quinta-feira, 8 de maio de 2014

Pompeii (2014)


"Pompeia. Sem aviso. Sem fuga possível." De uma explosão de clichés?

A história é mais que conhecida: o filme retrata a grande erupção do Monte Vesúvio, destruindo por completo a cidade de Pompeia. Quando vi o trailer pareceu-me mais um filme que tenta repetir a fórmula de Titanic, ou seja, histórias catastróficas com um casal apaixonado no meio. A premissa é simples: O escravo celta Milo (Kit Harrington) e a nobre Cassia (Emily Brown) vivem o típico amor proibido, só que esta é obrigada a casar-se com um senador de Roma (Kiefer Sutherland). Há ainda uma clássica história de vingança, onde a família do protagonista foi massacrada quando ele ainda era criança, pelo tal senador. Isto tudo no meio da inevitável tragédia do Monte Vesúvio. Logo aí cria-se aquela expectativa que motiva o espectador para o desenrolar da história, sendo crucial, assim, a construção do argumento. Sendo uma obra com tremendo potencial pergunta-se: como torná-lo diferente e "melhor" do que outros filmes de desastre? Parece que a resposta que encontraram foi arranjar um realizador que tivesse experiência em filmes puxados mais para efeitos visuais e com argumentos anémicos. Será que foi desta que Paul W.S. Anderson se superou, isto é, deu enfâse ao aspecto humano e dramático da história?


   O facto assente é que Paul W.S. Anderson não é um realizador de "contar uma história" ou focado em personagens. Nunca foi o seu forte, como é possível perceber através da franquia Resident Evil: o realizador é totalmente apologista de proporcionar (somente) um puro espectáculo visual e repleto de acção, em detrimento da substância narrativa. As sequências de acção são a grande qualidade do realizador, e são filmadas vigorosamente sem tempos mortos. Por vezes exagerado, mas acentua o ritmo intenso e eficaz da película. No entanto, é flagrante a excessiva preocupação de Anderson em mostrar o grande aparato, uma "explosão" de facto. Considero que podia ter sido mais subtil e acentuado com mais pormenor o lado humano, pois até é dos aspectos mais dramáticos da tragédia de Pompeia. Mas não, desde que fosse perceptível em grandes planos que 90% da população estava a ser queimada, para quê mostrar mais? Ou seja, o realizador pretendeu valorizar a nossa experiência desta tragédia ao mostrar em grandes escalas, mas o que conseguiu foi ainda mais descredibilizar, uma vez que o retrato explosivo da erupção do vulcão foi demasiado "pouco natural".  Paul W.S. Anderson tentou focar-se naquilo que faz melhor, mas parece que se esqueceu de como se faz. Adicionalmente, e infelizmente para o mesmo, sendo o aspecto visual o mais positivo, este só se dá a uma hora do filme, sendo que a primeira hora é focada no "desenvolvimento" das personagens. As entre aspas são propositadas, uma vez que é praticamente inexistente. É que é suposto importarmos-nos ou estabelecermos qualquer tipo de ligação com o crescente romance de Milo e Cassia, mas sinceramente, quase que dei por mim a torcer pelo vulcão, por mais sádico que soe. Ao partir de uma história que o público já conhece, exige-se um rigor ainda maior na construção de um ambiente aceitável para que a tragédia aconteça. Sendo a maior falha do filme, deita-o totalmente por terra.


   Eu prefiro nem indagar muito sobre este romance, porque enfim, a construção da história está tão má que nem há ponta que se lhe pegue. Muito rápido, muito superficial. Ainda para mais, são todas as personagens que não são devidamente desenvolvidas, tornando-as unidimensionais e superficiais, estando constantemente envolvidas em clichés. O filme rapidamente se torna cansativo por ser tão pouco inovador. Dei por mim no clímax do filme a achar que estava a ver o Jack Bauer contra o Jon Snow. Há aqui uma tentativa incrível de fusão do filme "Gladiador" com a série "Spartacus", mas acaba por ser infinitamente pior. Aliás, Pompeia é uma verdadeira explosão de clichés. "Titanic" segue basicamente a mesma premissa. Rapaz pobre, rapariga rica, triângulo amoroso, desastre épico e afins. Mas a diferença é que James Cameron preocupou-se efectivamente numa construção sólida deste romance, enquanto que em Pompeia, a interação das duas personagens para além de ser pouca, não é minimamente credível. Deveria ser uma história mais energética e penetrante para poder convencer no plano romântico e dramático, a fim de chegar ao espectador. Infelizmente não convence, acabando mesmo por ser apenas um espectáculo visual que entretém minimamente.

   Em suma, é um filme cujas características flagarantes são a falta de subtileza e pouca inteligência, tentando-se compensar a nível técnico. Não é de longe um filme excelente, pois podia ter seguido a linha de tragédia de modo bastante mais aceitável, ainda assim, pode entreter e impressionar o espectador. No fim do dia, o filme acaba por trazer aquilo a que se prometeu... Para quem não é exigente, recomendo, pois tolera-se os limites que a película oferece. Para os mais exigentes, vão ficar aliviados pela duração ser apenas 104 minutos. Tal como a tagline do filme sugere, "sem fuga possível" de cair no esquecimento.


EXAME

Realização: 5/10
Actores: 6/10
Argumento/Enredo: 4/10
Duração/Conteúdo: 4/10
Efeitos/Fotografia: 7/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 5/10

Média global: 5.1/10

Crítica feita por Sarah Queiroz

Informação

Título original: Pompeia
Título português: Segredos de Sangue
Ano: 2014
Realização: Paul W.S. Anderson
Actores:  Kit Harington, Emily Browning, Kiefer Sutherland

Trailer do filme:



VER AINDA

- Análise à saga Resident Evil 



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