segunda-feira, 8 de abril de 2013

Quarantine 2: Terminal (2011)


Decerto que todos os leitores estão familiarizados com a saga REC. "REC" estreou em 2007 e revolucionou, sem dúvida, o género found-footage, tendo sido um dos filmes de terror espanhóis mais aclamados da década de 2000. E não é para menos, pois apesar do estilo de câmara particular, é um filme que contém todos os elementos aterrorizantes para ser bem sucedido. Claro está que, como qualquer bom filme de terror, o "remake" americano estava imediatamente garantido. E assim foi: em 2008, estreou "Quarantine", a versão estadunidense quase idêntica à espanhola que no que procurou diferenciar acabou por piorar... Ou seja, basicamente não tem qualquer razão para existir. Foi nessa ideia que vi "Quarantine 2: Terminal", na expectativa que fosse uma cópia mal feita de "REC 2". Permitam-me desde já adiantar que tive uma surpresa muito agradável. Não só optou por um diferente rumo na história (que me agradou mais particularmente), assumindo uma posição bastante mais real, como até acho que fiquei a preferir esta versão ao próprio original.

Enquanto que em REC 2 a explicação para o fenómeno "viral" acaba por enveredar um caminho ligeiramente forçado associado a possessões demoníacas, em "Quarantine 2" seguimos a história de um grupo de passageiros num voo que sai de LA, em que um deles transporta o vírus (mais relacionado com terrorismo biológico). A contaminação acaba por ser inevitável e instala-se o pânico, sendo que o comandante é obrigado a fazer uma aterragem de emergência. No terminal, os passageiros apercebem-se que estão isolados e trancados (de quarentena), e a sua tentativa de fuga irá revelar-se bem mais complicada do que estão à espera...


Como é perceptível, a história pouco ou nada tem a ver com REC 2. E neste caso ainda bem, pois o rumo seguido pela saga espanhola não é o meu predilecto. Considero que o remake tem o mérito de pegar nas ideias e conceitos do original e continuar a transmitir aquela sensação de claustrofobia, apesar de ter abandonado o estilo found-footage. Basicamente ganha bastantes pontos por se diferenciar em termos argumentativos e na técnica de filmagem. O estreante realizador John Pogue consegue incutir aquela atmosfera de tensão crescente (com óptimos sustos) e fotografia claustrofóbica de uma maneira sensacional, sendo dos aspectos mais positivos da sequela, mesmo. Outro aspecto que acho engraçado é que, após as críticas negativas de "Quarantine", todos torceram o nariz quando a sequela foi anunciada. O certo é que supera a milhas o primeiro, mesmo estabelecendo conexão directa com os eventos do primeiro filme. Pode não ser propriamente um elogio, porque à primeira vista não "Quarantine 2" não é aquele filme brilhante que impressiona, mas é à medida que se vai desenrolando que se torna razoavelmente bom e surpreendente (por não ser tão mau como esperado). Acaba é por pecar no seu grau de previsibilidade, porque verdade seja dita, todos os filmes em que se luta pela sobrevivência acabam por seguir determinado padrão.


Em relação ao elenco, não tem o mesmo star power que o primeiro filme, mas isso não invalida a sua qualidade. Fiquei muito surpreendida com Mercedes Masohn, que interpreta a hospedeira que acaba por assumir as rédeas da situação, pois é bastante credível mesmo! De resto não há propriamente destaque, mas todos desempenham o seu papel de forma satisfatória e adequada (se bem que algumas das personagens são um bocado clichè, pelo que não há muita exigência). Até acho que a credibilidade do filme e da história reside no facto do elenco ser desconhecido, o que permite focar mais a atenção na história do que nos actores.

Em tom de conclusão, acaba por ser um filme satisfatório que surpreende pela positiva, principalmente para quem é fã do género. Evidentemente que não é uma obra-prima, mas entretém bastante, ao mesmo tempo que respeita os conceitos do original. Portanto, para quem não se importa de ver um filme que tem uma história que parece que já foi contada n vezes, recomenda-se.

EXAME

Realização: 7.5/10
Actores: 7/10
Argumento/Enredo: 6/10
Duração/Conteúdo: 7.5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 7.5/10

Média global: 7.1/10

Crítica feita por Sarah Queiroz

Informação

Título em português: Quarentena 2: Terminal
Título original: Quarantine 2: Terminal
Ano: 2011
Realização: John Pogue
Actores: Mercedes Masöhn, Josh Cooke, Mattie Liptak, Ignacio Serricchio, Noree Victoria

Trailer do filme:




VER TAMBÉM

- REC 2 (2009)



- [•REC]³: Génesis (2012)


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