scott Derrickson é verdadeiramente sublime, sendo dos grandes pontos positivos do filme, isto porque não falha na composição visual das cenas, estas recheadas de elementos sobrenaturais e obscuros, que dificilmente deixarão os espectadores indiferentes. O realizador demonstra mais uma vez o seu talento ao apostar em elementos sinistros, pois não são poucas as cenas bem sucedidas, mesmo que excessivamente escuras. Apesar de ser isso que causa a sensação de tensão que acompanha o espectador durante o filme todo, poderá tornar-se cansativo, pois é usado demasiadas vezes. Debati-me em certas partes do filme para não gritar: "Acende as luzes Ethan!". E claro está, o filme também está envolto numa trilha sonora verdadeiramente arrepiante, o que contribui para exacerbar o ambiente angustiante e de ansiedade que, por vezes, só a imagem não faz acontecer. É que ultimamente temos-nos deparado com aqueles filmes em que não é possível qualquer conexão entre as personagens e o espectador, em que os sustos só se tornam possíveis através da técnica referida do impacto sonoro. Mas é aqui que, novamente, dou o mérito ao realizador Scott Derrickson, pois através da sua realização sugestiva, arranja maneiras geniais e eficazes para conseguir implementar o verdadeiro horror na cabeça dos espectadores. Assim, podem contar com imensos sustos...

Em relação ao elenco, devo dizer que globalmente Sinister apresenta um elenco bastante positivo. Na sua estreia no género, Ethan Hawke proporciona-nos uma estrondosa interpretação, sendo impossível não sentir na pele o que a personagem está a sentir. O desvaneio mental que a personagem vive é algo sem dúvida assustador, e o mérito é todo de Ethan Hawke. Tenho uma especial paixão pelo actor, devo confessar.

Apesar da evidente previsibilidade da trama e conter alguns clichés próprios do género que não permitem obter a Sinister o prémio de originalidade, é um filme que tem os seus trunfos e qualidades, que definitivamente se fazem sobressair, tornando Sinister das grandes surpresas do género terror deste ano. Recomendadíssimo!


EXAME


Realização: 8/10

Actores: 8.5/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 7.5/10

Crítica feita por Sarah Queiroz


Informação


Título em português : A Entidade

Título Original: Sinister
Ano: 2012
Realização: Scott Derrickson
Actores:  Ethan Hawke, Juliet Rylance, Fred Dalton Thompson


Trailer:

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Excision (2012)

By Sarah - segunda-feira, novembro 05, 2012
Uma verdadeira excisão do terror contemporâneo?

"Excision" foi um dos filmes que passou este ano no MOTELx, e que causou um grande furor no Festival Sundance. É o primeiro filme escrito e realizado por Richard Bates Jr., protagonizado pela adorável Annalynne McCord, caracterizando-se essencialmente pela violência implícita, mas dualista de tão perturbador e inquietante que é. A verdade é que esperava algo completamente diferente, mas ainda que não tenha obtido tal correspondência, surpreendi-me bastante pela positiva, sendo certo que é daqueles filmes que dividirá os espectadores. Vou já poupar os leitores: não é definitivamente um filme de terror convencional. Até categorizá-lo como "terror" é complicado. Não obstante a dificuldade na categorização, é um filme muito bem conseguido a que não é possível ficarmos indiferentes, pela densidade dramática e psicológica que carrega. Somos apresentados a Pauline (AnnaLynne McCord), uma típica adolescente perturbada que tem como principal ambição estudar medicina e exercer cirurgia. Vemos o seu dia-a-dia, a sua relação com a família e amigos, e as dificuldades que tem em sustentar tais relações. O seu escape, no entanto, reside numa estranha obsessão em corpos mutilados e fantasias sexuais ligeiramente perturbadoras, que condiciona a 100% a maneira de ser dela, e a forma como encara a própria vida. O filme gira, assim, em torno das ilusões macabras de Pauline, e do seu caminho de auto-descoberta, que revela ser o menos encantador possível... Sadismo é o que mais podemos esperar. 

Um ponto que foi muito criticado, mas que eu sinceramente considerei genial, está relacionado com a forma como a realidade e os sonhos estão ligados. No primeiro plano deparamo-nos com a típica adolescente outcast, sombria e sem amigos, envolta na sua própria perturbação e consciência do seu desiquilíbrio. No segundo plano, deparamo-nos com a Pauline que a própria ambiciona ser, uma mulher de beleza hipnótica, rodeada de morte, prazer, sexo e muito sangue. Temos um claro contraste, mesmo até a nível cromático, que evidencia bastante a estreia muitíssimo bem conseguida de Richard Bates Jr. na realização, especialmente pela maneira soberba como transmitiu a mensagem do estado psicótico de Pauline e o verdadeiro decair de uma personalidade e consequente abismo ilusório tão difícil de superar. Porque mesmo através de diversos elementos bizarros e de horror, não deixa de ser uma história simples que é contada, até muito pertinente, pois não são poucas as situações de pais que negligenciam os filhos e em que haja pouca comunicação nas relações parentais. Mas são vários os elementos, e é aí que Bates foi inteligente, ao adicioná-los em doses certas, de maneira a que fosse possível chegar ao espectador de uma maneira mais arrebatadora. Sim, porque é dramático nos momentos certos, cómicos em outros momentos, e explícito e violento em muitos outros. Porém, não consigo deixar de penso que podia ser um filme muito melhor, se tivesse seguido um rumo diferente a partir do segundo acto. O facto de não ter limites conseguiu limitar o potencial de grandeza que não tinha dúvidas que conseguiria atingir. Isto porque o final que nos é presenteado, é dos mais macabros, marcantes, doentios, entre outros adjectivos desse género, que alguma vez vi. Quando virem perceberão porquê, vou evitar entrar em spoilers...


AnnaLynne McCord faz um trabalho absolutamente excepcional neste filme, quando de certeza que a maior parte das pessoas não davam muito por ela. Conseguiu surpreender-me em todos os aspectos, tendo sido muito convincente no papel de adolescente problemática. O resto do elenco também está satisfatório. Em tom de conclusão,  apesar de ser daqueles filmes que tem-se mesmo que compreender para apreciar a sua beleza, por ser absolutamente bizarro, é suficientemente original, bem realizado e com um elenco brilhante, que faz com que se torne absolutamente impossível ficarmos indiferentes... Aqui fica a minha recomendação implícita.


EXAME


Realização: 7/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Efeitos/Fotografia: 7/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 7/10


Crítica feita por Sarah Queiroz 


Informação


Título em português : Excision

Título Original: Excision
Ano: 2012
Realização: Richard Bates Jr.
Actores:  AnnaLynne McCord, Traci Lords, Malcom McDowell, Roger Bart, John Waters, Ariel Winter, Ray Wise

Trailer:


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Paranormal Activity 4 (2012)

By Jota Queiroz - domingo, novembro 04, 2012
Mais um filme fabricado à velocidade da luz para os fãs da saga digerirem.

Por alturas de Halloween, já é esperado uma coisa: termos um novo Actividade Paranormal à porta. Ora vejamos. Actividade Paranormal foi a novidade. Actividade Paranormal 2 foi basicamente uma extensão do primeiro. Actividade Paranormal 3 era o melhor da saga até ao momento. O que dizer de Actividade Paranormal 4? 
A história do filme arranca de onde PA2 terminou: Katie (Kathie Featherston) matou a irmã Kristi (Sprague Grayden) e o cunhado Daniel (Brian Boland), levando consigo o sobrinho Hunter. Passam cinco anos e agora ela vive com o pequeno Robbie (Brady Allen). Do outro lado da rua, mora a adolescente Alice (Kathryn Newton) que não consegue deixar de observar a estranheza do miúdo. Quando o rapaz começa a arrastar e influenciar o irmão mais novo de Alice, o terror regressa.

Quando o terceiro filme estreou, e tal como apontei na minha análise o ano passado, achei que os realizadores foram muito inovadores. Uma prequela parecia ser algo bastante estranho, mas acabou por ser a lufada de ar fresco que a saga precisava, para não falar da câmera giratória inovadora.Agora, PA4  não traz nada de tão espectacular assim. Alice e o seu amigo Ben acham estranho o comportamento misterioso de Robbie, portanto ambos decidem usar tecnologia para investigá-lo. Essa tecnologia são as câmeras dos portáteis. Portanto, o filme é passado com conversações de Skype e muito
shaky camera. A única inovação mas que depressa se torna aborrecida é o kinect da Xbox.

O ano passado disse que seria do meu agrado que um possível quarto filme se focasse na actualidade, para sabermos o paradeiro de Katie e Hunter. Na actualidade até que se passa, mas sabermos mais sobre Katie e Hunter é que não. A história não tem lógica, tendo um terceiro acto sem cabimento algum e que nos leva a pensar mesmo o porquê da existência da personagem Robbie. De facto todo o filme é para encher chouriços, até porque já confirmaram um Actividade Paranormal 5, a estrear em Outubro de 2013.
Outro aspecto negativo neste filme é a superficialidade em que está mergulhado. Uma das razões que me faziam gostar desta saga era a naturalidade de todos os eventos, parecendo mesmo que estávamos a ver pessoas verdadeiras e acontecimentos verídicos. Com este filme não acontece. Tudo é muito forçado e o facto de Alice filmar mesmo tudo, incluindo o que não é nada relevante, contribui para isso.

Ao contrário dos seus antecessores, pouco ajuda a compor este quarto capítulo. Tudo acontece porque sim, não há coesão entre cenas ou sustos; é tudo uma mixórdia de sequências, muitas vezes previsíveis com sustos baratos (que só valem pelo som e não pela cena per se). 
O melhor?  Os momentos divertidos por parte de Alice e Ben e a última cena. Esta é forçada e "mesmo à filme", porque na realidade nunca seria a conduta tomada pela personagem, mas vale pelo verdadeiro e único susto a longo prazo que nos prega. Nos últimos minutos do filme é garantido - vão gritar tudo aquilo que queriam gritar durante todo o filme. E isso é um aspecto muito positivo, porque quase faz esquecer a mediocridade de desencadeamento lógico que o filme tomou.

Paranormal Activity 4 é, de longe, o pior da saga. É, na sua essência, um filmezito forçado de Halloween com sustos “de repente” ali e acolá que os realizadores criaram à velocidade da luz para os fãs da saga. Contentam-se em criar mais questões do que responder. Progressão e evolução na história? Nem vê-las. Porque se calhar no fundo nem há história.


EXAME 

Realização
: 4/10
Actores: 8/10 
Argumento/Enredo:
 2/10
Duração/Conteúdo: 4/10 
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador:
 3/10

Média Global: 4.2/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação

Título em português: Actividade Paranormal 4
Título Original: Paranormal Activity 4
Ano: 2012
Realização: Henry Joost e Ariel Schulman
Actores:  Katie Featherston, Kathryn Newton e Matt Shively


Trailer do filme:



VER TAMBÉM:

Paranormal Activity (2007), por Sara Queiroz

Paranormal Activity 2 (2010), por Joana Queiroz

Paranormal Activity 3 (2011), por Joana Queiroz
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