Depois do Cinema

Beneath The Planet of the Apes (1970)

By Rodrigo Mourão - sexta-feira, abril 05, 2013
 
Mas porque é que este filme tem 6.1 no IMDB?
 
 2 anos após o sucesso de "Planet of the Apes", a 20th Century Fox decidiu lançar uma sequela que, em princípio, terminaria a história e o «final aberto» deixados pelo primeiro filme. Ao que parece, esta sequência não foi tão bem recebida como o seu predecessor e , do que tive oportunidade de ver, esta é a sequela (dentro das quatro desta quintologia) que as pessoas menos gostam- ou é esta ou é "Battle for the Planet of the Apes" (que encerrou a saga), vá... Terá o filme assim tantas falhas? É pior que o antecessor? É um filme interessante à mesma? Vamos então ver.
 
Nesta continuação Brent (James Franciscus), o único sobrevivente de uma missão de resgate interplanetária, procura Taylor (Charlton Heston), o único sobrevivente da expedição anterior, e descobre um planeta governado por macacos e uma cidade subterrânea gerida por humanos com poderes telequinéticos.
 
Sei o que estão a pensar... "Então mas isso não é a mesma história do primeiro filme, com a  diferença de que mudaram o gajo e agora há humanos como poderes telequinéticos e tal?". Sim... e não... Para começar, o filme não nega nada do que o seu anterior estabeleceu, começando até com uma repetição dos últimos minutos do primeiro filme, incluíndo o portentoso final (deviam querer mesmo render o peixe daquele shot, pelos vistos...). Depois disso, o filme segue a história de Taylor e Nova nos momentos imediatamente a seguir, que culminam com o primeiro a passar uma espécie de «portal» e «desaparecer». O que lhe aconteceu? No idea... Depois disso, o filme introduz-nos este membro de uma nova missão interplanetária que procura Taylor. Brent encontra Nova e , a partir daí, temos uma repetição dos eventos do filme anterior, mas a uma velocidade muitíssimo superior. Só que lá está, essa repetição de eventos apenas ocupa a 1ª metade do filme. A 2ª metade é totalmente distinta do do anterior. Ficamos a descobrir mais sobre a "zona proibida", o que aconteceu a Taylor, o que é que aconteceu a (alguns)  humanos depois da revolta dos macacos, etc. E digo-vos que a 2ª parte faz valer todo o filme. Sabem porquê? Porque a história não se contém. Temos, numa palavra, escalação: camadas e camadas e camadas das coisas mais espectaculares e inacreditáveis a acontecerem. Desculpem lá, mas não posso precisar mais, sob pena de estragar o visionamento para os que ainda não viram... Mas deixo aqui uma nota: humanos com poderes mentais? Fuck yeah! O final deste filme é, numa palavra: WOW! Digo-vos, é um final totalmente (in)previsível, ousado e não subtil. Só consigo pensar que hoje em dia a poucos filmes de estúdio seria permitido ter uma conclusão assim. Depois disto vocês até se vão perguntar como é que é possível ainda haver mais três filmes para ver... Sim, é esse o poder do final. Para além disso, é o desfecho que traz uma análise extremamente visual sobre todos os temas que o filme esteve a tratar no primeiro filme e , principalmente, sobre os temas que melhor desenvolveu nesta sequela. É que a nível de conteúdo filosófico, este nível é bem mais substâncial e abrangente do que a premissa (óptima, diga-se já!) introduzida pelo filme original de: os humanos agora estão a aprender a lição às mãos dos macacos, mas não estarão estes últimos a cometer alguns dos erros dos humanos também?
 
Quanto aos actores, Kim Hunter volta no papel de Zira e Maurice Evans regressa como Dr. Zaius. Não têm tanto tempo de ecrã e importância como no filme anterior, mas continuam a  ser personagens muito interessantes, interpretadas por óptimos actores, o que só beneficia o filme. Aliás, digo-vos que o chimpazé mais expressivo de todos os filmes não é nenhum dos dois interpretados por Roddy McDowall (esse vem em segundo lugar), mas sim a Zira de Kim Hunter. As expressões faciais e a voz são totalmente priceless (isto chega a um apogeu no terceiro filme, principalmente). Infelizmente, Beneath também marca o primeiro filme (e único, graças a Deus...) sem Roddy McDowall (excepto na cena inicial, que são as imagens de arquivo do 1º filme, como já vimos). Desta vez a personagem de Cornelius foi encarnada por David Watson que só serviu para mostrar ao mundo a falta que McDowall faz à personagem, provando que não basta meter uma máscara de macaco num actor para este poder fazer qualquer papel- falta a voz de McDowall, os jeitos de McDowall a imitar uma macaco (David Watson tem uma cena em que Cornelius "corre", que é tão cómica de tão estúpida que é, pois parece mais um "atrasado mental" a mover-se do que um chimpazé...). Como novo protagonista temos James Franciscus a interpretar Brent, também apelidado de alguns como a "cópia de Charlton Heston". É verdade que os dois são fisicamente parecidos (e psicologicamente também, pronto...), mas Franciscus é MUITO melhor actor que Heston o que, graças a Deus, torna a personagem mais "agradável" e o filme menos "doloroso" (até porque não o é). James Gregory também representa Ursus, um general gorila que se alia a Dr. Zaius para acabar com os humanos. Não é uma personagem com uma relevância e originalidade por aí além, mas é bem interpretada e não é mal escrita... Para culminar, Heston regressa como Taylor mas , graças a Deus, tem desta vez menos tempo de ecrã para estragar o filme. Digo até que participa numa das melhores cenas do filme, mas que também vale pela contribuição de Franciscus.

 Bem sei que poderão estar a achar esta resenha algo abstracta, mas só vos posso dizer que é um papel ingrato ter que rever este filme sem tentar revelar nada que possa estragar a história... Mas concluo com os seguintes avisos à navegação: a história não é tão reciclada como à primeira vista pode parecer (eu até diria que ultrapassa a do primeiro filme, mas também beneficia de poder ir buscar coisas a este...); os actores estão (e são) muito melhores; a música é mais sólida; a realização é menos irritante ( o novo realizador Ted Post também gosta de fazer zooms, mas não de maneira tão desenquadrada como Schaffner) e; o final é ainda mais espectacular.
   
 Resumindo: para quem gostou do primeiro, este é mesmo um visionamento obrigatório.
Tem um CGI um pouco manhoso aqui ou ali (mas, positivamente, tem sets mais ousados que os do filme anterior), mas tentem reflectir sobre o filme e verão que não é tão mau como à primeira vista podem pensar... Aliás, diria que é mesmo o oposto. Espero que agora, mais pessoas estejam preparadas para o perceber do que em 1970...


EXAME

Realização:
7/10
Actores: 7.5/10
Argumento/Enredo: 8.5/10
Banda sonora: 7/10
Duração/Conteúdo: 8/10
Efeitos/Fotografia: 6/10  
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 8.5/10

Média global: 7.5/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão


Informação

Título original: Beneath The Planet of the Apes
Título português: O Segredo Do Planeta dos Macacos
Ano: 1970
Realização: Ted Post
Argumento: Pierre Boulle (personagens e mundo), Mort Abrahams (história) e Paul Dehn (história e guião)
Actores:  James Franciscus, Charlton Heston, Kim Hunter, Maurice Evans, James Gregory e David Watson

Trailer do filme:
 

Ver também: 
Planet of the Apes (1968), por Rodrigo Mourão
  Beneath the Planet of the Apes (1970), por Rodrigo Mourão
Rise of the Planet of the Apes (2011), por Sara Queiroz

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Planet of the Apes (1968)

By Rodrigo Mourão - sexta-feira, março 29, 2013

"Take Your Stinkin' Paws Off Me You Damn Dirty Ape"
Clássico do cinema; prelúdio das sagas mais conhecidas da ficção científica; esses epítetos todos... Após quase 50 anos será que este filme mantém esse estatuto de culto? Será o filme assim tão bom, será que é sobrevalorizado, será que é o melhor da quintologia? É melhor responder a estas questões todas antes que os macacos tomem conta disto...

O filme começa com George Taylor (Charlton Heston), um astronauta americano, que viaja por séculos em estado de hibernação. Ao acordar, ele e os seus companheiros (Robert Guuner e Jeff Burton) vêem-se  num planeta dominado por macacos, no qual os humanos são tratados como escravos e nem o dom da fala possuem.

Bem, por onde começar... Devo dizer que acho a premissa do filme extremamente interessante. O filme faz um ciclo completo: começa com Taylor na nave a enviar uma mensagem (para quem quer que seja que o ouça...) a perguntar se, em todos os anos que estiveram a viajar, a raça humana já evoluiu ao ponto de se preocupar mais com os seus semelhantes. Qual o seu espanto quando aterra num planeta em que os macacos é que «dominam» os humanos! Há muitas personagens e coisas para gostar neste filme e... Charlton Heston não é uma delas... Meu Deus que o homem é mau actor... Não percebo como é que as pessoas acham que este senhor «é que faz o filme» ou que o actor que aparece na sequela (a fazer outra personagem) não é tão bom como Heston... O homem reaje de menos quando devia fazer uma actuação mais subtâncial e, noutras falas, representa em demasia... De facto faz sentido que num planeta de macacos quase todos os actores que façam de humanos sejam uma nódoa a representar e os macacos é que encham o filme com boas performances. E aqui há que apontar a genialidade da Santíssima Trindade da Representação Símia: Roddy McDowall como o puro e bem intencionado chimpazé Cornelius; Kim Hunter como a sua companheira cientista Zira e; Maurice Evans como o complexo orangotango Dr. Zaius.

O que me leva às personagens: os humanos não têm muito por onde se pegar, pois passam o filme todo calados e os que falam talvez devessem também fechar o bico... Agora os três símios que falei, isso sim! Cornelius e Zira complementam-se perfeitamente enquanto cientistas que fazem experiências em humanos (intitulam-se «veterinários» veja-se a ironia...) mas que também são bastante humanitários e receptivos à ideia (científica lá está...) do evolucionismo. Já o Dr. Zaius representa a mentalidade dos orangotangos, que dominam os orgãos da autoridade da sociedade símia, sendo o símbolo da religião e conhecimento desta- uma Igreja com poder político ao estilo medievo, se assim se quiser. Mas Zaius é bem mais complexo que essa etiqueta. É uma pessoa (quer dizer... personagem) que entende as limitações da doutrina que professa (criacionista, lá está...), mas que também teme as consequências de um conhecimento descontrolado ao dispôr de todos. 

O facto da sociedade símia estar estratificada e tripartida é também bastante interessante: os chimpazés tratam da ciência, os gorilas são o exército e os orangotangos detêm os cargos de inteligência. Parece que afinal também existe opressão dentro da própria raça dominadora... É isto que eu gosto na história: pega numa raça diferente para mais facilmente poder criticar e desconstruir aquilo que são os nossos comportamentos. Nisso o filme mantém-se bastante actual: será que merecemos viver neste mundo com aquilo que andamos a fazer? Merecemos ser dominados? Estaremos a causar a nossa própria destruição? Enfim, o final poderá dar algumas respostas (daí o ciclo completo de que falei), apesar de achar que quase toda a gente o conhece, mesmo quem ainda não viu o filme- a porcaria da capa do filme estraga o final! Quem teve a bela ideia daquela capa que não se identifique, que assim eu não tenho que derramar sangue...

Bem, a nível técnico, devo dizer que algumas cenas ainda impressionam (principalmente as do início e a do final), outras estão ultrapassadas, a maioria é normal. Os sets não são nada de especial e são muito arcaicos (o filme tornou a sociedade símia mais rudimentar para poupar nos custos, porque no livro é suposto os mcacos terem uma sociedade algo avançada...). O meu maior problema é a realização... Franklin J. Schaffner e os seus  ZOOMS! A sério, se beberem um shot de cada vez que a porcaria da câmara faz um zoom, vão entrar em coma alcóolico a meio do filme. Dá-me a sensação que o homem nunca tinha visto uma máquina que fizesse zoom e andava a brincar com ela durante as gravações.

Apesar disto tudo digo que o filme é mais que recomendado: a história é bastante interessante, o final é épico, os macacos (ainda que as máscaras não sejam as melhores- bem, para a altura eram bastante boas...) são óptimos devido aos brilhantes actores. Têm é que aguentar com 2 horas de Charlton Heston e de zooms até ao infinito... A música também é muito minimalista. Talvez o filme também valha pelas sequelas, mas falarei disso mais tarde...

EXAME


Realização: 5/10
Actores: 6.5/10
Argumento/Enredo: 8.5/10
Banda sonora: 6/10
Duração/Conteúdo: 8.5/10

Efeitos/Fotografia: 7/10   
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 9/10

Média global: 7.2/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão

Informação

Título original: Planet of the Apes
Título português: Planeta dos Macacos
Ano: 1968
Realização: Franklin J. Schaffner
Argumento: Pierre Boulle (romance), Michael Wilson e Rod Serling
Actores:  Charlton Heston, Roddy McDowall, Kim Hunter e Maurice Evans

Trailer do filme:
















Ver também: 
Beneath the Planet of the Apes (1970), por Rodrigo Mourão
Rise of the Planet of the Apes (2011) por Sarah Queiroz
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TOP 10 Melhores de Sempre: Space Movies

By Jota Queiroz - quinta-feira, março 28, 2013

Dentro do género da ficção científica, temos o subgénero Sci Fi Galáctico, e o meu favorito. Os filmes no espaço incluem diversos: filmes sobre o espaço, filmes passados no espaço, filmes com, aliens, filmes sem aliens, filmes cientificamente prováveis e filmes com elevada ficção, mas em todos existe inerente o reflexo da condição humana.
Eis os filmes que considero os melhores, set in outer space... 


10. Sunshine (2007)


Sunshine é um belíssimo filme realizado por Danny Boyle cujas influências são notoriamente 2001: A Space Odyssey, Solaris e Alien. Contudo, digo ainda que todo o ambiente de suspense claustrofóbico faz-me lembrar o grande Das Boot. Este filme conta-nos a história num futuro não tão distante, em que o Sol está a morrer e consequentemente a Terra também. Assim, um grupo de astronautas é enviado numa missão para salvar a humanidade desse destino...



9. Serenity (2005)


Eu fui uma moça infeliz com a morte prematura da série Firefly; felizmente, milhares de pessoas sentiram o mesmo e Serenity foi um autêntico presente do Joss Whedon. Serenity é então a produção cinematográfica que funciona como uma espécie de encerramento da série. Mistura diversos géneros, incluindo western, e está visualmente muito interessante.



8. Wall-E (2008)


Wall-E reúne uma série de qualidades que prezo bastante: inteligência, coerência, ciência e diferença. Após centenas de anos sozinho a fazer o que foi programado para fazer, o robô WALL.E. descobre um sentido na sua existência quando se apaixona pela robô EVE e arranja a solução para os humanos voltarem para a Terra.


7. Solaris (1972)


Solaris é uma obra prima de Tarkofsky. Este realizador criou um desafiante, denso e fascinante trabalho: requer algumas visualizações para o entendermos por completo. Conta a história de um psicólogo que é enviado à uma base espacial Russa que orbita em torno do planeta Solaris, após relatórios de acontecimentos bizarros e alucinações por parte dos tripulantes. Pouco tempo passa após o psicólogo começar a comportar-se da mesma maneira. Continuo a achar que 2001: A Space Odyssey é melhor.



6. Apollo 13 (1995)


Houston, we have a problem! Não pode haver um top de filmes no espaço sem estar incluindo Apollo 13. É um filme brilhante que conta a história de uma desesperada batalha pela sobrevivência de três astronautas, suspensos a mais de 350.000 quilómetros da Terra numa nave espacial avariada. 
Portanto, Tom Hanks + Kevin Bacon + Lua = filme obrigatório. 



5. 2001: A Space Odyssey (1968)


Gosto muito de 2001: A Space Odyssey. Não é para todos, é extenso, exaustivo, denso e peculiar, mas tem cenas inesquecíveis como o começo do homem, o Hal, o ballet das naves espaciais e aquele final. Tudo isto com uma banda sonora e fotografia fantásticas, pilar essencial para este filme quase não-verbal. Para mim, é o derradeiro clássico de Kubrick e uma excelente experiência cinematográfica.


4. Alien (1979)


Alien é um clássico de ficção científica dos anos 70 e um belíssimo filme realizado por Ridley Scott. Alien trata um grupo de indivíduos que investiga uma transmissão emitida de um planeta desolado, e encontram uma forma de vida que utiliza humanos como hospedeiros para os seus ovos. Agora, a tripulação tem de combater não só pela sua sobrevivência mas também pela sobrevivência de toda a humanidade. Um filme de roer as unhas que nos faz querer muito mais.



3. Moon (2009)


Crítica: Aqui

O astronauta Sam Bell é enviado numa missão de três anos para o outro lado da Lua, estando isolado. Em breve poderá voltar para casa, mas Sam sofre um estranho acidente e descobre algo que coloca tudo em questão. A realização/argumento de Duncan Jones, a interpretação de Sam Rockwell e a magnífica banda sonora de Clint Mansell constituem os três grandes pilares para este magnífico filme. E sim, a voz do Kevin Spacey faz mesmo lembrar o Hal do clássico de Kubrick.



2. Star Trek (2009)


Star Trek é das franchises galácticas mais poderosas de ficção científica e a minha segunda favorita. É o décimo primeiro filme baseado na série, e devo dizer que a longa espera para um filme de excelência deu frutos. Conta com as interpretações de Chris Pine como James T. Kirk e de Zachary Quinto como Spock, nos primeiros momentos da USS Enterprise.



1. Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back (1980)


Sim, Star Wars é o primeiro lugar - previsível. Apesar de estar saturado nas nossas vidas, é impossível negar o impacto destes filmes e, para mim, o episódio V The Empire Strikes Back é o melhor de sempre. Luke Skywalker tenta encontrar o Mestre Yoda, que poderá ensiná-lo a dominar a Força, com técnicas avançadas para torná-lo num Jedi. No entanto, Darth Vader planeia levá-lo para o lado negro da Força, até que um segredo é revelado e acaba por se tornar a cena mais icónica de sempre.




Outros:
Star Wars (1977)
Aliens (1986)
Avatar (2009)
Stargate (1994)
The Fifth Element (1997)
Mars Attacks! (1996)
Star Trek II: The Wrath of Khan (1982)
Star Trek IV: The Voyage Home (1986)
Star Wars III: The Revenge of the Sith (2005)
Barbarella (1968)
Galaxy Quest (1999)
Armageddon (1998)
Worlds Collide (1951)
Soldier (1998)
Starship troopers (1997)


por Joana Queiroz

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TOP 5 Melhores Filmes - Natalie Portman

By Sarah - quarta-feira, março 27, 2013


Estamos de regresso a mais um TOP 5 Melhores Filmes, sendo que, desta vez, o nosso alvo é a talentosa actriz Natalie Portman.
A carreira desta actriz começou cedo, surgindo com 12 anos pela primeira vez no grande ecrã, e desde então não tem parado de surpreender. Sou acérrima fã de Natalie Portman, principalmente pelo facto de ser uma actriz que sempre conseguiu gerir muito bem a sua carreira, com escolhas bastante acertadas. Também admiro-a imenso por ter optado concluir os seus estudos académicos, o que mostra novamente a sua capacidade de gestão.
Já protagonizou grandes filmes e não tenho dúvidas que a sua carreira ainda será bastante longa. Escusado será dizer que não foi tarefa fácil (ou secalhar até é prevísivel), elaborar um TOP.
A lista que se segue enumera os cinco melhores filmes que, na minha opinião, Natalie Portman protagoniza. Partilhem connosco a vossa opinião!




5. Trilogia Star Wars (1999-2005)



Não me comecem a atirar pedras ou algo do género, mas o certo é Portman imortalizou-se ao interpretar a Padmé Amidala em "Star Wars". Eu sou inquestionavelmente uma die hard fan desta saga, por menos bem recebidas que tenham eventualmente sido as prequelas. 



4. Leon: The Professional (1994)



"Léon" é um filme de acção e suspense sobre um par incomum, que reúne um matador profissional e uma rapariga (Mathilda, interpretada por Portman) que se torna sua protegida, culminando num relacionamento que resulta dos seus mundos diferentes. É, indiscutivelmente, dos melhores filmes com produção francesa, e foi a grande estreia de Portman nos filmes, com apenas 12 anos. Esta propõe-nos uma performance extremamente sólida, sendo imperdível este filme.



3. V for Vendetta (2006)


   

Adoro filmes ambiciosos. Tal como seria de esperar dos irmãos Wachowski (responsáveis pelas sequelas de Matrix), "V for Vendetta" é ambicioso ao máximo, em que quase roça o exagerado. Mas o grande mérito deste filme reside na intenção de fazer o espectador pensar e realmente reflectir sobre o que está a assistir, e nesse aspecto acerta em cheio. Claro está que o elenco é o grande espectáculo desta produção: Natalie Portman emana talento e emoção numa das suas melhores interpretações, ficando dispensada de maiores elogios...



2. Closer (2004)



"Closer" é uma história atípica de um rectângulo amoroso com um elenco adequadíssimo, que chama à atenção pela sua simplicidade narrativa. O que faz este filme fluir muito bem são efectivamente as interpretações, especialmente a de Natalie Portman. Sem dúvida que foi um dos grandes destaques da carreira da actriz, tendo recebido pela sua interpretação, uma nomeação ao Óscar de Melhor Actriz Secundária em 2005.



1. Black Swan (2010)



"Black Swan" é um filme único e muito bem concretizado. É realizado por Darren Aronofsky, realizador que se tem tornado cada vez mais num dos meus predilectos. Os vários elementos que o filme comporta, tão bem estruturados pelo realizador, demonstram a sua imensa competência. Adoro a fotografia e o trabalho de câmara, está muito bem captada a fluidez do movimento, é bastante eficaz. Natalie Portman faz um papelão incrível, a sua interpretação está absolutamente fantástica. A transformação e evolução da personagem (Nina) que a actriz nos propõe está de cortar a respiração. Mereceu totalmente o Óscar e não há dúvidas que só podia ser o nº 1 deste TOP.

Crítica aqui 




Menções Honrosas

Brothers (2009)



Garden  State (2004)



Beautiful Girls (1996)






por Sarah Queiroz
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A Nightmare on Elm Street (1984)

By Sarah - domingo, março 24, 2013

"1, 2, Freddy's coming for you..."

"A Nightmare on Elm Street", de 1984, realizado pelo mestre do terror Wes Craven, marcou o início da franquia cujo enredo gira em volta de um dos psicopatas mais reconhecidos do cinema e um verdadeiro ícone: Freddy Krueger. Quem é que nunca ouviu falar? À data de estreia, arrebatou enormes críticas favoráveis e iniciou um fenómeno de culto instantâneo que ainda hoje se faz sentir. Curiosamente, o filme apresentou igualmente pela primeira vez ao mundo o inconfundível Johnny Depp. Foi uma grande surpresa, uma vez que era de tão baixo orçamento, mas o certo é que hoje é inegável a afirmação de que, "Pesadelo em Elm Street", é um verdadeiro marco na história do cinema, pois conseguiu aterrorizar gerações. Tendo este facto assente, podemos à mesma colocar outras questões: será que não é ligeiramente sobrevalorizado? Será que, vendo agora, não poderemos considerá-lo ultrapassado? Estas questões serão esmiuçadas no desenrolar da crítica...

Deixem-me desde já recomendar a não visualização do remake de 2010. É simplesmente dos remakes mais sofríveis de todos os tempos, que descaracteriza completamente a personagem do Freddy Krueger. É um verdadeiro "pesadelo", sendo chato, banal, aborrecido e dotado de interpretações horríveis. Mais vale verem o original, pois para além de ser o pioneiro, é incomparável em termos de qualidade.


Wes Craven é um génio. Sempre foi um realizador surpreendente, pois é arrojado e ousado, sem nunca hesitar em brindar o espectador com das cenas mais macabras e elaboradas, com intenção de chocar. E com a criação de Freddy Krueger não foi diferente. Claro que Wes Craven tem obras duvidosas, mas isso já são outras conversas. "A Nightmare on Elm Street" é simplesmente brutal. Dou bastante mérito à direcção na medida em que não falhou na transmissão da mensagem, foi realmente complicado não achar que os sonhos eram reais... Aquele ambiente negro e sinistro, envolto numa banda sonora arrepiante, são alguns exemplos da fórmula típica e intimidante de Craven que nunca deixa de resultar. A premissa, à primeira vista, não parece ser nada a que não estejamos habituados. Mas acaba por ser muito original, pois Craven pensou em juntar um assassino de crianças e pesadelos. Freddy Krueger é um assassino, que costumava matar pessoas em Elm Street, com as suas características garras de aço. Ao ser descoberto, foi queimado vivo. Porém, o seu espírito continua vivo, atormentando vários adolescentes nos seus pesadelos. A premissa do filme, que gira entre o imaginário e o real, está magnífica. Mas claro que não está isento de falhas.

Vou ter que ser muito sincera em relação a um aspecto que me desagradou particularmente. Aliás, chateou-me bastante. Heather Langenkamp (Nancy) proporciona das piores interpretações a que já tive oportunidade de assistir. Em nenhuma ocasião consegue estar à altura, desiludindo constantemente. Acho que o filme teria ganho muito mais se a protagonista tivesse sido outra. Os restantes actores não estão particularmente memoráveis também, a sorte é que tiveram menos tempo de antena. Como já tive oportunidade de referir, este filme marcou a estreia de Johnny Depp. Assim, juntando o útil ao agradável, o filme melhora substancialmente com a sua interpretação (!)... Ok, não é digno de Óscar, muito longe disso, aliás, é muito "interpretação à slasher movie", ou seja, má, mas digamos que Johnny Depp é responsável por uma das cenas mais emblemáticas da história do cinema, sem dúvida alguma. O único elemento de destaque verdadeiramente positivo em termos de elenco, será Robert Englund, que interpreta o temível Freddy Krueger. É um actor muitíssimo carismático, e atrevo-me a dizer que foi quase 85% responsável pelo sucesso do filme. Por si só acho a personagem muitíssimo bem arquitectada, logo, era digna de uma interpretação que lhe fizesse jus. Felizmente, Robert Englund superou qualquer expectativa, e está absolutamente assustador!



Em suma, é um filme necessário a todos fãs do terror, pois é indiscutivelmente dos melhores e mais marcantes dos anos 80. Contudo, não podemos deixar de achar que está um pouco ultrapassado a diversos níveis, mas mantém o estatuto de filme de culto, que jamais será abalado. À excepção de algumas interpretações medíocres, o filme tem todos os elementos para garantir um bom visionamento, e o seu grande mérito reside em ter-nos apresentado das personagens mais originais do mundo do terror.


EXAME

Realização: 8/10
Actores: 6/10
Argumento/Enredo: 8/10
Duração/Conteúdo: 7.5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 8/10

Média global: 7.5/10

Crítica feita por Sarah Queiroz


Informação

Título em português: Pesadelo em Elm Street
Título original: A Nightmare on Elm Street
Ano: 1984
Realização: Wes Craven
Actores: John Saxon, Ronee Blakely, Heather Langenkamp, Johnny Depp, Robert Englund

Trailer do filme:

 


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Mama (2013)

By Sarah - sábado, março 09, 2013

" A mother's love is forever"

Muita expectativa cercava o lançamento do novo filme produzido por Guillermo Del Toro, nome sonante e prestigioso do cinema, após "El Orfanato" (2007) e "Don't be Afraid of the Dark" (2010). "Mama", segue a história de Annabel (Jessica Chastain) e Lucas, que são confrontados com o desafio de criar as suas duas jovens sobrinhas que foram deixados sozinhas na floresta por 5 anos... Mas será que estavam realmente sozinhas? Este filme, cuja realização coube a Andrés Muschietti, foi o grande vencedor do Fantasporto 2013, arrecadando os prémios de Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Actriz para Jessica Chastain.
Num ano em que seremos bombardeados com remakes de filmes de terror, e em que parece acentuada a tal ideia de falta de originalidade que inunda Hollywood, terá "Mama" conseguido ressuscitar um género que vai parecendo adormecido? Embora não isento de falhas, parece-me que este filme é uma verdadeira lufada de ar fresco, sendo o primeiro grande filme de terror de 2013.

Costumo ser bastante optimista no que toca a filmes de terror, na esperança em que surja um que me consiga deixar seriamente desconfortável. Numa maré constante de remakes e reboots, o elemento surpresa tem sido praticamente nulo, mas "Mama" conseguiu cumprir a promessa de proporcionar o tal elemento inesperado, sendo bastante admirável a tentativa do realizador em contar uma história de terror 100% original. E cumpre-me também salientar, desde já, que Andrés Muschietti é, indiscutivelmente, um realizador de muito talento e visão. Mas não é só das "intenções" que um filme subsiste, isto é, por mais fantástico que seja a nível de construção e concepção, quando a execução do argumento falha, nem o potencial o salva. Felizmente, "Mama" conseguiu fugir a esse insanável erro, tendo, no entanto, por momentos, quase esse destino. Em termos de realização, é mesmo uma grande estreia para Muschietti, demonstrando muita segurança. Os elementos cinematográficos estão ao mais alto nível, em que não falha um ambiente sinistro, escuro, contrastante, o que evidencia o carácter criativo e original que o realizador conseguiu transparecer de uma maneira bastante inteligente, recriando completamente a ideia de "suspense". E isto durante o desenrolar todo da história, pois não nos deparamos com constantes clichés ou fórmulas recicladas em busca do susto, mas sim com sequências muito bem executadas e inesperadas, que conseguem arrecadar dos mais violentos sobressaltos.


O carácter super sinistro do filme pode ser praticamente atribuído às duas crianças que interpretam as sobrinhas, Megan Charpentier e Isabelle Nélisse, que fazem um trabalho absolutamente extraordinário em demonstrar a  capacidade do ser humano em adaptar-se a um meio externo e a sobreviver nessa mesma realidade. Jessica Chastain apresenta-se num registo bastante diferente a que estamos habituados, conseguindo, ainda assim, proporcionar uma prestação bastante autêntica e equilibrada.

Porém, podemos dizer que o argumento de "Mama" é "meio-cozinhado"... É até frustrante, uma vez que assenta numa grande mensagem (o enorme poder do instinto maternal), e em filmes de terror isso é sempre um aspecto de realce, mas depois perde-se através de decisões pouco acertadas. É questão de dizer que, infelizmente, o seguimento da história é francamente inferior em relação ao início. No entanto, é o único ponto negativo que consigo apontar em relação ao filme, o facto de ter algumas falhas a nível argumentativo. Vou confessar, igualmente, que fiquei um pouco desiludida em relação à figura da Mama, em si. Estava à espera de algo mais bem conseguido, acho que os efeitos especiais ficaram ligeiramente aquém. Isso não invalida que, até chegarmos a esse clímax, não tenhamos já apanhado uns valentes sustos, e a construção gradual até esse momento não desilude, como já tive oportunidade de referir.

"Mama" é, efectivamente, uma grande surpresa. O ponto mais positivo do filme é mesmo a genialidade do realizador, que conseguiu compensar alguma falta de originalidade na execução das cenas, coadjuvado com as magníficas prestações do elenco. Em suma, este filme tem todos os elementos necessários para ser um excelente filme, sendo, como disse logo no início, o primeiro grande filme de terror de 2013. Recomendadíssimo!

EXAME

Realização: 8/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 7.5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 7/10

Média global: 7.6/10

Crítica feita por Sarah Queiroz


Informação

Título em português: Mamã
Título original: Mama
Ano: 2013
Realização: Andres Muschietti
Actores: Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau, Megan Charpentier

Trailer do filme:

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A Quarta Divisão (2013)

By Rodrigo Mourão - domingo, março 03, 2013

A falta de enaltecimento do cinema português pode não ser alvo de queixas... mas causa vítimas...

Como cinéfilo mas, antes de mais, como português, sou daquelas pessoas que sente grande necessidade de gritar aos 7 ventos quando vê uma boa obra escrita, produzida, realizada e representada na língua de Camões. "A Quarta Divisão" faz por se desprender dos negativos estereótipos em que o cinema português se mergulhou desde o início deste milénio. Se quando comparado a muitos congéneres europeus estas película é "boa", dentro do panorama lusitano é de facto um filme sólido, captivante, bem ritmado e que tenta passar uma mensagem ao longo do seu visionamento. Ou seja, até é um filme de qualidade média-alta.

O filme retrata o desaparecimento de uma criança de 9 anos (Martim Cabral e Melo) do colégio privado onde estuda. A Quarta Divisão da Polícia monta uma grande operação de busca por toda a cidade para o encontrar. Todas as hipóteses são possíveis: O que aconteceu? Este é o ponto de partida para uma complexa teia de acontecimentos, que vai revelar a verdadeira faceta de quem menos se espera.

Enfim, para os mais cépticos quanto ao cinema nacional, farei convosco o exercício contrário- em vez de começar por elogiar o filme por si mesmo, fá-lo-ei por comparação ao que se espera de um filme europeu. Assim, este filme tem uma boa fotografia, óptimos planos de câmara, uma montagem mutíssimo bem conseguida (tanto em termos do planos escolhidos, assim como da utilização da técnica do slow motion, mas principalmente quanto ao ritmo que cria para a película) e uma banda sonora que acompanha a história adequadamente.

Now that I have your attention, vamos então aos verdadeiros trunfos deste filme: o argumento, os actores e a realização em geral. Quanto ao argumento, o produtor Tino Navarro conseguiu fazer algo majestoso: iniciar o filme com uma mensagem que depois parece saír de cena, mas que continua a acompanhar o filme todo, ao mesmo tempo que introduz outros temas relacionados que são de grande preocupação social (mais não digo, para não estragar a experiência).

Os actores são muito competentes. Carla Chambel carrega o filme muito bem, enquanto inspectora da PSP que não larga o caso do desaparecimento do miúdo por nada, apesar de já estar fora de horas de trabalho e de ter combinado ir a uma Manifestação de Polícias por melhores condições de trabalho (sim, Tino Navarro consegue situar o filme na actualidade e explorar mais uma oportunidade de realizar crítica social). A meio do filme percebemos que este é um caso pessoal para ela, o que traz profundidade à sua personagem. O seu colega principal (representado por Sabri Lucas) também está muito bem conseguido. No fundo, todos os polícias estão interessantes, pois mostram diversas facetas de uma mesma força policial, tornando o retrato heterogéneo, rico e realista. Enfim, todo o elenco secundário faz um trabalho adequado. Diria que o maior problema mesmo, é o rapaz que faz de Martim (que, coincidentemente, se chama Martim), que nem sempre mostra as emoções como devia.. No entanto, podia ser bem pior.

No meio disto tudo, o realizador Joaquim Leitão consegue dirigir uma história interessante, enigmática, bem ritmada e com alguma crítica social à mistura. O espectador fará ele próprio por tentar resolver o mistério, ao mesmo tempo que se sentirá repugnado por aquilo que algumas pessoas conseguem fazer, mas tocado pela persistência e vontade de lutar de outras.

Quanto a mim, fico tocado pela clara evolução em que o cinema português caminha, no sentido do conteúdo substâncial e não do invólucro visual (vejam-se, só para citar os mais recentes, filmes como Sangue do meu Sangue ou Tabu). Repugna-me a ideia pré-formada de que o que fazemos é mau, ao mesmo tempo que aquilo que se decide ver é o que de facto mancha o bom potencial da ficção portuguesa. É que, para mim, o problema do cinema português não é um de fins, mas sim de meios, nem um problema de criatividade, mas de oportunidade.
Quanto ao produtor Tino Navarro, que venham mais oportunidades de trazer para o ecrã experiências como esta. Quanto a vós, se se sentem na posição e vontade de mudar a rotina (a vossa e a da nossa 7ª Arte) e dar entre 5-6 euros por um bilhete para ver um filme diferente e que nos retrata, fica a vosso critério.

EXAME

Realização: 8/10
Actores: 7.5/10
Argumento/Enredo: 8/10
Banda sonora: 7.5/10
Duração/Conteúdo: 8/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 9/10

Média global: 8/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão

Informação

Título original: A Quarta Divisão
Ano: 2013
Realização: Joaquim Leitão
Produção e Argumento: Tino Navarro
Actores:  Carla Chambel, Sabri Lucas, Paulo Pires, Cristina Câmara, Adriano Luz, Martim Barbeiro, Heitor Lourenço

Trailer do filme:








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The Loved Ones (2009)

By Sarah - sábado, março 02, 2013


Confesso que tenho tido alguma sorte. Todos os filmes que tenho visto ultimamente têm-me surpreendido imenso pela positiva. "The Loved Ones" é um soberbo filme de terror australiano escrito e dirigido pelo estreante Sean Byrne que, muito sucintamente, contém todos os elementos que um filme de terror deve ter para ser bem sucedido. A estreia do realizador não poderia ter sido melhor, e foi muitíssimo aclamado pelas críticas. Por cá, foi exibido na edição de 2010 do MOTELx, e tendo em conta a recepção positiva ao filme, estranhei que não tivesse tido distribuição nas salas de cinema. O que é, efectivamente, uma pena. É que este filme é simplesmente dos mais originais e arrebatadores da década, para além de ser o melhor filme de terror australiano desde 2005 ("Wolf Creek"), sendo de visualização obrigatória para todos os fãs do género.

"The Loved Ones" segue a história de Brent (Xavier Samuel), um jovem de 17 anos que vive em sofrimento pela morte recente do seu pai, num acidente de viação, e que tenta lidar com o descontrolo emocional da sua mãe. O seu único escape de felicidade é Holly (Victoria Thaine), uma bonita rapariga que é a barra de equilíbrio de Brent. Quando o baile de finalistas se aproxima  a tímida Lola (Robin McLeavy) convida Brent para o baile, só que é rejeitada a favor de Holly, o que a deixa desejosa de vingança, despertando o seu lado mais psicótico. Como já referi, este filme comporta vários elementos que o tornam bastante surpreendente, uma vez que são trabalhados de maneira muito inteligente e eficiente. O grau de tensão gerado é avassalador, muito ao estilo do grande filme dos anos 90 "Misery", pelo que é perfeitamente compreensível as comparações que fazem entre estes filmes (pelo menos em relação à personagem feminina). E podemos comparar a diversos outros, porque não é uma história 100% original, pelo que existem vários que abordam a temática. Mas uma coisa é certa: "The Loved Ones" carrega uma vertente pesada de violência bruta e explícita que é capaz de ferir susceptibilidades, mas o que o torna extremamente eficaz e, diga-se, original, é o facto de coadjuvar essa violência com a dimensão psicológica das personagens. Estas muito bem trabalhadas no meio de tanta cena violenta e sangrenta. Assistimos à verdadeira loucura a tomar conta das pessoas, sendo mesmo impressionante como o ser humano consegue ser cruel. No entanto, e ainda relativamente ao argumento, somos apresentados a algumas tramas paralelas, que para mim não funcionaram muito bem, ou pelo menos considero que eram dispensáveis, pois não contribuem em concreto para a narrativa. Pode eventualmente funcionar como contraponto à violência e sofrimento de Brent.
Mas à parte disso, o filme está bem construído sequencialmente porque a maior parte das coisas têm razão de ser e nada acontece por acaso. É muito surpreendente, e a realização está deveras eficaz: a densidade, as revelações e surpresas na narrativa, para além de uma descrição incrível das personagens elevam este filme a um patamar muitíssimo mais elevado do que outros do subgénero "torture-porn" (o que pessoalmente não consigo categorizá-lo assim, embora haja quem o faça).


A cinematografia, a edição e a banda sonora são outros grandes pontos a favor da película: a fotografia é extramemante bonita e impecável, em tons contrastantes que tornam o ambiente ainda mais perturbador, acompanhado de uma banda sonora de topo. São estas pequenas coisas que o tornam especial, pois conseguem brincar com o psicológico do espectador ao máximo.
E por falar em personagens, que são um sério destaque ao filme, há que falar nos actores que as interpretam. Robin McLeavy, que dá vida à sombria e implacável vilã Lola, recheada de ingenuidade, ironia, crueldade e sadismo, faz um trabalhado verdadeiramente formidável, sem nunca cair no exagero ou ridículo. Não fica atrás de grandes personagens clássicas de terror, atrevo-me mesmo a dizer...

"The Loved Ones" não deixa de ser uma película sobre a rapariga desiquilibrada que tortura o pobre rapaz que a rejeita. Mas consegue destacar-se imenso dos restantes que abordam a mesma temática. Não me surpreendia assim à imenso tempo, pelo que não posso deixar de recomendar este filme. Vejam e partilhem connosco a vossa opinião!

EXAME

Realização: 9/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 8.5/10
Duração/Conteúdo: 8/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 8/10

Média global: 8.3/10

Crítica feita por Sarah Queiroz

Informação

Título original: The Loved Ones
Ano: 2009
Realização: Sean Byrne
Actores:  Xavier Samuel, Robin McLeavy, Victoria Thaine

Trailer do filme:

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American Mary (2012)

By Sarah - quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Bizarro, sangrento e gloriosamente único, American Mary é um filme realizado por Jen e Sylvia Soska, que marcou o encerramento da passada edição do MOTELx. Para os que lá estiveram, é sabido que foi um dos momentos altos do festival. E é certo que este filme arrecadou imensos prémios pelos festivais fora.
Já conhecia o trabalho das irmãs pelo "Dead Hook in A Trunk", pelo que tinha uma certa expectativa em relação a este. Posso desde já adiantar que, American Mary, apresenta-se como uma película bastante inovadora e com uma visão claramente requintada, sombria e particular, não estando, no entanto, isento de algumas falhas.

O filme conta a história de Mary (Katherine Isabelle), uma promissora e talentosa estudante de medicina, que é vista pelo seu professor (David Lovgren) como capaz de se tornar das melhores cirurgiãs do país. Por esse facto, é constantemente pressionada por este. Só que, estando coberta de dívidas, Mary decide trabalhar como stripper num clube nocturno. Porém, é confrontada com outras opções, pelo que começa a prestar serviços médicos clandestinamente, e entra no meio das cirurgias de modificação corporal clandestinas e bizarras. Tudo corre bem, até que o inesperado acontece...

A premissa, com algumas diferenças óbvias posteriores de execução, faz muito lembrar Excision. Só que American Mary consegue ser melhor, em termos globais. É de destacar, o carácter criativo e inovador trazido pelas irmãs Soska, que com certeza se consolidarão ainda mais dentro do género. Achei o filme único: apesar de efectivamente sádico e sangrento, tem uma vertente psicológica de tensão crescente e de vingança bastante acentuada, que torna inevitável não estabelecermos uma ligação com a personagem. Seguimos intimamente a sua jornada, questionando mesmo a nós próprios, moralmente, como agiríamos. É, sem dúvida, muito interessante de se acompanhar, porque somos levados a um mundo novo, embebido pelo ambiente cibernáutico e estranho, ao mesmo tempo que assistimos ao decair emocional de Mary. Porque verdade seja dita, a premissa não é super original. Mas a sua inserção no universo das modificações corporais, e o aspecto psicológico que referi, é o que o tornam, de facto, original. Há cenas incrivelmente bizarras e assustadoras, mas sempre com um toque de subtileza que as torna muito mais eficazes. Ouso mesmo dizer que, cenas assim tão bem filmadas que roçam tamanha perfeição, quase que parece que foram estudadas "cirurgicamente". Não é o "gore" que assusta neste filme; é mesmo este carácter "cirúrgico" do filme, de uma execução bastante inteligente mesmo. É um filme bastante visual, mas que não troca a consistência da história pela violência exacerbada. Pena é que, por vezes, o filme tende a perder o ritmo, focando-se em situações de pouca relevância. E o final é, na minha opinião, ligeiramente apressado.

É obrigatório referir nesta crítica o excelente desempenho de Katharine Isabelle. A actriz consegue conferir uma multi-dimensionalidade à sua personagem, que é de louvar e extremamente interessante de assistir. Com certeza que é dos pontos altos do filme, pois a sua interpretação é bastante sólida ao longo do filme. Em relação a David Lovgren, proporciona uma performance bastante banal e pouco memorável. Poderá ser pelo facto de estar envolto de personagens do mais extravagante que há, mas mesmo assim, não foi propriamente positivo. Gostei imenso da cameo das irmãs Soska, que estão absolutamente sádicas.

No todo, American Mary assume-se como um filme bastante bom e cativante. É assustadoramente belo e detém todos os elementos essenciais para esse efeito: excelente ambiente (sombrio e "plástico"), personagens completamente diferentes e extravagantes (sem exagerar nos estereótipos desse submundo), grande banda sonora,. Só não é excelente devido a alguns altos e baixos. Enfim, o filme não decepciona, pelo que não poderia deixar de recomendar.


EXAME

Realização: 9/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 7/10

Média global: 7.6/10

Crítica feita por Sarah Queiroz


Informação

Título em português: American Mary
Título original: American Mary
Ano: 2012
Realização: The Soska Sisters
Actores: Katharine Isabelle, Antonio Cupo, Tristan Risk, David Lovgren

Trailer do filme:

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