Depois do Cinema

Captain America: The First Avenger (2011)

By Jota Queiroz - segunda-feira, dezembro 03, 2012

Próxima paragem: Os Vingadores.

Gosto deste herói. É um facto que ele não tem super-poderes per se – tem agilidade, reflexos, velocidade e força em níveis aumentados; não tem a força de um Hulk ou de um Thor, ou a agilidade do Homem-Aranha mas é um super-herói que gostamos facilmente. OK, talvez as suas origens na Segunda Guerra Mundial aumentem o seu charme. Enfim, já estou a divagar: o caminho rumo a The Avengers, o filme que era mais esperado para este ano, terminava com a película Captain America – The First Avenger. Começava com um magnífico Iron Man  e competente The Incredible Hulk de 2008, passando por um menos fantástico Iron Man 2 em 2010, e voltando de novo em 2011 com Thor. Passado alguns meses após a estreia do deus do trovão, a Marvel lançou o filme merecido daquele que foi o primeiro super-herói.
O filme é passado durante a Segunda Guerra Mundial, e conta-nos a história de Steve Rogers (Chris Evans), um homem franzino que deseja alistar-se no exército. No entanto, a sua estatura e saúde impedem-no de realizar tal desejo. É então que aparece Dr.Erskine (Stanley Tucci), um cientista que desenvolveu o Soro do Super-Soldado,  projectado para criar um exército de seres humanos cuja superioridade física ajudaria na vitória da 2ª Guerra Mundial. O cientista oferece a Rogers a oportunidade de participar no seu projecto para criar um "supersoldado". Durante a experiência, a injecção de um soro e radiações possibilita a transformação de Rogers, melhorando em todos os aspectos possíveis e tornando-se assim o Capitão América. O seu objectivo é ajudar na guerra, tendo como principal missão deter o Red Skull (Hugo Weaving), líder da H.I.D.R.A, uma organização científica que pretende utilizar um dispositivo -Tesseract- como fonte de energia para dominar o mundo.

Primeiro que tudo devo dizer que, de uma maneira geral, gostei da longa-metragem. A nível de argumento, não temos aqui nada de extraordinário, mas é competente. Tem é algumas falhas que poderiam ter sido evitadas e momentos que simplesmente não deveriam existir, que mencionarei mais à frente; mas primeiro falemos de coisas boas. Achei que foi uma lufada de ar fresco termos um filme de um super-herói cujo o ambiente não era uma cidade com arranha-céus recheado de agentes da S.H.I.E.L.D ou afins. Não parece, na sua essência, um filme de super-heróis convencional. A fantástica fotografia de Shelly Johnson e todo o retro vibe do filme influenciam para isso. Parece então que temos uma história mais independente e que pode ser explorada devidamente. Nesse sentido, o realizador Joe Johnston acertou, pois temos um bom background da personagem principal e à qual nos conseguimos identificar. Um outro ganho do realizador é que este explorou a aventura ao invés da acção, fazendo lembrar uma aventura inspirada no clássico Indiana Jones – contudo, acho que a inserção de algumas cenas mais épicas, ao estilo dos bons filmes da 2ª Guerra Mundial, elevava a película. Existem sequências de acção, claro, mas falta-lhes o tal carácter mais dramático e épico. Este filme é na sua essência uma aventura emotiva, em que o amadurecimento de Steve Rogers em Capitão América está muito bem conseguido.

Sinto-me é dividida em relação à inclusão do “quase” romance entre Peggy Carter e Steve Rogers neste filme. Por um lado, acho que era desnecessário incluir o romance para uma personagem que acabaria por ficar “inactivo” durante décadas. Por outro lado, e como foi mesmo inserido o interesse romântico, tal deveria ser melhor explorado – talvez para expandir a componente sentimental. O mesmo se aplica à amizade entre Rogers e Bucky, sendo essa relação importante e mesmo Bucky é um elemento central na história do Capitão América. O realizador errou nesses dois aspectos, pois creio que tudo se desenvolve muito rápido (um erro comum da Marvel). Outro aspecto que acaba por desiludir é a conclusão; temos aqui um clímax que deixa muito a desejar, nomeadamente um confronto decente entre o Capitão América e o Red Skull. Contudo, temos uns últimos minutos que nos deixam com apetite para The Avengers. A contextualização da inclusão do Capitão América para esse filme é feita e, tal como outros filmes da Marvel, existem diversos aspectos que nos elucidam para o universo da Marvel.

Relativamente a performances, temos aqui grandes nomes como Tommy Lee Jones, Stanley Tucci e Hugo Weaving como o terrível Red Skull. Estes três constituem o grande elenco secundário e com interpretações satisfatórias por de trás de Chris Evans, que interpreta o Capitão América. Este está muito bem, melhor do que no péssimo Fantastic 4. Achei que a tecnologia utilizada para deixar o actor mais franzino está óptima, e, estereotipando ou não, creio que se coaduna mesmo com a personalidade mais tímida e frágil da personagem Steve Rogers, que se mantém igual mesmo depois de se tornar um "supersoldado".

Em síntese,se Captain America: The First Avenger ganha pela sua integridade, pelas introduções à origem do Tesseract e H.Y.D.R.A e não ter ligação com os Vingadores em demasia. É assim que se deve contar uma história, dando os elementos necessários para o espectador ligar; no entanto, o filme peca por um segundo e terceiro actos a "querer despachar", ao lançar uma narrativa que, apesar de coerente, poderia ser melhor explorada- acabando por parecer apenas uma paragem do comboio com destino a The Avengers. Mas é um bom filme, não me interpretem mal - é competente enquanto blockbuster de aventura e acção, com um interessante retro vibe e actuações sólidas.


EXAME

Realização: 7.5/10

Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Efeitos/Fotografia: 8/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 7.4/10

Crítica feita por Joana Queiroz

Informação


Título em português : Capitão América: O Primeiro Vingador

Título Original: Captain America: The First Avenger
Ano: 2011
Realização: Joe Johnston 
Actores:  Chris Evans, Tommy Lee Jones, Hugo Weaving, Sebastian Stan, Dominic Cooper, Stanley Tucci.

Trailer:

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X-Men: First Class (2011)

By Rodrigo Mourão - domingo, dezembro 02, 2012

O renascimento quase perfeito de um franchise...

Não sou um grande conhecedor dos super-heróis de banda desenhada, nem posso dizer que os X-men sejam os meus favoritos, mas a verdade é que segui a saga toda de filmes e , tirando o que saiu em 2009 sobre a origem do Wolverine, nem desgostei muito dos mesmos. Achei que já estava na altura de ver esta prequela que saiu o ano passado e tenho que ser sincero: para mim, este é o melhor filme de X-Men já feito!

Como não podia deixar de ser, a história foca-se na origem de Erik Lensherr (Michael Fassbender) e Charles Xavier (James McAvoy), que mais tarde viriam a ser conhecidos como os líderes mutantes Magneto e Professor Xavier. O palco são os anos 60, em plena Guerra Fria. O mutante Sebastian Shaw (Kevin Bacon) decide iniciar uma guerra nuclear que leve os humanos à auto-extinção, deixando espaço para uma nova raça superior governar. Ao descobrir parte destes planos e a existência de alguns mutantes, a agente da CIA Moira MacTaggert (Rose Byrne) volta-se para Charles Xavier (especialista em mutação genética) para os ajudar. Xavier procurará novos mutantes para impedir Shaw, o que o fará travar conhecimento com Erik, que também tem assuntos a resolver com o vilão. Os dois tornam-se amigos, mas aquilo que começa por ser uma aliança, poderá levar, no fim, a uma rivalidade por pontos de vista diferentes quanto ao destino dos mutantes numa sociedade de opressão dominada pelos humanos.

Gostei muito das personagens e achei que estavam muito bem desenvolvidas, tendo em conta que muitas não sobrevivem ou não aparecem nos filmes seguintes (sei que há pessoas que dizem que este filme se focou nos X-Men mais chatos, mas visto que era uma história de origem, presumo que não houvesse muitos mais caminhos a ter em conta... e a verdade é que o trabalho ficou bem feito). Não só se vê aqui um argumento competente neste ponto, mas também boas opções de casting, pois todos os actores estão perfeitamente à vontade nos seus papéis. Mais uma vez, Michael Fassbender dá-nos uma interpretação genial como o vingativo Erik (adorei a cena do bar na Argentina, onde ele começa a sua vingança); Jennifer Lawrence está bastante bem como Raven/Mystique, tendo mesmo as características de uma adolescente; Kevin Bacon dá-nos um grande vilão como Sebastian Shaw, pois este apenas se limita a mexer as peças (neste caso a pôr os americanos contra os russos, para que os mutantes possam prosperar) e a apreciar o espectáculo, sendo um oportunista que finge estar de todos os lados. James McAvoy também está bastante bem como Xavier, mas não teve nenhum "momento espectacular" que possa apontar. É também de mestre o facto de Erik, enquanto judeu, ter sido desprezado pelos nazi e agora, enquanto mutante, volta a ser desprezado pela raça humana em bloco. Sem dúvida que dá uma explicação bastante inteligente e trágica para as suas motivações.

As cenas de acção estão muitíssimo bem coreografadas e os planos estão bastante bem enquadrados. É mesmo puro entretenimento, com o ponto positivo de estar ao serviço de uma história interessante. Da mesma forma, os efeitos visuais estão bastante bons. A complementar tudo isto está a banda sonora de Henry Jackman, que é bastante boa, coisa que não esperava. Temos desde músicas calmas, até músicas brutais (o tema do Erik tem uma potência que retrata muito bem a fúria que a personagem sente), passando pela música "mais épica" do final.

A história tem muita substância e impressiona-me o quanto conseguiram contar num filme sem esta parecer artificial. Acho que a escolha da "Crise dos Misseis Cubanos" como pano-de-fundo foi bastante inteligente não só para suportar o plano do mau-da-fita, mas também para permitir algum «estilo de espionagem» no filme e , mais importante, dar a este uma base sólida e realista. Até gostei do pormenor da cena inicial do filme ser a mesma (ainda que regravada) da do primeiro X-Men, o que estabelece um certo equilíbrio desta fita dentro do universo dos outros filmes. A isto se juntam uns cameos breves mas bastante interessantes, como o de Hugh Jackman como Logan/Wolwerine (só uma coisa, não era suposto ele ser uma criança nos anos 60?). A evolução do enredo está boa e o clímax compensa imenso, pois estamos muito investidos.  No entanto, acho que a personagem da Mystique tinha muito potencial e foi mal abordada, na medida em que a sua relação com o Beast é muito apressada e sem grande contribuição e que o seu tempo de ecrã com Erik, apesar muito bom e de ajudar a compreender a sua decisão de ficar com ele, devia ter sido melhor explorada. É que, no final do filme, ela aceita ir com Magneto e deixar Xavier (quando ela e Xavier eram como irmãos) e o último aceita tudo sem pôr nenhum oposição, apesar de saber os propósitos de Erik de destruir a humanidade e o facto sem importância deste ter acabado de o deixar tetraplégico!
 
Isto leva-me àqueles que considero os principais pontos negativos. O filme tenta ser coerente em muitas coisas (a começar pela cena inicial), mas depois deita tudo a perder no fim em termos de continuidade com os seus antecessores: o Magneto e o Xavier tornam-se inimigos no final do filme, mas no X-Men 3 , quando são mais velhos, vão todos amiguinhos a casa da Jean dizer-lhe que ela é uma mutante; o Xavier fica sem poder andar no final deste filme, mas na já referida cena inicial do X-Men 3 ele consegue andar; neste filme cria-se uma relação entre Beast e Mystique, mas na trilogia já feita (que se passa depois) nenhuma das personagens passa cartão à outra... Enfim, isto torna muito difícil de enquadrar esta obra no universo dos lançamentos anteriores. Não fosse o facto dos filmes anteriores já terem estabelecido certos acontecimentos, este filme seria perfeito (tirando aquilo que apontei quanto ao tratamento da personagem Mystique), pois funciona muito bem como uma prequela isolada e dá-nos vontade de ver mais.

Concluindo, apesar dos erros de continuidade e de um tratamento menos feliz de uma das personagens principais, X-Men: First Class é um filme bastante sólido, desde a história aos visuais, passando pelas personagens e , por isso, não é só entretenimento de sábado à tarde. É um filme que passa a correr (e tem 2 horas!),  mais que recomendado a qualquer fã de super-heróis e/ou filmes de acção, com a  vantagem de não se ter que ver os outros filmes para apreciar este. Graças a Deus que já está acordada uma continuação para 2014, intitulada X-Men: Days Of Future Past. Esperemos é que nessa tenham mais atenção à ligação com os outros filmes...


EXAME

Realização: 8.5/10
Actores: 8.5/10
Argumento/Enredo: 7.5/10
Duração/Conteúdo: 8/10
Efeitos/Fotografia: 7.5/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7.5/10

Média Global: 7.9/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão
 

Informação

Título em português: X-Men- O Início
Título Original: X-Men- First Class
Realização: Matthew Vaughn
Ano: 2011
Actores: Michael Fassbender, James McAvoy, Kevin Bacon, Jennifer Lawrence 
 

Trailer do filme:



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Wrath of the Titans (2012)

By Jota Queiroz - sábado, dezembro 01, 2012

Ainda não é desta.

Talvez pela franquia de jogos playstation God of War ser das minhas favoritas de todos os tempos, um filme como Wrath of the Titans, à primeira vista,  acaba por ser visto de bom grado - pois incorpora todos os elementos necessários. Mas o filme acaba mesmo por ser só isso. Tem apenas os elementos - as personagens estão lá, os cenários estão lá, os efeitos estão lá. Infelizmente, "só" falta é encaixarem essas peças num puzzle coerente que se reflicta numa boa e sólida história. Acham este facto vagamente familiar? Pois claro, o mesmo se passou com o primeiro filme Clash of the Titans. Lamento informar os leitores que esperavam um upgrade do primeiro para o segundo: Wrath of the Titans não fez a maravilha e raridade de superar o primeiro, também porque se por sistema o material já é fraco, não há muito por onde trabalhar.

Fazendo aqui um breve resumo da história: passaram dez anos após Perseu (Sam Worthington) ter derrotado o terrível Kraken e ter recusado a oferta para ocupar um lugar no Olimpo. Agora, tem um filho chamado Helius (John Bell) e vive como pescador anónimo numa vila modesta. A vida vai correndo e eis que, um dia, Zeus (Liam Neeson) visita Perseu e avisa que o Olimpo tem os dias contados, pois os Deuses estão a perder os poderes. Assim, as paredes de Tártaro ameaçam ruir, o que significa que os Titãs - inimigos dos Deuses - estão prestes a libertar-se e com sede de vingança. Assim, Perseu vê-se obrigado a lembrar-se que é um semideus e a voltar às batalhas, a fim de evitar que o mundo acabe e assegurar a sobrevivência do seu filho.

Um facto adquirido é que os efeitos especiais são soberbos, como não poderia deixar de ser - contudo, não salva a película. Para ser uma obra cinematográfica minimamente razoável tem de ter uma história sólida, ou pelo menos ter uma história. O segundo filme simplesmente não tem argumento, ponto final parágrafo. Ao menos ainda podemos dizer que Clash of the Titans tinha, por mais incoerente que fosse. Acontece que este Wrath of the Titans nem um argumento per se, bem estruturado, tem. Não há uma estrutura narrativa sólida e bem definida, tudo acontece porque sim.  E aqui é onde me zango severamente, pois este é um exemplo daquele tipo de filmes que me irrita imenso. Tem tanto, tanto, mas tanto potencial; bastava ser melhor pensado e sem pressa, poderia seria incrível. Acho é que o argumento deveria ser encarado de outra maneira: melhor estruturado, melhor trabalhado, mais interessante. Aqui não posso deixar de comparar à saga God of War, pois esse jogo sim tem uma história de chorar por mais e com um princípio, meio e fim. God of War tem uma narrativa sólida e explosiva, e era o que se pedia aqui nesta Fúria de Titãs.

Já referi anteriormente que os efeitos são de topo e volto a sublinhar esse facto. Todos os cenários são de encher a vista. Destaco Chronos, que há semelhança do Kraken do primeiro filme, está muitíssimo bem feito. Chronos é tudo o que eu imaginava num possível filme do jogo God of War. Para quem não sabe, Chronos é um dos titãs que Kratos (o protagonista do jogo) luta, e é um dos melhores bosses para derrotar. E, no filme, proporciona excelentes momentos de acção. Contudo, considero que o último acto de Wrath of the Titans acaba por desiludir, foi tudo muito rápido.
Outro aspecto que devo referir é que me desiludi um pouco com os deuses Ares e Poseidon - imaginava-os mais "imponentes". Mas a conceptualização das personagens de uma maneira geral melhorou relativamente ao primeiro, aqui encontram-se melhor caracterizadas. Porém, e isso já tem a ver com falhas estruturais da história, as personagens não são devidamente bem exploradas. Falta aqui uma boa dose de profundidade e carisma.
Relativamente a interpretações de actores... o que se pode dizer? Sam Worthington demonstra mais uma vez a sua falta de vulnerabilidade e veste aqui a pele de Sam Worthington (and please, lose the hair!). Ralph Fiennes e Liam Neeson, dois grandes nomes, até que acrescentam algo a esta obra, mas nada de mais.

Para concluir, e à semelhança da minha análise do filme anterior, devo dizer que não é "crap of the titans" ou, neste caso, "wreck of the titans", mas desilude. Fica um pedido desesperado de alguém que não gosta de ver sagas mitológicas desperdiçadas e sem coerência alguma: Peter Jackson, quando acabares a trilogia The Hobbit começa a pensar num possível God of War.


EXAME

Realização: 5/10
Actores: 6/10
Argumento/Enredo: 3/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Efeitos/Fotografia: 9/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10


Média Global: 5/10

Crítica feita por Joana Queiroz



Informação


Título em português: Fúria de Titãs 2
Título Original: Wrath of the Titans
Realização: Jonathan Liebesman
Ano: 2012
Actores: Sam Worthington, Ralph Fiennes , Liam Neeson, Rosamund Pike

Trailer do filme:





VER TAMBÉM:

Clash of the Titans (2010), por Joana Queiroz
Photobucket


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The Walking Dead - 03X06 "Hounded"

By Sarah - domingo, novembro 25, 2012
The Walking Dead : 03X06 -Hounded



Não há dúvidas que a 3ª temporada de The Walking Dead tem sido qualquer coisa de fantástica. No entanto, "Hounded" consegue ser o primeiro episódio que, embora bom, não apresenta elementos tão fortes como os episódios anteriores. Não me interpretem mal: o 6º episódio da série foi perfeito em termos de build-up. Por um lado, tivemos Rick a lidar com a perda de Lori, por outro, tivemos Michonne, Merle, Glenn e Maggie a provocar momentos de tensão... Contudo o episódio serviu essencialmente para nos preparar para o inevitável choque entre Rick Grimes e o Governador, não se destacando como os outros, mas também sem desiludir.

                                            

Como pontos altos, e como já referi acima, vimos Rick a lidar com a morte de Lori (finalmente descobrimos que o telefone era uma paranóia de Rick, o que foi ligeiramente anti-climático, na minha opinião) e a sua evolução ao longo do episódio que culmina na aceitação da sua filha. Sinceramente já era altura, não ia gostar particularmente que o luto de Rick durasse mais episódios. É claro que se irá fazer sentir durante a temporada toda, mas prefiro que seja abordada em termos de motivar Rick a avançar em frente, tendo agora uma bebé para se preocupar. Também gostei, ainda neste aspecto, que tivesse sido dado a Carl um momento de antena, em relação ao que aconteceu a Lori. Isto porque foi um evento completamente traumático, e centrar essa atenção em Rick não estaria a ser propriamente razoável. É que se formos a ver, foi Carl quem matou Lori, e com certeza que mais traumático que isso deve ser impossível. Assim, o diálogo entre Daryl e Carl foi uma boa "terapia", embora considere que este ponto devesse ser mais explorado no futuro. 










Outra cena particularmente emocionante foi, sem dúvida, quando Merle persegue Michonne, somos mesmo deparados com dois ou três "holy sh*t moments". Mas ainda bem que Merle Dixon teve direito a alguma acção neste episódio, porque foi de cortar a tensão com uma faca. De realçar o excelente trabalho por parte do actor Michael Rooker, porque consegue ser do mais imprevisível que há. É que enquanto já sabíamos que Merle não era propriamente flor que se cheirasse, em "Hounded" consegue densificar completamente essa acepção. Devo referir que achei curioso Michonne ter ficado surpreendida com o facto de que cobrir-se em tripas tornaria-a imune aos zombies, quando no início da temporada andava com dois atrelados com o mesmo intuito. E apesar de estar a achar imensamente interessante esta personagem, que é uma verdadeira lufada de ar fresco à serie, penso que já era tempo de nos darem mais informações sobre ela, tendo em vista possibilitar alguma conexão com a personagem sem ser o facto de achá-la completamente "badass".

Em relação ao Governador, penso que este último episódio foi um bocado vazio em termos de conteúdo, visto que não fez outra coisa sem ser andar às beijocas e afins a Andrea.


Em suma, Hounded caracteriza-se essencialmente pelo "acalmar" dos últimos eventos, sendo particularmente bom em questões de desenvolvimento de algumas personagens, apesar de continuar a falhar noutras. É imprevisivelmente entusiasmante, e não tenho dúvidas que a qualidade ainda irá aumentar muito mais. Embora tenha sido um episódio mais calmo, foi bom no sentido em que "organizou" as coisas, e foi perfeito no sentido de ser um "episódio-ponte".


Mal posso esperar pelo sétimo episódio. E vocês, o que acharam do 6º episódio da série?


por Sarah Queiroz
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Aristides de Sousa Mendes - O Cônsul de Bordéus (2012)

By Rodrigo Mourão - sábado, novembro 24, 2012

O Schindler português não foi "Schindler" nenhum no cinema...
O cinema português parece estar sempre impregnado com os mesmos estereótipos: filmes com sexo, sem conteúdo ou em que o único conteúdo é, claro está- sexo! Nestes tempos de dificuldade financeira, ainda mais difícil fica para o tímido cinema português se conseguir financiar. Mas de vez em quando lá surgem filmes que tentam passar uma mensagem, ser rigorosos no plano técnico ou, como é o caso deste, homenagear o nosso país através de uma das pessoas mais altruístas que já existiu mas que, infelizmente, continua a não receber a devida consideração de muitos. Mas se o filme é feito com boa intenção, deixa muito a desejar na sua concretização...


Como não podia deixar de ser, o filme retrata (ou pelo menos devia retratar) Aristides de Sousa Mendes, um homem de convicções que salvou 30 mil vidas durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo 10 mil judeus. Como cônsul geral português na cidade de Bordéus, em França, emitiu vistos para entrada em Portugal a todos os refugiados, sem olhar a nacionalidade, raça, religião ou opiniões políticas. Dessa forma, desafiou as ordens directas do governo de Salazar e foi condenado à pobreza e ao esquecimento.

Até me custam as próxima linhas que tenho que escrever, mas cá vai disto... Começando pela história, esta é daquelas típicas, contada na perspectiva de um refugiado, neste caso um rapaz judeu (ah, que nasceu na Polónia, mas que afinal vivia noutro país quando nos mostram a história dele, falava português, foi para Bordéus e depois foi para Caracas tornando-se espanhol! Perceberam?) chamado Aaron Appelman (João Monteiro). Qual o problema disto? Uma personagem que deveria ser secundária passa a ser o centro da acção e tudo o que queremos ver sobre Aristides (que deveria ser o protagonista pelo nome do filme) e sobre a situação de guerra, tem que ser filtrado pelos olhos do rapaz... Como podem perceber, isto faz com que as acções de Aristides (e a sua evolução) não sejam representadas de forma desenvolvida e tudo pareça um pouco artificial. Neste cocktail de coisas que não lembram ao senhor, cai do céu a personagem de São José Correia, que desaparece tão depressa como apareceu (nos filmes portugueses tem sempre que haver uma moça gira, não é? Nem que seja por 5 segundos...)
Querem que vá mais aos pormenores? Não deixa de ser interessantíssimo que em Bordéus toda a gente fale português, nas mensagens de telefonia/ rádio se fale francês e inglês (neste ponto, deve ser a única parte coerente do filme) e, naquele que é o maior mistério do filme, num posto fronteiriço França-Espanha os guardas falem ambos português e , no outro, um fale Portunhol e o outro não abra o bico (deve ser mudo, coitado...).

Bem, mas tentemos passar às coisas «boas». Os actores não estão espectaculares (confesso que a Leonor Seixas me estava a irritar um bocado, parecia que não sabia o texto nem transmitir emoções), mas os principais até estão bastante bem. Vítor Norte dá-nos um Aristides sólido (quando aparece...), com uma atitude meio arrogante que lhe era própria, mas que é utilizada de maneira brilhante para construir os pontos cómicos do filme, sem nunca chegar ao ridículo. Joaquim Nicolau assiste muito bem Vítor Norte como Seabra, trabalhador do consulado, havendo bons momentos entre os dois. Carlos Paulo também nos dá uma boa performance como Chaím Kruger, um rabino que albergava refugiados na sinagoga de Bordéus. Enfim, as cenas de Aristides (quando as há) são boas, mas a boa performance de Vítor Norte é afectada pelas limitações que são impostas pelo guião à sua personagem, que devia ser o motor da história...

No plano técnico o filme é competente: tem uma agradável fotografia digna de cinema europeu, assim como planos de câmara bem enquadrados.
A banda sonora, a cargo do belga Henri Seroka, é bastante interessante e bonita (e tem uma forma bastante curiosa de se ligar com o filme), ao nível de algumas do género que se fazem noutros filmes lá fora.

Enfim, este é daqueles filmes que nos desiludem pela grande expectativa que criam, não passando esta fita de uma homenagem superficial e tímida à grande figura que foi Aristides de Sousa Mendes (é que nem mostram a sua vida até ao fim e eu queria vê-lo a confrontar o governo de Salazar em Lisboa e a viver na miséria, ou seja, a sofrer as consequências), que decerto merecia bem mais. Ao menos, no plano técnico, demonstra uma vontade de evolução do cinema português, o que é sempre bem-vindo...


EXAME

Realização: 6.5/10
Actores: 6.5/10
Argumento/Enredo: 5/10
Duração/Conteúdo: 5/10
Banda Sonora: 7.5/10
Efeitos/Fotografia: 7.5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 5/10


Média Global: 6.1/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão


Informação

Título em português: Aristides de Sousa Mendes- O Cônsul de Bordéus
Título original: Aristides de Sousa Mendes- O Cônsul de Bordéus
Ano: 2011 (estreia pública mundial no ano de 2012)
Realização: João Correia e Francisco Manso
Actores: Vítor Norte, Carlos Paulo e João Monteiro

Trailer do filme:


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Antevisão - Os mais esperados para 2013

By Jota Queiroz - sexta-feira, novembro 23, 2012

O ano de 2013 reserva boas produções cinematográficas. Estes são quinze filmes de muitos que aguardo com alguma expectativa:



Django Unchained
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Qualquer filme de Quentin Tarantino promete marcar impacto. Django Unchained é um western com um elenco de luxo, contando com nomes como Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Christoph Waltz e Jamie Foxx. Tem data de estreia em Portugal a 24 de Janeiro de 2013.



 Warm Bodies
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Warm Bodies é uma comédia zombie de Jonathan Levine que conta com Nichoals Hoult como protagonista. A história centra-se num zombie que inicia uma relação de amizade com a namorada de uma das suas vítimas. Será que é um twilight de zombies? Veremos. Tem estreia nacional prevista para o dia 7 de Fevereiro de 2013.



Oz the Great and The Powerful
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Mila Kunis, James Franco, Michelle Williams e Rachel Weiz reúnem-se neste tão esperado filme de fantasia, que nos conta a história de como mediático feiticeiro do Oz descobriu a terra de que se tornou governante. Com data de estreia em Portugal prevista para dia 7 de Março de 2013.


The Host
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The Host vai ser realizado pelo grande Andrew Niccol e protagonizado por Saiorse Ronan. A história do filme é baseada no livro com o mesmo nome da autora da saga Twilight, Stephanie Meyer. É um filme de ficção científica que retrata com algum romance uma invasão alienígena. Estreia em Portugal a 28 de Março de 2013.



Iron Man 3
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Gostámos do primeiro, adorámos o segundo e, como não poderia deixar de ser, desesperamos pelo terceiro. Robert Downey Jr. volta a vestir a pele de Tony Stark, que vai conhecer um inimigo que não tem limites. Com data de estreia prevista para 3 de Maio de 2013 nos EUA, ainda sem data marcada para Portugal.



Star Trek Into Darkness
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Sequela do filme de 2009, este filme promete. Pouco se sabe da história, mas é sabido que Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana e Simon Pegg vão voltar. Tem data prevista de estreia nos EUA a 17 de Maio de 2013, sem data definida para Portugal.



Man of Steel
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Eis um Superman que me parece de jeito, após a tentativa falhada de 2006. Kevin Costner (Jonathan Kent), Diane Lane (Martha Kent), Amy Adams (Lois Lane), Michael Shannon (General Zod), Russell Crowe (Jor-El) e Antje Traue (Faora) estão confirmados no elenco. Com data prevista de estreia em Portugal a 13 de Junho de 2013.



World War Z
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Guerra Mundial entre humanos e zombies + Brad Pitt? Está ganho, é oficialmente dos filmes mais esperados para 2013. E a Paramount Pictures quer transformar World War Z numa trilogia. Mas para já o primeiro tem data marcada para 21 de Junho de 2013 nos EUA, ainda sem data definida para Portugal.


Despicable me 2 
 


É a sequela do filme de 2010, Despicable Me, que será realizada novamente por Pierre Coffin e Chris Renaud. Steve Carell, Russell Brand, Miranda Cosgrove e Kristen Wiig vão voltar aos seus papéis. Tem data de estreia em Portugal a 4 de Julho de 2013.



The Lone Ranger
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É um western realizado por Gore Verbinski, baseada numa série dos anos 50 cinquenta. O filme com ambiente de velho oeste é protagonizado por Armie Hammer e Johnny Depp, que interpretam The Lone Ranger e Tonto respectivamente. Tem data prevista de estreia em Portugal a 11 de Julho de 2013.


Wolverine
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A sequela de X-Men Origins - Wolverine, apresenta-nos um Wolverine musculado que procura respostas para as várias perguntas do seu passado, no Japão. A estreia nacional está marcada para 25 de Julho de 2013.


Mortal Instruments: City of Bones
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A adaptação cinematográfica de "Mortal Instruments", uma famosa série literária da autora Cassandra Clare, vai chegar aos cinemas. O primeiro livro é "City of Bones";  Lily Collins vai ser a protagonista que terá de lutar contra demónios para manter a salvo a raça humana. Estreia em Portugal a 29 de Agosto de 2013.



Carrie
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Carrie constitui um remake do filme de 1976 com o mesmo nome. Como protagonistas temos Chloë Moretz e Juliane Moore que interpretará a mãe de Carrie. Kimberly Pierce é a realizadora desta nova adaptação cinematográfica do homónimo livro de Stephen King,



Thor: The Dark World
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Após o filme de 2010, vimos Thor em 2012 com os Avengers. Mas nós queremos é a sequela do primeiro! E vamos tê-la para o ano, com Chris Hemsworth a lutar contra dark elves. Estreia a 8 de Novembro de 2013 nos EUA, ainda sem data marcada para Portugal.


Before Midnight
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Before Midnight constitui o terceiro e último filme realizado por Richard Linklater que reúne novamente as mediáticas personagens Jesse e Celine, interpretados por Ethan Hawke e Julie Delpy. Ainda sem data prevista para Portugal.



 E ainda:

The Hunger Games: Catching Fire
The Hobbit: The Desolation of Smaug
Hitchcock
Hensel and Gretel
Paranormal Activity 5
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por Joana Queiroz
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End of Watch - Fim de Turno (2012)

By Jota Queiroz - quinta-feira, novembro 22, 2012

Mixórdia de acção policial com shaky camera.

Vi o poster, li o titúlo e pensei: mais um filme com a mesma temática de sempre. Bom caros leitores, eis que me enganei. End of Watch – Fim de Turno acabou por ser uma agradável surpresa. Este filme é o novo drama realizado por David Ayer e é protagonizado por Jake Gyllenhaal e Michael Peña. Para completar o elenco temos Anna Kendrick, Cody Horn, America Ferrera e Frank Grillo. O uso de shaky camera é algo que já é bastante utilizado, especialmente em franquias de terror de sucesso (por exemplo, Paranormal Activity). Neste sentido, mais tarde ou mais cedo este subgénero iria migrar para outros géneros sem ser o terror, tal como a comédia Project X e agora este policial de David Ayer.
O filme acompanha uma dupla de polícias de Los Angeles que estabelecem uma amizade profunda, Brian Taylor (Jake Gyllenhaal) e Mike Zavala (Michael Peña). Acontece que as ruas de Newton em LA são zonas muito violentas. Durante uma acção de patrulha de rotina os dois polícias confiscam uma pequena quantidade de dinheiro e armas, acabando por ficar marcados para morrer por um perigoso gangue.

Os elementos presentes nesta película, tanto a nível de enredo como de personagens, fazem lembrar inevitavelmente Training Day – igualmente realizado por David Ayer. Contudo, creio que a End of Watch falta mais consistência, havendo mesmo ausência de uma trama melhor delineada. Criam-se algumas expectativas relativamente a situações vivenciadas pelas personagens que acabam no vazio (ex.:tráfico humano), o que poderia ser algo bastante interessante e inovador.

Todo o filme mistura o género found-footage com cinematografia convencional. O que pode ser óptimo, não há dúvida, pois o tom documental contribui para a criação de tensão. Contudo, uma falta de planeamento na condução da câmera e um exagero no uso desse estilo acaba por, na minha opinião, prejudicar o filme.  É verdade que o realizador desenvolve algo que nos insere directamente na acção e cria tensão nas diversas situações, mas poderão dar alguma enxaqueca - o que compromete a compreensão total de algumas situações expostas, por serem visualmente confusas.  Outro aspecto é que este estilo documental acaba por perder o seu propósito, pois a início era fundamentado pela ideia que o polícia Taylor tinha para um projecto (sendo então a held camera e as mini-câmeras) mas depressa existem outras fontes, o que contribui mais para a confusão.

Contudo, o realizador acerta em cheio no desenvolvimento das duas personagens principais. Neste filme, não temos o cliché de polícia inexperiente + veterano, mas sim dois equivalentes: uma parceria, onde a cumplicidade e a confiança estão bem patentes na relação. Isto tudo resulta também porque os dois actores que os interpretam – Jake Gyllenhaal e Michael Peña – têm uma excelente dinâmica. A troca de diálogos dentro do carro-patrulha são preciosos, demonstrando não só a personalidade de cada polícia mas também o quão profunda é a sua amizade. Os actores mostram uma grande naturalidade, sugerindo material improvisado. Foi na aposta nesta dinâmica aliada ao desenvolvimento das personagens que as cenas de maior tensão passaram a funcionar a 100% - quando as personagens se tornam reais para o espectador, começam realmente a importar. Mesmo que essas cenas estejam por vezes exageradas pelo estilo de câmera como anteriormente referido, estão muito bem conseguidas pois o realizador constrói a tensão com bastante sapiência. De realçar que nesses momentos até é empregue a câmera em primeira pessoa, fazendo lembrar um live-action do FPS Call of Duty.
O realizador também acerta na dose de emoção e intensidade no final do filme, ainda que na minha opinião é um pouco rápido e previsível, chegando a fugir da proposta mais realista – mas é um facto que ficamos nervosos com o destino das personagens.

Como disse anteriormente, End of Watch foi sem dúvida uma surpresa muito agradável, apesar de não estar isento de falhas. Não é inovador, mas não é esse o objectivo da longa – cumpre os requisitos e retrata os conflitos existentes na realidade com veracidade e sapiência, com uma história de amizade profunda como background. Recomendado para quem queira ser inserido directamente dentro da acção.


EXAME

Realização: 7/10

Actores: 9/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 7.4/10

Crítica feita por Joana Queiroz

Informação


Título em português : Fim de Turno

Título Original: End of Watch
Ano: 2012
Realização: David Ayer 
Actores:   Jake Gyllenhaal, Michael Peña, Anna Kendrick, America Ferrera

Trailer:

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TOP 5 Melhores Filmes - Ethan Hawke

By Jota Queiroz - terça-feira, novembro 20, 2012
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Ethan Hawke é tudo: realizador, escritor e actor. Hawke era um actor muito subestimado, mas depressa mostrou ao público do que realmente é feito. É dos meus actores favoritos e já vi imensos filmes dele, portanto decidir os cinco melhores é um pouco complicado (ainda para mais ele está cá para durar e decerto irá interpretar algum filme que mereça estar aqui). Deste modo, apresento-vos os cinco filmes que, a meu ver, são os melhores em que Ethan Hawke entrou.


5. Daybreakers (2009)

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Algumas reacções serão caracterizadas por gritos de horror, ao verificarem que este título está num TOP Ethan Hawke. Pois bem, não é sem dúvida o melhor filme de todos os tempos, mas é um bom filme na mesma e que conta com um sólido Ethan Hawke a interpretar um vampiro, mesmo que maquilhado se pareça com um Edward Cullen.



4. Before Sunset (2004)

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Ler crítica aqui

Before Sunset, é a sequela do melhor romance dos anos 90, Before Sunrise. Como principal diferença deste temos o facto de ser mais técnico e as personagens estão mais maduras. Ethan Hawke tem uma performance muito natural e fluida, a química que tem com Julie Delpy é um assombro.


3. Gattaca (1997)

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Ler crítica aqui

Gattaca é um dos melhores e mais interessantes filmes de sci fi dos anos 90, um dos meus filmes favoritos de sempre e aborda temáticas muito interessantes. Ethan Hawke interpreta o papel de Vincent Freeman, que se torna Jerome para poder alcançar o seu sonho de ser astronauta. O actor está verdadeiramente fantástico!


2. Before Sunrise (1995)

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Ler crítica aqui

Citando as palavras do próprio Ethan Hawke, Before Sunrise é um "romance para realistas".  É um filme que representa a verdadeira essência do amor, sem precisar de clichés ou pretensiosismos sem nexo típicos de Hollywood. Ethan Hawke interpreta o jovem Jesse, e a sua performance impressiona e ganha pela sua simplicidade.


1. Training Day (2001)

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Training Day é capaz de ser o filme que nos presenteia a melhor performance de Hawke, recebendo uma nomeação aos Óscares. Ethan Hawke desempenhou o papel do polícia Jake Hoyt, ao lado do actor Denzel Washington. Training Day foi realizado pelo mesmo realizador de End of Watch - Fim de Turno, e percebe-se a inspiração do primeiro para o segundo. 



Honorable mentions: 
Before the Evil Knows Your're Dead (2007)
Lord of War (2005)
Great Expectations (1998)
Reality Bites (1994)
White Fang (1991)
Dead Poets Society (1989)


VER TAMBÉM:

Sinister (2012), por Sarah Queiroz
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E vocês, o que acham ? Partilhem connosco a vossa opinião!

por Joana Queiroz
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Before Sunset - Antes do Pôr-do-Sol (2004)

By Jota Queiroz - segunda-feira, novembro 19, 2012

A mais esperada sequela do romance desprovido de clichés.
Eis que, após o amanhecer, chega o pôr-do-sol. Before Sunset é a sequela de Before Sunrise e passa-se nove anos depois do primeiro, em 2004, o tempo exacto em que os personagens passam longe um do outro. Before Sunset continua a relatar a história de Jessie e Celine. Nove anos depois daquele amanhecer em Viena, em que era suposto encontrarem-se mas tal não aconteceu, Jesse (Ethan Hawke) lançou um livro de sucesso. Esse revive o que aconteceu na noite em que passou com Celine (Julie Delpy). O reencontro dos dois ocorre numa tarde em Paris, quando Jesse concedia entrevistas numa livraria e Celine estava presente. Contudo, a fatalidade persegue-os, pois Jesse terá de deixar Paris nessa mesma tarde, e os dois terão pouco tempo para falar, onde descobrem sentimentos ainda latentes.

Se em Before Sunrise imperavam os bons diálogos, em Before Sunset isso duplicou. Está patente no filme uma celebração daquilo que é um argumento simples mas inteligente e a fluidez dos diálogos é impressionante. Os actores Julie Delpy e Ethan Hawke escreveram os diálogos juntamente com o realizador Richard Linkater (que também realizou o primeiro), e nota-se o à vontade entre os actores - dando espaço até para improvisação. Hawke e Delpy são absolutamente brilhantes. São poucos os actores que agem tão naturalmente, parecendo que as personagens são pessoas reais.

O realizador Richard Linklater pegou no que fez em 1995 e amplificou-o de todas as maneiras possíveis neste segundo capítulo. Apesar da premissa do filme parecer indicar que vamos ver uma repetição de Before Sunrise, isso não acontece. Aliás, os dois filmes têm diferenças estruturais bem definidas: primeiramente, as personagens estão mais velhas, estando inerente a maturidade e a experiência, e isso reflecte-se nos diálogos; depois, a longa passa-se durante o dia, ao passo que no primeiro filme muito passa-se à noite; as personagens não se estão a conhecer nem a apaixonar, mas sim a redescobrirem-se discutindo sentimentos antigos e novas sensações; e, por último, a principal diferença reflecte o carácter mais profundo desta película - se o primeiro era mais emotivo, este é mais técnico. Considero fundamental referir isto, pois quem espera um filme choroso ou emocional pode sair desiludido. A edição/montagem e realização estão claramente superiores à produção anterior. Before Sunset é um excelente filme a nível técnico. Por exemplo, Richard Linklater trabalhou com diversos planos que, quando se complementam, formam o tempo exacto em que as personagens se relacionaram - de notar que o filme é passado em tempo real, sendo que o tempo é um elemento fundamental na progressão da narrativa. Mais uma vez, temos cenários lindíssimos - claro, Paris é uma cidade europeia bonita por si só, mas Richard Linklater confere-lhe um brilho especial, tal como em Viena.

 Apontando um aspecto mais negativo desta película, talvez seja o "desiquilíbrio" presente; talvez muitos não concordem, ou pode ser mesmo impressão minha, mas fiquei com uma ligeira sensação que o filme não estava bem equilibrado, pois no final é que tudo é descarregado, por assim dizer. Compreendo que o realizador quis criar um clima de tensão e expectativa, mas poderia balancear mais esse aspecto. Contudo, o final vale a pena, pois é completamente desprovido de cliché e, mais uma vez, concede ao espectador a "varinha mágica" - cabe ao espectador reflectir e tentar perceber, segundo as suas convicções, se a relação de Jesse e Celine resultará
.

Em suma, Before Sunset acaba por ser a necessária e esperada sequela de um dos melhores romances dos anos 90. Ganha por ser desprovido de clichés, o seu carácter maduro e é na sua essência um competente exercício cinematográfico. Em 2013 fará nove anos deste pôr-do-sol, data essa em que se espera o terceiro e último filme desta belíssima história, intitulado Before Midnight e passado em Atenas, outra belíssima cidade europeia.


EXAME

Realização: 10/10

Actores: 10/10
Argumento/Enredo: 9/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 9/10

Média Global: 9/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação


Título em português : Antes do Pôr-do-Sol

Título Original: Before Sunset
Ano: 2004
Realização: Richard Linklater
Actores:  Ethan Hawke, Julie Delpy

Trailer:




VER TAMBÉM:

Before Sunrise (1995), por Joana Queiroz
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