Depois do Cinema

Before Sunrise - Antes do Amanhecer (1995)

By Jota Queiroz - sexta-feira, novembro 16, 2012

A mais bela e menos lamechas história de amor.
O amor é um tema universal que geralmente agrada a muita gente. O género nunca me agradou muito - vomito com comédias românticas por exemplo - mas dou sempre uma oportunidade a todos os filmes. Before Sunrise revelou ser muito mais do que parecia. Este belíssimo filme transcede a mera ideia que é apenas um filme romântico, sendo na sua essência uma rica e filosófica conversa entre duas personagens que acabam por se apaixonar. Creio que é mesmo o melhor filme do género.
A história é simples. Jesse (Ethan Hawke), um jovem americano, e Celine (Julie Delpy), uma estudante francesa, conhecem-se num comboio com rumo a Viena e começam a conversar. Interessado em Celine, Jesse convence-a a desembarcar com ele em Viena, e gradualmente vão-se apaixonando. Contudo, existe uma realidade incontornável -  no dia seguinte ela irá para Paris e ele para os Estados Unidos. Assim, resta aproveitar ao máximo o pouco tempo que lhes resta.

Realmente é minimalista, não é? Duas pessoas estranhas deixam um comboio, conhecem uma cidade, falam durante  uma noite inteira sobre tudo e apercebem-se que descobriram a sua alma gémea. E é isso que me agrada neste filme – a simplicidade, mostrando que não é necessário efeitos especiais, demonstrações de afecto exageradas ou outros artifícios para realmente ser brilhante. O filme sustenta-se na história, actores e diálogo, sendo que este é muito inteligente, e todo o guião consegue abordar diversos sentimentos sem nunca parecer lamechas, antes pelo contrário. Aliás, num filme em que existem apenas duas personagens o guião torna-se num dos elementos fundamentais para o sucesso de um filme. Aí, o realizador Richard Linklater não pecou. A dinâmica e química evidente entre as duas personagens também foi imperativa. Toda a longa é muito peculiar, sendo que a fluidez é um importante aspecto a abordar. A narrativa desenvolve-se gradualmente e numa perspectiva incrivelmente realista. É como testemunhar duas pessoas a apaixonarem-se uma pela outra em tempo real: é simplesmente mágico. Os dois actores sentem-se incrivelmente à vontade um com o outro, tudo é muito credível e flui muito naturalmente.

Achei deveras interessante a maneira como o filme aborda a questão de coração versus razão, estando isso patente nas diferenças entre as duas personagens principais: Jesse é mais céptico e Celine é mais ingénua. Todos os seus sentimentos e filosofias colidem numa interessante conversa, testando assim o romantismo e cinismo de nós espectadores.  E para a cereja no topo do bolo, o realizador potencia ainda mais a beleza do filme,  presentando-nos com um incrível cenário: magníficos planos da cidade de Viena que envolvem Jesse e Celine.

A minha cena favorita, e por incrível que pareça, é uma em que não há palavras. Os dois estão a ouvir um disco de vinil e nesse exacto momento o espectador percebe que estão a apaixonar-se um pelo outro.

Poderá não agradar a toda a gente, claro. Há quem ache muito arrastado e entediante, mas para quem estabelece uma conexão imediata com as personagens torna-se impossível não gostar do filme. O pior  é quando ele acaba - o suspense fica no ar. Será que o casal se reencontrará de novo, dentro de seis meses, como prometido? Fica para o espectador reflectir – se é céptico, pensará que não, se é romântico pensará que sim. Para o público mais graúdo que viu o filme em 1995, teve de esperar nove anos e um pôr-do-sol pela resposta.

EXAME

Realização: 9/10

Actores: 10/10
Argumento/Enredo: 8/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 8.4/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação


Título em português : Antes do Amanhecer

Título Original: Before Sunrise
Ano: 1995
Realização: Richard Linklater
Actores:  Ethan Hawke, Julie Delpy

Trailer:




VER TAMBÉM:

Before Sunset (2004), por Joana Queiroz
beforesunset

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The Twilight Saga: Breaking Dawn Part 1 (2011)

By Jota Queiroz - quinta-feira, novembro 15, 2012

E o amanhecer lá conseguiu superar o eclipse anterior.
As críticas especializadas quase que assassinaram The Twilight Saga: Breaking Dawn Part 1. Para quem leu a minha crítica de Eclipse, sabe que eu estava a aguardar por um amanhecer para que as coisas melhorassem, pois saí desiludida após uma eclipsada narrativa daquelas. Facto é que acabei por gostar do quarto filme - li os livros e achei que este está bastante fidedigno. Atenção que não estou a dizer que o filme é algo de grandioso, porque obviamente não é devido a falhas estruturais que já têm a ver com a própria autora dos livros. Toda a saga twilight, incluindo este capítulo, é todo um trabalho feito para um público alvo que sabe exactamente o que vai ver e que certamente irá sair satisfeito da sessão - posto isto, não é ciência nenhuma perceber que agradará os fãs da saga mas não provocará qualquer impacto para os restantes.
Bella Swan (Kristen Stewart) e Edward Cullen (Robert Pattinson) enfim se casam, num casamento todo bonito. O casal resolve passar a lua de mel no Rio de Janeiro e, logo em seguida, Bella engravida. O que eles não esperavam era que a gravidez seria tão complicada, colocando em risco a vida do bebé e da própria mãe.

Se houve uma evolução a nível narrativo e estrutural das problemáticas? Não, porque apesar de a história ser outra ficamos com a sensação que é sempre no triângulo amoroso que tudo gira; mesmo quando é óbvio que a rapariga é obcecada por Edward esta não hesita nos olhares ridículos a Jacob. O que acontece é que tudo isso já está mais que explorado e ficamos mais do que fatigados. O trio principal encontra-se de certa maneira sempre na mesma linha e sem grande espaço para crescer - e é nesse sentido que me sinto especialmente curiosa para a parte 2 deste amanhecer porque veremos uma nova Bella (e talvez uma nova Kristen Stewart). Contudo, a inserção de uma nova problemática - a gravidez - acabou por assumir uma dualidade intrigante. Por um lado, é algo de novo e conduziu a um último acto bastante poderoso, sendo o ponto mais alto da película e que vale pelo filme inteiro: é muito intenso e deixa o espectador curioso para ver o que vai acontecer a seguir. Por outro lado, acaba por ser algo descabido, desesperado e muito improvável. A ver se me explico melhor: na minha opinião, os vampiros sendo mortos não têm libido e mesmo de tivessem o seu acto não resultaria em fecundação.  Nesse sentido, a inserção da gravidez acaba por ser um pouco absurda, mas isso é já uma falha de Stephanie Meyer. A mitologia de vampiros acaba por ser completamente alterada (o que já era em capítulos anteriores, com os vampiros a brilharem e tudo mais), mas não a censuro por completo. Stephanie Meyer criou o seu próprio universo de vampiros, portanto é ela que dita as regras. Absurdo ou não, cabe ao espectador decidir. Neste filme não há tanta acção, havendo alguma que chega a causar emoções no espectador, mas que considero um pouco desenchabida.

Apesar das falhas a nível de argumento e toda a estrutura narrativa, o realizador Bill Condon consegue trazer elementos muito positivos. Por exemplo, a película triunfa com os artíficios visuais: a transformação da protagonista conta com bons e intensos efeitos, mas estes ainda estão mais voltados para o wolf pack. Kristen Stewart e Robert Pattinson encontram-se melhorzinhos neste capítulo, mas devo dizer que Taylor Lautner é mesmo o mais forte. Como já referi em críticas anteriores, é no elenco secundário que vemos as mais credíveis actuações, destacando Billy Burke como o pai de Bella, que faz sempre despertar um sorriso nos lábios. A fotografia está igualmente bem trabalhada e destaco os cenários, que neste filme são lindíssimos.

Este filme não é de todo indicado para toda a gente, bem longe disso. Para quem não gostou dos capítulos anteriores está mais do que solidificada e cozinhada a ideia de que não gosta da premissa de vampiros e lobos rodeados de romance estranho. Para quem gostou dos capítulos anteriores claro que vai gostar deste - tem todos os elementos - e vão desesperar para ver a parte 2.  Agora, é um filme que ultrapassou a barreira do medíocre em que o anterior se encontrava? Sim. Se a nível de produção, progressão da narrativa e performances é mais fraco do que aquilo que o cinéfilo deseja? Sim, mas lá está: toda a saga twilight é um trabalho que só agradará um determinado público alvo -a todas as pessoas que leram e gostaram da saga literária.

EXAME

Realização: 5/10
Actores: 6/10
Argumento/Enredo: 4/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Efeitos/Fotografia: 8/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 6/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação

Título em português : A Saga Twilight : Amanhecer Parte 1
Título Original: The Twilight saga: Breaking Dawn Part I
Ano: 2011
Realização: Bill Condon
Argumento (baseado no livro de): Stephanie Meyer
Actores: Kristen Stewart, Taylor Lautner, Robert Pattinson , Billy Burke

Trailer:





VER TAMBÉM:

Twilight (2008) , por Sarah Queiroz
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The Twilight Saga - New Moon (2009) , por Joana Queiroz
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The Twilight Saga - Eclipse (2010) , por Joana Queiroz
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Estreias da Semana!

By Sarah - quinta-feira, novembro 15, 2012

The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2 Movie Poster

Estreia hoje nos cinemas portugueses o quinto capítulo da saga Twilight, Breaking Dawn Part 2, protagonizado por Kristen Stewart e Robert Pattinson.

Sinopse (PUBLICO): Depois de todas as adversidades, Bella Swan e Edward Cullen (Kristen Stewart e Robert Pattinson) casam-se e consumam o seu amor. Algumas semanas depois, Bella descobre que está grávida da pequena Renesmee (Mackenzie Foy), uma criatura híbrida. Depois de alguns percalços, que todos acabam por superar, os três vivem serenamente em família, felizes como nunca antes imaginaram possível. Bella encontra finalmente o seu lugar no mundo na sua pele de vampira e o seu extraordinário autocontrolo deslumbra todos os seus companheiros. Porém, algo inesperado ameaça ruir o que eles conquistaram: o grupo dos Volturi, convencido de que Renesmee é uma perigosa imortal, decide que ela tem de ser destruída. Mesmo que, para isso, tenham de eliminar o clã Cullen. Agora, para sobreviver, eles vão ter de unir forças aos lobisomens, outrora seus inimigos ancestrais, numa nova batalha pela sobrevivência...

Trailer



Outras Estreias


Cartaz do Filme

À Lei da Bala

Título original: The Big Bang
De: Tony Krantz
Com: Antonio Banderas, Thomas Kretschmann, William Fichtner



Cartaz do Filme


Deste Lado da Ressurreição

Título original: Deste Lado da Ressurreição
De: Joaquim Sapinho
Com: Pedro Sousa, Joana Barata, Pedro Carmo, Sofia Grillo, João Cardoso, Guilherme Garcia, Luís Castro



Cartaz do Filme


O Substituto

Título original: Detachment
De: Tony Kaye
Com: Adrien Brody, Christina Hendricks, Marcia Gay, Lucy Liu



Cartaz do Filme


Está no Ar!

Título original: Parlez-moi de Vous
De: Pierre Pinaud
Com: Karin Viard, Nicolas Duvauchelle, Nadia Barentin












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Espaço Séries - The Walking Dead

By Sarah - quarta-feira, novembro 14, 2012
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Decidimos dar início a um novo espaço, expandindo assim o conteúdo do nosso blogue. E nada melhor do que uma rubrica dedicada a séries, especialmente quando é "The Walking Dead" a predilecta para estrear este nosso novo espaço. 

Como sabem, "The Walking Dead" é uma série baseada numa banda-desenhada com o mesmo nome, que estreou em 2010 e teve um sucesso tremendo logo desde a primeira temporada, marcada essencialmente pelo excelente ritmo e por se focar, além das acções zombies, também nas emoções humanas e na perspectiva humana de um mundo pós-apocalíptico, onde o instinto de sobrevivência impera. No papel principal está Andrew Lincoln como Rick Grimes, que ao longo das temporadas revelou-se fulcral. Nesta terceira temporada então, não há melhor reviravolta. Esta série é, sem dúvida, uma excelente proposta para quem gosta de terror e de zombies. Mas não é tudo nesta série; há uma especial preocupação, como referido, às ligações humanas e ao desenvolver das relações entre elas. 




1ª Temporada

Confere a nossa análise à 1ª temporada aqui!

 3ª Temporada

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Vamos colocando a nossa análise aos novos episódios à medida que forem transmitidos na FOX, em Portugal. Começaremos as análises para a semana, logo, no 6º episódio da temporada. Não percam e não hesitem em partilhar connosco a vossa opinião sobre a série mais mediática do momento. 


Episódio 6 - Hounded (21 de Novembro)
Episódio 7 - When the Dead Come Knocking (28 de Novembro)
Episódio 8 - Made to Suffer (5 de Dezembro) 


 Trailer:


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Sinister (2012)

By Sarah - quarta-feira, novembro 14, 2012
Bastou-me ver o trailer para saber que tinha ver que este filme mal saísse nos cinemas. Dos produtores de Paranormal Activity e Insidious? Só podia sair um bom resultado. Mas depois a realidade atingiu-me; Pensei, decerto, que seria um filme assente na típica fórmula de sustos derivados de impacto sonoro e pouco desenvolvimento das personagens, baseado simplesmente no ambiente de tensão que cria, em detrimento de um argumento consistente e sólido. Apercebi-me nesse momento que é uma fórmula cansativa que se está a tornar cada vez mais repetitiva e reciclada. Seria este filme mais outro exemplo? Felizmente, e sublinho que adoro surpresas destas, Sinister arranjou maneira de se soltar das correntes que ultimamente têm vindo a prender o género terror, destacando-se imenso pela positiva.

Porque verdade seja dita, hoje em dia temos vindo a saber o que esperar de filmes deste género, e dificilmente há titulos com aquele elemento surpresa. Mas os argumentistas conseguiram superar, e por muito, a tal "linha que separa" o péssimo do aceitável, pois Sinister traz-nos uma história deveras intrigante que consegue mesmo colocar o espectador na pele da personagem principal. Ellison (Ethan Hawke), um escritor de policiais que decide escrever a história da sua vida e resolve mudar-se com a família para o cenário mais indicado, este sendo uma casa onde uma família foi brutalmente assassinada. Nessa casa, descobre uma caixa com filmes caseiros, em que em cada filme depara-se com as cenas mais macabras em que famílias inteiras são mortas. Decidido a escrever sobre isso e a investigar o que descobriu, irá muito em breve aperceber-se que aquelas filmagens têm algo em comum, e o provável é que a sua família se torne a mais recente vítima daquele lugar de maldição... Não é nada de propriamente original, é certo, mas penso que por vezes é necessário ignorar este facto, para se poder apreciar ao máximo o filme. Porque essencialmente resulta. Apesar de pecar na falta de originalidade, é um filme que ao mesmo tempo consegue ser fresco e revitalizante, numa época verdadeiramente difícil para o género... Mas lá está, há elementos no filme que o enfraquecem na globalidade, pois não permite alcançar o seu verdadeiro potencial. Há determinadas alturas em que o desenvolvimento sequencial das cenas é demasiado lento, sendo mais evidentes as incoerências e falhas substanciais do filme. Mas Derrickson sobrepõe estas falhas ao introduzir uma abordagem bastante interessante ao filme, na sua frenética realização.

E é este ponto que pretendo destacar. A realização de Scott Derrickson é verdadeiramente sublime, sendo dos grandes pontos positivos do filme, isto porque não falha na composição visual das cenas, estas recheadas de elementos sobrenaturais e obscuros, que dificilmente deixarão os espectadores indiferentes. O realizador demonstra mais uma vez o seu talento ao apostar em elementos sinistros, pois não são poucas as cenas bem sucedidas, mesmo que excessivamente escuras. Apesar de ser isso que causa a sensação de tensão que acompanha o espectador durante o filme todo, poderá tornar-se cansativo, pois é usado demasiadas vezes. Debati-me em certas partes do filme para não gritar: "Acende as luzes Ethan!". E claro está, o filme também está envolto numa trilha sonora verdadeiramente arrepiante, o que contribui para exacerbar o ambiente angustiante e de ansiedade que, por vezes, só a imagem não faz acontecer. É que ultimamente temos-nos deparado com aqueles filmes em que não é possível qualquer conexão entre as personagens e o espectador, em que os sustos só se tornam possíveis através da técnica referida do impacto sonoro. Mas é aqui que, novamente, dou o mérito ao realizador Scott Derrickson, pois através da sua realização sugestiva, arranja maneiras geniais e eficazes para conseguir implementar o verdadeiro horror na cabeça dos espectadores. Assim, podem contar com imensos sustos...

Em relação ao elenco, devo dizer que globalmente Sinister apresenta um elenco bastante positivo. Na sua estreia no género, Ethan Hawke proporciona-nos uma estrondosa interpretação, sendo impossível não sentir na pele o que a personagem está a sentir. O desvaneio mental que a personagem vive é algo sem dúvida assustador, e o mérito é todo de Ethan Hawke. Tenho uma especial paixão pelo actor, devo confessar.

Apesar da evidente previsibilidade da trama e conter alguns clichés próprios do género que não permitem obter a Sinister o prémio de originalidade, é um filme que tem os seus trunfos e qualidades, que definitivamente se fazem sobressair, tornando Sinister das grandes surpresas do género terror deste ano. Recomendadíssimo!


EXAME


Realização: 8/10

Actores: 8.5/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 7.5/10

Crítica feita por Sarah Queiroz


Informação


Título em português : A Entidade

Título Original: Sinister
Ano: 2012
Realização: Scott Derrickson
Actores:  Ethan Hawke, Juliet Rylance, Fred Dalton Thompson


Trailer:

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Excision (2012)

By Sarah - segunda-feira, novembro 05, 2012
Uma verdadeira excisão do terror contemporâneo?

"Excision" foi um dos filmes que passou este ano no MOTELx, e que causou um grande furor no Festival Sundance. É o primeiro filme escrito e realizado por Richard Bates Jr., protagonizado pela adorável Annalynne McCord, caracterizando-se essencialmente pela violência implícita, mas dualista de tão perturbador e inquietante que é. A verdade é que esperava algo completamente diferente, mas ainda que não tenha obtido tal correspondência, surpreendi-me bastante pela positiva, sendo certo que é daqueles filmes que dividirá os espectadores. Vou já poupar os leitores: não é definitivamente um filme de terror convencional. Até categorizá-lo como "terror" é complicado. Não obstante a dificuldade na categorização, é um filme muito bem conseguido a que não é possível ficarmos indiferentes, pela densidade dramática e psicológica que carrega. Somos apresentados a Pauline (AnnaLynne McCord), uma típica adolescente perturbada que tem como principal ambição estudar medicina e exercer cirurgia. Vemos o seu dia-a-dia, a sua relação com a família e amigos, e as dificuldades que tem em sustentar tais relações. O seu escape, no entanto, reside numa estranha obsessão em corpos mutilados e fantasias sexuais ligeiramente perturbadoras, que condiciona a 100% a maneira de ser dela, e a forma como encara a própria vida. O filme gira, assim, em torno das ilusões macabras de Pauline, e do seu caminho de auto-descoberta, que revela ser o menos encantador possível... Sadismo é o que mais podemos esperar. 

Um ponto que foi muito criticado, mas que eu sinceramente considerei genial, está relacionado com a forma como a realidade e os sonhos estão ligados. No primeiro plano deparamo-nos com a típica adolescente outcast, sombria e sem amigos, envolta na sua própria perturbação e consciência do seu desiquilíbrio. No segundo plano, deparamo-nos com a Pauline que a própria ambiciona ser, uma mulher de beleza hipnótica, rodeada de morte, prazer, sexo e muito sangue. Temos um claro contraste, mesmo até a nível cromático, que evidencia bastante a estreia muitíssimo bem conseguida de Richard Bates Jr. na realização, especialmente pela maneira soberba como transmitiu a mensagem do estado psicótico de Pauline e o verdadeiro decair de uma personalidade e consequente abismo ilusório tão difícil de superar. Porque mesmo através de diversos elementos bizarros e de horror, não deixa de ser uma história simples que é contada, até muito pertinente, pois não são poucas as situações de pais que negligenciam os filhos e em que haja pouca comunicação nas relações parentais. Mas são vários os elementos, e é aí que Bates foi inteligente, ao adicioná-los em doses certas, de maneira a que fosse possível chegar ao espectador de uma maneira mais arrebatadora. Sim, porque é dramático nos momentos certos, cómicos em outros momentos, e explícito e violento em muitos outros. Porém, não consigo deixar de penso que podia ser um filme muito melhor, se tivesse seguido um rumo diferente a partir do segundo acto. O facto de não ter limites conseguiu limitar o potencial de grandeza que não tinha dúvidas que conseguiria atingir. Isto porque o final que nos é presenteado, é dos mais macabros, marcantes, doentios, entre outros adjectivos desse género, que alguma vez vi. Quando virem perceberão porquê, vou evitar entrar em spoilers...


AnnaLynne McCord faz um trabalho absolutamente excepcional neste filme, quando de certeza que a maior parte das pessoas não davam muito por ela. Conseguiu surpreender-me em todos os aspectos, tendo sido muito convincente no papel de adolescente problemática. O resto do elenco também está satisfatório. Em tom de conclusão,  apesar de ser daqueles filmes que tem-se mesmo que compreender para apreciar a sua beleza, por ser absolutamente bizarro, é suficientemente original, bem realizado e com um elenco brilhante, que faz com que se torne absolutamente impossível ficarmos indiferentes... Aqui fica a minha recomendação implícita.


EXAME


Realização: 7/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Efeitos/Fotografia: 7/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 7/10


Crítica feita por Sarah Queiroz 


Informação


Título em português : Excision

Título Original: Excision
Ano: 2012
Realização: Richard Bates Jr.
Actores:  AnnaLynne McCord, Traci Lords, Malcom McDowell, Roger Bart, John Waters, Ariel Winter, Ray Wise

Trailer:


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Paranormal Activity 4 (2012)

By Jota Queiroz - domingo, novembro 04, 2012
Mais um filme fabricado à velocidade da luz para os fãs da saga digerirem.

Por alturas de Halloween, já é esperado uma coisa: termos um novo Actividade Paranormal à porta. Ora vejamos. Actividade Paranormal foi a novidade. Actividade Paranormal 2 foi basicamente uma extensão do primeiro. Actividade Paranormal 3 era o melhor da saga até ao momento. O que dizer de Actividade Paranormal 4? 
A história do filme arranca de onde PA2 terminou: Katie (Kathie Featherston) matou a irmã Kristi (Sprague Grayden) e o cunhado Daniel (Brian Boland), levando consigo o sobrinho Hunter. Passam cinco anos e agora ela vive com o pequeno Robbie (Brady Allen). Do outro lado da rua, mora a adolescente Alice (Kathryn Newton) que não consegue deixar de observar a estranheza do miúdo. Quando o rapaz começa a arrastar e influenciar o irmão mais novo de Alice, o terror regressa.

Quando o terceiro filme estreou, e tal como apontei na minha análise o ano passado, achei que os realizadores foram muito inovadores. Uma prequela parecia ser algo bastante estranho, mas acabou por ser a lufada de ar fresco que a saga precisava, para não falar da câmera giratória inovadora.Agora, PA4  não traz nada de tão espectacular assim. Alice e o seu amigo Ben acham estranho o comportamento misterioso de Robbie, portanto ambos decidem usar tecnologia para investigá-lo. Essa tecnologia são as câmeras dos portáteis. Portanto, o filme é passado com conversações de Skype e muito
shaky camera. A única inovação mas que depressa se torna aborrecida é o kinect da Xbox.

O ano passado disse que seria do meu agrado que um possível quarto filme se focasse na actualidade, para sabermos o paradeiro de Katie e Hunter. Na actualidade até que se passa, mas sabermos mais sobre Katie e Hunter é que não. A história não tem lógica, tendo um terceiro acto sem cabimento algum e que nos leva a pensar mesmo o porquê da existência da personagem Robbie. De facto todo o filme é para encher chouriços, até porque já confirmaram um Actividade Paranormal 5, a estrear em Outubro de 2013.
Outro aspecto negativo neste filme é a superficialidade em que está mergulhado. Uma das razões que me faziam gostar desta saga era a naturalidade de todos os eventos, parecendo mesmo que estávamos a ver pessoas verdadeiras e acontecimentos verídicos. Com este filme não acontece. Tudo é muito forçado e o facto de Alice filmar mesmo tudo, incluindo o que não é nada relevante, contribui para isso.

Ao contrário dos seus antecessores, pouco ajuda a compor este quarto capítulo. Tudo acontece porque sim, não há coesão entre cenas ou sustos; é tudo uma mixórdia de sequências, muitas vezes previsíveis com sustos baratos (que só valem pelo som e não pela cena per se). 
O melhor?  Os momentos divertidos por parte de Alice e Ben e a última cena. Esta é forçada e "mesmo à filme", porque na realidade nunca seria a conduta tomada pela personagem, mas vale pelo verdadeiro e único susto a longo prazo que nos prega. Nos últimos minutos do filme é garantido - vão gritar tudo aquilo que queriam gritar durante todo o filme. E isso é um aspecto muito positivo, porque quase faz esquecer a mediocridade de desencadeamento lógico que o filme tomou.

Paranormal Activity 4 é, de longe, o pior da saga. É, na sua essência, um filmezito forçado de Halloween com sustos “de repente” ali e acolá que os realizadores criaram à velocidade da luz para os fãs da saga. Contentam-se em criar mais questões do que responder. Progressão e evolução na história? Nem vê-las. Porque se calhar no fundo nem há história.


EXAME 

Realização
: 4/10
Actores: 8/10 
Argumento/Enredo:
 2/10
Duração/Conteúdo: 4/10 
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador:
 3/10

Média Global: 4.2/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação

Título em português: Actividade Paranormal 4
Título Original: Paranormal Activity 4
Ano: 2012
Realização: Henry Joost e Ariel Schulman
Actores:  Katie Featherston, Kathryn Newton e Matt Shively


Trailer do filme:



VER TAMBÉM:

Paranormal Activity (2007), por Sara Queiroz

Paranormal Activity 2 (2010), por Joana Queiroz

Paranormal Activity 3 (2011), por Joana Queiroz
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The Twilight Saga - Eclipse (2010)

By Jota Queiroz - segunda-feira, outubro 29, 2012

A eclipsada narrativa teve mesmo de esperar por um amanhecer.

Se gosto da saga? Sim, não pertenço à maioria dos haters por aí. Mas isso não significa que sou uma fã histérica e que não consegue detectar as falhas nesta saga. E Eclipse consegue ter bastantes, sendo que constitui o filme que menos gostei até agora, o mais fraco e que desilude bastante.
A história continua onde New Moon findou. Acaba por ser uma extensão do capítulo anterior, mas ainda mais dissecado. É sabido que o o conflito central está no coração de Bella, e na divisão entre Edward e Jacob. E é nesse (ridículo) triângulo amoroso que elaboro o meu diagnóstico. Considero que o romance entre Bella e Edward já por si é profundo o suficiente e já carrega os conflitos para a história progredir. Nesse sentido, Crespúsculo funcionou melhor que New Moon e este Eclipse, porque se cingiu ao que realmente interessava, ao invés de estar com rodeios e conflitos secundários desnecessários. As fãs ávidas de Jacob devem estar com os nervos em franja ao lerem o que digo. Posso ser suspeita, pois não gosto minimamente da personagem, mas tenho um argumento sólido, e não “mas o Edward é mais bonito”. Creio que a relação entre Bella e Edward merece o seu protagonismo pois foi o que sempre definiu o poder genuíno da saga. Foi por essa relação que me interessei pelo filme. Não quero saber minimamente do lobito.

Infelizmente, mesmo com um exército recheado de vampiros e lobisomens a lutar no final, este pequeno aumento de acção parece não compensar os diálogos que duram uma vida inteira. Se com New Moon já achei que haviam partes demasiado longas (jesus, como senti falta de Pattinson), isso repete-se em Eclipse, e com uma dose ainda maior do peito de Taylor Lautner, close-up da maquilhagem de Robert Pattinson e das sobrancelhas que não páram da Kristen (ao menos deixou o cabelo em paz neste filme, não daria muito jeito mexer numa peruca). Claro que a dose extra das duas primeiras coisas que referi vão apelar ao público feminino, mas acabam por fazer nada à progressão da história.
O arco central gira-se em torno das três personagens principais: Bella (Kristen Stewart), Edward (Robert Pattinson) e Jacob (Taylor Lautner). O actor Robert Pattinson tem vindo a mostrar que realmente é um  bom actor fora do universo Twilight, mas verdade seja dita - por mais química que ele e Kristen tenham (e é isso que me faz querer ver os filmes) as performances ficaram aquém neste terceiro capítulo. Taylor Lautner consegue ser melhor, mas de uma maneira geral é mesmo no elenco secundário que está o ganho: deviam usá-los mais e deixarem-se de tanto diálogo que não interessa muito. O comic relief está no sempre perfeito Billy Burke, que interpreta o pai de Bella.

O realizador David Slade até que nos presenteou com uma película bem filmada e com óptimas sequências de acção, mas acabou por prometer muito e dar pouco ou mesmo nada. Não vemos aqui um David Slade genuíno. Se em New Moon a narrativa progredia de uma maneira muito lenta, em Eclipse é tudo muito rápido. É mesmo no diálogo e performance dos três principais que tudo se perde. Comparativamente com os capítulos anteriores, creio que Eclipse atingiu mesmo o fundo.
Parece que este filme teve mesmo de  esperar o amanhecer para algo melhor e mais cativante, pois este Eclipse acabou por ter uma eclipsada narrativa ao não ser consistente a mostrar a difícil escolha que o coração de Bella terá de tomar,ainda que explora o rídiculo triângulo amoroso Edward - Bella – Jacob melhor do que em New Moon. Agradará os fãs da saga, como sempre, mas não terá grande impacto nos restantes cinéfilos.


EXAME

Realização: 5/10
Actores: 4/10
Argumento/Enredo: 3/10
Duração/Conteúdo: 5/10
Efeitos/Fotografia: 8/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 5/10

Média Global: 5/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação

Título em português : A Saga Twilight : Eclipse
Título Original: The Twilight saga: Eclipse
Ano: 2010
Realização: Chris Weitz
Actores: Kristen Stewart, Taylor Lautner, Robert Pattison , Billy Burke

Trailer:





VER TAMBÉM:

Twilight (2008) , por Sarah Queiroz
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The Twilight Saga - New Moon (2009) , por Joana Queiroz
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Looper - Reflexo Assassino (2012)

By Jota Queiroz - domingo, outubro 28, 2012
Não, não é de todo um novo Matrix. Mas poderia ser.

Viagens no tempo. Temática que adoro, e docemente familiar. Já em Terminator vía-se a premissa de alguém do futuro chegar ao passado para assassinar alguém.  Contudo, em Looper vemos algo diferente – é alguém do futuro que chega ao passado para ser liquidado. Estranho? Parece que sim. Mas Looper é mesmo assim, diferente e constitui uma experiência cinematográfica profunda que acaba por cruzar diversos géneros e não se limita apenas à acção ou à ficção científica.  Devo dizer também que a película acaba por divergir bastante do que é mostrado nos trailers; o que se tornou uma agradável surpresa, pois ao invés de ser um filme oco e repleto de cenas de acção é um filme com pés e cabeça, lógico e com profundidade. É um tipo de sci-fi inteligente, que nos deixa a pensar e que acaba por utilizar as cenas de acção e outros artifícios pontualmente. 
A história passa-se em 2044/2074. A sinopse que é transmitida e que basicamente apreendemos dos trailers é a seguinte: quando a máfia quer eliminar alguém, envia o seu alvo para o passado, 30 anos para trás no tempo, onde um "looper" - um assassino contratado, como Joe (Joseph Gordon-Levitt) – está à sua espera para o assassinar. A vida corre bem a Joe até que certo a máfia decide “fechar o ciclo”, enviando-lhe um novo alvo do futuro: ele próprio (Bruce Willis). Mas a história tem muito mais profundidade do que isto.

Looper é um filme que se torna interessante no sentido em que não explica excessivamente o que ocorre; simplesmente não é necessário. Um filme como eu gosto: do tipo em que é expectável um certo grau de inteligência para compreender alguma coisa sem que tenha de receber todas as explicações da forma mais explícita possível. Todo o filme brilha pelo ambiente futurista e seus detalhes, a fotografia, a narrativa lógica, o enredo profundo e personagens interessantes. Gosto também do facto de, e tal como referi no início, a acção não se sobrepôr ao que realmente importa no filme. Li em críticas especializadas que, apesar de ter sido universalmente bem recebido, existem alguns elementos desnecessários em Looper, como a telecinética/mutações genéticas. Devo dizer que discordo seriamente com isso, pois acaba por explicar uma componente fundamental da longa.


Se chega a estatuto de obra-prima? Infelizmente, não. Mas poderia muito bem ser. Existem de facto pontos negativos incontornáveis. Posso começar por dizer que esperava muito mais interacção por parte dos dois actores principais, Willis e Gordon-Levitt. Estamos sempre à espera de mais confronto entre estes e que acaba por acontecer uma ou duas vezes. Basicamente esperamos por um clímax que nunca acontece. E com isto chego a um outro aspecto negativo, o final. Não me faz qualquer sentido. Quer dizer; sentido até fez, é um final expectável e justificado na medida em que acaba por estar a par da ideia narrativa que se criou ao longo da trama. Acaba por ser o mais acertado, sim, mas desiludiu-me. O final do “herói” foi forçado. Ao longo da película vamos percebendo que o Joe do passado é uma pessoa egoísta, fria e racional. Uma pessoa que entrega o seu melhor amigo sem muita pressão ou que não hesita em assassinar a sua versão com 30 anos em cima não é lá muito emocional ou sentimentalista. Assim, um final em que este surge como o herói não me faz muito sentido. O filme seria muito melhor se tivesse limado estas duas arestas que acabei de referir. Mas isto sou eu, há quem discorde certamente. 

Relativamente às performances dos actores, devo dizer que Joseph Gordon-Levitt é mesmo mimo. Creio que o actor já não tem nada a provar, mas surpreende sempre em cada filme. Gordon Levitt, que interpreta o protagonista Joe do passado, parece retirado de um filme noir e que contrasta tão bem com o ambiente sci-fi. É incrível como a maquilhagem, as lentes de contacto e até os próprios maneirismos do actor o transformaram por completo num Bruce Willis jovem. Já  Bruce Willis está muito bem em todas as cenas, quer de cariz emocional quer as de acção. Relativamente ao elenco secundário, creio que é mesmo dominado pela performance de Jeff Daniels como Abe. Emily Blunt desiludiu-me: a carinha laroca realmente não é tudo.

Concluindo, Looper é thriller de acção, com elementos de ficção científica e romance e até humor negro.  É um filme bem conseguido, ganhando pontos nas excelentes realização e cinematografia, no ritmo acertado, na inteligente abordagem e no equilíbrio entre géneros, mas perdendo por um terceiro acto que quase deixou tudo a perder. Contudo, é um filme intenso, inovador, entretém e é uma óptima experiência cinematográfica. Recomendadíssimo.



EXAME

Realização: 9/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 8/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 8/10 

Crítica feita por Joana Queiroz

Informação

Título original: Looper
Título em português: Looper-Reflexo Assassino             
Ano: 2012
Realização: Rian Johnson
Actores: Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis, Emily Blunt

Trailer:

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Sherlock Holmes (2009)

By Rodrigo Mourão - domingo, outubro 21, 2012
Guy Ritchie deixa a guerra aberta entre gangsters e passa para o desafio subtil com o maior detective do mundo... a seguir ao Batman.

Confesso que nunca fui grande leitor das histórias do detective e o seu fiel amigo doutor criadas por Sir Arthur Conan Doyle (lembro-me de no 8º ano ter sido obrigado a ler em inglês um livro que punha o Sherlock e o Watson atrás de diamantes que afinal estavam escondidos na barriga de gansos... alguém que me comprove se tal história existe...), mas conheço as personagens. Fui ver este filme ao cinema com um grupo de amigos, porque foi o eleito da noite e eu pensei “Epá, o Robert Downey Jr.  é bacano- mas não é inglês...- , o Jude Law nunca me decepcionou muito, não deve ser muito mau”. O que mais me afligia era o nome do realizador: “Espera aí, mas o Guy Ritchie não faz filmes de tiroteios nos subúrbios londrinos? Será mesmo a pessoa mais indicada para contar uma história de mistério e investigação?”. A resposta é um redondo: SIM!

Estamos no final do século XIX. Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) é um detetive conhecido por usar a lógica dedutiva e o método científico para decifrar os casos nos quais trabalha. O dr. John Watson (Jude Law) é o seu fiel parceiro, que sempre o acompanhou nas suas aventuras. Porém esta situação está prestes a mudar, já que Watson pretende  casar com Mary Morstan (Kelly Reilly). Isto não agrada a Holmes, que não deseja o afastamento do colega. O último caso da dupla envolve Lorde Blackwood (Mark Strong), por eles preso ao realizar um ritual macabro que previa o assassinato de uma jovem. Blackwood já havia matado quatro mulheres e tem fama junto da população de ser um poderoso feiticeiro. Ele é preso e depois condenado à forca, mas é misteriosamente visto a deixar o túmulo onde o seu caixão foi deixado. Holmes e Watson são chamados para solucionar o caso e logo este se torna um grande desafio para o detective, que não acredita em qualquer tipo de magia. Pelo meio regressa Irene Adler (Rachel McAdams), uma ladra experiente por quem Holmes tem uma queda.

Acho que tenho que começar pelo óbvio: a química entre Downey Jr. e Jude Law. O filme não resultaria se a relação de irmãos de Holmes e Watson não nos parecesse verdadeira. E parece! Os actores relacionam-se muito bem, os diálogos e as discussões são fluídos e a sua amizade já é tanta que há literalmente uma cena em que Watson dá um soco a Holmes na cara! Digo-vos: são filmes destes que cada vez mais me fazem pensar que deveria existir um Óscar para “Melhor Dupla num Filme”.

Apesar de Mark Strong ser considerado um “vilão genérico” em todos os filmes que entra,penso que aqui não seja tanto assim. A sua performance não é por aí além, mas é competente e a história é de facto interessante, atirando-nos mistério atrás de mistério e roçando o sobrenatural sem deixar a realidade. E o melhor é que tudo nos é explicado e bate certo no fim. Os diálogos estão muitíssimo bem construídos, principalmente os monólogos de lógica dedutiva de Holmes, que até são bastante engraçados, principalmente quando interpretados com a mestria de Downey Jr. Rachel McAdams não está má, mas de facto podia estar muito melhor. E se queriam uma femme fatalle que de facto controlasse Holmes, teria sido melhor recorrerem a uma actriz mais experiente. O papel dela torna-se interessante não por ela, mas pela pessoa para quem trabalha e o seu plano...

Para além da parte de “investigação de detectives”, também temos direito a algumas cenas de acção e é aqui que se revela brilhante o contributo de Ritchie: este realizador sabe de facto dirigir cenas de acção bem coreografadas, visualmente apelantes e ,ao mesmo tempo, cómicas! Mata 3 coelhos de uma cajadada! Para além disso, faz um óptimo uso do slow motion, que nunca é utilizado ao estilo Zack Snyder só para dizer: “Olha para mim, tenho estilo!”. Antes, é utilizado nas cenas de acção para representar o planeamento de Holmes, que consegue sempre antecipar os movimentos do adversário (saliento a cena do combate de boxe!) e isto é feito de forma sublime! Quanto a cenas de acção cómicas, é ver Holmes e Watson a lutar (ou será fugir?) contra Dredger.

A banda sonora está a cargo de Hanz Zimmer. Palavras para quê... Este senhor faz sempre trilhas em que eu digo facilmente “Epá, isto é Zimmer!”, mas em que também consegue ser diferente. E nunca vi nada mais diferente do seu reportório habitual do que a música deste filme. Nem consigo descrever: é um misto de música de acção à la Zimmer com sons romenos e tonalidades de música folk irlandesa (até temos direito a ouvir a “Rocky Road To Dublin” dos Dubliners!). É Hanz Zimmer, mas com aquilo que também esperaríamos de um filme típico de Guy Ritchie! A junção é perfeita e enquandra-se muito bem no filme. É , de facto, das bandas sonoras mais detalhas e “distintas” que ouvi nos últimos anos. Que diabos, o Zimmer até foi buscar um piano partido para poder transmitir sons diferentes!

O único ponto menos bom são os efeitos visuais que, às vezes, vemos claramente que são CGI, principalmente no cenário utlizado na cena final, que é mesmo exagerado...

Outra coisa que essa, Sherlock Holmes é uma abordagem refrescante de Guy Ritchie aos filmes de investigação, mostrando que estes também podem ser cómicos, inteligentes e ter muita acção. E com o elenco que tem, está mais que recomendado!

EXAME

Realização:
 8/10


Actores: 8.5/10
Argumento/Enredo: 8/10
Duração/Conteúdo: 7.5/10
Banda Sonora: 8/10
Efeitos/Fotografia: 6.5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 7.8/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão


Informação


Título em português
: Sherlock Holmes
Título original: Sherlock Holmes
Ano: 2009
Realização: Guy Ritchie
Actores: Robert Downey Jr.  , Jude Law, Mark Strong, Rachel McAdams


Trailer do filme:


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Unthinkable - O Dia do Juízo Final (2010)

By Sarah - sábado, outubro 20, 2012


Há filmes que pouco sentido têm. Há outros que pretendem ter muito sentido, mas falham. E ainda há uma terceira categoria de filmes em que se conta uma simples história, e consegue-se transmitir, ainda assim, uma mensagem muito clara, sendo essencialmente o que conquista o espectador. É neste exacto aspecto que se enquadra Unthinkable, filme de 2010 que infelizmente só agora conseguiu obter distribuição nacional. É um filme que retrata de uma maneira brilhante a problemática "os fins justificam os meios?", que sem dúvida sublinha o carácter imprevisível e indecifrável do potencial do comportamento humano. A questão, muito basicamente, gira em torno de como poder resolver ou equacionar, as deficiências em relação aos direitos humanos, no que toca ao combate contra o terrorismo. Será que é admissível violar tais direitos, tendo em conta um fim maior? A colisão entre a defesa da dignidade da pessoa contra a segurança geral da população é evidente e frenética.

A premissa do filme não é mesmo mais do que isso: Depois de ter colocado três bombas nucleares em três cidades distintas, Yusuf (Michael Sheen), é capturado pelo FBI. Quem fica a cargo do interrogatório é a agente Helen Brody (Carrie-Anne Moss), que apenas tem algumas horas para saber do paradeiro das bombas antes da detonação. Só que, tendo pouco sucesso, só poderá contar com a ajuda do agente H (Samuel L. Jackson), um especialista em tortura, cujos métodos para obter as respostas são bastante controversos, ou até mesmo bárbaros, que irão pôr em causa bastantes questões éticas. Será preciso recorrer-se ao "impensável"? Acho que é evidente que se pode esperar aproximadamente 100 minutos de pura tensão. O que valoriza ainda mais o trabalho do realizador Gregory Jordan, foi a capacidade com que transmitiu o que pretendia, com um grau de realismo incrível, conseguindo apelar ao espectador relativamente a temáticas bastante pertinentes e actuais. É assustador, o carácter realista, porque não são poucas as vezes que se julga alguém até mesmo antes de se obter provas concretas. O filme consegue consegue ser bastante violento e perturbador, o que é capaz de ferir algumas susceptibilidades. Não será, nesse medida, dos filmes mais fáceis de assistir, especialmente quando Carrie-Anne Moss transmite da maneira perfeita o horror de presenciar aos tormentos fisícos sofridos por Yusuf (Michael Sheen). O problema do filme reside, talvez, nesse ponto, pois perde-se um bocado nas cenas de tortura em detrimento da narrativa, que não deixa de ser mediana, quando tinha o potencial de ser verdadeiramente excelente devido à temática abordada.


Sinceramente penso que o elenco não podia ter sido escolhido da melhor maneira, e está aqui outro dos grandes méritos do filme. Samuel L. Jackson é um verdadeiro senhor da representação, desenvolvendo com tremenda competência a sua personagem. Não é de surpreender, mesmo assim, dou todo o mérito ao actor por desempenhar tão intensamente uma personagem que, já por si complexa, não é fácil de tornar credível. Michael Sheen não fica certamente atrás: intrigante ao máximo, conseguiu captar a minha total atenção de início ao fim, no papel de um terrorista determinado que varia entre o ódio e o desespero nas suas acções. Carrie-Anne Moss também se apresenta bastante competente no papel da agente do FBI Helen, e na minha opinião consegue finalmente desligar-se e autonomizar-se do mítico papel em Matrix, onde desempenhava Trinity.

Resumindo, é um belo título para se ver, não obstante possuir os seus problemas. Tem as devidas qualidades, a destacar a forte mensagem que transmite, que faz com que valha a pena a sua visualização. Porém, apesar de ser um thrillher psicológico de elevada tensão com um potencial enorme, infelizmente nunca atinge o nível esperado. Mas que deixa o espectador a pensar... Isso deixa.


EXAME

Realização: 7/10 

Actores: 8.5/10 
Argumento/Enredo: 6/10 
Duração/Conteúdo: 7/10 
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7.5/10 

Média Global: 7.3/10 


Crítica feita por Sarah Queiroz 


Informação 


Título original: Unthinkable 

Título em português: O Dia do Juízo Final
Ano: 2010
Realização: Gregory Jordan
Actores: Samuel L. Jackson, Michael Sheen, Carrie-Anne Moss

Trailer:


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