Crítica - Before I Wake (2016)

Análise ao novo filme de terror realizado por Mike Flanagan, "Before I Wake". Por Sarah Queiroz.

TOP 10 Melhores: Filmes de Terror de 2015

Confiram o nosso TOP 10 Melhores Filmes de Terror de 2015! Concordam? Por Sarah Queiroz

Especial Colaborações do Cinema: Neill Blomkamp e Sharlto Copley

Vejam o nosso especial colaborações do cinema, em que percorremos a filmografia do realizador Neil Blomkamp que conta com a colaboração de Sharlto Copley. Por Sarah Queiroz

TOP 5 Melhores Filmes: Scarlett Johansson

Confiram a nossa lista dos 5 melhores filmes protagonizados pela bela Scarlett Johansson. Por Sarah Queiroz

TOP 10 Melhores Filmes - "Body Horror"

Confiram o nosso TOP 10 Melhores Filmes "Body Horror". Por Sarah Queiroz

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

The Twilight Saga - Eclipse (2010)


A eclipsada narrativa teve mesmo de esperar por um amanhecer.

Se gosto da saga? Sim, não pertenço à maioria dos haters por aí. Mas isso não significa que sou uma fã histérica e que não consegue detectar as falhas nesta saga. E Eclipse consegue ter bastantes, sendo que constitui o filme que menos gostei até agora, o mais fraco e que desilude bastante.
A história continua onde New Moon findou. Acaba por ser uma extensão do capítulo anterior, mas ainda mais dissecado. É sabido que o o conflito central está no coração de Bella, e na divisão entre Edward e Jacob. E é nesse (ridículo) triângulo amoroso que elaboro o meu diagnóstico. Considero que o romance entre Bella e Edward já por si é profundo o suficiente e já carrega os conflitos para a história progredir. Nesse sentido, Crespúsculo funcionou melhor que New Moon e este Eclipse, porque se cingiu ao que realmente interessava, ao invés de estar com rodeios e conflitos secundários desnecessários. As fãs ávidas de Jacob devem estar com os nervos em franja ao lerem o que digo. Posso ser suspeita, pois não gosto minimamente da personagem, mas tenho um argumento sólido, e não “mas o Edward é mais bonito”. Creio que a relação entre Bella e Edward merece o seu protagonismo pois foi o que sempre definiu o poder genuíno da saga. Foi por essa relação que me interessei pelo filme. Não quero saber minimamente do lobito.

Infelizmente, mesmo com um exército recheado de vampiros e lobisomens a lutar no final, este pequeno aumento de acção parece não compensar os diálogos que duram uma vida inteira. Se com New Moon já achei que haviam partes demasiado longas (jesus, como senti falta de Pattinson), isso repete-se em Eclipse, e com uma dose ainda maior do peito de Taylor Lautner, close-up da maquilhagem de Robert Pattinson e das sobrancelhas que não páram da Kristen (ao menos deixou o cabelo em paz neste filme, não daria muito jeito mexer numa peruca). Claro que a dose extra das duas primeiras coisas que referi vão apelar ao público feminino, mas acabam por fazer nada à progressão da história.
O arco central gira-se em torno das três personagens principais: Bella (Kristen Stewart), Edward (Robert Pattinson) e Jacob (Taylor Lautner). O actor Robert Pattinson tem vindo a mostrar que realmente é um  bom actor fora do universo Twilight, mas verdade seja dita - por mais química que ele e Kristen tenham (e é isso que me faz querer ver os filmes) as performances ficaram aquém neste terceiro capítulo. Taylor Lautner consegue ser melhor, mas de uma maneira geral é mesmo no elenco secundário que está o ganho: deviam usá-los mais e deixarem-se de tanto diálogo que não interessa muito. O comic relief está no sempre perfeito Billy Burke, que interpreta o pai de Bella.

O realizador David Slade até que nos presenteou com uma película bem filmada e com óptimas sequências de acção, mas acabou por prometer muito e dar pouco ou mesmo nada. Não vemos aqui um David Slade genuíno. Se em New Moon a narrativa progredia de uma maneira muito lenta, em Eclipse é tudo muito rápido. É mesmo no diálogo e performance dos três principais que tudo se perde. Comparativamente com os capítulos anteriores, creio que Eclipse atingiu mesmo o fundo.
Parece que este filme teve mesmo de  esperar o amanhecer para algo melhor e mais cativante, pois este Eclipse acabou por ter uma eclipsada narrativa ao não ser consistente a mostrar a difícil escolha que o coração de Bella terá de tomar,ainda que explora o rídiculo triângulo amoroso Edward - Bella – Jacob melhor do que em New Moon. Agradará os fãs da saga, como sempre, mas não terá grande impacto nos restantes cinéfilos.


EXAME

Realização: 5/10
Actores: 4/10
Argumento/Enredo: 3/10
Duração/Conteúdo: 5/10
Efeitos/Fotografia: 8/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 5/10

Média Global: 5/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação

Título em português : A Saga Twilight : Eclipse
Título Original: The Twilight saga: Eclipse
Ano: 2010
Realização: Chris Weitz
Actores: Kristen Stewart, Taylor Lautner, Robert Pattison , Billy Burke

Trailer:





VER TAMBÉM:

Twilight (2008) , por Sarah Queiroz
Photobucket

domingo, 28 de outubro de 2012

Looper - Reflexo Assassino (2012)

Não, não é de todo um novo Matrix. Mas poderia ser.

Viagens no tempo. Temática que adoro, e docemente familiar. Já em Terminator vía-se a premissa de alguém do futuro chegar ao passado para assassinar alguém.  Contudo, em Looper vemos algo diferente – é alguém do futuro que chega ao passado para ser liquidado. Estranho? Parece que sim. Mas Looper é mesmo assim, diferente e constitui uma experiência cinematográfica profunda que acaba por cruzar diversos géneros e não se limita apenas à acção ou à ficção científica.  Devo dizer também que a película acaba por divergir bastante do que é mostrado nos trailers; o que se tornou uma agradável surpresa, pois ao invés de ser um filme oco e repleto de cenas de acção é um filme com pés e cabeça, lógico e com profundidade. É um tipo de sci-fi inteligente, que nos deixa a pensar e que acaba por utilizar as cenas de acção e outros artifícios pontualmente. 
A história passa-se em 2044/2074. A sinopse que é transmitida e que basicamente apreendemos dos trailers é a seguinte: quando a máfia quer eliminar alguém, envia o seu alvo para o passado, 30 anos para trás no tempo, onde um "looper" - um assassino contratado, como Joe (Joseph Gordon-Levitt) – está à sua espera para o assassinar. A vida corre bem a Joe até que certo a máfia decide “fechar o ciclo”, enviando-lhe um novo alvo do futuro: ele próprio (Bruce Willis). Mas a história tem muito mais profundidade do que isto.

Looper é um filme que se torna interessante no sentido em que não explica excessivamente o que ocorre; simplesmente não é necessário. Um filme como eu gosto: do tipo em que é expectável um certo grau de inteligência para compreender alguma coisa sem que tenha de receber todas as explicações da forma mais explícita possível. Todo o filme brilha pelo ambiente futurista e seus detalhes, a fotografia, a narrativa lógica, o enredo profundo e personagens interessantes. Gosto também do facto de, e tal como referi no início, a acção não se sobrepôr ao que realmente importa no filme. Li em críticas especializadas que, apesar de ter sido universalmente bem recebido, existem alguns elementos desnecessários em Looper, como a telecinética/mutações genéticas. Devo dizer que discordo seriamente com isso, pois acaba por explicar uma componente fundamental da longa.


Se chega a estatuto de obra-prima? Infelizmente, não. Mas poderia muito bem ser. Existem de facto pontos negativos incontornáveis. Posso começar por dizer que esperava muito mais interacção por parte dos dois actores principais, Willis e Gordon-Levitt. Estamos sempre à espera de mais confronto entre estes e que acaba por acontecer uma ou duas vezes. Basicamente esperamos por um clímax que nunca acontece. E com isto chego a um outro aspecto negativo, o final. Não me faz qualquer sentido. Quer dizer; sentido até fez, é um final expectável e justificado na medida em que acaba por estar a par da ideia narrativa que se criou ao longo da trama. Acaba por ser o mais acertado, sim, mas desiludiu-me. O final do “herói” foi forçado. Ao longo da película vamos percebendo que o Joe do passado é uma pessoa egoísta, fria e racional. Uma pessoa que entrega o seu melhor amigo sem muita pressão ou que não hesita em assassinar a sua versão com 30 anos em cima não é lá muito emocional ou sentimentalista. Assim, um final em que este surge como o herói não me faz muito sentido. O filme seria muito melhor se tivesse limado estas duas arestas que acabei de referir. Mas isto sou eu, há quem discorde certamente. 

Relativamente às performances dos actores, devo dizer que Joseph Gordon-Levitt é mesmo mimo. Creio que o actor já não tem nada a provar, mas surpreende sempre em cada filme. Gordon Levitt, que interpreta o protagonista Joe do passado, parece retirado de um filme noir e que contrasta tão bem com o ambiente sci-fi. É incrível como a maquilhagem, as lentes de contacto e até os próprios maneirismos do actor o transformaram por completo num Bruce Willis jovem. Já  Bruce Willis está muito bem em todas as cenas, quer de cariz emocional quer as de acção. Relativamente ao elenco secundário, creio que é mesmo dominado pela performance de Jeff Daniels como Abe. Emily Blunt desiludiu-me: a carinha laroca realmente não é tudo.

Concluindo, Looper é thriller de acção, com elementos de ficção científica e romance e até humor negro.  É um filme bem conseguido, ganhando pontos nas excelentes realização e cinematografia, no ritmo acertado, na inteligente abordagem e no equilíbrio entre géneros, mas perdendo por um terceiro acto que quase deixou tudo a perder. Contudo, é um filme intenso, inovador, entretém e é uma óptima experiência cinematográfica. Recomendadíssimo.



EXAME

Realização: 9/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 8/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 8/10 

Crítica feita por Joana Queiroz

Informação

Título original: Looper
Título em português: Looper-Reflexo Assassino             
Ano: 2012
Realização: Rian Johnson
Actores: Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis, Emily Blunt

Trailer:

domingo, 21 de outubro de 2012

Sherlock Holmes (2009)

Guy Ritchie deixa a guerra aberta entre gangsters e passa para o desafio subtil com o maior detective do mundo... a seguir ao Batman.

Confesso que nunca fui grande leitor das histórias do detective e o seu fiel amigo doutor criadas por Sir Arthur Conan Doyle (lembro-me de no 8º ano ter sido obrigado a ler em inglês um livro que punha o Sherlock e o Watson atrás de diamantes que afinal estavam escondidos na barriga de gansos... alguém que me comprove se tal história existe...), mas conheço as personagens. Fui ver este filme ao cinema com um grupo de amigos, porque foi o eleito da noite e eu pensei “Epá, o Robert Downey Jr.  é bacano- mas não é inglês...- , o Jude Law nunca me decepcionou muito, não deve ser muito mau”. O que mais me afligia era o nome do realizador: “Espera aí, mas o Guy Ritchie não faz filmes de tiroteios nos subúrbios londrinos? Será mesmo a pessoa mais indicada para contar uma história de mistério e investigação?”. A resposta é um redondo: SIM!

Estamos no final do século XIX. Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) é um detetive conhecido por usar a lógica dedutiva e o método científico para decifrar os casos nos quais trabalha. O dr. John Watson (Jude Law) é o seu fiel parceiro, que sempre o acompanhou nas suas aventuras. Porém esta situação está prestes a mudar, já que Watson pretende  casar com Mary Morstan (Kelly Reilly). Isto não agrada a Holmes, que não deseja o afastamento do colega. O último caso da dupla envolve Lorde Blackwood (Mark Strong), por eles preso ao realizar um ritual macabro que previa o assassinato de uma jovem. Blackwood já havia matado quatro mulheres e tem fama junto da população de ser um poderoso feiticeiro. Ele é preso e depois condenado à forca, mas é misteriosamente visto a deixar o túmulo onde o seu caixão foi deixado. Holmes e Watson são chamados para solucionar o caso e logo este se torna um grande desafio para o detective, que não acredita em qualquer tipo de magia. Pelo meio regressa Irene Adler (Rachel McAdams), uma ladra experiente por quem Holmes tem uma queda.

Acho que tenho que começar pelo óbvio: a química entre Downey Jr. e Jude Law. O filme não resultaria se a relação de irmãos de Holmes e Watson não nos parecesse verdadeira. E parece! Os actores relacionam-se muito bem, os diálogos e as discussões são fluídos e a sua amizade já é tanta que há literalmente uma cena em que Watson dá um soco a Holmes na cara! Digo-vos: são filmes destes que cada vez mais me fazem pensar que deveria existir um Óscar para “Melhor Dupla num Filme”.

Apesar de Mark Strong ser considerado um “vilão genérico” em todos os filmes que entra,penso que aqui não seja tanto assim. A sua performance não é por aí além, mas é competente e a história é de facto interessante, atirando-nos mistério atrás de mistério e roçando o sobrenatural sem deixar a realidade. E o melhor é que tudo nos é explicado e bate certo no fim. Os diálogos estão muitíssimo bem construídos, principalmente os monólogos de lógica dedutiva de Holmes, que até são bastante engraçados, principalmente quando interpretados com a mestria de Downey Jr. Rachel McAdams não está má, mas de facto podia estar muito melhor. E se queriam uma femme fatalle que de facto controlasse Holmes, teria sido melhor recorrerem a uma actriz mais experiente. O papel dela torna-se interessante não por ela, mas pela pessoa para quem trabalha e o seu plano...

Para além da parte de “investigação de detectives”, também temos direito a algumas cenas de acção e é aqui que se revela brilhante o contributo de Ritchie: este realizador sabe de facto dirigir cenas de acção bem coreografadas, visualmente apelantes e ,ao mesmo tempo, cómicas! Mata 3 coelhos de uma cajadada! Para além disso, faz um óptimo uso do slow motion, que nunca é utilizado ao estilo Zack Snyder só para dizer: “Olha para mim, tenho estilo!”. Antes, é utilizado nas cenas de acção para representar o planeamento de Holmes, que consegue sempre antecipar os movimentos do adversário (saliento a cena do combate de boxe!) e isto é feito de forma sublime! Quanto a cenas de acção cómicas, é ver Holmes e Watson a lutar (ou será fugir?) contra Dredger.

A banda sonora está a cargo de Hanz Zimmer. Palavras para quê... Este senhor faz sempre trilhas em que eu digo facilmente “Epá, isto é Zimmer!”, mas em que também consegue ser diferente. E nunca vi nada mais diferente do seu reportório habitual do que a música deste filme. Nem consigo descrever: é um misto de música de acção à la Zimmer com sons romenos e tonalidades de música folk irlandesa (até temos direito a ouvir a “Rocky Road To Dublin” dos Dubliners!). É Hanz Zimmer, mas com aquilo que também esperaríamos de um filme típico de Guy Ritchie! A junção é perfeita e enquandra-se muito bem no filme. É , de facto, das bandas sonoras mais detalhas e “distintas” que ouvi nos últimos anos. Que diabos, o Zimmer até foi buscar um piano partido para poder transmitir sons diferentes!

O único ponto menos bom são os efeitos visuais que, às vezes, vemos claramente que são CGI, principalmente no cenário utlizado na cena final, que é mesmo exagerado...

Outra coisa que essa, Sherlock Holmes é uma abordagem refrescante de Guy Ritchie aos filmes de investigação, mostrando que estes também podem ser cómicos, inteligentes e ter muita acção. E com o elenco que tem, está mais que recomendado!

EXAME

Realização:
 8/10


Actores: 8.5/10
Argumento/Enredo: 8/10
Duração/Conteúdo: 7.5/10
Banda Sonora: 8/10
Efeitos/Fotografia: 6.5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 7.8/10

Crítica feita por Rodrigo Mourão


Informação


Título em português
: Sherlock Holmes
Título original: Sherlock Holmes
Ano: 2009
Realização: Guy Ritchie
Actores: Robert Downey Jr.  , Jude Law, Mark Strong, Rachel McAdams


Trailer do filme:


sábado, 20 de outubro de 2012

Unthinkable - O Dia do Juízo Final (2010)



Há filmes que pouco sentido têm. Há outros que pretendem ter muito sentido, mas falham. E ainda há uma terceira categoria de filmes em que se conta uma simples história, e consegue-se transmitir, ainda assim, uma mensagem muito clara, sendo essencialmente o que conquista o espectador. É neste exacto aspecto que se enquadra Unthinkable, filme de 2010 que infelizmente só agora conseguiu obter distribuição nacional. É um filme que retrata de uma maneira brilhante a problemática "os fins justificam os meios?", que sem dúvida sublinha o carácter imprevisível e indecifrável do potencial do comportamento humano. A questão, muito basicamente, gira em torno de como poder resolver ou equacionar, as deficiências em relação aos direitos humanos, no que toca ao combate contra o terrorismo. Será que é admissível violar tais direitos, tendo em conta um fim maior? A colisão entre a defesa da dignidade da pessoa contra a segurança geral da população é evidente e frenética.

A premissa do filme não é mesmo mais do que isso: Depois de ter colocado três bombas nucleares em três cidades distintas, Yusuf (Michael Sheen), é capturado pelo FBI. Quem fica a cargo do interrogatório é a agente Helen Brody (Carrie-Anne Moss), que apenas tem algumas horas para saber do paradeiro das bombas antes da detonação. Só que, tendo pouco sucesso, só poderá contar com a ajuda do agente H (Samuel L. Jackson), um especialista em tortura, cujos métodos para obter as respostas são bastante controversos, ou até mesmo bárbaros, que irão pôr em causa bastantes questões éticas. Será preciso recorrer-se ao "impensável"? Acho que é evidente que se pode esperar aproximadamente 100 minutos de pura tensão. O que valoriza ainda mais o trabalho do realizador Gregory Jordan, foi a capacidade com que transmitiu o que pretendia, com um grau de realismo incrível, conseguindo apelar ao espectador relativamente a temáticas bastante pertinentes e actuais. É assustador, o carácter realista, porque não são poucas as vezes que se julga alguém até mesmo antes de se obter provas concretas. O filme consegue consegue ser bastante violento e perturbador, o que é capaz de ferir algumas susceptibilidades. Não será, nesse medida, dos filmes mais fáceis de assistir, especialmente quando Carrie-Anne Moss transmite da maneira perfeita o horror de presenciar aos tormentos fisícos sofridos por Yusuf (Michael Sheen). O problema do filme reside, talvez, nesse ponto, pois perde-se um bocado nas cenas de tortura em detrimento da narrativa, que não deixa de ser mediana, quando tinha o potencial de ser verdadeiramente excelente devido à temática abordada.


Sinceramente penso que o elenco não podia ter sido escolhido da melhor maneira, e está aqui outro dos grandes méritos do filme. Samuel L. Jackson é um verdadeiro senhor da representação, desenvolvendo com tremenda competência a sua personagem. Não é de surpreender, mesmo assim, dou todo o mérito ao actor por desempenhar tão intensamente uma personagem que, já por si complexa, não é fácil de tornar credível. Michael Sheen não fica certamente atrás: intrigante ao máximo, conseguiu captar a minha total atenção de início ao fim, no papel de um terrorista determinado que varia entre o ódio e o desespero nas suas acções. Carrie-Anne Moss também se apresenta bastante competente no papel da agente do FBI Helen, e na minha opinião consegue finalmente desligar-se e autonomizar-se do mítico papel em Matrix, onde desempenhava Trinity.

Resumindo, é um belo título para se ver, não obstante possuir os seus problemas. Tem as devidas qualidades, a destacar a forte mensagem que transmite, que faz com que valha a pena a sua visualização. Porém, apesar de ser um thrillher psicológico de elevada tensão com um potencial enorme, infelizmente nunca atinge o nível esperado. Mas que deixa o espectador a pensar... Isso deixa.


EXAME

Realização: 7/10 

Actores: 8.5/10 
Argumento/Enredo: 6/10 
Duração/Conteúdo: 7/10 
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7.5/10 

Média Global: 7.3/10 


Crítica feita por Sarah Queiroz 


Informação 


Título original: Unthinkable 

Título em português: O Dia do Juízo Final
Ano: 2010
Realização: Gregory Jordan
Actores: Samuel L. Jackson, Michael Sheen, Carrie-Anne Moss

Trailer:


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

The Possession (2012)


The Possession é um filme curioso. Antes demais devo salientar que tem um título deveras original... Abstraindo-me desse facto, devo dizer que não dava muito pelo mais recente trabalho de Ole Bornedal. Provavelmente foi devido ao último filme de exorcismos que vi, o The Devil Inside, que sinceramente é dos piores filmes que alguma vez tive oportunidade de assistir. Mas o curioso, é que The Possession é daquelas películas que uma pessoa não sabe exactamente o que achar ou até extrair da mesma. É longe de ser um péssimo filme... Só que no entanto, acaba por ser mais outro filme sobre demónios, roçando o genérico e previsível e que acaba por cair redondamente nos clichés do género, com pouco de novo a oferecer. Porém, bem esmiuçado, tem alguns aspectos positivos que o fazem minimamente interessante, mesmo que a nível conceptual. Existe essa dualidade, porque nem tudo é mau. Mas também não há nenhum elemento que faça uma pessoa correr até ao cinema. 

Sinopse (PUBLICO): Vagueando por uma venda de garagem organizada pelos vizinhos, a pequena Em (Natasha Calis) sente-se imediatamente atraída por uma velha caixa de madeira. Depois de convencer o pai a comprar o objecto, leva-o para casa e cria uma estranha obsessão por este. Clyde e Stephanie (Jeffrey Dean Morgan e Kyra Sedgwick), os seus pais, sentindo-se culpados pelo seu recente divórcio, começam por julgar que essa estranheza de comportamento se deve às dificuldades em aceitar a nova situação familiar. Porém, quando a criança se torna verdadeiramente agressiva, acabam por perceber que aquela mudança coincide com a chegada do misterioso objecto. É então que descobrem que a caixa foi criada para conter um espírito maligno e que, ao abri-la, a criança foi possuída por ele. Desesperados por ajudar a criança, depressa compreendem que a ciência não tem todas as respostas e que, neste caso, a ajuda pode estar para lá da simples razão.


O problema do argumento reside no facto de haver muitas pontas soltas. E não é só isso. Como a narrativa não se torna propriamente complexa, pois o aprofundamento substancial fica-se mesmo pelo básico, inevitavelmente The Possession torna-se aborrecido de previsível que é. Mesmo para os menos atentos, não é difícil adivinhar o desenrolar da história, e esse carácter de previsibilidade e o facto de estar envolto em inúmeros clichés, são dos aspectos menos positivos que saltam mais à vista. O clímax final está, com certeza, assente numa atmosfera bem assustadora, mas para chegar lá os espectadores têm que penar muito. Torna-se difícil sustentar tanto minuto em que não se passa lá grande coisa.


Os méritos do filme são a dois níveis: a nível de fotografia e na construção das personagens. Em relação ao primeiro aspecto, há sequências verdadeiramente bem construídas e o realizador não falha nessas a criar a devida antecipação. Mas o problema é que ficamos pela antecipação. O suspense está lá, com certeza, mas a nível de sustos... Difícil. A cena inicial é bastante promissora. É um grande começo, a acentuar bem o estilo do filme. Infelizmente, não manteve o nível durante os minutos restantes. Isto porque o nível de originalidade depois chegou ao zero. E para não falar da edição/montagem de som que, muito sinceramente, está péssima. Em relação ao segundo aspecto, há que dar mérito ao filme por dar às personagens alguma história bem desenvolvida, não obstante ser daqueles melodramatismos clichés, porque é daqueles aspectos que os filmes de terror geralmente falham.

Jeffrey Dean Morgan está bastante bem no papel de Clyde, o recém divorciado treinador de basquete e pai de Hannah e Em (Madison Davenport e Natasha Calis). Sinceramente penso que é o único actor (adulto) que se destaca neste filme, porque infelizmente Kyra Sedwick, apesar de competente, não tem propriamente grande oportunidade de brilhar, talvez só no 3º acto. Madison Davenport é que está verdadeiramente espectacular, creio que fez um excelente trabalho na construção da personagem Em (a possuída) e foi muito bem sucedida na "metamorfose" que a personagem sofre. Também se calhar é devido ao facto de ser a personagem com mais densidade, mas mesmo assim, dou grande mérito à actriz por proporcionar grandes momentos de tensão e de arrepiar a espinha, com tenra idade.

Para ser franca, é mesmo daqueles filmes que se vê à vontade, mas não perdura na memória. É esquecível, embora deva salientar que não é desprovido de elementos assustadores, porque até tem sequências bem executadas. Só que as falhas a nível estrutural são demasiado evidentes; O que é pena, porque é um filme que tinha potencial para ser muito, mas muito melhor. Mas a tentativa forçada de se evidenciar acabou por não ser particularmente bem sucedida. No entanto, é uma escolha razoável ao ponto de valer a pena dar uma olhadela. Não esperem é mais que razoável.


EXAME

Realização: 6/10 

Actores: 6.5/10 
Argumento/Enredo: 6/10 
Duração/Conteúdo: 6/10 
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 6/10 

Média Global: 6.1/10 


Crítica feita por Sarah Queiroz 


Informação

Título original: The Possession 
Título em português: Possessão 
Ano: 2012 
Realização: Ole Bornedal 
Actores: Jeffrey Dean Morgan, Kyra Sedgwick, Madison Davenport 

Trailer:


domingo, 7 de outubro de 2012

Grave Encounters 2 (2012)


Após o relativo sucesso de Grave Encounters (2011), The Vicious Brothers retomaram a sequela enquanto argumentistas, uma vez que foi o estreante John Poliquin que tomou desta vez o lugar de realizador. Confesso que estava bastante expectante em relação a esta sequela, pois devo dizer sou bastante fã do primeiro. Claro que não é, de longe, perfeito, mas conseguiu proporcionar bons momentos de entretenimento. Mas lá está, o preconceito generalizado de que as sequelas são sempre sofríveis conseguiu, ainda assim, invadir-me o pensamento. Especialmente neste caso, pois o final do primeiro filme deixou-me dos maiores pontos de interrogação a pairar na minha cabeça, de sempre. Não sabia mesmo o que esperar da sequela... Pois bem, Grave Encounters 2 surpreendeu-me, na medida em que se apresenta como uma sequela bastante aprimorada: arrisca a mais níveis que o original, continuando a ser igualmente assustador e bizarro. Mas não é mais do mesmo? Detém a mesma energia frenética que o primeiro? Sim e não.



Em relação ao aspecto mais positivo de Grave Enconteurs 2, tenho que destacar a solidez do argumento. Agora é em Alex (Richardo Harmon), um aspirante realizador, que o filme se foca. Obcecado em saber se os eventos de Grave Encounters são reais ou não, Alex e mais um grupo de amigos decidem investigar o temível hospício para verem por eles próprios o que realmente aconteceu... Claro que, tal como o seu antecessor, continua envolto alguns clichés, mas penso que melhorou consideravelmente, para além da construção da história e a ligação ao primeiro filme estarem absolutamente perfeitos. Consegue despertar o interesse e mantê-lo durante todo o filme e não falha na antecipação que cria.

Poliquin conseguiu trazer ao filme uma nova vitalidade, pois mantêm-se o vibe e o ambiente do primeiro filme, ao mesmo tempo que providencia um maior nível de realismo e originalidade. Para estreia, esteve bastante bem. Aliás, é difícil apontar erros na sua visão. Juntamente com o argumento dos The Vicious Brothers, quase que é possível apreender que Grave Encounters 2 é uma sequela perfeita. Só que... Oh não, o temível terceiro acto acontece. A sério que não percebo. Caiu-se no mesmo erro que o primeiro: os momentos finais quase que deitavam tudo por água abaixo. Porque é que hoje em dia é complicado para os filmes chegaram a um final satisfatório? Tira-me do sério que bastantes minutos do filme tenham sido desperdiçados em cenas desnecessárias e que se tenha tomado determinado rumo. Foi preciso mesmo chegar aos últimos minutos para melhorar. Enfim, se calhar até é propositado, mas é uma canseira para se chegar lá. É que o filme acaba por se tornar fragmentário, para além de algumas técnicas de câmara serem menos bem sucedidas.

Outro dos grandes méritos do filme reside nas suas personagens. O elenco é bastante impressionante e autêntico, proporcionando ao espectador o realismo necessário para nos levar a crer que é mesmo verdade os acontecimentos que estão a ocorrer. Em Grave Encounters 2 houve a preocupação de desenvolver melhor as personagens, o que é de louvar. Acompanhamos melhor se tivermos algo mais para nos podermos relacionar. É que, como já referi, a atmosfera do filme está imensamente envolvente e exacerbada, e isso coadjuvado com personagens interessantes, é um grande trunfo. E é claro, o regresso de Sean Rogerson do original também é óptimo. Aliás, é brilhante, especialmente quando é uma personagem tão familiar ao mesmo tempo que irreconhecível...


Film Review: Grave Encounters 2 (2012) Grave2Pix1 É inevitável estabelecer comparações entre a sequela e o original, mas felizmente este não é dos casos em que a sequela falha redondamente. Apresenta uma grande solidez narrativa, personagens bem construídas e credíveis, boa atmosfera com uma pitada de originalidade e, claro está, é imensamente apelativo e assustador. Não obstante algumas falhas, é uma sequela que vale mesmo a pena dar uma olhadela. Quem gostou do primeiro vai definitivamente gostar deste, pois está melhor que o original. Detém vários elementos que o tornam mais interessante, apesar de, tal como o primeiro, estar longe da perfeição. Mas está mais "amplificado" a todos os níveis, e é inteligente ao ponto de saber o que os fãs querem, e inova à mesma. Acho que não se pode esperar melhor de uma sequela.


EXAME


Realização: 7/10
Actores: 7/10
Argumento/Enredo: 7.5/10
Duração/Conteúdo: 7/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 7.1/10

Crítica feita por Sarah Queiroz

Informação

Título original: Grave Encounters 2
Título em português: Grave Encounters 2
Ano: 2012
Realização: John Poliquin

Trailer:



VER TAMBÉM

- Grave Encounters (2011)

- TOP 10 Filmes Found-Footage