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domingo, 29 de maio de 2011

The Tree of Life (2011)

"Father. Mother. Always you two wrestling inside me."

Saí do cinema um pouco atordoada, sem saber o que pensar mas ter muito que processar. É de difícil tarefa falar sobre The Tree of Life, pois não há como o fazer. Este filme não é para ser explicado, mas sim para ser visto e ser visceralmente sentido na sua total dimensão. A sua unicidade que intimida faz com que ainda esteja a teorizá-lo e a digeri-lo, definitivamente.
O filme tem como história…bem, não há como definir a “sinopse” do filme, pois basicamente tem como principal tema a vida, em toda a sua dimensão. Desde a origem dos primeiros átomos que desencadearam as primeiras reacções para a origem do Universo, até à sua expansão na criação do tempo e matéria; a origem e crescimento do Planeta Terra, os dinossáurios; o crescimento na América dos anos 50 à vida no mundo pós-moderno onde os edifícios arranham o céu. Tudo isto tem o seu background na história de uma família, em que acompanhamos Jack (Hunter McCracken enquanto criança, Sean Penn em adulto) desde o seu nascimento até à idade adulta, da perda da pureza à tra
nsformação num homem maduro que é parte integrante da civilização pós-moderna. Jack, o mais velho de três irmãos, é educado segundo duas visões contraditórias da realidade: a ternura e conforto da mãe (Jessica Chastain) e autoritarismo do pai (Brad Pitt).

O filme é de facto bastante especial e pouco ortodoxo. Vai de encontro aos filmes da nova Hollywood (e ainda bem). O filme tem uma narrativa pouco linear, temos por um lado a vida de uma família texana nos anos 50 e em paralelamente vemos uma cidade urbana e moderna que dá lugar a um Jack adulto muito desorientado. Na minha opinião, o filme é arrítmico, digamos assim, porque creio que mesmo não tendo uma linha de narrativa poderia ser um filme com menos paragens. É bastante parado às vezes, tendo os seus momentos altos na personagem de Brad Pitt, expressões do Sean Penn e as imagens arrepiantes do Universo ao som de uma belíssima banda sonora. Contudo, não é intenção de Malick dar-nos um filme óbvio com uma determinada linha. É nossa tarefa deambular entre magníficos planos, como manipulados pelo realizador. O enredo avança com muito pouco diálogo, basicamente muito ao estilo de Malick com as vozes off sussurrantes (que confesso que a dada altura já não conseguia com a frase “father, mother”). Só acho que a transmissão da mensagem poderia ser feita de outra maneira. Considero que a premissa é excelente mas não é concretizada na sua totalida
de. O filme seria excelente em versão de documentário. Eu vejo muitos, e este seria o meu favorito de certeza.

Terrence Malick dá-nos uma experiência sensorial perfeita, e é realmente no abstracto que o realizador se dá melhor. Magníficos closer shots e os planos são incrivelmente bem planeados. As cenas do espaço são irremediavelmente as minhas favoritas, devo dizer, são impressionantes e até comoventes- mostram o quão pequenos realmente somos, dentro de tamanha imensidão. Todas as imagens são memoráveis e escolhidas a dedo por Malick, tudo surge exactamente quando tem que surgir. É na cinematografia que o filme tem todo o seu esplendor, é de facto arrebatador e só por isso vale a pena ter esta experiência no cinema. Toda a fotografia e edição estão assombrosas, o nível técnico é o principal destaque de The Tree of Life. A abordagem do realizador é muito interessante. Terrence Ma
lick fez algo tão transcendente que o nosso cérebro não consegue absorver tudo de uma vez. Malick empurra-nos para diversas dicotomias, que vão deste a ternura da Mãe e a rigidez do Pai, o Bem e o Mal e ao início da vida e à conclusão; Malick mostra-nos que tudo tem um início e um fim, mostrando-nos da Criação ao colapso do Universo. Contudo, acho que esta perspectiva evolutiva poderia estar ainda melhor se fossem incorporados outros elementos. Sim, o filme não se centra nisso, mas poderia tornar-se ainda mais interessante. Somos bombardeados com tal esplendor que depois sentimos que queríamos mais. O festival de cores e dinâmica visual é completamente perfeito. Sem dúvida, Malick brinda-nos com uma obra metafísica do Cinema.

A interpretações dos actores é também um grande destaque no filme. Tenho pena que Sean Penn entre tão pouco no filme, mas a sua presença já diz tudo. É um magnífico actor, e o seu não verbal diz tudo. As crianças são uma surpresa, especialmente Hunter McCracken que interpreta Jack, e Jessica Chastain está competente. Brad Pitt está absolutamente brilhante e é nele que foco toda a minha atenção. Foi imponente e adorei todas as cenas com ele, interpretou magnificamente bem a sua personagem.

O filme transcende em todos os aspectos. Acredito indubitavelmente que há muita gente que não goste; seja pelo estilo peculiar, seja pela complexidade, seja pelos temas abordados, seja pela extensa duração, seja pela narrativa não linear; é um filme que não é para toda a gente, sim, e pode desiludir. Contudo, vale a pena entrar mais uma vez na genialidade de Terrence Malick. Nunca saí de uma sala de cinema assim. Mexeu literalmente com todos os meus sentidos, não parava de pensar nele e na experiência que vivi; agora cabe-me a mim partilhar a experiência com os outros.

EXAME

Realização: 9/10
Actores: 9/10
Argumento/Enredo: 8/10
Banda Sonora: 9/10
Fotografia: 10/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 6/10

Média Global: 8.2/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação

Título em português: A Árvore da Vida
Título Original: The Tree of Life
Realização: Terrence Malick
Ano: 2011
Actores: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chainstain

Trailer do filme:

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sem Identidade (2011)

Jaume-Collet Serra (conhecido realizador de “A Orfã” e “A Casa de Cera”) tinha várias formas de contar esta história. Podia virar o filme completamente ao contrário bem à moda de Tarantino, podia andar para a frente e voltar para trás constantemente e podia fazer o que fez. Fez o que fez, e fê-lo muito bem feito. “Sem Identidade” conta-nos a história de Martin Harris (Liam Neeson), um cientista que se desloca a Berlim para uma conferência mas que tem um infeliz acidente de carro que o deixa em coma durante 4 dias. Quando acorda, depara-se com um mundo que ignora de uma forma radical a sua existência. Ninguém sabe quem ele é e outra pessoa assumiu a sua identidade. A sua mulher não se lembra dele, bem como os seus colegas. As poucas provas que poderia ter vão-lhe escapando por entre os dedos e os danos causados na sua memória deixam-no arrasado. E mais não posso contar.

Esta é a premissa do filme e é isso que o torna delicioso. Mas atenção, delicioso apenas no fim. Houve alturas durante o filme em que só pensava que iria “estripar” esta longa-metragem no nosso blogue, que iria reclamar o dinheiro do bilhete. Há pouca acção e muito diálogo. Mas a premissa do filme consome-nos, leva-nos a resistir a tudo para saber o que se passou com Martin Harris e aqui devo reconhecer uma certa genialidade nos argumentistas. Anteciparam todas as reacções, sabiam que tudo iria ser lento demais, tinham de dar algo a
os espectadores que os fizesse ter paciência, e deram. Afinal, uma obra tem de ser avaliada no seu todo, é para esse propósito que o filme é produzido e no final odiei-me por ter pensado que o filme estava perdido. É que cheguei mesmo a pensar que no final eles não iriam conseguir sair de tamanha odisseia e que o esperado grande final seria um enorme fail. No entanto, os dois twists finais são brutais, adorei o entretenimento, a revolta, a curiosidade, a (im)paciência. Dei por mim a torcer por Martin Harris como se ainda se pudesse mudar o fim da história. Enfim, o filme causou em mim imensas sensações e reacções e isso só pode ser bom. Outro ponto genial deste argumento é que no início a história parece fechar todas as possíveis saídas e explicações para aquilo estar a acontecer, o que torna o final ainda mais épico. Grande história, com um final bem conseguido e que é muito bem aceite. Acima de tudo, uma história extremamente bem contada. Para a realização, um prémio para os pequenos detalhes que este filme contém e que são muito relevantes para a história. Não me vou alongar senão sou levado ao Tribunal dos Spoilers, mas há certos movimentos e certas deixas de certos personagens que nos deixam a pensar que o actor não tinha dormido naquela noite ou não tinha decorado o texto, quando depois tudo faz sentido. Esta explicação assenta-se perfeitamente em January Jones, odiei-a durante todo o filme, parecia tão fora do contexto. Mas no final, sim, esteve sempre dentro do contexto.

Liam Neeson está em grande. A personagem Martin Harris assentou-lhe como uma luva.
Sempre adorei este actor, é um daqueles casos em que não percebo como é que os prémios lhe escapam, grande actor. O mesmo para Diane Kruger, aliás, sei que sou suspeitíssimo para falar, mas todos os actores que participaram em “Sacanas Sem Lei” têm arrancado por aí grandes interpretações. Diane Kruger representou na perfeição uma personagem que era um oásis no meio do deserto de Martin Harris e que de certa forma queria também enviar umas mensagens cá para fora sobre a imigração ilegal na Alemanha. Uma boa nota ainda para Frank Langella, um autêntico mestre, que depois de “Frost/Nixon” se tem dedicado a estes pequenos papeis que lhe ficam muito bem. Gostei também do detective nazi alemão que ajuda Martin Harris a “encontrar-se”, desempenhado pelo actor Bruno Granz, que já tinha impressionado em “O Leitor” e “O Complexo de Baader Meinhof”.

Passando agora à parte técnica, uma banda sonora muito fraquinha. Penso que aqui também se deve àquela confusão que acabamos por fazer com o género deste filme. Um filme de acção sem grande acção e por isso uma banda sonora que acaba por passar despercebida. Em relação à fotografia, penso que se poderia ter
tirado muito mais partido da cidade de Berlim, especialmente da noite de Berlim, ambiente em que são filmadas várias cenas. Quando à realização, volto a elogiar os timings que foram utilizados para o revelar de certos pormenores muito importantes e o trabalho com os actores que foi determinante no “encobrir” de uma história que no fundo era perfeita. Fazendo a inevitável comparação com uma das grandes surpresas do ano de 2007, o “Taken” de Pierre Morel, com Liam Neeson no principal papel, são duas personagens muito parecidas mas que Liam Neeson consegue dissociar perfeitamente. Taken tem mais acção, mais realismo, mais sensibilidade e mais emoção. “Unknow” tem mais racionalidade, mais conspiração, mais calculismo. Dois filmes totalmente diferentes mas que chegam a ser muito próximos. Espero uma co-realização de Serra e de Morel, para nos darem uma mistura de ambos os filmes e daí sair uma obra-prima.

Em resumo, um grande filme, uma grande história. Algumas pontas soltas, algumas falhas daquelas que nos fazem rir, mas que nem vale a pena mencionar. No final, só fica a ideia de uma história que nos faz pensar e falar nela durante muitas horas e que nos entreteu e consumiu de uma forma que adorámos.

EXAME


Actores:
9.5/10

Realização:
9/10
Banda Sonora: 5.5/10
Fotografia: 6.5/10
Duração/Conteúdo: 9/10
Argumento/Enredo:
10/10

Transmissão da mensagem para o espectador:
9/10


Média Global: 8.4/10


Crítica feita por Pedro Gonçalves


Informação

Título em português:
Sem Identidade
Título
Original: Unknown
Realização:
Jaume Collet-Serra
Ano:
2011
Actores: Liam Neeson, Dianne Krueger, January Jones

Trailer do filme:


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Estreias da Semana



Estreia amanhã nos cinemas portugueses, A Árvore da Vida, realizado por Terrence Mallick, que conta com as interpretações de Brad Pitt, Sean Penn e Jessica Chastain.

Sinopse (PÚBLICO): Um filme que acompanha a existência de Jack (Hunter McCracken enquanto jovem; Sean Penn em adulto) desde o seu nascimento, nos anos 50, até à idade adulta, da perda da inocência ao cinismo de um homem maduro que é parte da civilização pós-moderna. Jack, o mais velho de três irmãos, cresce dividido entre duas visões divergentes da realidade: o autoritarismo de um pai, ambicioso e descrente (Brad Pitt), com quem vive em perpétuo conflito, e a generosidade e candura de uma mãe (Jessica Chastain), que lhe dá conforto e segurança. Até que um trágico acontecimento vem perturbar o já de si frágil equilíbrio familiar... Quinta longa-metragem do aclamado cineasta Terrence Malick ("A Barreira Invisível"), "A Árvore da Vida" reflecte sobre a origem do universo e de como a tragédia da vida de um ser humano pode ser tão diminuta quando vista a uma escala global.

Trailer



Outras Estreias




Destino Infernal

Título original: Drive Angry 3D
De: Patrick Lussier
Com: Nicolas Cage, Amber Heard, William Fichtner







América

Título original: América
De: João Nuno Pinto
Com: Chulpan Khamatova, Fernando Luís, María Barranco, Raul Solnado










Nada a Declarar

Título original: Rien à Declarer
De: Dany Boon
Com: Dany Boon, Julie Bernard, Benoît Poelvoorde









Banksy - Pinta a Parede!

Título original: Exit Through the Gift Shop
De: Banksy

Water for Elephants (2011)

"It is the most spectacular show on Earth."

Water for Elephants tinha tudo para atingir um verdadeiro jackpot: baseado no best seller com o mesmo nome de Sara Gruen, um filme cujos cenários são mind-blowing, o ídolo Robert Pattinson, a bela Reese Whiterspoon e o soberbo Christoph Waltz. O que poderia dar errado?
O filme apresenta-nos Jacob Jankowski (Hal Holbrook), que já passou dos 90 anos e não consegue esquecer seus momentos da juventude nos anos 30. Vivia-se um período difícil da economia americana, que o levou a trabalhar num circo. Somos levados até a essa altura, enquanto era jovem (Robert Pattinson) e estudante de Medicina Veterinária. Ele conheceu a brutalidade dos homens para com os outros e também com os animais, mas encontrou a mulher por quem se apaixonou, Marlena (Reese Whiterspoon). Esta era Encantadora de Cavalos, a principal atracção e esposa do dono do circo: August (Christoph Waltz). August é um homem carismático, mas extremamente perigoso quando as suas duas paixões entram em jogo…

Sendo um filme baseado num best seller, é se
mpre difícil reproduzi-lo, constituíndo um grande desafio. Contudo, não vou abordar essa vertente pois não li o livro.
A história, sendo contada em flashback, tem os seus pontos fortes na introdução de Jacob, apesar de ser um pouco slow paced. A partir do momento em que Jacob conhece Marlene, o filme perde toda a sua força, pois considero que Pattison e Whiterspoon não têm qualquer química. O filme perde-se no melodrama e não sentimos nada, e há alguns diálogos muito cheesy. Conseguimos é sentir tudo na figura maléfica de August, sendo uma das principais qualidades da longa. O filme é provido de algumas personagens interessantes, mas devo dizer que o dono do circo August é mesmo a mais interessante. A trama é extensa, e dá-se pelo tempo passar, mas devo dizer que a partir do momento em que Rosie (a elefanta) entra em acção, o filme torna-se mais interessante. Ela é
a verdadeira estrela do filme, as cenas mais fortes são com ela e conseguimos criar uma ligação com este dócil animal. O humor também está presente em algumas cenas do filme, o que nos faz descontrair de alguma tensão provocada pela personagem diabólica interpretada por Christoph Waltz.

O realizador Francis Lawrence, a mente por d
etrás de I am Legend e Constantine, trouxe-nos um romance tradicional passado num circo. Contudo, a sua realização foi competente, já não se vê muitos filmes assim. Water for Elephants pinta um verdadeiro quadro do que realmente era a vida de circo nos anos 30, e o seu pequeno universo. Lawrence consegue os mais pequenos detalhes, o que é de facto incrível. Um grande ponto positivo no filme é a direcção de arte. Os anos 30 são recriados de uma maneira lindíssima, o guarda roupa e os cenários não deixam nada a desejar; os elementos cénicos estão de facto geniais. A cinematografia está muito poderosa em Water for Elephants.

Em relação aos actores,
não há nada de negativo a apontar. Robert Pattison, rotulado para sempre como o vampiro de Twilight, foi uma grande surpresa. Sim, não foi a interpretação do ano mas foi foi uma agradável surpresa. Reese Whiterspoon foi competente, apesar de sentir que lhe faltava alguma coisa. A química entre os dois primeiros deixa muito a desejar. Temos muito por onde olhar, mas nada para sentir. O grande destaque foi Christoph Waltz, sem grande surpresa; adoro o actor, já em Inglorious Basterds tinha sido divinal, mas em Water for Elephants consegue provar-nos mais uma vez o excelente actor que é. Waltz entrega-nos uma performance intensa e é um vilão sensacional.

De qualquer forma, Water for Elephants é um filme charmoso, com um ar clássico e apelativo, que brinda-nos com uma boa história, podendo ser melhor em alguns níveis. Como perguntei ao início "O que é que poderia dar errado?"; bom, com ingredientes tão promissores que o filme dispunha, considero apenas que o filme poderia ser ainda melhor.

EXAME

Realização: 8/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Efeitos/Fotografia: 9/10
Duração/Conteúdo: 5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 7.1/10

Crítica feita por Joana Queiroz


Informação

Título em português: Água para Elefantes
Título Original: Water for Elephants
Realização: Francis Lawrence
Ano: 2011
Actores: Robert Pattison, Reese Whitherspoon, Christoph Waltz

Trailer do filme:


domingo, 22 de maio de 2011

Barney's Version (2010)

Barney's Version estreou na passada quinta-feira nos cinemas portugueses. Não era propriamente minha intenção ver tão rapidamente este filme, grande parte devido ao facto de na sexta já ter ido ver os Piratas das Caraíbas, mas como ir ao cinema para mim é um must, não poderia ter recusado o convite do meu pai, claro está. E o certo, é que a obra baseada no livro de Mordecai Richler, é absolutamente magnífica, deixando-me estupefacta e surpreendida. À muito tempo não saía assim de uma sala de cinema! Irei em seguida explicitar o porquê. "A Minha Versão do Amor" parte de uma premissa simples, contando-nos a história de Barney Panofsky (Paul Giamatti), um empresário judeu de 65 anos que se sente só e infeliz. Num tom confessional, Barney faz uma retrospectiva das suas últimas três décadas, transportando-nos as neuras, complicações e problemas que giram em torno da sua vida e dos seus três relacionamentos, que o moldaram na pessoa que ele é hoje. Tendo o seu pai (Dustin Hoffman), sempre a seu lado, Barney leva-nos a conhecer os altos e baixos da longa e colorida vida.

É um filme que tem um começo curioso e enganador. Cheguei mesmo a pensar "pronto, vai ser daqueles filmes que não se percebe metade da história". Realmente tem um início um pouco desinteressante, mas que gradualmente vai cativando o nosso interesse. É nessa medida que considero que o filme está divido em duas partes. Mas depois chega certa altura em que
inevitavelmente nos encontramos 100% envolvidos na história. É muito envolvente e cativante mesmo, pois experienciamos todas as peripécias, experiências e desilusões da personagem, sendo impossível não nos identificarmos com a mesma. Isso diz muito do trabalho dos actores. Mais uma vez sou obrigada a sublinhar aquilo que digo na maior parte das minhas críticas: sem um elenco consistente, os filmes nunca serão grande coisa, mesmo que com excelentes argumentos. "Barney's Version" conta com um elenco arrebatador, em que todos estão espectaculares e contribuem para o sucesso do filme. A razão primordial pela qual nos encontramos tão cativados pela história de Barney, é porque Paul Giamatti interpreta-o magistralmente. Adorei a sua performance, mereceu mesmo ter ganho o Golden Globe! O que me surpreendeu mais é que assumiu a liderança do filme de maneira brilhante, quando tipicamente o vemos em papéis menores. Acho que este seu papel contradiz muitas pessoas que o consideram pouco versátil. Dustin Hoffman está delicioso neste filme, interpreta uma personagem muito bem caçada mesmo. Não me surpreendi com a excelente interpretação de Hoffman, pois já estava à espera que fosse muito competente. A dupla Giamatti & Hoffman proporcionam dos momentos mais hilariantes do filme. Rosamund Pike interpreta Miriam, o verdadeiro amor da vida de Barney, e não poderia ter sido melhor. Sublime é a palavra certa para descrever Pike.

No entanto, é um filme que peca bastante na sua duração, pois é excessivamente extenso (130 minutos mais coisa menos coisa), o que quebra bastante o ritmo. Alterna equilibradamente momentos hilariantes com momentos de reflexão, mas acaba por se tornar quase como um filme fragmentado, em que algumas sub-tram
as são desnecessárias. Penso que, se algumas cenas tivessem sido cortadas, o filme tornar-se-ia ainda melhor. Mas sinceramente este acaba por ser um problema mínimo, quando visto no panorama geral, pois os pontos positivos minimizam este ponto negativo. É um filme que nos dá a oportunidade de fazer a nossa própria introspecção sobre aquilo que fizemos e as escolhas que tomámos, sendo verdadeiramente tocante e cativante esse aspecto, é quase como um despertar para a realidade.

Em tom de conclusão, à muito tempo que não saía assim de uma sala de cinema. À muito tempo que não me deparava com um filme tão verdadeiro, tão engraçado e ao mesmo tempo incrivelmente triste, que me fez sair do cinema inundada de diversas emoções. Recomendadíssimo para quem procura filmes de excelente realização, argumento e elenco.


EXAME


Realização: 8.5/10
Actores: 9/10
Argumento/Enredo: 8.5/10
Duração/Conteúdo: 6.5/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 8.1/10

Crítica feita por Sara Queiroz


Informação

Título em português: A Minha Versão do Amor
Título Original: Barney's Version
Ano: 2010
Realização: Richard J. Lewis
Actores: Paul Giamatti, Rosamund Pike, Minnie Driver, Dustin Hoffman

Trailer do filme:

sábado, 21 de maio de 2011

Pirates of the Caribbean - On Stranger Tides (2011)

Acabadinha de chegar do cinema. É nessa condição que prefiro escrever as minhas críticas, quando ainda tenho as minhas ideias bem frescas na cabeça. Antes demais, não é segredo que detinha algumas expectativas em relação a Pirates of the Caribbean - On Stranger Tides. Não só se trata de Johnny Depp, mas também estava curiosa relativamente ao quão melhor ou pior este filme poderia ser em relação ao seu antecessor. Adianto já a boa notícia: É sem dúvida melhor que "At World's End", apesar de não ter o mesmo nível em termos visuais. Não é um filme que se destaque dos outros visualmente, mesmo que competente nesse aspecto. Com a realização de Rob Marshall, realizador que veio substituir Gore Verbinski, responsável pelos três primeiros filmes, o mesmo acontece: é competesubtituir Gore Verbinski, responsável pelos três filmes, o mesmo acontece: é competente mas não se destaca, até atrevo a dizer ligeiramente aborrecido. E também não percebi a sua necessidade de estender tanto o filme, acaba por ser doloroso termos de esperar tanto tempo por cenas óptimas e apelativas.

Em primeiro lugar senti que me deparava com um "reboot" da saga. O quarto filme desta série introduz um novo capítulo, completamente diferente do que nos tinha sido demonstrado anteriormente. Ora quando por vezes isso poderá parecer positivo, neste caso não o foi, pois esta mudança não trouxe qualquer evolução, mas antes assiste-se a um retrocesso. Dou exemplos: Jack Sparrow aparece sem navio como se nada tivesse acontecido, e embora posteriormente isso seja explicado, não foi uma explicação que me tenha satisfeito. E depois há a tal expedição em busca da fonte da juventude, que estranhamente nunca foi mencionada na trilogia. Achei apenas esse pormenor interessante, visto que era aparentemente um objectivo de vida de Jack Sparrow... Achei forçado simplesmente. Não obstante estes buracos no argumento, é um filme que não deixa de ter os seus grandes momentos de entre
tenimento. E a história não deixa de ser consistente, apesar de considerar pouco inovadora... A sensação de "mais do mesmo" é absolutamente constante. Apenas divergem algumas personagens e a localização dos sítios, mas substancialmente a história é bastante limitada. No entanto, uma interessante adição foi sem dúvida a introdução das sereias, quem diria que poderiam ser tão mortíferas? O certo é que são as protagonistas da melhor cena de acção do filme. Mas sinceramente já não se fazem vilões como o Davy Jones! Esse sim é que devia ser categorizado como o pirata mais temido.

Digo isto sem querer descredibilizar o excelente trabalho de Ian McShane, pois interpreta Barba Negra vigorosamente. Porém, na minha opinião não é uma personagem que marque tanto impacto como Davy Jones (interpretado por Bill Nighy). Ainda quanto aos actores, é inegável que é Johnny Depp que faz valer o filme totalmente. É igualmente perceptível que Depp ainda tem um enorme prazer a interpretar esta clássica e carismática personagem, e mais uma vez proporciona-nos uma interpretação magistral digna de nomeação ao Óscar (o que acontecera no primeiro filme da saga, indiscutivelmente o meu p
referido). Mas para quem não é grande fã poderá vir a considerá-la ligeiramente cansativa, pois já não é tão irreverente quanto era. Ver novamente Geoffrey Rush trouxe-me a sensação de nostalgia... Gostaria que tivesse sido melhor utilizado no filme, mas nas cenas em que aparece faz um bom trabalho, como esperado. Penélope Cruz, uma beleza, é claro, mas infelizmente senti que a personagem dela era um bocado deslocada, e sinceramente não consegui perceber a sua raison d'être. Incrivelmente forçada. Mas tinham que arranjar alguma história, não é? Mas é com esta falta de profunidade em relação às novas personagens que não consigo evitar as saudades de Orlando Bloom e Keira Knightley a interpretarem Will Turner e Elizabeth Swan respectivamente, na medida em que eram uma grande valia dos filmes anteriores, e fez muita diferença a sua ausência.

Em relação ao 3D, não é essencial, mas não estraga o filme. On Stranger Ties não é um filme perfeito, mas sem dúvida que merece uma oportunidade de visionamento, especialmente para quem é fã das aventuras de Sparrow. Decerto que se surpreenderão ao se aperceberem que este não é o pior da saga... Entretém!


EXAME

Realização:
6/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 5/10
Efeitos/Fotografia: 9/10
Duração/Conteúdo: 5/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 6/10

Média Global: 6.4/10

Crítica feita por Sara Queiroz


Informação

Título em português: Piratas das Caraíbas - Por Estranhas Marés
Título Original: Pirates of the Caribbean - On Stranger Tides
Realização: Rob Marshall
Ano: 2011
Actores: Johnny Depp, Penélope Cruz, Geoffrey Rush

Trailer

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Monsters - Zona Interdita (2010)



"Now it's our turn to adapt."

Sou fã de Ficção Científica pós-apocalíptica, ponto final. Desse modo, Monsters-Zona Interdita poderia ser um novo filme para adicionar à minha lista dourada; se me espetaram com uma sinopse minimamente interessante e uma promessa de "District 9 do ano", é normal que as minhas expectativas fossem de proporções consideráveis. Para quem pensa que vai ter um novo District 9, está irremediavelmente enganado. Fiquemo-nos pelo filme de quase Sci Fi que ficou aquém do desejado.
A NASA descobriu formas de vida alienígena dentro de nosso Sistema Solar. É enviada uma sonda para trazer amostras, mas ao voltar à Terra sofre um acidente e cai na América Central; seis anos depois, surge uma nova forma de vida no México, sendo declarada uma zona interdita. Neste cenário caótico, Andrew Kaulder (Scott McNairy),um jornalista americano, deve guiar em segurança Samantha (Whitney Able), a filha do seu chefe, para chegar até a fronteira dos Estados Unidos.

O filme teve baixo orçamento, mas isso não é desculpa para a fraca produção do filme. Convenhamos, com District 9 foi semelhante e esse foi um dos melhores filmes do ano de 2009. O argumento per se não é mau, é uma mistura de invasão alienígena, romantismo e temas políticos. Contudo, a execução da premissa é extremamente fraca, todo o enredo desenrola-se da maneira mais aborrecida possível; é que nem vou começar com os diálogos monótonos e redundantes. O filme tem apenas 90 minutos, mas devo dizer que vai parecer três horas. Considero que Monsters tem uma sequência inicial fantástica e que nos mantém intrigados, mas tirando esses primeiros quinze minutos ficamos o filme todo na ânsia que aconteça alguma coisa. Sim, o resultado é negativo para acção: não há sequências de luta ou as perseguições gritantes que o filme prometia. O título do filme é um pouco enganador, pois não é propriamente monstros por todos os lados, mas sim um testemunho de como duas pessoas tentam passar a fronteira entre o México e os EUA; deste modo, eu até compreendo em parte que o filme torna-se um pouco monótono. Toda a trama não é bem fundamentada, na minha opinião. Há quem diga que o filme tem demasiadas semelhanças com Distritct 9 e Cloverfield, devido ao subtexto político e fundo romântico respectivamente, mas eu considero que este filme não é digno de comparações.

O filme foi realizado por Gareth Edwards, que também trabalhou como o director de efeitos especiais. Edwards fez um magnífico trabalho com os efeitos especiais, fê-los de uma maneira extremamente competente! Com pena minha, vemos muito pouco dos ditos monstros, vemos mais o efeito da sua passagem; porém, do pouco que se vê concluí que estão muito bem feitos. O facto de vermos pouco os monstros resulta de certa maneira, pois constitui um elemento de suspense que Edwards conseguiu trazer, ideal para o filme funcionar minimamente. Se o trabalho de Edwards na realização fosse tão brilhante como os efeitos especiais, este filme seria realmente outra coisa, mas nem tudo é mau. Como já mencionei, o registo mais intimista do filme resulta, como também temos um bom desenvolvimento das duas personagens principais.Os amantes de Ficção Científica não verão Monsters como digno do género, e de facto nem eu o considero. Concentra as suas forças em mostrar um país moribundo e as respectivas atitudes sociais, 
e temos um romance dramático muito sólido. Como excelente ponto positivo temos a cinematografia. A cada minuto que passava, suspirava com a fotografia maravilhosa do filme, é de facto estonteante.
As performances dos actores são poderosas, gostei bastante de Scott McNairy e Whitney Able. Encarnaram bem as personagens e gostei da interacção entre eles, apesar dos diálogos não serem de facto os melhores.

Sabem aquela sensação de que querem gostar do filme, mas de facto esse não reúne os ingredientes suficientes para tal? Tentamos dizer para nós próprios "vá, é bonzito", mas no fundo não é? É mesmo isso que sinto. O filme não é o que se está à espera, contudo eu acho que devem dar uma oportunidade a este filme. Vale pela magnífica cinematografia , e digamos que o filme nem é assim tão mau. Fica o aviso para não esperarem que aconteça alguma coisa; ficam à espera que aconteça, e esperam, esperam, esperam, esperam...


EXAME

Realização: 6/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 4/10
Efeitos/Fotografia: 9/10
Duração/Conteúdo: 3/10
Transmissão da principal ideia do filme para o espectador: 7/10

Média Global: 6.1/10

Crítica feita por Joana Queiroz

Informação

Título em português: Monsters-Zona Interdita
Título Original: Monsters
Realização: Gareth Edwards
Ano: 2010
Actores: Scott McNairy, Whitney Able

Trailer do filme:



segunda-feira, 16 de maio de 2011

After.Life (2009)

After.Life é um thriller estreado em 2010, protagonizado por Christina Ricci e realizado pela estreante Agnieszka Wojtowicz-Vosloo. Achei a temática do filme interessantíssima, e o trailer também me tinha suscitado o interesse. E, claro está, com um elenco riquíssimo destes (Christina Ricci, Liam Neeson e Justin Long), a vontade de ver o filme era ainda maior. Após o seu visionamento, é-me difícil explicar qual foi a sensação com que fiquei. É que não me aqueceu, nem me arrefeceu. Não desgostei, mas não adorei. Passo a explicar.

Após um horrífico acidente de carro, Anna (Christina Ricci) acorda no interior de uma morgue, onde se depara com o dono da funerária Elliot Deacon (Liam Neeson) a preparar o seu corpo para o funeral. Confusa e assustada, Anna não consegue acreditar que está morta, não obstante Elliot constantemente assegurar que ela encontra-se meramente na transição entre a vida e a morte. Elliot diz-lhe que tem a capacidade para comunicar com os mortos, sendo o único que a pode ajudar. Anna verá-se forçada a enfrentar os seus medos e a aceitar a própria morte. Mas será que Elliot diz a verdade ou será um macabro serial killer? Sem dúvida que é a grande questão do filme, e a sensação de dúvida é constante.

After.Life parte de uma premissa sólida e a sua história é imensamente interessante. Aborda uma temática complexa e misteriosa, o facto de existir ou não vida após a morte, daí considerar que tinha a priori grandes potencialidades para ter sucesso. No entanto, é daqueles que se fica pela promessa mas acaba por não cumprir, pois não só falha em proporcionar um mínimo momento de verdadeira intensidade como a própria execução não está bem assegurada, devido à sua narrativa confusa e inconstante. Se por um lado pode parecer bom rondarmos a incerteza, por outro, chega a ser demais, na medida em que chega a uma altura em que a narrativa já foi mastigada e invertida tantas vezes, que não há ponta que se lhe pegue. É, sem sombra de dúvidas, um filme susceptível a diversas interpretações. Não fiquem à espera de obter grandes respostas no final, pois o facto é que não nos é facultada qualquer resposta clara e concisa. Penso que a intenção da realizadora foi mesmo deixar o espectador interpretar e concluir por si. Pois bem, isso poderá parecer positivo, só que em After.Life revela ser um ponto negativo pois como a premissa não foi bem executada, existem inevitavelmente buracos no argumento, o que não permite ao espectador concluir com grandes fundamentos. Na minha opinião, a realizadora esforçou-se demais a proporcionar um desafio intelectual ao espectador, acabando por se perder nesse processo.

Relativamente às personagens, considero que há pouco desenvolvimento das mesmas. Porém, isso não tira o mérito da excelente interpretação de Liam Neeson, que para mim faz valer o filme totalmente. A sua personagem, fria e calculista, é de causar verdadeiros arrepios. A crítica social que a realizadora tenta transmitir, a do verdadeiro desapreço que algumas pessoas têm pela vida, é feita através desta personagem, excelentemente bem interpretada pelo grande Liam Neeson. Christina Ricci apresenta-nos uma performance bastante competente, apesar da personagem que interpreta ser muito enfadonha mesmo. Em relação a Justin Long, é mais do mesmo. Esteve bem, mas não consigo dissociar da personagem que interpretou em Drag Me To Hell, é o mesmo registo.

After.Life é um filme que se vê bem, apesar de se tornar cansativo. Não é daqueles que causa impacto, mas ver uma primeira vez certamente não custa. Porém, rapidamente cairá no esquecimento.

EXAME

Realização: 5/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 6/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 6/10

Média Global: 6.3/10

Crítica feita por Sara Queiroz


Informação

Título em português: Depois da Vida
Título Original: After.Life
Ano: 2009
Realização: Agnieszka Wojtowicz-Vosloo
Actores: Christina Ricci, Liam Neeson, Justin Long

Trailer do filme:

Mother's Day (2010)

Darren Lynn Bousman, mais conhecido pelo seu trabalho na realização em Saw II, III e IV, assumiu as rédeas do remake de Mother's Day, originalmente estreado em 1980. É um filme em que Bousman claramente não desvia o seu registo pelicular, pois o nível de sangue, gore e massacre, quando comparado com seus outros filmes, é praticamente o mesmo. Não era nada que não tivesse à espera, pois "incrivelmente violento" é inevitavelmente o rótulo atribuído aos filmes de Bousman. Mas devo salientar desde já que Mother's Day surpreendeu-me pela positiva, pois esperava muito menos do filme. Digamos que o trailer não está propriamente apelativo, e o título do filme também não é chamativo. Pois bem, não está extraordinário, mas é uma surpresa que todos os fãs do género devem ver.

Bem, é o génio por detrás de Saw! Logo isso diz-nos qualquer coisa... Aqui proporciona-nos um filme caótico e infernal: Beth Sohapi (Jaime King) e Daniel (Frank Grillo) estão a reconstruir as suas vidas após a morte trágica do seu filho. Têm uma nova casa, e convidam os seus amigos para uma festa. Mas quando Izaak (Patrick John Flueger) e Addley Koffin (Warren Koke) entram na casa para resolverem como salvar o seu irmão mais novo (que tinha sido baleado após uma tentativa falhada de assaltar um bando), pensando que a casa pertencia à sua mãe, fazem de todos os convidados na casa seus reféns, e telefonam à "Mother" (Rebecca de Mornay) para resolver a situação. Claro está, a família Koffin causará imensos estragos, à procura de dinheiro para conseguirem escapar, ao mesmo tempo que conseguem virar todos os reféns uns contra os outros, destruindo todas as possibilidades de sobrevivência.

Mother's Day tem um começo lento, mas gradualmente vai-se desenrolando, e deparamos-nos
com cenas verdadeiramente tensas e de cortar a respiração. É nessa medida em que considero que o filme está bem arquitectado, não obstante, por vezes, algumas cenas serem demasiado extensas ou até mesmo desnecessárias. É neste aspecto que considero a realização de Bousman um pouco cansativa, pois não só não é inovadora, como é repetitiva e enfadonha... Achei algumas sequências demasiado previsíveis. No entanto, houve outras que me conseguiram surpreender totalmente. É uma dicotomia constante, sendo um ponto negativo mas também positivo. O filme também nos demonstra até que ponto a natureza humana é animalesca. O instinto de sobrevivência é bastante activo e por vezes, as pessoas fazem mesmo de tudo para sobreviver, mesmo sendo destrutivas e egoístas. A linha entre a loucura e sanidade é, de facto, bastante ténue. Considero, no entanto, que há alguns erros a nível de argumento, há decisões que as personagens tomam que são de loucos, e não sei até que ponto é propositado, mas acaba por ser irrealista.

Em geral, as performances dos actores estão bastante sólidas e realistas. Aliás, era algo a que estava expectante, pois a situação com que nos deparamos no filme é mesmo aterradora, logo esperava que os actore
s transmitissem a 100% o desespero e o medo que é estar naquela situação. E fizeram-no muito bem. Jaime King, como sempre bastante credível, assume a liderança do elenco de uma maneira muito segura. Rebecca de Mornay está verdadeiramente espectacular no filme. A sua performance é aterradora e intimidante, atrevo-me mesmo a comparar com Anthony Hopkins a interpretar Hannibal Lecter; Aquela calma e aparente serenidade, posteriormente contraposta com terror e insanidade num momento seguinte. Os restantes actores também fazem um trabalho satisfatório, tanto os que interpretam os vilões como as vítimas. Destaco Shawn Ashmore, que conhecia pelo seu trabalho em Frozen, igualmente aqui bastante bem. Um filme de terror com um excelente elenco é algo bastante raro hoje em dia, sendo uma das suas mais valias.

Em tom de conclusão, temo que terei que me repetir... Mother's Day é uma boa surpresa, sendo surpreendentemente sólido e intenso, não obstante ter as suas falhas. Vale a pena dar uma olhadela.


EXAME


Realização:
6/10
Actores:
8.5/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 6/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador:
7/10


Média Global: 6.9/10

Crítica feita por Sara Queiroz


Informação


Título em português:
Título Original:
Mother's Day
Ano:
2010
Realização:
Darren Lynn Bousman
Actores:
Deborah Ann Woll, Shawn Ashmore, Lisa Marcos, Jaime King, Rebecca De Mornay

Trailer do filme:


quarta-feira, 11 de maio de 2011

Estreias da Semana!

Estreia, quinta-feira, nos cinemas portugueses, Your Highness, uma comédia realizada por David Gordon Green que conta com as interpretações de Danny McBride, Zooey Deschanel, James Franco e Natalie Portman.

Sinopse (PÚBLICO): Num reino muito, muito distante, existem dois príncipes irmãos: Fabious, o mais velho, é belo, amável e corajoso; Thadeous, o mais novo, nem por isso. Quando Belladonna (Zooey Deschanel), a futura noiva do príncipe herdeiro, é raptada pelo cruel feiticeiro Leezar (Justin Theroux), o rei faz um ultimato ao filho mais novo: ou ajuda o irmão na grande missão de resgate da princesa ou é deserdado. E é assim que os dois irmãos, com a ajuda da corajosa guerreira Isabel (Natalie Portman), formam uma equipa improvável que salvará não apenas a vida da princesa em perigo, mas todo o reino da fúria dos seus inimigos.

Trailer



Outras Estreias


Zona Interdita

Título original: Monsters
De: Gareth Edwards
Com: Whitney Able, Scoot McNairy








ArthurNegrito

Título original: Arthur
De: Jason Winer
Com: Russell Brand, Helen Mirren, Jennifer Garner







Cliente de Risco

Título original: The Lincoln Lawyer
De: Brad Furman
Com: Matthew McConaughey , Marisa Tomei, Ryan Phillippe








E mais: Pina, Sonhos de Dança, Lourdes, Águas Mil.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Velocidade Furiosa 5 (2011)

Se pensar a nível geral, sei perfeitamente que não sou muito apologista ou fã de trilogias com demasiados capítulos. No entanto, neste caso estamos a falar de uma sequência que jamais foi feita no cinema, uma sequência que faz a mais perfeita mistura entre acção e velocidade. Por este motivo e porque o capítulo 4 (“Velozes e Furiosos”) tinha recuperado a credibilidade desta odisseia depois do grande fracasso que foi o 3º filme (“Ligação Tóquio”), fui ver a nova proposta desta saga de mente aberta, até porque tínhamos portugueses metidos à mistura e já tinha ouvido muito boas impressões sobre o filme.

Neste filme Dominic Toretto (Vin Diesel) e o ex-polícia Brian O’Connor (Paul Walker) estão agora juntos no Rio de Janeiro com Mia (Jordana Brewster), depois de libertarem Dom da prisão. No entanto, ainda a monte, terão de realizar um último grande trabalho para enriquecerem e conquistarem a liberdade definitiva que pretendem. Para isso, têm de roubar o líder do crime no Rio de Janeiro, Reyes (Joaquim de Almeida), orquestrando um grande plano e contratando uma equipa de elite para executar a missão. É seguindo esta linha que o filme se desenrola e devo dizer que até achei a história muito bem conseguida. Ainda assim, é inegável que a velocidade já está muito batida e tinha de se acrescentar algo mais à saga e é por isso que grande parte do filme vive de cenas de acção que não têm obrigatoriamente carros envolvidos o que eu achei que se adequou perfeitamente. Ainda falando dessas muito debatidas cenas de acção presentes no filme, devo dizer que me maravilhei com a forma como estão filmadas. Carregadas de adrenalina e de destruição, com uma variação de planos e de movimentos de câmara espectaculares que nos fazem ficar colados ao ecrã. A cena da perseguição feita nas favelas do Rio está extremamente bem conseguida. Ainda assim, e como já repararam que neste filme não há bela sem senão, há demasiadas “ocorrências impossíveis”. Nestes filmes o espectador já tem de estar predisposto para assistir a algumas cenas de resgate e de salvação que são completamente impossíveis fora do ecrã, no entanto penso que neste filme eles abusaram dessa “tolerância ao impossível” e que conceberam diversas cenas com ficção a mais. Compreendo que tenha sido numa tentativa de dar espectacularidade ao filme mas acabaram por pisar a ténue linha que separa essa espectacularidade do bizarro.
Ao nível do enredo e do argumento propriamente dito, não penso que seja um filme em que se possa avaliar de uma forma exuberante as qualidades do argumento. Não é uma história nova, não uma história complexa, não são personagens carregadas de características únicas. Por isso mesmo mais uma vez saliento o trabalho do realizador deste filme. Ainda assim, penso que houve uma tentativa ridícula de imitar o “Ocean’s Eleven” de Soderbergh em diversos aspectos, especialmente na forma como conseguem executar o plano. Aquela questão de chamarem 8 ou 9 indivíduos, cada um com a sua especialidade, cada um vindo de uma parte diferente do mundo e também o facto de terem ensaiado o assalto ao grande cofre de Reyes adquirindo uma cópia do mesmo, foi mesmo há moda de Soderbergh e acho que para os espectadores mais atentos isso acabou por se transformar num ponto negativo. Mesmo assim, posso também dizer que o grupo dos 9 magníficos funcionou muito bem a todos os níveis.

Passando agora à parte da banda sonora, devo dizer que fiquei muito impressionado pela positiva. Obviamente que neste tipo de filme não se procura uma obra muito rica de grandes compositores, procura-se um conjunto de músicas que acrescente alguma coisa especialmente às personagens e sem dúvida que esse propósito foi cumprido. Com várias músicas brasileiras, este conjunto de músicas assentou perfeitamente na postura implacável, intocável e brava do grupo dos 9 assaltantes. A nível fotográfico, mais uma vez saliento que neste tipo de filmes nunca será um factor muito tido em conta mas fiquei muito feliz ao perceber que a direcção de fotografia aproveitou para corresponder ao ar “luso-latino” que se queria dar ao filme, fazendo ao mesmo tempo um aproveitamento espectacular das favelas do Rio de Janeiro enquanto local para se gravar um filme. Penso mesmo que a perspectiva das favelas oferecida por este filme arruma totalmente a que nos foi oferecida pelo recente “Tropa de Elite”.

Na representação, todos os actores sabem o que se pede numa saga como o “Velocidade Furiosa”: muita postura, muita densidade, poucas palavras e um toque de bom humor q.b. Pois bem, volto a dizer mais uma vez que a nível geral todos estiveram bem e que gostei especialmente das prestações dos actores vindos dos diferentes continentes. Chega a haver mesmo cenas extremamente hilariantes protagonizadas por Chris Ludacris, Don Omar, Tego Calderon, Tyrese Gibson e Sung Kang. As notas menos positivas vão para Vin Diesel e Dwayne Johnson que abusaram claramente do seu estatuto de “machões” do filme, chegando mesmo a parecer fingido. Há demasiadas frases curtas ditas quase em câmara lenta para parecem antecipar a maior das loucuras e a maior das adrenalinas. O nosso Joaquim de Almeida esteve igual a si próprio, no papel de vilão latino que sempre lhe fica tão bem. No entanto, a escolha dos actores para fazerem de seus compinchas foi bastante infeliz. Foram buscar uns actores mexicanos ou porto-riquenhos que para além de serem totalmente monótonos e muito pouco expressivos, falharam completamente na altura de falar brasileiro. Houve mesmo imensos risos na sala quando alguns disseram alguns palavrões tipicamente portugueses, que em vez de soarem a “favelês” soaram a emigrante de leste claramente. Das principais falhas na minha opinião, tirou muita credibilidade aos vilões que participaram neste filme.

Em suma, devo dizer que foram duas horas muito bem passadas. De vez em quando sabe bem ver um filme destes, em que não importa muito o nível de riqueza cinematográfica mas sim o nível de entretenimento que é capaz de nos proporcionar. Um filme bem conseguido, com ritmo e propósito e que tem um final espectacular e que lança o mote para o 6º capítulo que não será de todo descabido. Parabéns mais uma vez a Justin Lin, gostei muito da realização do filme.
Ainda assim, os fãs que gostavam da saga pelas grandes bombas e os grandes carros, esses vão ficar muito desiludidos.
PS: Alguém é capaz de me dizer quanto dinheiro foi declarado pela produção deste filme em estragos e carros para partir?

EXAME:

Realização: 9/10
Actores: 6/10
Argumento: 6/10
Banda sonora: 8.5/10
Fotografia: 8/10
Duração/Conteúdo: 8.5/10
Transmissão da ideia principal para o espectador: 7/10

Média Global: 7.6/10

Crítica feita por Pedro Gonçalves

Informação
Título Original: Fast Five
Título em Português: Velocidade Furiosa 5
Ano: 2011
Realização: Justin Lin
Actores: Vin Diesel, Paul Walker, Joaquim de Almeida

Trailer